Capítulo 16 –

Severus Snape só ficava lá, em pânico, fitando aquela maluca, quase histérica, com certo brilho maníaco no olhar. Ela o encarava como se não tivesse mais nada a perder e fagulhas escapavam de sua varinha...

– Anjo... Que... "anjo"? Quem é você? Por favor, baixe a varinha para que possamos conversar...

Ele estava surpreso com sua calma, sua frieza diante da situação. Mas era assim que deveria ser, não é? Ele era um Comensal (não era?!). Devia se acostumar a lidar com situações envolvendo pressão.

– Cale-se. Eu dou as ordens aqui. – Marlene disse, agitando a varinha e indicando a Snape para que entrasse e foi o que o outro fez.

– Garota...

– Cale-se! – Ela o cutucou, nada delicadamente, com a varinha. Snape, que estava de costas, finalmente, se irritou. Pensou em virar para revidar, mas... Enfim, ela estava armada. E parecia bastante instável.

E por falar em instável...

Marlene sequer sabia que diabos pretendia.

Bem, era nisso que dava "improvisar". Era por isso que não se devia improvisar numa Guerra como essa. Havia um Plano a ser seguido. E agora, eles não tinham mais nada.

E agora, ela se via parada na sala de estar de Severus Snape, olhando para a cara dele, que estava tão confuso quanto ela.

– Posso ao menos me sentar?! – ele perguntou, já mais que irritado.

– Não, você não pode "se sentar"! E sabe por que você não pode "se sentar"? Porque, enquanto você "se senta" eu sou obrigada a suportar aquele seu maldito encosto no meu ouvido! É, isso mesmo, você entendeu bem, Severus Snape! Parabéns! Hora de fazer uma escolha!

Snape fez menção de correr para algum canto, provavelmente para alcançar a varinha, mas Marlene estava raciocinando com mais calma.

– Nem pense nisso! Estou armada e vou pará-lo, da forma que for necessária. Irei até mesmo matá-lo, se for necessário. Você me entendeu, Severus Snape?

Snape olhou para o chão, os cabelos negros lhe cobrindo o rosto e assentiu, tão sutil que apenas seus cabelos se moveram.

– Ótimo. Pois bem. Não sei o que aquela Amanda Rice está escondendo, mas já não me interessa mais. Se você, de fato, se preocupa com ela, tome uma decisão, agora. Ou sei lá. Eu vou, simplesmente, matá-la.

– Não! – Snape disse, enfático e meio desesperado, parecendo acordar de algum devaneio.

– E eu que achei que não estivesse prestando atenção. Sim, Severus Snape, eu vou matá-la. E depois disso, vou fazer algo a você para que não possa falar, ou fazer qualquer coisa que prejudique a Ordem. Ah, sim, você ainda não sabe do que estou falando. Bem, o importante é que eu vou matar sua namorada e você vai continuar vivo, bem vivo, isso eu lhe garanto.

– Não me ameace. Desgraçada.

– Ameaço, sim. – ela se aproximou dele com a varinha – Quem está armada aqui sou eu. E outra. Eu não "ameaço". Eu vou seguir com o plano. É uma promessa.

Antes que Marlene pudesse reagir, Snape lhe deu um sopapo que a fez ir ao chão e se apoderou de sua varinha. Quando a garota percebeu, estava desarmada.

– Não me subestime. E não venha a minha casa me dar ordens!

Marlene se levantou, com cuidado. Fora estúpido, muito estúpido, seu... "plano". Sequer chegara a ser um "plano", e agora era tarde demais, para todo mundo e a culpa era toda dela. Chorar não faria diferença, mas ajudaria...

Ela só podia suspirar.

– Bem, é assim que acaba. – ela disse, resignada, fechando os olhos.

– Do que está falando?! – Snape disse, mais que frustrado dessa vez, entregando-lhe a varinha. Marlene a pegou, em choque. — Desculpe, eu não pretendia fazer o que fiz, mas você não me deu escolha. Se não começar a responder minhas perguntas, peço a você que se retire e pare de desperdiçar meu tempo com charadas!

Marlene sentou-se na poltrona de Snape e se pôs a explicar, antes que mudasse de ideia:

– Snape, Amanda está em conflito. Ela... Ela trabalha para nós, a "Ordem da Fênix", mas precisa usá-lo para conseguir informações sobre os Comensais. Eles precisam ser derrotados a todo custo. Ela sabe que é errado traí-lo e diz que vai se matar assim que cumprir essa missão. Aliás, ela vai se matar se algo ruim lhe acontecer. Acredite em mim, ela vai! Eu achava que você não prestasse. Como foi se meter com aquela gente?!

– Ordem da Fênix! Sim, ela me falou sobre vocês. Por isso estava agindo de uma forma tão... estranha. – ele suspirou. – Você podia ter simplesmente falado a verdade desde o começo, em vez de ter ficado fazendo joguinhos.

Marlene começou a rir, como se fosse a piada mais engraçada do mundo.

– Tem razão! Desculpe se não confiei em você, Comensal. Não sei o que estava pensando.

– Eu mereço ouvir isso. Eu sei. Mas a Mandy... Ela não merece morrer. Inclusive, não por alguém como eu.

Marlene fez cara de quem ia vomitar.

– Não tenho mais tempo pra essa palhaçada de vocês dois. A minha promessa ou, como você preferir chamar, "ameaça", ainda está de pé.

– Isso não será necessário. Mas eu preciso lhe pedir um favor.

– É muita, muita cara-de-pau da sua parte, meu amigo. Mas vou ouvir por pura curiosidade mórbida.

– Não desejo que ninguém saiba desse nosso... acordo. Se for necessário que alguém saiba, que seja só Dumbledore.

Marlene ponderou, mas na verdade, estava impressionada.

– É... Me parece razoável. Se você conseguir sustentar essa... farsa até o final.

– O "final", garota, está mais próximo do que você imagina. Eles pretendem causar um tumulto em Godric's Hollow, pois desconfiam ser a base de vocês. Eu ia revelar essas informações a Amanda, mas ela desapareceu. Pettigrew já a havia notado desde aquela primeira reunião em que ela apareceu, mas ele é um idiota, sempre foi, então eu conseguia convencê-lo de que ela não passava de uma... – Snape suspirou, relutante – "loira burra". Mas quando ele descobriu que o imbecil do Black e o mais tapado ainda do Potter o haviam simplesmente excluído de suas vidas pessoais, nem mesmo Pettigrew podia deixar de ligar os fatos. Graças às informações que Amanda provavelmente passou a vocês, ele não pôde prejudicá-los... até agora. Não há nada mais perigoso que um tolo com raiva, isso eu posso lhes garantir. Ainda mais quando se trata de um tolo como Pettigrew.

Marlene passou a mão pelos cabelos, pensativa. Era preocupante. A Ordem deveria ser avisada imediatamente.

– Essa conversa nunca aconteceu. – ela disse, deixando a casa de Snape. – A partir de agora, você tem a obrigação de me manter avisada sobre até quando aqueles malditos respiram!

Snape não precisou responder, pois ela entendeu a resposta dele só pelo seu olhar.