Em Busca de Um Olhar
3 Capítulo dois
Notas iniciais
Queria agradecer as meninas que comentaram e dizer que amei cada comentario...
Obrigada a: NCullen, kehfrois, Tah_Lacerda, paulahalle, Larii_Cullen, alma, Villyn, SerenaLee, riannemello e isahpotter.
S2
Agora BOA LEITURA!
Putz, já comecei a escrever o cap 3 (impressionada comigo msm!)
Não voltamos direto para casa depois de sairmos do hospital, meus pais não queriam acreditar que já não existia mais chances para mim. Eles se agarravam ao último fio de esperança, a opinião de outro médico. Como meus pais não confiaram muito no diagnostico dos médicos que acompanharam meu caso, fomos para outro hospital no Hawaí, um que eles julgavam ter melhores recursos para o meu caso.
Todos os pensamentos positivos que Dona Esme e Charlie tinham se esvaíram quando um especialista do país disse que meu caso talvez fosse irreversível e que só o tempo poderia dizer o que iria acontecer.
Porém meus pais não desistiram e passaram 2 anos só em clinicas especializadas no meu caso, tentando assim fazer com que eu voltasse a enxergar.
Moramos esses dois anos na casa que meu pai mantinha nos EUA para os dias que ele tivesse que passa por lá. O casamento de meus pais, que já não estava muito estável a muito tempo, tendeu a ruína. Meu pai Charlie Cullen, acho que se sentia culpado, pois por mais que tivesse uma situação financeira muito boa, por ser um ótimo advogado, teve a prova que nem todo dinheiro pudia comprar algo como eu poder voltar a enxergar.
Meu pai frustrado com tudo isso colocou a culpa de tudo que estava acontecendo comigo em minha mãe Esme, pois ela sempre me incentivou a correr atrás de meus sonhos, e ele disse que esses sonhos que ela tanto apoiou quase me levaram a morte.
E isso foi a gota d’água para o casamento que já não estava tão bom. A última vez que os vi juntos antes de meu acidente foi no dia em que eu estava embarcando. Depois disso só houve brigas, eles nunca foram um casal exemplo, mais às vezes me pergunto se não foi minha culpa tudo isso, ou se a minha cegueira só foi a desculpa para o que eles já queriam fazer a muito tempo.
Me pergunto às vezes se um dia meus pais foram felizes no casamento, não sei porque agora essas lembranças estejam vindo à tona, lembranças das varias brigas que eles vieram tendo durante todos os anos de casados, suspeitas de traições e por ai em diante. Meu pai resolveu ficar nos EUA, aonde já tinha tudo, talvez ele já pretendesse ir embora só não teve a oportunidade perfeita para fazer tal coisa e agora eu estava lhe dando a oportunidade, a responsabilidade de cuidar de um filho de 17 anos cego, a pressão, a duvida se conseguiria lidar com isso e seu casamento com minha mãe já não tinha mais salvação, essa foi sua deixa para acabar com tudo e dizer que não conseguia mais. Ele nos deixou. Resolvemos que permanecer na casa de meu pai, que se encontrava em um hotel temporariamente, não dava mais, resolvemos voltar assim, voltar para nossa cidade.
Agora estávamos de volta, porém sem meu pai.
Depois de tantos anos longe, eu finalmente estava de volta, me encontrava com as janelas do passageiro aberta sentindo a mudança do clima, a nova atmosfera que me atingia. Podia sentir a serra e me sentia feliz, pois logo estaria sentindo o mar.
A mudança de clima estava presente, podia sentir a diferença do aeroporto para cá.
Antes de chegar a minha praia, passávamos por uma serra, sentia o carro subir e descer por ela. O que me fazia lembrar de meu passado, na época em que eu enxergava, quando nós voltávamos da cidade e eu ficava olhando maravilhado para a floresta, as montanhas que cercavam as estradas e agradecia sempre por morar em um lugar assim, porque muitos não gostassem de ficar horas nessas estradas por achar chato, entretanto sempre tinha uma recompensa.
-Bem vindo a Madeleny Town filho. -disse minha mãe, senti em sua voz que ela também estava feliz por finalmente voltar, da mesma maneira que eu estava.
Madeleny Town, a cidade aonde nasci, cresci e se possível pretendia morrer.
Eu amava morar no litoral, ninguém dizia que aqui era, já que antes vinha a serra. Mas eu amava morar nessa pequena cidade litorania, às vezes me sentia um verdadeiro peixe quando se tratava de mar, mas agora são águas passadas, já que não poderei mais vê-lo.
Agora que estou aqui penso que não foi tão boa idéia voltar para a minha cidade natal e saber que não irei poder voltar a minha rotina.
Podia sentir a maresia me tomando e isso significava que já estávamos chegando. A parte até boa de ser cego era que nossos outros sentidos ficavam melhores, minha audição estava mais aguçada, meu tato possuía uma sensibilidade maior e meu olfato nem se fala.
Quando chegamos a nossa casa, minha mãe me ajudou a sair do carro e me guiou para dentro e senti que ela tinha me deixado perto das escadas, pois podia sentir o corrimão dela.
-Espere um estante, querido, vou pegar as malas. -disse Esme e eu apenas assenti. Desde o acidente e de meu pai ter nos deixado eu não era muito de falar, simplesmente não conseguia. Ela suspirou pesadamente, esses meses estava sentindo que minha mãe não estava bem, eu sei que esse anos estavam sendo muito difíceis para ela, assim como pra mim e que minha súbita frieza com ela não ajudava muito, porém com tudo que havia acontecido eu me sentia incapaz de expressar algo, era difícil até de respirar em algumas situações. Às vezes me sentia em transe, eu não vivia, não era feliz e isso eu deixava bem explicito, não escondia de ninguém e minha mãe estava começando a ser afetada por isso, mas eu não conseguia continuar, eu só vivia naquele frenesi, como se tudo não passasse de um terrível pesadelo e que logo eu acordaria pronto para mais um dia de praia.
Comecei a explorar um pouco da casa, por mais que tenha ficado cego minhas lembranças não eram algo que podia ser afetada, conseguia me lembrar de como era a casa e quando tocava nas coisas podia imaginar como elas eram, comecei a deslizar uma de minhas mãos pela parede para não me perder e nem bater em nada, foi quando senti que tinha algo a minha frente, passei as mãos pelo objeto tentando identificar o que era e assim que passei os dedos pelos teclas elas emitiram um som, era meu querido piano de calda que meu pai Charlie havia me dado de aniversário. Dedilhei algumas teclas tentando assim recordar como se toca ou alguma música simples que antes de brincadeira tocava de olhos fechados. Mas o que saiu não era algo que eu tinha aprendido um dia, estava mais para uma música triste e dramática que eu havia acabado de compor, eu não sei de onde ela saiu, só sei que quando dei por mim meus dedos corriam pelas teclas rapidamente, e a música apenas fluía, como se eu já tivesse tocado-a varias e varias vezes. E notei que o piano era algo que mesmo cego, ainda podia tocar.
Quando eu comecei a tocar me senti bem, como quando eu podia enxergar, por mais que isso fosse masoquismo, pois quando eu parasse de tocar a realidade me atingiria e eu voltaria a minha drástica vida de pobre menino cego, era um garoto cheio de vida e agora estou condenado a escuridão, isso era a única coisa que eu era digno, de pena.
A essa altura minha bela melodia triste e calma já havia se tornado algo forte, cheio de raiva e magoa, parei de tocar quando senti que tinha alguém atrás de mim.
-Muito bonito, meu filho. -disse minha mãe apertando meus ombros me passando um pouco de conforto, força, como se ela conseguisse saber o que se passava em minha cabeça. -Acho ótimo te ver tocar piano novamente. -disse dona Esme chorosa, como se estivesse emocionada.
Como seria essa cena agora se eu enxergasse?
Provavelmente eu que a perguntaria se estava bom, e ela apenas diria “Está ótimo, querido” sem prestar muito atenção na melodia que eu havia acabado de tocar. Por mais que minha mãe sempre fosse a favor de tudo que eu queria fazer, ela nunca prestou atenção no que eu fazia realmente, ela só deixava. Só para não me ouvir reclamar.
Dona Esme só queria saber de si mesma, de suas próprias coisas, mas de seu próprio filho, não! Ela me deixava fazer tudo, não me punha limites, só para dizer que era uma boa mãe, por me deixar fazer tudo que eu queria, eu realmente achava isso. Porém hoje, vejo que eu não passava de um menino mimado, que minha mãe não era a melhor como eu pensava, que eu tinha defeitos e que nós dois não tínhamos uma vida perfeita.
Na verdade minha mãe nunca me deu a atenção necessária e que assim como ela, eu estava me enganando com relação a nós sermos uma família unida, feliz, pois na verdade nós não éramos.
Em algumas vezes, acabo pensando que minha cegueira me fez enxergar o que eu não conseguia ver antes. Agora eu podia ver o certo e o errado de minhas atitudes e que quando meu pai disse que eu não deveria ir para a competição, eu realmente deveria ter obedecido. E agora posso dizer que por mais que fosse difícil a situação, eu estava mais próximo de minha mãe graças a tudo isso. E por incrivel que pareça eu gostava.
Posso até não falar tanto quanto antes, mas agora estou vivendo outra época, bem mais difícil e que às vezes ficar calado é o melhor, para não machucar minha mãe, mais do que ela já está.
-Quer comer algo Edward? -perguntou Esme.
-Não, obrigado! Só quero no momento descansar. -disse esboçar um pequeno sorriso, que não alcançavam meus olhos, comecei a me levantar do piano e minha mãe me guiou até as escadas, porém lá eu disse que não precisava, que queria fazer aquilo sozinho. Ser ajudado a todo momento me fazia me sentir um inútil.
Não foi difícil encontrar meu quarto, já que ele sempre foi o último do corredor, entrei nele e me dirigi ao centro do quarto, onde, pelo que me lembro era aonde ficava minha cama. Me deitei nela e lá fiquei olhando para o teto sem vê nada e na escuridão que estava, adormeci, para uma escuridão mas amiga, a de meus sonhos.
Notas finais
Bjão!
Fale com o autor