Em Busca
5 Nova Vida Novas Surpresas
Notas iniciais
No meio de muita poeira e suor, trabalham os anões na mina. Eles cantam uma música enquanto trabalham, no mesmo ritmo em que batem as picaretas nas rochas (no ritmo de um marcha soldado).
—Trabalhamos dias inteiros... – diz Zangado cantarolando.
—Como se fossemos solteiros... – diz Soneca.
—Com força de vontade... – diz Feliz.
—Uma pedra acharemos. – diz Killian, que também está trabalhando na mina, todo suado e usando uma regata branca.
Um sino toca e todos param. Killian esfrega o suor da testa, apanha a sua jaqueta e se despede dos anões, indo embora para a casa.
Killian, Emma e os demais não mudaram quase nada no período de doze anos. Pra ser bem sincera, até parecem que se conservaram no formol! Mas quem mudou mesmo, foram Henry, Neal e Ronald. Henry hoje tem vinte e oito anos e no último ano da faculdade de letras. Neal, tem a mesma idade que Natalie e está na sexta serie. E Ronald tem agora seus dezessete anos, terminando o colegial.
Killian entra em casa, pendurando a jaqueta no cabide em frente à porta e em seguida indo em direção à cozinha.
—Oi amor! – diz Emma, o recebendo com um beijo – Chegou cedo! E então, acharam alguma coisa?
—Não. Só a mesma coisa de sempre: mais rochas cinzentas e alguns minérios. Mas hoje, a bússola brilhou mais!
Emma se senta pesada na cadeira da cozinha e esfrega a testa.
—Ei, amor! – Killian chega por trás e a abraça – Você não ouvi? A bússola está brilhando cada mais!
—Sim mas até quando, Killian? Até quando isso vai durar?
—Não vai demorar muito mais, meu amor.
—Killian, estamos a doze anos procurando por essa maldita pedra, todos os dias durante doze anos e... eu só quero a minha bebê sã e salva em meus braços.
—Sim, eu sei meu amor, eu também quero muito isso, mas não podemos nunca desistir, Emma, e nem parar de acreditar na bússola! Eu não prometi que acharíamos ela?
—Sim, prometeu.
—Então! Não se preocupe! – ele dá um beijo no pescoço dela – E... até que podemos aproveitar um pouquinho antes da... – Killian sussurra no ouvido de Emma.
—Papai! – uma menininha de mais ou menos cinco anos de idade, de olhinhos verdes e com cabelinhos castanhos claros de pontas amareladas, amarrados em uma única chuquinha, entra na cozinha meio desajeitada.
—Oi, minha garotinha! – Killian pega a menininha no colo e faz muitas cócegas nela – Você sentiu falta do papai, Annie?
—Muito! Papai, hoje tu pode brinca comigo?
—Posso sim. Do quer brincar, Annie?
—De chazinho.
—Tudo bem, então. E o Fiki também vai tomar chazinho com a gente?
—Vai.
—Ótimo!
Em uma mesinha laranja com uma flor gigante desenhada no centro, com quatro pequenas cadeirinhas de madeira em volta, Killian brinca com sua filha, fingindo tomar um chá invisível, meio entalado no banquinho em que se senta. Já faz um tempinho que Killian não tem um tempo livre para brincar com sua nova filha (uns dois dias), pois está muito fissurado em achar a pedra para recuperar Natalie de volta. Fica às vezes um dia inteiro naquela mina empoeirada!
Depois de brincar de chazinho, a pequena Annie sobe nas costas de Killian, que finge ser um cavalo de rodeio. Logo após, Killian faz um navio imaginário com as grandes almofadas dos sofás e finge com a filha que estão navegando os sete mares.
—Que nem o Capitão Gancho? – a pequenina pergunta.
—É, que nem o Capitão Gancho.
Depois de uma tarde inteira brincando, Killian lê um curto e bobo livrinho infantil para a filha no sofá da sala. Ela, obviamente, apega em menos de cinco minutos de leitura. Killian fecha o livro, o largando em cima da mesa, e leva a filha para o quarto. Ele, cuidadosamente, a ajeita na pequena cama, colocando um cobertor sobre ela. Mesmo ela já dormindo, Killian fica ali, sentado na ponta da cama, só olhando sua filha com muito amor expresso em seus olhos.
—Ela estava com saudades suas, hoje. – é Emma, recostada na porta de madeira e logo vai entrando no quarto – Ela não te viu indo embora hoje de manhã. Falava o tempo todo: quando o papai vai chegar? O chazinho vai esfriar! — Emma e Killian riem um pouco – Eu sei que você quer achar a nossa filha mais do que tudo, e eu também quero muito! Mas temos outra filha agora, e... ela merece toda a nossa atenção possível. Eu estou de licença maternidade faz dois anos, você tem de trabalhar no cais e ainda passa o dia inteiro na mina. Eu também vou na mina procurar pela pedra todo dia, Killian mas são só durante duas horas e meia, três horas, você vai todo o dia lá e fica umas cinco ou seis horas; logo após o trabalho, quando você já está podre de cansaço, você vai lá e fica até a madrugada ou às vezes, em fins de semana, até o sol raiar.
—Eu sei, Emma, mas... é que simplesmente não posso! Não que eu não ame Annie, eu amo ela demais! Mas... todas as noites, durante esses doze anos, eu tenho aquele mesmo pesadelo, em que estou no hospital, na sala em que Natalie nasceu. Não tem ninguém nela, somente eu. De repente eu começo a ouvir um choro de bebê, mas nunca acho nada. Mas então, acabo achando ela, a nossa pequena Natalie! Exatamente como sempre me lembrei dela! Eu então a pego no colo, e ela para de chorar. Abraço ela contra o meu peito e começo a chorar também, pois finalmente havia achado minha garotinha! Mas de repente... ela some dos meus braços e acaba parando nos braços de uma grande e assustadora sombra preta e ela começa a chorar novamente. E então a sombra preta some, junto com a nossa filha e, eu acordo. E toda vez que penso em dar um tempo na mina, eu fico pensando nela, que posso estar à um metro de distância de achar a pedra que nos levará à nossa filha! Você me entende, amor? – diz Killian, despejando algumas poucas lágrimas sobre o rosto.
—Entendo sim, meu amor. Eu também tenho muitos pesadelos com Natalie... – ela chora um pouco, comovida com o que Killian disse, e o abraça com força. — Mas não podemos esquecer que temos uma filha pequena para cuidar e amar.
—Eu sei, amor. Vou tentar ficar mais em casa.
—Vamos, deixe Annie descansar um pouco, eu preparei um cafezinho para nós. Você brincou com Annie o dia inteiro, deve estar cansado. –Emma se levanta junto com Killian, e dá um selinho nele.
—Cansado é pouco, estou exausto! Acho que vou tomar um banho primeiro. Por um lado, até que é bom que essa fase passe rápido.
Após Killian tomar um bom e merecido banho, ele e Emma tomam um delicioso café com chantilly e com raspas de canela e depois se jogam no sofá e veem um pouco de televisão.
Bate duas horas da tarde, Emma e Killian trocam de roupa levam Annie para a casa de seus pais e vão até a mina procurar mais uma vez pela pedra.
São cinco horas. Killian e Emma vão embora da mina, buscam Annie vão para casa tomar um bom banho e se arrumar para a volta de Henry.
Quando chega a noite, Henry acaba chegando em sua antiga casa. Seu rosto não mudou muito, está o mesmo de sempre (só com um pouco de barba e mais traços no rosto), o que mudou mesmo foi sua voz e altura; está quase tão alto quanto David! Ele veio só para visitar. Atualmente, mora com a noiva, que conheceu na faculdade, em um pequeno apartamento em Nova York. Três vezes por semana ele visita a família; gostaria muito de poder visitar mais vezes, mas como a faculdade de medicina fica em Nova York, então dificulta um pouco as coisas.
—Oi mãe! Oi Killian! Sentiram saudades? – diz Henry, acabando de passar pela porta da frente.
—Henry? Henry! – diz Emma, correndo do sofá até ele, recebendo o filho em um caloroso abraço.
—E então? O bom filho à casa torna? –diz Killian, o dando um abraço másculo e bagunçando seus cabelos – É bom te ver de novo, garoto!
—Também é muito bom te ver de novo, Killian! Mas é só temporariamente. Amanhã de manhã cedo eu tenho que voltar pra Nova York.
—E como está a Molly? – Emma pergunta, o arrastando aos poucos até o sofá.
—Está até que bem.
—E por que ela não veio junto? – pergunta Killian.
—Bem... ela acabou pegando uma gripe muito forte, e o médico disse que ela tinha que ficar em casa.
—Pobrezinha! Isso respondeu a minha próxima pergunta. Deseje melhoras para ela por mim! – diz Emma.
—Pode deixar! E então, onde está Annie?
Na entrada para a sala, surge uma pequena criaturinha, usando um pijaminha amarelo com borboletas rosas, de cabelos todos bagunçados e segurando com uma das mãos um coelhinho de pelúcia, enquanto com a outra esfrega um dos olhos.
—Papai... – Annie fala dengosa, ainda não percebendo que o irmão está ali – a gente não consegue dormir.
—A gente quem, querida? – diz Killian, pegando a pequenina no colo e dando um beijo na sua cabeça.
—Eu, e o Friki. – ela diz apontando para o coelhinho.
—Sabe quem é que tá aqui? – Killian pergunta embalando a filha.
—Não.
—Tem certeza?
—Sim.
—O Henry.
Ela então olha em direção ao sofá da sala e vê Henry, sentado no sofá e dando um oi com a mão.
—Erry! – exclama Annie, descendo do colo do pai e indo direto abraçar o irmão, que a pega no colo com um braço e a beija na testa – É o Erry, mamãe! – ela diz apontando para o irmão, e Emma acaricia seus cabelinhos.
—Ela ainda continua me chamando de Erry? –pergunta Henry à Emma e Killian.
—Desculpa, mas nós tentamos! – diz Killian, colocando as mãos nos bolsos das calças e erguendo os ombros.
—Tá tudo bem. Até gosto que ela me chame assim.
—Eu tava com saudade, Erry! Por que você demorou tanto?
—Eu tinha que fazer um monte de coisa, Annie, e só consegui vir hoje.
—Erry, que vê Barney comigo?
—Não sei, será que a mamãe e o papai vão deixar?
—Por favor, deixa!
—Tudo bem. – diz Emma.
—Mas só até as nove horas, depois a mocinha vai pra cama! – diz Killian.
—Tá, tá tudo bem! – Annie pega o controle da televisão e coloca o canal, que está justamente dando Barney, e se senta ao lado do irmão.
Emma e Killian se entre olham sorrindo, sentam um do lado do outro em outro sofá e se abraçam, enquanto veem juntos o desenho infantil. De repente, a campainha da casa toca, muito apressadamente. Killian se levanta.
—Deixa que eu atendo. – e vai até a porta, à abrindo.
—Killian! Temos uma coisa muito importante para lhe falar! – é Zangado, todo sujo da mina, acompanhado dos outros anões logo atrás dele.
—E o que seria?
—Acho que achamos a pedra!
Killian arregala os olhos, fica pasmo, sem sequer acreditar.
—A bússola parou de brilhar do nada e há uma brilhante pedra fim do túnel! Venha logo!
—Só um segundo, por favor. –ele encosta a porta e vai até Emma.
—E então, quem é? – pergunta Emma.
—Emma são os anões, e... disseram que talvez tenham achada a pedra!
Emma tem a mesma reação de Killian.
—Acho que é melhor irmos até lá. – diz Emma.
—Também acho.
Emma se levanta e vai até o segundo andar para pegar um casaco.
—Hmm... Henry? – chama Killian – Será que poderia cuidar da Annie um pouquinho? Eu e Emma temos que ir resolver uns assuntos importantes.
—Sem problemas. Vão demorar muito?
—Não, é bem rapidinho.
—Tudo bem, vamos? – é Emma, com sua clássico jaqueta.
—Sim, claro. – Killian vai até Annie e dá um beijo rápido na sua testa e bagunça os cabelos de Henry – Voltamos logo!
Emma vai até a filha e dá um beijo no topo de sua cabeça e um beijo grudento na bochecha de Henry. Os dois então finalmente saem.
—Você acredita neles? – pergunta Henry à irmã.
—Sim.
—Eu também, mas só espero que não seja nada do que estou pensando... – diz Henry, com um olhar meio preocupado.
Zangado e os outros anões guiam Killian e Emma até as minas, aonde a pedra está. É na exata direção aonde a bussola aponta.
—Vejam! – Zangado desliga a lanterna.
No fundo do túnel, que havia se formado pelas picaretas ao longo dos anos, brilha uma forte luz colorida. Todos se aproximam mais, até ficarem de cara com uma pedra do tamanho da palma da mão de uma pessoa adulta, presa em uma das rochas. E a bússola realmente havia parado de brilhar.
—É linda! – diz Emma, já chorando de tanta emoção.
Zangado então pega a pedra e consegue tirá-la perfeitamente das rochas e entrega à Emma.
—Meu Deus... — diz Killian, também muito emocionado e tocando um pouco na pedra — eu não acredito que finalmente achamos! Companheiros... – ele coloca amigavelmente a mão no ombro de Zangado – eu não sei nem como agradecer a ajuda que vocês me deram durante esses longos e intermináveis anos! Obrigado. Muito, muito obrigado à todos vocês!
—Ah, vem cá! – e os anões abraçam Killian e Emma, todos juntos ao mesmo tempo.
—Rodada de cerveja no Granny’s por minha conta! – grita Killian, e os anões comemoram de felicidade.
—Não se preocupe, Natalie! – diz Killian, abraçando Emma pelo ombro e olhando para a pedra – Mamãe e papai vai te encontrar logo, logo!
Fale com o autor