Em Busca Da Memória

2 Faço algo inesperado no chalé de Hermes


Notas iniciais
Olá leitores, novamente pedindo para não jogarem objetos cortantes, afiados ou que machuquem na autora, joguem Dracmas que ela aceita.
Ai está o segundo capítulo boa leitura!

- Duas semanas?! – Gritei desesperada. – Como isso foi possível? Não, alguma coisa deve ter acontecido para que eu tenha ficado desacordada por tanto tempo, pois isso não é normal!

Certo, eu estava tagarelando, mas se você descobrisse que tinha ficado em coma por tanto tempo iria fazer igual ou pior. Continuei falando enquanto o homem de cadeiras de rodas pedia calmamente para que eu ficasse calma.

- Calma? Você quer que eu fique calma? – Perguntei andando de um lado para o outro. – Me desculpe, mas é impossível ficar calma numa situação dessas!

Continuei falando até que o senhor de camisa estampada estalou os dedos, depois disso o mundo todo começou a girar e eu desmaiei.

Estava ouvindo alguns cochichos, vozes diferentes conversavam sobre algo que eu não entendia direito. Abri meus olhos, estava novamente deitada sobre a cama da enfermaria, com três pessoas ao meu redor, sendo dois meninos e uma menina.

- Olha, ela está acordando. – A garota disse.

Abri os olhos tendo a seguinte visão, uma menina de longos cabelos loiros e lisos, olhos azuis eletrizantes, vestindo uma blusa azul com um colete preto por cima, usava um short jeans e um tênis vermelho. Um dos garotos era moreno, com um cabelo escuro e seu corpo irradiava calor, vestia uma espécie de camisa com listras verdes e amarelas. O outro era um pouco menos extravagante, tinha o cabelo bem penteado, sorriso bonito, aparência saudável, vestindo uma blusa preta com uma coruja desenhada nela.

- Bom dia. – Disse a menina – Como você está?

- Bem, obrigada, mas quem são vocês? – Perguntei um pouco rude.

Um dos garotos sorriu, apresentando-se como Alexei Cygne Delacrouxe – sim o nome dele tem “Cisne” –, o outro disse que se chamava Lucca e a menina se apresentou como Louise Ludwig. Eles disseram que Dionísio havia me feito desmaiar por estar “perturbando a natureza do acampamento”.

- Não ligue para ele, ele diz isso de todo mundo. – Disse Alexei.

Sorri, mas algo estava me incomodando nele, ele exalava puro calor. Eu não gosto muito de lugares quentes, na realidade Nova York é um forno, e aquele acampamento não escapava disso. Pessoas manipulando fogo, garotos que pareciam uma lanterna ambulante, galinhas flamejantes correndo atrás das pessoas, às vezes acho que o submundo deveria ser mais calmo. Alguém pigarreou aproximando-se de nós, era o mesmo homem que eu vira de cadeira de rodas, mas não estava sentado nela como o vi da primeira vez. Continuava o mesmo homem gentil, bom homem até chegar à cintura, pois daí pra baixo ele era um garanhão branco.

- Quíron. – Os três disseram juntos.

- Crianças, podem me deixar a sós com a senhorita Simons? – Ele pediu gentilmente.

Eles saíram, deixando-me sozinha com o tal de Quíron, mas algo me dizia que não era a primeira vez que escutava aquele nome, onde será que eu já tinha ouvido? Tentei buscar no fundo de minha mente, mas nada vinha apenas o meu nome e a cena do ciclope era o que estava ali, ou seja, memória apagada.

- Lucy, você deve estar assustada com tudo isso, mas se você chegou em segurança... – Ele ainda estava falando enquanto eu o interrompi.

- Desculpa, mas chegar inconsciente não é tão seguro assim. – Disse

Ele deu um leve sorriso, o incrível era isto, ele era um homem-cavalo adorável, ao contrário do que eu poderia imaginar. Ele foi me explicando tudo o que aconteceu, dizendo o que aconteceria quando eu fosse reclamada, explicou que os Semideuses tinham sonhos como se fossem visões e que os monstros iriam nos farejar facilmente em uma multidão. Ele me explicou sobre a névoa, uma espécie de véu mágico que impede os mortais de verem os monstros.

- Bom, agora está tarde, melhor você dormir. – Ele disse se despedindo.

- Espera... – Pedi – Eu vou dormir aqui? Sério isso?

Ele deu um sorriso dizendo que um garoto do chalé de Hermes iria me buscar, o que sinceramente não me deixava confortável. Levantei-me da cama, desta vez estava um pouco mole e senti meu corpo desabar.

- Opa! – Ouvi uma voz divertida e brincalhona ao meu lado. – Cuidado!

Não cai no chão como imaginei, alguém me segurou, olhei para o lado para ver quem foi. Um garoto, era alto e um pouco forte, sua pele era bem clara, os cabelos eram castanhos e curtos, seus olhos eram da cor de avelã, tinha um sorriso encantador, em outras palavras ele era lindo.

- Obrigada. – Disse fitando-o.

Ele se apresentou como Erich, filho de Hermes, disse que era o encarregado de me levar até o chalé 11, onde ficam as proles do Deus da velocidade e os indefinidos. Assim que saímos da enfermaria pude perceber que o quadro de campistas mudou, agora sim era confortante ficar ali. Havia alguns semideuses muito diferentes ali, uns surgiam das sombras, outros apareciam com foices golpeando o ar com agilidade, alguns pareciam zumbis, perambulavam praticamente dormindo e um desses quase me derrubou, minha vontade era enfiar-lhe uma espada no meio de seu crânio.

- Desculpe. – Ele disse passando sem ao menos olhar para trás.

Controlei-me para não xingar ele, mas pelo menos ele pediu desculpa quando esbarrou em mim, então percebi que ele tinha esbarrado em outras pessoas.

- “Retardado”. – Pensei.

Cheguei em frente ao chalé de Hermes, nem tinha entrado e já estava desesperada ao ouvir as pessoas gritarem, correrem, lançarem travesseiros até mesmo para fora do bendito chalé! Alguns garotos saltavam as camas em um verdadeiro caos, um filho de Éris seria feliz ali dentro.

- Desculpe a bagunça. – Erich disse um tanto envergonhado – Se me der licença.

Em poucos segundo ele saiu do meu lado e surgiu dentro do chalé, pedindo para que todos se acalmassem, pois uma novata iria chegar no chalé, o que parecia impossível aconteceu, o chalé inteiro se calou.

Entrei um pouco receosa, mas todos me receberam de muito bom grado, bom, quase todos. Algumas das garotas vieram me dar boas vindas, dizendo que eu poderia ficar perto das camas delas. Bom vou explicar um pouco do chalé de Hermes, era lotado até as paredes, não tinha espaço para andar direito, respirar e muito menos para dormir confortavelmente, mas mesmo assim os semideuses que viviam nele eram super simpáticos. Já tinham providenciado o canto em que eu dormiria, próxima a cama de Erich, tinha um único problema: “Deuses ele era um gato”!

- Boa noite – ele disse antes de deitar-se.

- Boa noite... – Respondi.

Virei-me, crendo que não conseguiria dormir aquela noite, principalmente porque eu precisava refletir, mas eu sou fraca contra o sono e depois de alguns minutos acabei adormecendo.

“Eu estava em um lugar gigantesco e coberto de gelo, estava prestes a entrar em uma espécie de sala com doze tronos. Um homem de aparência de barba longa e terno azul se aproximou de mim apontando seu dedo e lançando palavras cheias de uma grande fúria. Senti meu corpo inteiro ser eletrocutado, estava morrendo aos poucos.”

- Lucy? – Ouvi me chamarem ao longe – Lucy acorda!

Acordei em um susto, senti como se o inverno estivesse dentro de mim, foi então que eu liberei tudo aquilo com um grito. Boa parte do chalé foi congelada, incluindo Erich, que estava em cima de mim – não me pergunte o porquê –. Pude ouvir o barulho de cascos, até que Quíron surgiu na porta do chalé.

- O que aconteceu? – Ele perguntou.

- Foi um acidente eu juro!

Notas finais
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