Em Busca

4 A Capa Verde Musgo


Notas iniciais
E aí galerinha do Nyah! Desculpa a demora,mas tá aí o capitulo novo! Espero que gostem *__* P.S : Pra quem não sabe, tordo é pássaro que realmente existe.

Uma grande lebre cinzenta corre em disparada com os olhos grandes e totalmente desesperados. Ela para e observa ao seu redor, para ver se seus caçadores já a perderam de vista. Entre alguns arbustos, uma figura com uma capa verde musgo e um arco em mãos está mirando e prestes a disparar uma flecha na lebre. Me desculpe a figura encapuzada fala baixinho, e dispara a flecha, que vai diretamente pra cabeça da lebre. A figura chega em frente ao estirado corpo ensanguentado, tira a flecha de sua cabeça, e põem o animal dentro de uma sacola de couro, na qual também tem três esquilos. Se escuta um latido, e logo atrás da figura surgi um grande cachorro da raça são bernardo que começa a cheirar a sacola. A figura afasta a sacola do focinho do cão.

–Não, Capitão! – ela fala ao cão, e se senta em uma grande rocha do bosque – Já estamos com a comida escassa em casa, sem falar que o bosque está deserto de animais! E também, você consegue sobreviver facilmente com os ratos e morcegos do galpão. – o cão deita ao seu lado e enterra o focinha entre as patas, suspirando alto de tristeza – Tá bom... mas só dessa vez! – ela abre a sacola, tira com uma faca um pouco da gordura da lebre e dá ao cão, que fica tão feliz e ansioso, que pula em cima dela, arranhando um pouco o seu rosto e tirando sua capa – Capitão! Já é a segunda vez hoje! – ela dobra a capa e coloca debaixo do braço – Deixa pra lá! Eu queria tira mesmo a capa.

Ela mudou muito desde que era apenas um pequenino e frágil bebê. Seus cabelos, agora são castanhos claros, mas os olhos, continuam azuis, porém, um pouco mais escuros que os de Killian. Em doze anos, como ela mudou! Tem o jeito de Emma. Em alguns aspectos ela lembra muito Killian, quando por exemplo, ela arqueia a sobrancelha ou quando sorri. A doçura e o jeito com os animais de Mary Margaret e a coragem de David. E até mesmo um pouquinho do nariz de Henry. Ela se tornou uma linda e querida moça, pela qual seus pais teriam muito orgulho de ver.

Natalie se levanta da grande rocha, e junto com Capitão, vai embora do nevoado bosque.

Dentro da casa de madeira da fazenda, estavam o casal que achou Natalie ainda recém-nascida. O casal não teve filhos e nem podem mais, estão velhos demais para isso, por volta de seus cinquenta e poucos anos. A mulher está tricotando enquanto o homem dorme no sofá da sala, pois está muito doente. Atualmente, a fazenda e o bosque em volta vem sofrendo uma enorme crise, chamada pelos camponeses de A Grande Crise do Século. Na qual faz oito meses, que a terra não dá nenhum fruto na região. Galinhas, porcos e ovelhas da região, acabaram morrendo para uma terrível e impetuosa praga. No bosque, todos os cervos e lebres praticamente desapareceram do mapa. E faz dois meses inteiros, que o sol não aparece e os dias amanhecem e anoitecem com uma fria nevoa. O bom disso tudo, é que pelo menos os lobos foram embora.

Natalie entra na casa, deixa o saco com os animais em cima da mesa e dá um beijo na mãe.

–Oi mãe.

–Oi minha querida. E então, achou alguma coisa hoje?

–Consegui caçar três esquilos, dois tordos e... uma grande e gorda lebre!

–Jura? Graças a Deus! É a primeira do mês!

–É, e estou morta de fome! E... como está o papai? – ela diz temendo um pouco.

–Na mesma de sempre. – a mulher se levanta e caminha até o marido, o cobrindo melhor com o quentinho cobertor de lã – Não come não bebe, pálido como um fantasma e quente como uma chaleira apitando. Não sei se ele vai melhorar tão cedo, alias, nem sei se ele vai melhorar. Mas acho melhor irmos comer. Não comemos desde o café da manhã.

–Só estava esperando você falar isso.

A mulher tira a pele da lebre e limpa um pouco a carne, então a coloca numa panela e deixa cozinhar. Enquanto isso, Natalie, do lado de fora, fica sentada em uma árvore junto à Capitão, que roí um osso de boi.

–Eu não entendo, Capitão! – ela diz, se recostando na árvore – Num dia nossa plantação está rica como nunca, as galhinhas gordas e pondo ovos à loucura e ovelhas cheias de lã para tosquiar. No outro, toda a plantação morre, as galhinhas param de colocar ovos, ficam doentes e morrem, e a lã das ovelhas de repente caem e também ficam doentes e morram! Tudo isso em simplesmente um piscar de olhos! Agora só nos restam o velho cavalo de tração e a vaca leiteira! Isso sem falar no bosque, é claro. Naturalmente, as coisas não acontecem assim! É igual à uma semente de maça que é plantada em um dia, e na manhã seguinte, ela já está totalmente crescida, com fortes folhas verdes e já dando frutos! É impossível de acontecer! E esse tempo, Capitão... eu nunca em toda minha vida, vi igual. E olha que eu já tenho doze anos! Pode até parecer bobagem, Capitão, mas... eu acho que isso foi obra de magia. Uma magia bem poderosa. – e ela olha para o céu, pensando, em como sente falta do sol. Falta da luz refletindo na grama, a deixando brilhante de cor verde-limão. Falta da sensação da quentinha luz do sol tocando na sua pele. E principalmente, falta de acordar com um lindo amanhecer e ir dormir com um glorioso entardecer. Só pensando.

A mãe aparece na porta da cabana a chamando para vir comer. E em um pulo, Natalie se levanta da árvore e vai voando para a casa.

–Obrigada pela conversa, Capitão! – ela agradece ao cão, que continua a roer o osso, sem perceber nada do que ela tinha dito.

Dentro da casa posto à mesa, tinha uma deliciosa carne de lebre com três esquilos assados. Natalie salivava como um cão em frente à um açougue. Seu pai está na mesa, muito debilitado e magro, mas pelo menos, com fome.

–Pai! – Natalie diz o abraçando – Como está se sentindo hoje?

–Não muito bem minha filha, mas pelo menos estou de pé, quer dizer... eu estava, pelo menos. Mas não se preocupe com o papai, eu vou melhorar. – e ele sorri.

–Eu espero mesmo, pai.

Natalie então se senta no banco logo ao lado de seu pai e então eles começam a comer. Natalie pega boa parte do peito da lebre e um esquilo assado. A mãe pega as duas coxas gordas da lebre e também um esquilo. Já o pai, somente pega a gordura que a lebre tinha, pois ele está muito magro e necessita ganhar peso. Ele não queria pegar o esquilo, então o deixa para Natalie.

Após o almoço, Natalie sai novamente com Capitão, o dando um pouco da carne de lebre que havia sobrado. Desta vez eles não vão para a árvore, e sim caminhar nas colinas entre as altas e ainda belas campinas. Para ajudar na caminhada, Natalie leva consigo um bastão, pelo qual era usado pelo seu pai para arrebanhar as ovelhas, mas agora não há mais ovelhas para arrebanhar.

A tarde inteira eles ficam brincando, um correndo do outro, um rolando sobre o outro (no bom sentido) e por aí vai.

Natalie corre de Capitão, que a tenta alcançar. Ela cai no chão e rola colina abaixo, rindo muito até parar de rolar. Quando ela para de rolar, seu cabelo está todo bagunçado e desarrumado. Capitão chega por trás e pula em cima dela, a lambendo toda. O cão para de lambe-la. Natalie olha para o horizonte que ficava bem no final das colinas. As nuvens estão meio alaranjadas, meio amarelas e até levemente roxas. É um por do sol sem um sol. Natalie sorri com a beleza da paisagem, mas não muito, pois continua sentindo falta do sol. Ela então se levanta.

–Acho melhor irmos pra casa, Capitão. – ela diz, ainda olhando para o horizonte – Não quero deixar minha mãe e meu pai preocupados. – e vão indo embora, com Natalie às vezes olhando para trás para ver um pouco mais do por do sol, e imaginando o sol na linda paisagem.

Já é noite. A mãe e o pai estão dormindo em um pequeno quarto numa cama de palha. Natalie está em uma cama de palha também, mas na sala, em frente à uma gostosa e quentinha lareira, na qual Capitão dorme logo à frente de barriga para cima e babando. Mas Natalie não consegue dormir. Fica virando, de um lado para outro, com várias coisas atormentando sua cabeça. Pensando, se vai conseguir caçar alguma coisa amanhã. Pensando até quando A Grande Crise do Século vai durar. Pensando na saúde de seu pai, e entre várias outras coisas. Tão jovem, com tantos problemas. Por fim, ela consegue dormir, muito mal, mas consegue.

Na manhã seguinte ela acorda. Seus pais ainda estão dormindo. Ela deixa Capitão sair para caçar alguns ratos no galpão. Se veste. Come o desjejum, que era igual ao jantar: um mingau estranho e nojento de cor acinzentada e um pouco de um pão sem gosto e duro. Pega sua capa verde musgo, o arco e algumas flechas e a sacola de couro. Sai da casa e chama por Capitão, que comeu duas ratazanas gigantes como desjejum. E então, vai caçar.

Três horas depois, e eles voltaram com dois esquilos e cinco tordos. Quatro, na realidade. Natalie deu um dos tordos para Capitão comer.

Assim que chega em casa, Natalie se depara com um perturbadora cena. Sua mãe de joelhos no chão, chorando, com o seu pai nos braços. Sem mais nem menos, Natalie, já chorando, corre até a mãe e tenta erguer o pai, mas sua mãe a impede.

–Ele já está quase morto, minha filha! Não tem mais jeito! – ela disse entre soluços.

–Não... eu não eu aceito isso! Vamos pai! Por favor, levanta! Você não pode fazer isso comigo! Não pode!

–Minha filha... – diz com extrema dificuldade o pai, colocando a mão sobre o rosto da filha e limpando uma de suas lágrimas – n-não chore. Não quero que, nosso último momento juntos, seja entre lágrimas... e-eu te amo, minha filha... –ele dá um último suspiro, sua mão cai e então... ele morre.

O enterraram debaixo de um carvalho próximo. Para Natalie, seu pai era muito importante. Foi ele quem a ensinou a andar. A cavalgar. A fazer armadilhas. A fazer fogo. E a caçar. Ele era um pai amável e carinhoso. Todas as manhãs e tardes ele e Natalie saiam para caminhar com as ovelhas. E toda a vez que ele ia pra aldeia, sempre trazia um pouco de açúcar para ela.

–Ele te falou alguma coisa? – Natalie pergunta à mãe.

–Ele falou que me amava muito. Que todos os anos passamos juntos ele não se arrependia de nenhum. E, também me pediu pra eu te dar isso. – de dentro de um baú, ela paga uma boina marrom toda surrada, e a estende à Natalie.

–Mas é a boina do papai.

–Ele disse que essa boina já foi do avô dele, e que ele passou para o pai dele e que passou para ele. Como ele não teve nenhum filho homem, ele disse que queria que você ficasse com a boina, e que mesmo você não sendo um menino, ele tem o maior orgulho de te dar a boina.

–Por que, mãe? – Natalie pergunta chorando e acariciando a boina – Por que isso tá acontecendo com a gente? Não tem nenhum jeito de acabar com isso?

–Ah, minha querida! – ela abraça Natalie – Só se nos mudássemos, mas seria uma coisa muito complicada e cara de se fazer nesse momento.

–Espera um pouco... mas tem aquela Whitney Collins, que dizem que faz acordos. E se eu for até ela, mãe, e pedir pra ela acabar com toda essa crise?

–De maneira alguma! Aquela mulher é perigosa demais! Os acordos dela são mais perigosos que os de Rumplestiltskin!

–Quem?

–A questão é, eu proíbo você de ir até aquela mulher, mesmo você não sendo... – e ela imediatamente tapa a boca.

–Mesmo eu não sendo o que, mãe?

–Nada. Mesmo não sendo nada.

–Não você ia falar alguma coisa, sim. Fala logo.

–Eu não posso!

–Por que não? Por favor, fala!

A mãe suspira e começa a esfregar a testa.

–Eu devia ter dito logo!

–Dito o quê?

A mãe suspira novamente.

–Que você... não é minha filha ou de seu pai. Você... foi adotada, Natalie.

–Espera aí, eu sou adotada?!

–Sim, mas eu e seu pai sempre te amamos, do fundo dos nossos corações!

–Onde vocês me acharam?

–Largaram você em nossa porta, com um papel escrito o seu nome.

–Meus pais simplesmente me abandonaram?

–Talvez eles estivessem passando por muita dificuldade no momento e queriam te dar a melhor chance!

–Meu Deus... primeiro, meu pai morre e agora eu descubro isso! – ela corre para a cama, enfia o travesseiro na cara e começa a chorar.

–Filha...

–Por favor, não me chame assim! – ela diz com o som abafado do travesseiro.

A mãe respeita, e vai para o seu quarto.

Capitão coloca a cabeça sobre a cama e começa a lamber a mão de Natalie.

Mais uma noite se passa e mais uma manhã surge. Assim que o sol nasce, Natalie se levanta, deixa Capitão sair, se veste, come o desjejum e põem novamente a capa cor de musgo e pega o arco e algumas flechas. Mas ela não vai caçar, e sim, ir atrás de Whitney Collins, levando consigo a sacola de couro com um pequeno pote de metal (para purificar água), um tordo enrolado em um trapo e uma quentinha manta de lã. Em cima da sua cama, Natalie deixa um bilhete para sua mãe. Pouco antes de sair da casa, ela se vira e coloca a boina na cabeça.

–Desculpa, mãe, mas às vezes temos que fazer coisas que ninguém quer fazer. Alias, você nem é minha mãe, então nem vejo o porque de se preocupar comigo. – e ela sai porta a fora, indo rumo ao seu destino, com seu fiel cão, Capitão, ao lado.

Em uma fria e solitária caverna, uma mulher com um rato no ombro ri maleficamente olhando de um espelho uma menina andando com seu cãozinho.

Notas finais
E aí? Dramático demais? Comentem : )