Elo
6 Capítulo 6.
Notas iniciais
O céu ganhava aos poucos um misto de cores, azul, laranja, um tom agradável de rosa, todas brigando ao mesmo tempo, como se quisessem espaço, dando inicio ao conhecido crepúsculo inglês, o vento chocava-se contra as árvores, provocando um ruído reconfortante, eu mantinha meus olhos fechados, sentia meu coração bater forte através de meu peito, e meus ouvidos latejavam, meus olhos permaneciam cerrados, mas isso não impediu que uma teimosa lágrima rolasse por minha bochecha, eu tinha medo, muito medo, de que ao abri-los percebesse que eu estava de volta sob o domínio dele, eu temia que fosse obrigada novamente a casar, eu apenas temia, passei meus dedos lentamente pelo chão, senti a relva afagar meus dedos, isso de alguma forma pareceu acalmar meu coração, aos poucos me permiti abrir meus olhos e quase que imediatamente senti a luz os atingirem, minha cabeça repousava em uma enorme pedra, a meu lado o rio corria tranquilo, enquanto uma fogueira crepitava mantendo-me aquecida.
Busquei por algo familiar, qualquer coisa que me fornecesse minha localização, tentei levantar mesmo que com dificuldade e senti a grossa capa escorrer pelo meu corpo, logo um turbilhão de memórias pareceu me atingir, o rapaz, de grandes olhos azuis, seu cheiro naquela vestimenta, suas atitudes, seu nome... de alguma forma não conseguia lembrar.
–Que bom que já está de pé? – o ouvi falar, ele vinha da floresta, com alguns gravetos em mãos, logo os atirando ao fogo. – Como estás? – ele falou se aproximando, a fim de tocar o recente corte feito em meu braço, aos poucos recuei e me abracei a sua capa, em busca de qualquer conforto, algo que ele imediatamente conseguiu perceber.
Ele sentou-se de frente para mim, sustentando meu olhar, ele deitou a cabeça em um tronco oco de árvore ao chão e cruzou suas pernas, colocando uma de suas mãos sob o abdômen bastante definido e a outra segurava sua espada, ele estava pronto, a qualquer sinal de perigo ele iria contra atacar.
–Sabe? – ele falou sua voz autoritária, firme, inspirando confiança em cada palavra dita, era ao mesmo tempo doce e aveludada, eu levantei meu olhar de meus pés e notei suas obres azuis sob mim, o que imediatamente me fez corar. – Não precisa ter medo de mim, se eu fosse machucá-la ou até mesmo roubá-la eu não a teria impedido de enfiar esse punhal em seu peito. – ele lançou a adaga prateada ao meu lado, esta caiu ao meu lado, sob a relva verde.
–Acredite se soubesse qualquer coisa sobre mim, saberia de meus motivos. – falei enquanto brincava com as folhas, as puxando com meus dedos, eu estava descalça, ainda vestia meu espartilho e um fino vestido branco.
–Saberia se me contasse. – ele falou somente com o olhar perdido.
–e por que acha que eu entregaria minha confiança assim a você? – eu perguntei.
–Ora porque talvez eu tenha salvado a sua vida. – ele falou irônico, levantando um pouco sua voz, o que fez meu coração disparar.
–Preferia que não o tivesse. – falei em um sussurro, este foi ouvido por ele.
–Come você consegue... – mas ele não terminou sua fala, porque seu olhar correu a floresta, em busca da origem do barulho que surgira de repente, ele se pôs de pé e eu também o fiz, pegando o punhal e o segurando perto a meu corpo, ele se colocou a minha frente, tentando me proteger.
–Não preciso de proteção... – falei e ele me olhou.
–Mas é muito mal agradecida mesmo... – ele falou indignado.
Mas não podemos continuar nossa pequena briga, pois um homem de estatura mediana de barba bastante espessa e roupas e cabelos bagunçados saiu das árvores com um sorriso amarelo, revelando seus dentes podres e tortos. Um grupo de homens saiu junto a ele também, com armas em mãos.
–Ora, ora, ora... – ele falou risonho. – O que a floresta nos traz, um casal... Perdidos? – ele perguntou, o rapaz loiro retirou sua espada do lugar e trouxe meu corpo para mais próximo dele.
–Não... – ele falou somente.
–Não...? – o homem sorriu estrondosamente, chamando a atenção de todos, senti o braço do rapaz em volta de minha cintura se enrijeces. – Eu me chamo Lower... Um humilde...
–Cigano. – completei sua frase, ele me lançou um olhar de pura fúria, ódio na verdade, ele se aproximou e o rapaz colocou seu corpo a minha frente.
–O termo correto é Romani. – ele falou com um sotaque bastante notável. – Não nos julgue por termos crenças diferentes, senhorita...?
–Katherine. – o rapaz falou em meu lugar.
–Katherina. – ele falou devido ao sotaque, pronunciando meu nome de certa forma engraçada, rindo em seguida, sendo acompanhado pelos seus vários homens. – diga-me minha cara, por que não matá-la?
–Acredite... Ela consideraria isso um imenso favor. – o rapaz falou.
O homem riu ainda mais, de maneira praticamente grotesca, eu apertei o ombro do rapaz, temendo que algo nos acontecesse. Meu coração gritava e o punhal em minhas mãos estava escorregadio, devido a todo suor que a tomava.
–O que fazer? – ele perguntou, colocando a ponta de sua faca sob seu queixo, fingindo pensar. – Matar?
Eu enterrei minha cabeça em seu ombro, tentando pensar.
–Ou talvez... – eu falei – Lutar... – puxei a espada do rapaz e os ataquei, com estrema precisão, sabendo agir em cada passo, logo desarmei um deles e devolvi a espada para o jovem, Lower nos olhava assustado.
–Katherina luta... Ora... Uma mulher. – ele sorria e batia palmas, eu e o rapaz lutávamos bravamente, tentando controlá-los, até que Lower pediu para que parasse.
–Não, não, não... Parem já. – ele correu em minha direção com o punhal, meu coração saltou, minha respiração tornou-se desregulada, fechei meus olhos e aguardei meu fim.
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