Ella - A Verdade Por Trás Da História
25 Capítulo 24
Notas iniciais
Enquanto Doroty tentava convencer Haig a esperar por Kuzma e a se recuperar antes de sair atrás de Ana, esta só pensava se conseguiria se livrar de seu carrasco.
Embora Alexsander fosse incontestavelmente maior e mais forte, precisou apertar a “gravata” pressionando o pescoço de Ana até a falta de ar lhe tirar os sentidos, já que ela esperneava no ar e tentava de qualquer maneira livrar-se dele se debatendo e cravando as unhas onde pudesse alcançar.
Assim, desmaiada, era fácil carregá-la. Ele a colocou deitada no banco de trás de sua Triton e dirigiu-se para uma das propriedades que a agência possui entre tantas outras espalhadas por todo o mundo a fim de garantir privacidade e sigilo na maioria das operações. Alugar espaços deixava rastros, por mais cuidado que se tomasse.
Era uma propriedade dessas bem parecidas com as que famílias utilizam para passar férias, um minissítio que ficava fechado na maior parte do tempo sem levantar suspeitas. Afastado do centro da cidade, estava longe de olhares curiosos e àquela hora da noite então, certamente ninguém os vira chegar.
Havia a casa principal e uma pequena casa para hóspedes, mais ao fundo um estábulo que aparentemente era como qualquer outro, mas havia uma entrada muito bem camuflada que dava para um cômodo subterrâneo onde havia uma poltrona, uma cadeira simples, um armário que tomava uma parede inteira com portas de vidro, abarrotado de armas e munições de todos os calibres, algemas, bombas de efeito moral, granadas, e muitas outras coisas e, por fim, uma mesa.
Quando acordou, amarrada à cadeira, Ana estava posicionada de costas apara aquele armário, à sua frente apenas uma parede branca. Sentiu medo, em seguida, pânico. Começou a gritar por socorro, ela não tinha ideia de onde estava e que dali ninguém poderia ouvi-la. Tentou se soltar de todas as formas que pôde, chegando a sangrar os pulsos, sem sucesso, ficou tão exausta que já nem conseguia mais gritar.
Lá dentro era impossível ter noção de tempo. No início da manhã seguinte, Alexsander foi até o estábulo levando comida e água, tentaria descobrir alguma coisa a respeito daquela garota primeiro da maneira mais fácil. Sem compreender muito bem por que, desejava interiormente não precisar usar a força.
Quando entrou, vendo-a inconsciente e percebendo sangue nas cordas e respingado no chão, pensou que talvez Ana pudesse de alguma maneira ter se ferido gravemente tentando fugir, na verdade ela estava inconsciente devido ao grande esforço que fizera durante a madrugada para se soltar.
Ele a desamarrou e a deitou no chão verificando seus pulsos que estavam bem machucados e provavelmente precisariam de um curativo. “Curativo?” pensou ele, “você realmente deve estar ficando mole, é uma garota suspeita, que carregava uma arma e ampolas de z42!” Ao mesmo tempo em que pensava “é, mas se ela tiver uma infecção grave ou algum problema de saúde não servirá para nada e você não vai conseguir as informações que procura”.
Foi até a casa e apanhou a maleta de primeiros socorros retornando para o estábulo, entrou rapidamente e parou diante da garota que segurava uma arma apontada diretamente para ele, podendo observar os vidros do armário quebrados.
- Coloque todas essas coisas no chão bem devagar! – disse ela.
- Olha só, eu não sei quem é você, garota, mas eu só quero conversar!
- Eu imagino pela forma como me convidou à sua casa, posso imaginar o tipo de conversa: você pergunta, eu repondo e quem sabe ganho uns minutos a mais de vida.
— Então você acha que sou algum tipo de assassino?!
- Não, claro que eu não acho isso! Eu tenho certeza! Sei muito bem quem você é e o que você faz! Basta olhar para sua linda cristaleira!
- Gosto de mulheres com senso de humor! Agora se você está tentando me assustar, deveria ao menos aprender a usar armas e, principalmente, saber quando estão travadas ou sem munição, como é o caso dessa aí, por exemplo! – dizendo isso partiu para cima dela.
Sem nenhuma outra opção, Ana segurou a arma com firmeza e girou o corpo com toda a força acertando-lhe diretamente no rosto. Como ele esperava que ela fosse tentar dar a volta na mesa correndo para sair, não previu o golpe de alguém que ficaria e lutaria por qualquer chance que pudesse ter de se livrar do inimigo. Alexsander caiu meio desnorteado, então Ana pegou a cadeira e o acertou na cabeça deixando-o desacordado.
Saindo pelo alçapão alcançou o estábulo, a porta era pesada e Ana teve dificuldades para abri-la, quando chegou do lado de fora não fazia a menor ideia de onde estava, o que faria agora, para onde ir... Devia tê-lo matado. Ana olhou para a casa principal e pensou que talvez, se houvesse um telefone por lá, poderia ligar para Amaril, mas iria dizer que estava onde? O carro, claro!
Correu até o carro, nunca havia dirigido antes, mas não devia ser tão difícil, mas as chaves não estavam no contato, claro! Ao longe, viu que alguém saía do estábulo, era ele! Permaneceu quieta dentro do automóvel e assim que ele entrou na casa desceu do carro e correu para a floresta que cercava a propriedade. Não sabia que direção seguir, mas certamente não poderia ficar ali parada.
Alexsander estava louco de raiva, mais consigo mesmo do que com aquela garota que havia conseguido o que poucos conseguiram, ou seja, escapar dele! Ainda que nem de longe tivesse dúvidas de que a recapturaria, só o fato de haver subestimado um suspeito o enfurecia.
Ele não iria matá-la, então saiu carregando uma arma que disparava dardos tranquilizantes, obviamente sabia que ela havia tentado o carro cujas chaves ele jamais deixava no contato. Sendo assim, a única coisa que havia restado a ela era correr para a floresta. “Bom, vamos lá”, pensou ele.
Ana estava cansada, mas não podia se entregar, precisava alcançar uma estrada ou alguma outra propriedade perto, mas o que diria a eles? E se Alexsander fosse realmente um agente da KGB, estaria colocando em risco a vida de pessoas inocentes caso ele desconfiasse que ela poderia ter contado alguma coisa sobre os vampiros, isso se alguém acreditasse nela.
Dessa forma, passou por duas propriedades sem que tivesse coragem de parar em nenhuma delas, o cansaço já começava a confundir-lhe a mente, seu corpo projetava-se para frente quase como se estivesse no “piloto automático” quando, de repente, deu de cara com um homem imenso, assustando-se. Não teve forças para qualquer outra reação, simplesmente apagou.
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