Capítulo 15

Amanda se recusara terminantemente a aparatar com Sirius. Marlene se voluntariou a cumprir essa missão ingrata com ela. Afinal, ambas eram garotas e se entenderiam melhor, de qualquer forma.

As duas conversavam pelo caminho, pois aparataram um tanto longe da casa de Snape para que o outro não suspeitasse.

– É horrível. – Amanda lamentava, infeliz. – O que eu vou fazer é horrível, Marlene. Simplesmente imperdoável.

Marlene interrompeu a caminhada e segurou Amanda firme, apoiando as mãos em seus dois ombros e olhando fixo em seus olhos.

– Agora, escute-me bem. É horrível mesmo. Porém, necessário. Milhares de vidas, senão mais, estão em jogo, Amanda. Você não pode se dar ao luxo de ter essas crises de consciência agora.

– Crises de consciência?! – ela se desvencilhou da outra, ofendidíssima.

– Olha aqui, Amanda. Não interessa como você denomine isso. Não há tempo! Seja lá de que forma você quiser resolver essa situação, está nas suas mãos. Eu sinto muito, sinto mesmo!

"Está nas suas mãos..."

E se ela, simplesmente, as "lavasse"?

– Dane-se, então. – Amanda desistiu da discussão. – Vamos logo!

E as duas seguiram com o projeto infeliz.

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Amanda entrou na casa de Snape e foi como se nunca houvesse saído. Sussurrou o nome dele, chamou... Alguns minutos depois, Snape apareceu, com a varinha na mão, um tanto surpreso.

– Amanda?! Mas—

– Por favor. Por favor, não faça perguntas.

– Como, "não fazer perguntas"?!- ele se aproximava, indignado, porém, descaradamente feliz. – O que faz aqui?!

– Eu... Eu percebi que cometi um erro. Eles são uns idiotas. Decidi me juntar a você... Não, decidi me juntar a vocês.

– Oh.

E houve uma breve pausa.

– Mas você... Você tem certeza disso?!

– Mas é claro que tenho certeza!

Snape olhava para ela, tão desconfiado...

– Eu o amo, Snape! Nunca mentiria pra você!

As lágrimas eram genuínas. Metade das palavras, não.

Ela correu pra abraçá-lo, se odiando por isso. Mas jurou, novamente, que se sacrificaria, se necessário, para salvá-lo.

– Bem, então. – ela retomou. – Dumbledore possui uma sociedade secreta. Chama-se a "Ordem da Fênix".

Podia-se dizer que Snape não estava nada feliz em ser obrigado a ouvir essa informação.

– Eles não me revelaram, assim, muita coisa... Mas estão esperando, apenas à espreita dos ataques dos Comensais. Não sabem de nada, apenas estudam os movimentos deles. Estão no escuro.

"E contam com sua ingenuidade, pobre 'Sev'!", pensava Amanda, se odiando ainda mais.

– Nós imaginávamos. Você não poderia ter aparecido num momento melhor, Amanda. Os ataques vão começar provavelmente em menos de dois dias, pois pretendemos invadir o Ministério.

"Nós...". O fato de Snape se referir a essa gentinha na primeira pessoa fazia o sangue dela ferver.

– Vocês não têm uma data certa?

– É só uma questão de tempo, Amanda. Não é preciso ser muito esperto pra perceber a crise no Ministério. Um dia, dois, três...

"Abutres desgraçados!"

– Entendo. E mesmo assim, você não pensa em... não lhe ocorre, em nenhum minuto...

Snape olhava para Amanda, fixo.

– E agora? Aonde quer chegar?

– Snape. – ela segurou as mãos dele, quase mandando o plano para o inferno. – Eu vou ficar do seu lado não importa o que aconteça, mas você pode fazer outra escolha, sabe que pode!

Ele desviou o olhar, cheio de lágrimas.

– Agora é tarde demais.

– Não, não é!

– Não acredito que veio aqui só pra isso!

– Não, não! Esqueça. Esqueça! – ela se aproximou dele, e o abraçou ternamente. – Esqueça.

Mais tarde, ela se comunicaria com Marlene para que a outra transmitisse os acontecimentos à Ordem. E tornaria a se comunicar, tantas vezes quantas fossem necessárias.

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Tudo o que Amanda podia fazer agora, era dizer a verdade.

E a verdade, no momento, era sussurrar...

"Eu te amo."

E como sempre, ele aceitava, baixando todas as suas defesas.

E enfim, tudo mais que ela podia fazer, era continuar a abraçá-lo, como se não fosse precisar se separar dele... nunca mais.

"Nunca mais..."

Enquanto ele dormia, indefeso, sem expectativas, Amanda teve uma ideia. Levantou-se, bem devagar, mas também, se ele acordasse, não importaria mesmo...

Ela lhe apagaria a memória.

Ela lhe daria uma nova vida, novas aspirações... Talvez fosse para isso que ela tivesse vindo, afinal! Agora, Snape poderia ser o que quisesse.

O que ela quisesse...

Mas não eram por motivos egoístas. Ela estava tentando salvá-lo! E ela iria salvá-lo. Nem que para isso, ele precisasse se esquecer do próprio nome! Nem que para isso, ele precisasse passar o resto da vida no St. Mungo's!

Deus, o que ela estava pensando.

Chorando (de novo, e com raiva por isso, de novo), ainda em conflito, Amanda se forçou a guardar a varinha e desistir do intento. "Mas afinal... O que pode ser pior do que estar preso a essa gente?! Pelo menos assim ele pode ter uma chance!"

E ela ainda não havia guardado a varinha. Se voltou e se aproximou dele.

Ela ia fazê-lo. Ela precisava fazê-lo. Eles iam matá-lo! Ele iria passar o resto da vida em Azkaban.

E uma voz ecoou na mente de Amanda:

"Ele é tudo menos 'inocente'. Ele fez uma escolha, e essa 'escolha' pode e vai afetar o curso de várias vidas. Ele sempre poderia ter mudado de ideia, assim como você o fez. Ele é plenamente responsável e com certeza será tratado como tal."

Bem como tantas outras vozes.

"Está nas suas mãos..."

"Nós imaginávamos. Você não poderia ter aparecido num momento melhor, Amanda."

"Não se pode servir a dois Senhores."

Amanda quase não conseguiu conter um grito de ira e desespero e antes que tomasse a decisão errada, certa, simplesmente saiu correndo daquela casa.

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Marlene segurava ternamente os cabelos de Amanda enquanto a outra vomitava e sentia ainda mais patética.

– Não vou conseguir mais manter essa farsa, Marlene. É ridículo. Vou cumprir meu papel e simplesmente tirar minha vida, se o pior acontecer a ele. Simples assim.

A outra arregalou os olhos castanhos diante da finalidade de Amanda. Não se tratava de um blefe.

– Okay, Amanda... – ela ajudou a loira a se levantar. – Você precisa pensar. Não está raciocinando com clareza.

– Estou, sim! – ela afastou Marlene, irritada. – Já chega de me dizerem o que fazer o tempo todo! Estou aqui por uma causa, e não por causa de vocês! Entendeu?!

Ela não sabia o que responder, mas tinha entendido, sim... Apenas cerrou os lábios numa linha bem fina, em pânico.

– Amanda... – ela disse, suspirando. – Vou ser bem franca com você. Não temos tempo pra essa babaquice de "Romeu e Julieta". Caso você não esteja entendendo, há algo maior, bem maior, que suas motivações e sentimentos acontecendo por aqui!

– Olha aqui, sua vadia – Amanda empunhou sua varinha e começou a, perigosamente, chegar cada vez mais perto da outra – tenho certeza de que você nem sabe exatamente de que está falando, quando cita o título dessa obra tão levianamente. E apenas por isso, eu deveria executá-la. Eu venho de outro mundo, e Shakespeare é maior, bem maior, que seus argumentos. E agora, me diga, você leu?!

Não parecia uma brincadeira inocente entre amigas. Amanda estava deixando Marlene com medo.

– Não. Não... li.

– Ótimo. Então, da próxima vez que for falar de coisas que não entende, analise melhor suas opções. – Amanda ponderou, guardando a varinha.

– E você acha que é a única que está sofrendo aqui?! – Marlene berrou, aos prantos. Agora foi a vez de Amanda ficar chocada. – Como você mesma observou, você vem de "outro mundo", então essa Guerra não significa nada pra você, não é?! Mas todos nós, todos nós, Amanda, temos famílias, temos uma vida, que vai além de "Romeu e Julieta" e essa sua obsessão patética! Sua víbora egoísta!

E ela saiu correndo, chorando na escuridão, deixando Amanda se sentindo muito mal...

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Snape acordou com alguém batendo em sua porta.

Não, melhor.

Quase, praticamente, derrubando a porta!

E onde estava Amanda...?

Ele mal teve tempo de se pôr decente. E quando abriu a porta, atordoado, uma garota, loira, de que ele se lembrava vagamente...

Apontou uma varinha diretamente na cara dele, cheia da mais pura ira, cuspindo as palavras:

– Severus Snape, seu desgraçado. Seu maldito "Anjo da Guarda" me enviou aqui. Vamos conversar, não que você tenha escolha, não dessa vez.