Notas iniciais
Ola pessoas o/ Semana que vem nao tem capitulo. Eu ainda estou gripada... Mas vou postar uma one shot. Fiquem ligados. Essas ultimas semanas tiveram problemas em capitulo programados, espero dar certo dessa vez. O capitulo de hoje tá bem leve, espero que gostem. Boa leitura o/

(Talvez fazer planos seja uma boa ideia…)

Quando Kali acordou já era noite. Sentiu a cabeça doer.

Sentou-se na cama, sentindo a dor piorar com o movimento. Levantou-se, ligando a luz do quarto e procurando em sua mochila um remédio para dor. Quando achou saiu do quarto vendo que todas as luzes estavam apagadas. Achou que todos já haviam ido dormir e tentou não fazer barulho enquanto caminhava pelo corredor. Quando chegou na escada viu uma luz azulada. A televisão estava ligada e alguém estava deitado no sofá. Continuou caminhando em silêncio, chegando na cozinha e procurando um copo. A luz da televisão iluminava um pouco a cozinha, o que a ajudou.

Decidiu ir para o quarto e tentar voltar a dormir, mas quando passou pela sala viu que quem estava no sofá se mexeu. Parou por um momento, não queria acordar ninguém. Quando a pessoa parou de mexer-se voltou a caminhar.

— Kali? – Ela parou de novo ouvindo a pessoa chamá-la. – Tá tudo bem?

— Felipe? – Surpreendeu-se quando o viu. – Por que tá aqui?

— Eu decidi ficar pra caso acontecesse alguma coisa.

— Hum… Desculpa se te acordei. Eu vou voltar pro quarto, então você pode voltar a dormir.

— Você não me acordou, na verdade. Eu tô sem sono hoje.

— De qualquer forma eu vou subir. – Kali colocou o pé no primeiro degrau da escada.

— Não tá com fome? – Felipe perguntou e Kali parou sentindo seu estômago vazio. – Você não almoçou, então deve estar com fome.

— Já tá tarde, provavelmente. É melhor eu só voltar pra cama. – Kali não estava muito convicta do que estava falando, mas não queria ficar perto de Felipe agora, não depois dele ter visto um lado tão fraco dela.

Ela se lembrava de tudo que havia acontecido mais cedo e do fato de Felipe tê-la ajudado. Mas não gostava de parecer fraca, por isso nunca chorava quando apanhava e achava que aquilo que aconteceu era fraqueza da sua parte. E o fato de Felipe ter visto isso a deixava nervosa. Ninguém além de Rafael tinha a visto chorar e Felipe viu muito mais do que isso. Ele viu seu desespero.

Sentiu-se decepcionada com sua fraqueza.

Também sabia que acabaria incomodando Felipe se resolvesse comer alguma coisa, porque o atrapalharia a dormir enquanto preparava sua comida.

Mas, apesar disso, agora realmente sentia-se faminta.

Felipe levantou-se vendo a hesitação de Kali.

— Vamos. – Ele disse.

— Quê? – Kali virou-se para Felipe.

— Eu sei que você tá com fome. Eu preparo alguma coisa pra você comer.

— N-não pre-precisa, Felipe.

Felipe a ignorou indo para a cozinha.

— De qualquer forma, eu também tô com fome. Então não é só pra você que vou fazer um favor.

Felipe abriu a geladeira analisando o que daria para fazer com os ingredientes que haviam ali.

Depois de alguns minutos considerando suas opções, Kali, que ainda estava parada perto da escada, decidiu ir para a cozinha quando sentiu um cheiro muito bom vindo de lá.

— O que você tá fazendo? – Kali perguntou, sentindo a fome aumentar devido ao cheiro que saía da panela no fogão.

— Uma omelete. – Felipe respondeu, sem deixar de prestar atenção no que fazia.

— Tá cheirando...

— Eu sei, eu cozinho bem. – Felipe se virou para ela sorrindo.

— Convencido. – Kali bufou.

— Só falo verdades.

— Isso por si só já é uma mentira! – Kali refutou rindo.

— Pior que tu tem razão! – Felipe riu também.

Ele terminou de fritar a omelete, colocando-a em um prato grande que levou até a mesa. Pegou também dois pratos menores e talheres servindo Kali com um pedaço e servindo-se também.

— Experimenta. – Ele pediu.

Kali experimentou, arregalando os olhos em seguida, impressionada.

— Tá delicioso!

— Eu disse que cozinho bem. – Felipe sorriu vitorioso também começando a comer.

— Como aprendeu a cozinhar?

— Foi meio que à força. Meu irmão não gostava de cozinhar e também ele nunca tava em casa, então pra não morrer de fome eu tive que aprender a cozinhar. Mas minha comida só ficou realmente boa depois que eu fui morar com meu tutor que faz uma comida excelente.

— Entendi.

— E você? Sabe cozinhar?

— Eu nunca tive com quem aprender, de fato, mas também não morro de fome.

— Se quiser eu te ensino.

— Não... De qualquer forma eu nem vou usar esses ensinamentos.

— Por quê?

— Eu não cozinho em casa e talvez eu morra antes de conseguir sair de lá e ir pra algum lugar onde eu precise cozinhar...

— Quanta negatividade!

— Não dá pra ser positiva vivendo a vida que eu vivo.

— É, eu entendo... Mas ter esperança não faz mal.

— Isso se ela não for frustrada, o que no meu caso é bem fácil de acontecer.

— Okay. Eu desisto. – Felipe levantou as mãos em sinal de rendição.

— Quantas horas são, afinal? – Kali perguntou quando terminou de comer.

— Umas 2 horas da madrugada. – Felipe respondeu levantando-se e levando os pratos para a pia para lavar.

— Eu dormi tanto assim? – Kali surpreendeu-se por ter dormido por mais de 12 horas.

— Você passou por um estresse muito grande. Precisava dormir.

— Mas acho que eu nunca dormi tanto... – Kali falou mais para si, sentindo-se envergonhada mais uma vez por lembrar do ataque de pânico que teve.

— Já tinha acontecido isso antes com você?

— Podemos não falar sobre isso, por favor? – Kali abaixou a cabeça, começando a brincar com uma linha que pendia da manga de sua blusa.

— Não precisa ter vergonha disso, Kali.

— Eu sou fraca. – Kali falou baixo, mas Felipe conseguiu ouvir.

Ele terminou de lavar os pratos e voltou a sentar-se.

— Isso não é uma fraqueza. Algumas pessoas em seu lugar já teriam desistido. Eu já teria desistido.

— Você já teve um ataque de pânico?

— Não. Mas já vi muita gente nessa situação.

— Se você aguentou tudo o que passou sem ter um ataque de pânico, como pode dizer que eu não sou fraca?

— Porque eu não aguentei segurar a barra como você está fazendo.

— Como assim? – Kali finalmente o olhou.

— Quando meu irmão morreu eu tive que passar por um processo pra definir quem ficaria com minha guarda, já que eu era menor de idade. Meus parentes simplesmente ignoraram minha existência. Acho que eles me viam como um drogado, que meu irmão tinha me influenciado a ir pro mal caminho e que eu desencaminharia meus primos e traria problemas pra família. Eles praticamente jogaram isso na minha cara. Foram alguns meses assim, até que a justiça me designou um tutor. Todo esse tempo eu havia ficado em um estado de choque e eu simplesmente ignorava tudo à minha volta. Ignorava não por vontade própria, nem conscientemente, e sim por simplesmente não conseguir me despertar do choque. Quando eu fui morar com meu tutor, acho que por mudar pra um ambiente totalmente novo, a ficha caiu. Eu tinha perdido meu irmão, a única família que eu tinha, aquele que me criou depois que meus pais morreram... meu herói... E fui abandonado por aqueles que eu devia chamar de família. Eu entrei em desespero seguido de depressão. Eu demorei meses pra sair de casa. Fiquei um ano sem estudar. Até que comecei um tratamento com um psicólogo e aos poucos fui voltando a meu estado normal. Faço tratamento até hoje e ainda tenho recaídas. Eu me achava fraco por ter ficado assim. Eu quis me matar várias vezes. Tá vendo essas marcas? – Felipe estendeu o braço para que Kali visse seu pulso, onde continha cicatrizes, linhas brancas e avermelhadas marcadas na pele. – Me cortei várias vezes. Eu achava que a dor física me ajudaria a superar a dor emocional, mas no fim das contas só resultou nestas marcas. E as cicatrizes são das vezes em que eu de fato tentei me matar. Chegou uma hora em que cortes superficiais não eram suficientes... – Felipe alisou o pulso com os dedos, pensativo. – Em algum momento eu acordei. Não sei por quê. Só sei que deixei as pessoas me ajudarem e eu aos poucos melhorei.

— Sinto muito. Eu não sabia…

— Tudo bem! – Felipe sorriu. – Quando tudo isso passar você vai sentir que foi apenas um pesadelo. Você vai ser feliz um dia, Kali.

— Eu já perdi a esperança…

— Quando passamos por um problema difícil achamos que aquilo não tem solução, que nunca vai passar. Mas sempre passa. Sempre aparece alguém que pode nos ajudar.

— E se for tarde demais quando alguém aparecer?

— Eu estou aqui. – Felipe segurou a mão de Kali fazendo-a olhar para ele. – Eu posso te ajudar. Não é tarde demais, certo? – Felipe sorriu.

— Felipe… eu…

— Quando tudo isso acabar eu quero te levar pra fazer as coisas que você foi privada de fazer nesses últimos anos. Eu posso?

— Eu… não sei. – Kali puxou a mão que Felipe segurava.

— Vou deixar você pensar nisso e depois você me responde, okay?

Kali anuiu.

Felipe foi até a sala, pegando um papel e uma caneta e voltando para a mesa.

— Eu vou fazer uma lista.

— Uma lista?

— Eu preciso anotar aonde você quer ir pra eu não te levar num lugar que você não goste.

— Mas eu ainda não respondi se vou ou não.

— Independente da sua resposta eu vou nesses lugares que eu anotar. Com ou sem você.

Felipe começou a escrever no papel. Depois de um tempo ele entregou o papel para Kali, que o leu.

— Parque de diversões… Parque aquático… Cinema… Teatro… Biblioteca municipal… Zoológico… Sorveteria (obs.: tomar vaca preta)… Pizzaria… Shopping… Paris… Paris? Na França?

— Sempre quis conhecer Paris. Você não?

— Mas é muito longe! E caro!

— Quem se importa? Eu quero conhecer Paris e eu vou. Fim de papo.

— Tira o zoológico da lista. – Kali devolveu-lhe o papel.

— Okay. – Felipe riscou o zoológico. – Se quiser pode adicionar mais alguma coisa.

Kali pegou o papel e a caneta, pensando um pouco antes de escrever e devolver o papel a Felipe.

— Praia? Nunca foi na praia?

— Não…

— Então tá decidido. Nós vamos começar por aí!

Felipe deu um sorriso largo e Kali, contagiada, sorriu também.

Notas finais
Se você leu até aqui #obrigada^^