Em Busca Da Sobrevivência
16 Deixada Para Trás
Notas iniciais
Logo após ouvir Bruna gritar o nome de Lucas, Júlio rapidamente virou-se e viu algo vindo em sua direção. Bruna saiu de onde estava e usou o que parecia ser uma magia para prender as pernas de Lucas no chão, antes que ele fizesse outra coisa. Enquanto isso, a faca continuava a vir em direção de Thalia, em um sacrifício rápido, Letícia pôs-se em sua frente, fazendo que a faca atingisse seu estomago e o corpo da menina caísse no chão.
– Não... Não era para ter pego ela! – Lucas disse assustado. – Droga!
Bruna correu em encontro do corpo ensanguentado, vendo todo o sangue esguichar para todo lado.
– Bruna faz alguma coisa, por favor... Algum feitiço de cura, qualquer coisa... – Júlio disse ao se achegar do lado do corpo da menina.
– Eu não posso... – Bruna falou tristemente, desapontada consigo mesma.
– Mas... – Júlio realmente queria que ela tivesse a solução para aquilo.
– Desculpe. Eu gostaria de poder ajudar, mas ela já perdeu muito sangue... – Bruna levantou-se com a cabeça latejando, graças a dor de cabeça repentina vinda da situação.
– El-ela... Ela está querendo falar com você Júlio! – Comentou Thalia, bastante espantada com toda a situação, vendo a boca seca da garota se mover devagar e com dificuldade.
Júlio rapidamente aproximou-se mais da garota, fazendo de tudo para ouvir qualquer coisa que fosse.
– Júlio... – A garota começou em meio a tosses. – O Lucas é seu... E-ele é seu... – Antes que pudesse terminar a sua frase, seus dois olhos viraram, deixando apenas um corpo sem vida caído no chão.
– Isso... Isso não pode estar acontecendo de novo! – Júlio berrou olhando para Lucas. Aquilo já era demais para ele suportar. – Você vai se arrepender do que fez!
– Claro que eu vou. – Disse em tom de ironia, sorrindo maldosamente. – Eu e Morgana iremos.
Júlio, em um momento de pura raiva, tentou avançar para cima de Lucas, porém Bruna estava o segurando.
– Eu realmente queria que você fizesse isso, mas não vai adiantar agir assim... – Bruna suspirou tristemente – O que nos resta é esperar que Gabriel, Nayara e Ana descobrirem alguma coisa. Ou então que Maria encontre algo dentro da mansão deles.
Bruna soltou Júlio, que logo recebeu um abraço de Thalia, tentando confortá-lo.
[...]
– Vamos parar de andar, por favor! Eu já não aguento mais... – Nayara reclamou. – Onde diabos essa guria resolveu se enfiar?!
Gabriel e ela estavam andando no que parecia ser um deserto, sem nenhum sinal de vida e apenas algumas casas espalhadas.
– Que hora deve ser agora? – Gabriel questionou um pouco, olhando para o céu como se soubesse ler o horário pela posição dos astros.
– Eu não tenho a menor ideia... Mas por que se preocupar com isso agora? – Nayara perguntou sem entender o porquê de sua preocupação banal.
– A erupção. Aquela que matou todos, incluindo sua mãe. Dependendo do horário, ela pode acontecer a qualquer momento novamente. – Gabriel parou de repente, fazendo uma expressão de terror. – Parada! E fique bem quieta.
– Ei! Bem menos Gabriel, você não pode me mandar fazer uma coisa que eu nunca consigo. Eu não gosto de ficar em silêncio. – Nayara o encarou.
– Não foi por mal. Olhe para frente, há muitos zumbis. Foi esse o motivo. – Gabriel falou baixo, parecendo bastante pensativo.
– Motivo? De que? – Nayara continuava confusa. – Da erupção?
– Sim. Faria mais sentido, até porque sempre disseram que o vulcão daqui estava adormecido. E se não for por isso, pode ser pela Morgana. – Gabriel continuava a pensar. – Será que ela sabia que algumas pessoas dessa vila seriam problemas para ela no futuro...? Como você, por exemplo.
– Pode até ser, só não entendo a parte de eu ser um para ela, já que não tenho nada em especial. – Nayara disse, começando a se interessar pelo assunto mencionado. – Vamos para aquele canto, onde podemos nos esconder. – Disse apontando para o que parecia ser uma caverna no meio do nada.
Os dois caminharam em direção a caverna escura, e logo que entraram Gabriel começou:
– Eu irei te contar tudo que você precisa saber sobre voc- – Gabriel não pode concluir a frase devido aos fortes tremores que passaram a acontecer.
– Melhor... – Nayara também estava com dificuldade para falar. – Deixar para depois! – Berrou.
Os dois se desesperaram e passaram a correr para fora da caverna que estava a desabar. Depois de fora, olharam para o vulcão esguichando lentamente a lava quente e brilhante.
– Eu vou fazer um feitiço para tirar-nos daqui! – Gabriel berrou desesperado. – E nem comece a reclamar, porque eu também não quero fazer isso e deixar a Ana perdida aqui!
– Eu sei disso também! – Nayara agarrou a mão de Gabriel.
– Nunc ad restantia nos capit. – Proferiu Gabriel.
Em uma última olhada no lugar em chamas, Gabriel poderia jurar ter visto Ana gritando, mas já não havia nada para ser feito, os dois já haviam sido levados pelo feixe de luz do feitiço.
[...]
– Nada deles até agora... – Disse Bruna bastante ansiosa.
Júlio e Thalia estavam banhados de sangue, sendo cercados por zumbis estraçalhados.
– Eu tenho certeza de que essa horda foi plano de Lucas. – Disse Júlio ofegante.
– Não adianta esquentar agora, já acabou. – Disse Thalia tentando consolá-lo. – Vamos lá para cima descansar um pouco.
– Tudo bem... Bruna, vigie aqui por agora, e avise qualquer coisa. – Júlio se retirou, apoiando-se em Thalia.
– Certo. – Bruna não parava de andar de um lado à outro.
Após cinco minutos depois dos dois passarem pela porta, uma luz forte se acendeu e Gabriel e Nayara saíram ofegantes. Bruna olhou para os dois, primeiramente feliz em vê-los, mas logo depois sua expressão se fechou para uma de completo desespero, ao perceber que sua irmã não estava em lugar nenhum.
– ONDE ESTÁ ANA?! – Bruna gritou o mais alto que pode, já deixando algumas lágrimas escaparem.
– Eu posso explicar! – Falou Gabriel tentando manter a calma dela e dele mesmo.
– Eu não quero nenhuma explicação! Você não vai me dizer que deixou-a lá...! – Uma chama verde formou-se na mão de Bruna, em um movimento rápido lançou-a em direção de Gabriel.
– NÃO! – Nayara gritou atirando-se na frente de Gabriel.
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