Em Busca
6 A Importância de Um Coração
Notas iniciais
Já é noite na Floresta Encantada, e só agora Natalie e Capitão param de andar. Eles estão viajando já faz três dias, caçando sua própria comida e buscando água em lagos próximos.
Natalie se recosta em uma árvore, ofegando de cansaço, e Capitão deita ao seu lado. De dentro da sacola de couro, Natalie tira uma manta de lã e um pequeno mapa.
—Bem, pelos os meus cálculos, ainda falta pouco para chegarmos até Whitney Collins. Só espero que cheguemos lá inteiros.... – ela se ajeita melhor no tronco da árvore – é melhor descansarmos um pouco antes de continuar. – Capitão coloca a cabeça sobre as pernas de Natalie – Boa noite, Capitão. Descanse bem.
O dia amanhece ao mesmo passo que Natalie e Capitão. Os dois logo saem para caçar algum animal para o café da manhã, almoço e jantar. Natalie consegue caçar com o seu arco uma lebre, três esquilos e dois tordos, além de achar também algumas frutinhas silvestre não venenosas. Ela monta uma fogueira e os dois comem a lebre por inteira, deixando os três esquilos, os dois tordos e as frutinhas para mais tarde. Tomam um pouco de água em um lago próximo e seguem em frente, se guiando pelo mapa.
A tarde chega. Eles param para descansar. Natalie come as frutinhas silvestres para se reabastecer e dá um dos esquilos para Capitão. Logo, eles seguem o mesmo passo novamente.
Novamente a noite chega. Novamente eles se recostam em uma árvore, e novamente dormem até o primeiro raio de sol surgir do horizonte.
Mas na calada da noite, algo se desloca entre as árvores sem ninguém perceber. Natalie e Capitão estão dormindo profundamente sem nem perceber que um grande e escuro vulto se desloca entre as árvores, chegando cada vez mais perto dos dois. O vulto então se revela. Logo à frente da adormecida Natalie e do babão Capitão, um grande e assustador monstro baba sobre eles. Um grande animal peludo; com salientes e afiados dentes pontudos; olhos amarelos amedrontadores cheios de sede por sangue; um corpo totalmente antiproporcional, com uma cabeça grande, mas de corpo comprido e pernas curtas, porém fortes. O animal abre a boca para abocanhar Natalie e Capitão, mas esse deixa cair uma baba pesada e gosmenta sobre os dois. Natalie e Capitão acordam no mesmo momento, se levantando rapidamente e correndo mais rápida antes que o monstro pudesse os abocanhar. Eles correm em disparada entre as árvores, indo em direção à uma pequena montanha, mas o monstro está na cola deles, quase pegando Capitão pela pata. Os dois então sobem a pequena montanha até chegar ao seu topo. É sem saída. O monstro está os cercando, quase com os dois inteiramente dentro da sua boca. Mas de repente, um barulho, parecido com uma rachadura é escutado. Algumas rochas da montanha se soltam e o monstro se encontra caindo da montanha, indo parar direto em um profundo e assustador lago, que ninguém sabe o que exatamente abriga.
—Essa por pouco, Capitão! – diz Natalie ofegante, com uma das mãos no peito e a outra acariciando o cão – O que é isso? – ela encontra uma caverna dentro da montanha, na qual se da para ver um leve feixe de uma luz amarelada ao fundo – É melhor nós darmos uma olhada, Capitão. – e o cão a segue.
A caverna vai descendo em uma escada espiral, não muito funda e também não muito agradável. Chegando ao final da escada, o leve feixe de luz amarelada, agora ilumina toda uma caverna, na qual há várias bugigangas cientificas fazendo milhares de coisas ao mesmo tempo com frascos de vidro de conteúdos coloridos. Natalie chega perto de uma dessas bugigangas e vai encostar em um dos frascos.
—Por favor, não toque nisso. – fala assustadoramente calma uma mulher. Alta, magra e de longos cabelos pretos, agora com leves tons de grisalhos, e acariciando um grande rato cinzento.
—Você... é Whitney Collins?
—E quem mais eu seria?
—É que... eu vim de muito longe em busca de você...
—Sim, eu sei. – diz a mulher, mexendo em algumas das poções – Andou durante quase quatro dias, enfrentando o frio e o cansaço, ao lado de seu cãozinho, só para vir até mim e pedir para que eu termine com a crise que está acontecendo na região aonde você mora. Seu pai morreu a pouco tempo, ao mesmo tempo em que você descobriu algo não muito bom para você. Não é mesmo, minha cara Natalie Alden?
—C-como você sabe tudo isso? – Natalie pergunta muito pasma.
—Todos tem maneiras de receber informações. Só que as minhas, são as mais fáceis. – um apito de chaleira começa a soar – Só um instante, por favor. – ela vai até uma das bugigangas e retira uma poção de cor roxa – Querida Natalie, pode por favor vir até aqui? – Natalie vai até a mulher, temendo um pouco. Whitney arranca um dos fios do cabelo de Natalie. Capitão rosna, mas Natalie logo o cessa. Whitney coloca o fio na poção e a mexe um pouco. A poção muda de cor, de roxo vai para laranja. Whitney sorri de um jeito assustador.
—O que é isso?
—Isso, minha cara Natalie, é o meu próximo passo.
—Mas então... você vai me ajudar, não é?
—Claro que sim! Mas, como eu espero que você saiba, eu faço acordos, ou seja, eu te dou uma coisa e você me dá outra.
—E o que você quer de mim?
—Bem, em troca da região aonde você mora voltar a ser prospera e fértil, – ela se abaixa na altura de Natalie, e coloca o dedo indicador no seu peito – eu quero o seu coração.
—Meu coração? Pra quê?!
—Questões particulares que não é de seu interesse. Agora... – ela estende a mão – nós temos um acordo, ou todo o seu trabalho e esforço foram em vão?
—Não! – Natalie recua com medo – Eu até posso ter me esforçado muito para chegar até aqui, mas não vou dar o meu coração para você! Se você precisa do meu coração, significa que eu vou morrer! – Capitão começa a latir e se põem na frente de Natalie.
—Garotinha esperta, mas eu não posso aceitar um não como resposta, desta vez.
—Mas por quê?
De uma das mãos de Whitney, uma fumaça azul surge. Ela faz alguns movimentos com as mãos, que faz prender Natalie em uma corda. Ela chega perto de Natalie e segura violentamente a sua cabeça.
—Porque eu simplesmente preciso, e não será uma garotinha que vai me impedir. – ela solta a cabeça de Natalie e coloca a mão no seu peito. Natalie dá um grito de dor, e de seu peito, Whitney arranca um coração brilhante de tão vermelho, sem ter nem se quer uma manchinha de impureza – Olha só isso, Fungo. Já viu algum coração tão puro e límpido assim? Parece até uma obra de arte. Da até um pontinha de pena de esmagar ele. – ela aperta o coração, e Natalie se contorce toda de dor – Mas vai valer a pena. – e ela sorri maleficamente.
Whitney vai até um pequeno armário, pega um frasco de poção de cor amarela e volta até Natalie, começando a apertar ainda mais o seu pequeno coraçãozinho, fazendo a coitadinha se contorcer ainda mais de dor.
—Alguma última palavra? – ela pergunta de um jeito simpaticamente assustador.
—Vai por inferno sua bruxa de merda!
—Com todo prazer.
De repente, Capitão surge e pula em cima de Whitney, a atacando, e fazendo ela derrubar o coração de Natalie no chão. Natalie consegue se soltar da corda, pega o seu coração e o colocar de volta no seu peito. Whitney, com sua magia, tira Capitão de cima dela e o arremessa contra uma das mesas cheias de bugigangas e poções. Natalie pega seu arco e atira uma flecha certeira no braço de Whitney, enquanto ela estava distraída, e que a faz soltar um grito de dor. Em seguida, Natalie corre até Capitão, que está todo cortado e machucado.
—Capitão... – Natalie abraça delicadamente o cão – você me salvou, meu cãozinho!
—Mas só será uma vez! – exclama Whitney furiosa, prestes a lançar alguma magia, mas somente com uma das mãos.
De repente, uma fumaça azul surge de uma das poções quebradas e revela uma espécie de portal. Uma das poções que havia se quebrado era de teletransporte. Sem pensar duas vezes, Natalie arrasta rapidamente Capitão até o portal enquanto Whitney está distraída. Eles entram no portal no exato momento em que Whitney lança a sua magia, mas não adianta, pois no mesmo instante o portal se fecha e a magia se choca contra parede.
—Não... – Whitney fica de joelhos aonde estava o portal. – Não! – Fungo aparece do seu lado e guincha – Eu sei que só era um feitiço de teletransporte, Fungo! Só que agora, que a Nataliezinha foi para o outro mundo, vamos ter que partir pro Plano B, que não será nem um pouco fácil. Vai demorar no mínimo uma semana para eu conseguir tudo para o Plano B. – ela se levanta e lança uma magia sobre o seu braço, fazendo a flecha sumir e a ferida se cicatrizar por completo – Por isso vamos começar agora mesmo! E quando eu por as mãos naquela garota, pode apostar Fungo, que eu vou fazer ela sofrer muito antes de mata-la!
Em um outro mundo, surge de uma árvore Natalie com um Capitão ferido no colo. Entre algumas árvores da floresta, Natalie cosegue ver uma luz, não muito forte, porém brilhante. Com muita dificuldade, ela vai indo em direção à luz, carregando o pobre Capitão no colo. Chegando até luz, se revela ser um poste de luz iluminando uma parte de uma rua cimentada totalmente vazia.
—Que lugar será esse, Capitão? – ela olha ao seu redor e acha uma placa – Storybrooke?
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