Em Busca Da Sobrevivência
17 Asas Para Voar
Notas iniciais
Bruna os encarava friamente enquanto seu ataque corria rapidamente pelo ar em direção de Nayara. “Por que ela fez isso?”, “Será que ela gostava dele?” Pensava sem achar nenhuma resposta, apenas tendo a certeza de que em poucos segundos aquilo a atingiria e ela morreria. Tudo passava devagar para ela, como se o tempo tivesse parado. E quando ela estava prestes a ser perfurada e queimada pelo ataque da outra menina, duas enormes asas cobriram seu corpo, fazendo uma enorme barreira de luz mágica, refletindo-o para o chão fazendo um enorme furo nele. Após isso, ela olhou para Bruna e Gabriel, caindo no chão desmaiada.
[...]
– Max, segure essa garota. Nunca pensei que nossa filha fosse ter um pique desses. – Luiza estava com seus cabelos amarrados, em frente ao pequeno fogão à lenha. – Nayara não pode mexer aí. – Foi até a frente do balcão onde ela estava, os olhos da pequena garota passaram a brilhar.
Um homem de cabelos pretos com alguns fios já brancos, de rosto involuntariamente sorridente aproximou-se da criança e a segurou no colo.
– Será que ela puxará você? Digo, sobre suas asas. – Max disse um pouco desconfortável com o assunto.
– Eu não sei, e prefiro que não. Isso pode prejudicá-la no futuro, afinal, como será que o mundo estará daqui a alguns anos? – Respondeu Luiza preocupada. – Seria estranho ter alguém com asas no meio deles... Sei que elas podem ser escondidas, mas por quanto tempo ela aguentaria? É difícil mantê-las guardadas. – Suspirou sentando-se em uma cadeira que estava ali por perto. – Vamos mudar de assunto. Esse me lembra de Morgana, aquela que provocou todo esse caos! ... Se bem que eu acho que ela não deve ter calculado isso direito...
– Eu sei, eu sei... – Max sentou-se na cadeira ao lado, ainda segurando Nayara. – Ela é meio perturbada. Há alguns anos lançou uma maldição em Michael Fernandes, tornando-o um bruxo. Espero que seu filho, Gabriel, não sofra o mesmo que ele...
[...]
– O que foi isso?! – Bruna perguntou se sentindo estranha.
– Depende do que você está falando. – Falou Gabriel colocando o corpo de Nayara sobre o sofá. – Se é sobre Nayara, ou se é sobre o que você.
– Eu quero saber de tudo... Por que eu fiz isso?! O que Nayara é?! – Bruna sentou-se no chão, parecendo bastante afobada com a situação.
– A resposta não é obvia? Morgana. É o que ela quer, acabar com nosso grupo. Acabar com todos nós. – Respondeu Gabriel dando um suspiro cansado e triste com todo esse desgaste emocional. – Isso é uma das consequências da maldição que Morgana jogou na mãe da Nayara. Uma maldição bem estranha na verdade.
– Eu sinto muito pelo que eu fiz... Mas você viu antes, eu estava cercada de zumbis e a minha irmã... Eu já tinha demorado para encontrá-la antes... – Bruna lamentou com seus olhos cheios de lágrimas e voz chorosa.
– Eu sei disso. E nós vamos fazer outro feitiço, mas por agora temos que dar um tempo em tudo isso. Mexer com a linha temporal desse jeito pode causar inúmeros problemas, e nós já temos problemas demais. – Falou Gabriel bastante confiante. – Conte tudo o que aconteceu.
[...]
Alguns Minutos Antes...
Júlio, Thalia e Bruna estavam em frente à casa de seu grupo.
– Eu já te disse para não se estressar com isso amor! Lucas pagará por tudo que está fazendo. – Disse Thalia tentando acalmar Júlio com toda aquela situação.
De repente, ouve-se um barulho.
– Silêncio. Esperem ai. – Júlio foi até a porta de entrada, pegou um pedaço de papel preso na madeira da porta e entrou na casa cautelosamente.
Ao entrar, se deparou com uma quantidade absurda de zumbis, deveria ter mais ou menos vinte só ali. Júlio tentou matar todos da maneira mais silenciosa que conseguiu no momento, porém acabou por bater em um pequeno tijolo jogado ali no chão.
– Droga! – Gritou sem querer.
Todos os zumbis em sua volta passaram a vir em sua direção, por sorte Bruna conseguiu entrar rapidamente no lugar proferindo um feitiço.
– Terra potestates bombam hi immortui! – Gritou.
Em questão de segundos todos os zumbis explodiram-se, fazendo que todos que estavam por perto se sujarem de sangue.
[...]
– E foi assim que aconteceu. E temos quase certeza de que tudo isso foi mais uma das ideias de Lucas. – Bruna concluiu.
– Hm, não duvido que tenha sido ele o culpado. – Gabriel levantou-se ao ver alguém se aproximar.
– Fique calmo, somos nós. – Disse Júlio com ar calmo ao lado de Thalia.
– O que aconteceu aqui? – Perguntou Thalia com os olhos arregalados ao ver Nayara deitada no chão. – Onde está Ana?
– É uma longa história... – Respondeu Gabriel revirando seus olhos.
[...]
Lucas estava em um pequeno cemitério localizado atrás da mansão de Morgana, em frente a um caixão.
– Desculpe Letícia. Se Morgana não estivesse ameaçando Júlio, tudo poderia ter sido diferente... Eu não estava disposto a fazer tudo que fiz. Eu realmente sabia da história do “Bruxo Substituto” e eu realmente queria que tivesse sido esse tal bruxo... Mas... Mas se ela não tivesse o ameaçado... Ele... Meu querido... – Lucas lamentava aos prantos quando um barulho alto o interrompeu.
[...]
– PARADA AÍ! – Berrou Morgana fazendo que seu berro ecoasse por toda aquela mansão.
– Droga. – Maria saiu correndo da cozinha e estava correndo em direção à porta de saída.
– Devolva já o que me pertence! – Morgana fumegava de tanta raiva.
– Por que estais tão preocupada com isso? – Maria falou ironicamente. – Só por que estou com sua lista de seres sobrenaturais que você pretende invocar?
– Eu vou acabar com você, sua metidinha! – Morgana fez seus braços pegarem fogo e rapidamente lançou em direção de Maria.
Em um movimento rápido e certeiro, Maria se esquivou de tudo que havia sido jogada, e então respondeu friamente:
– Eu sou treinada em vários tipos de artes marciais, e também tenho uma ótima agilidade. Não ache que irá ser fácil me derrotar.
[...]
Mais alguns minutos se passaram e Nayara já estava se sentindo bem, andando com Gabriel na rua.
– Gabriel, será que eu realmente posso voar com essas asas...? – Nayara indagou confusa com toda aquela situação.
– É claro que pode. Se arrisque um pouco. – Gabriel sorriu simpaticamente, e rapidamente beijou-a. – Isso foi bom.... Ah! Quero dizer, me desculpe...
– Está tudo bem. – Nayara usou suas enormes asas, dando um impulso para cima, e quando percebeu, já estava nos mais altos ares, em um lugar tão alto que ela nem poderia imaginar em estar ali.
– Isso é cheiro de queimado?... – Perguntou para si mesma. – Minha nossa! É a mansão de Morgana!
“O que eu deveria fazer? Será que eu deveria salvá-los? Afinal, é isso que anjos fazem... Porém, eu sou mesmo um simples anjo? Ou eu sou algo mais do que isso...?” Questionou a si mesma, sentindo-se um pouco incapaz.
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