Notas iniciais
Lying close to you
Feeling your heart beating
And I´m wondering what you´re dreaming
Wondering if it´s me you´re seeing
Then I kiss your eyes and thank God we´re together
And I just wanna stay with you
In this moment forever, forever and ever

I Don't Want To Miss A Thing
Aerosmith

Ella estava ajoelhada no chão, ao lado de Alexsander, olhando para ele sem conseguir definir o que sentia, enquanto Haig estava parado do outro lado do aposento com a respiração ainda ofegante e com o subcomandante a seus pés, morto e sem parte do pescoço. Seus olhos completamente negros, seu corpo parecia maior, mais largo e suas feições estavam embrutecidas.

Ele estava com dificuldades para controlar-se diante da angústia por não saber a reação de Ella ao vê-lo daquela forma, temia que ela começasse a gritar e o repelisse, além disso, ainda havia toda a apreensão pela possibilidade de ainda haver soldados por toda a parte, dentro e fora da casa.

Embora ele, Alexsander, não tivesse tido tempo de falar muito, Ella pôde sentir tudo o que se passava em seu interior enquanto ele agonizava com a cabeça apoiada nos joelhos dela. Medo, tristeza, saudade, solidão e um profundo arrependimento, ela percebeu que no fundo ele nunca soube lidar com as escolhas que havia feito.

Naquele momento, perceber que ele havia dado a própria vida para protegê-la dos tiros que vieram em sua direção a deixou completamente perdida em meio ao que sabia e dele, o que tinha imaginado a seu respeito e o que ele acabava de demonstrar com aquele gesto.

Com cuidado, largou a cabeça de Alexsander no chão e levantou-se. Contra todas as expectativas, Ella não se apavorou ou gritou quando seus olhos pousaram em Haig, claro que houve certa surpresa, mas reconhecia nele algo de familiar, era uma sensação interior muito forte, ela sabia que ele não lhe faria mal algum.

Aos poucos, toda aquela aflição foi dando lugar a uma serenidade, como se um ciclo tivesse acabado de se fechar, ela entendeu o gesto do pai como uma forma de tentar se redimir. Não que isso o tornasse um santo de agora em diante, mas permitiu que ela o deixasse partir e, juntamente com ele, toda a angústia e incerteza de saber sobre o que seu passado havia lhe acarretado. Ela sentia que dali para frente, ainda que houvesse obstáculos, tudo ficaria bem, ela se sentia em paz consigo mesma.

- Precisamos sair daqui. – ele disse por fim, sem sair do lugar nem desviar os olhos dela.

- Eu sei – respondeu ela com a voz serena e doce e da mesma maneira, sem desviar o olhar.

Nesse momento, George, que havia dado um jeito nos soldados que estavam do lado de fora da casa, entrou abruptamente pelo batente sem porta e ficou um pouco confuso com a cena. Vendo os dois que se olhavam, Alexsander morto aos pés de Ella e outro soldado morto aos pés de Haig, perguntou com a voz baixa e cuidadosa:

- Mas que diabos aconteceu aqui? Vocês... estão bem?

- Estamos – responderam os dois ao mesmo tempo.

- E vocês pretendem ficar aqui e convidar a agência toda, que obviamente deve estar a caminho, para se sentarem à sala e se embriagarem com todo aquele whisky? Estão esperando o que para dar o fora?

Eles riram, enfim se entendiam. Ella havia finalmente alcançado a maturidade das Is em meio a toda aquela turbulência e agora sabia o que Évenice queria dizer quando falou que eles passariam a ser parte do seu mundo como os humanos haviam sido até aquele momento. Ella podia saber o que Haig pensava ou queria dizer a ela assim como ele o sabia, estava estabelecida a conexão, passaram a ser como uma única pessoa nos sentimentos, nos pensamentos, nos desejos...

A viagem até Mora foi tensa, mas apenas para George. Os dois pareciam alheios aos problemas e perigos que os cercavam no caminho. Haig, que havia sentado no banco da frente, segurava a mão de Ella através do vão entre os bancos do motorista e do passageiro. Eles só pensavam em chegar logo em casa e poder esquecer tudo aquilo, pelo menos por um tempo.

- Caso vocês estejam interessados, os outros já estão a caminho de Mora.

Ninguém respondeu, então George achou melhor ficar quieto, depois de perceber o que havia acontecido com Ella. Afinal, ele sabia o que era encontrar sua I, era perfeitamente capaz de entender o que o amigo estava sentindo.

Por questões de segurança usaram as rotas de fuga, evitando lugares com câmeras de segurança e postos de polícia rodoviária, optando por estradas vicinais o que tornou o trajeto mais longo e a viagem mais cansativa.

Chegando a Mora, George queria dar uma volta pela cidade a fim de observar a movimentação antes de dirigir-se ao sítio, mas Haig foi contra.

- Ignorando os protocolos de segurança, Haig? Você não pode perder a cabeça por uma mulher, lembre-se disso!

- Não, meu querido amigo George! Se estivermos mesmo querendo fugir de todos os pontos de vigilância devemos evitar centros comerciais, lugares por onde muitas pessoas circulam. Além do mais, esse carro não é do tipo mais discreto — realmente a Trinton de Haig era uma carro imponente e chamava a atenção, ele nunca usava esse carro quando precisava passar por dentro da cidade de Mora, usava apenas para viagens, quando dava para sair da região por estradas alternativas. – Depois eu mando Jason investigar para nós.

- Jason? Aquele moleque ainda está no sítio? – perguntou George rindo satisfeito, ele gostava muito do rapaz.

- É, meu amigo, já faz um bom tempo que você não vai ao sítio, não é? Ele está lá sim, mas já faz um bom tempo que ele não é mais um moleque.

Jason era um menino de rua que Haig encontrou certa vez perambulando pela cidade e o acolheu, deixou que tomasse um banho, deu-lhe roupas novas, comida e deixou que passasse a noite. No dia seguinte, ele levantou cedo e o menino estava cuidando dos animais, então deixou que ele fosse ficando no sítio.

Um dia, Haig decidiu que seria melhor cuidar dele definitivamente, providenciou documentos, colocou-o na escola, ele se formou e agora era administrador de parte dos negócios. No sitio em Mora, cuidava de tudo na ausência de Haig e Kuzma, ele também conhecia os segredos de Haig, era um dos poucos humanos que sabiam como eram, na verdade, os vampiros. Jason tinha uma gratidão imensa por tudo o que fizeram por ele.

Após passar pelos portões e percorrer a alameda de pinheiros perfilados que se estendia até pouco antes da entrada principal da casa, George estacionou em frente ao jardim que mesmo com a ausência de Kuzma estava muito bem cuidado.

Ella e Haig desceram, deram-se as mãos e entraram. Todos estavam sentados na sala e os esperavam, mas os dois ignoraram a presença deles pelo caminho e subiram rapidamente em direção ao quarto de Haig. George, que vinha atrás deles, notou a interrogação estampada no rosto de cada um e acenou com a mão uma espécie de “calma, eu explico”.

George sentou-se com os demais e relatou o que havia observado na casa/quartel/esconderijo da KGB, citando os corpos de Affonso, que viu logo na entrada quando chegou lá, e o de Alexsander no sótão, onde se encontravam Ella e Haig, mas que para saber o que realmente havia acontecido seria necessário que os dois falassem.

- É, pelo jeito teremos que esperar para saber o que aconteceu – disse Kuzma num misto de alívio por Ella ter se entendido com Haig e impaciência por não saber o que havia acontecido.

Enquanto os outros discutiam qual a melhor estratégia a ser tomada naquele momento, no quarto do andar de cima as coisas aconteciam lentamente, porém, não menos intensas.

Diante da porta do quarto, Haig hesitou um instante, tinha medo do que poderia estar passando pela cabeça de Ella depois do que aconteceu naquele sótão e teve medo de ser rejeitado agora.

- Tudo bem, Haig, tudo bem! – disse ela sabendo o que se passava com ele.

O quarto era amplo, porém não havia excesso de móveis, apenas a cama e uma poltrona no aposento que antecedia o closet e o banheiro. Nada tinha a ver com o quarto que Ella havia ocupado quando esteve lá da primeira vez, aquele era todo claro e delicado, já o dele, não chegava a ser sombrio, mas toda a madeira em mogno utilizada, tanto para o piso quanto para os móveis, dava ao aposento um tom de mistério, típico das histórias que ela tanto havia lido.

Com um passo atravessou o batente, virou-se para ela e puxou delicadamente para dentro deixando apenas espaço suficiente para fechar a porta atrás dela, fazendo-a recuar de maneira que ela ficou entre ele e a porta fechada.

Manteve Ella entre os braços que estavam esticados e com as mãos apoiadas contra a porta. Olhou-a nos olhos por alguns instantes antes de começar a aproximar seus lábios devagar e colocá-los suavemente sobre os dela. De olhos fechados, agradeceu interiormente não só o fim de sua longa solidão, mas por finalmente poder estar ao lado da mulher que amava.

Apesar de não sentir medo dele, Ella estava um pouco apreensiva e, claro, ele sabia. Com a voz baixa e rouca ele sussurrou em seu ouvido:

- Se você quiser... – ele ia dizer que poderiam deixar aquilo para mais tarde, quando ela estivesse mais tranquila, ao que ela respondeu:

- Eu quero...

Enquanto ele lhe beijava o pescoço roçando a barba por fazer, ela, por baixo da camiseta preta, foi subindo as mãos pelas costas dele, que ainda tinha os braços esticados com as mãos apoiadas na porta.

- Eu quero você agora, Haig!

- Ella...

Ele a ergueu do chão mantendo-a contra a porta e a beijando com avidez, enquanto ela cruzava as pernas em volta dos quadris dele. Nesse momento ele a levou até a cama onde ela tirou-lhe a camiseta e o abraçou inspirando profundamente o perfume inebriante que emanava daquele corpo másculo e forte. Numa pausa momentânea, ele se afastou um pouco e fixou-se nos olhos dela, despindo-a devagar pensava que jamais em toda sua existência havia visto uma mulher tão linda.

Ella sentia o corpo todo estremecer cada vez que ele a tocava, e quando ela finalmente estava toda despida, tinha a impressão de que seu corpo ardia em chamas.

Se pudesse, Haig teria prolongado aquele momento infinitamente, só para poder olhar e sentir a beleza daquela mulher que correspondia com cada poro de seu corpo a seu toque, porém ele tinha sede dela, desejava seu corpo e seu sangue na mesma intensidade.

Com uma leve mordida provou de seu sangue e depois tomou seu corpo para si, foi o ápice da fusão de dois seres que nasceram para completar-se.

Notas finais
Desculpem a demora e, espero que gostem!
Se houver reviews será muito bom! Bjokas♥