Notas iniciais
Bom, aí está mais um capítulo.
Enfim, penso que tenha conseguido sanar o problema da demora nas postagens aproveitando umas férias para organizar um pouco minha vida e adiantar bem a história com alguns capítulos de folga a frente deste.
Espero que gostem, agora que a história já caminha para o fim teremos um pouco de ação e revelações dramáticas.
Bjokas♥

Em Talsi, na Letônia, Angus havia encontrado Affonso, empregado de Amaril, que estava a caminho de Riga e a procura de George, já que todas as tentativas de contato por telefone haviam falhado. Concluíram que o mais seguro seria ir atrás dele onde certamente poderiam encontrá-lo.

Após ser informado dos últimos acontecimentos e sabendo do quão perigoso era essa proximidade de Alexsander, Angus tranquilizou Affonso garantindo que seguiria na frente para ajudar no que fosse preciso enquanto ele não chegasse com George.

Por estar na estrada há muito tempo, Angus conhecia praticamente todas as “tocas” dos agentes da KGB, com raríssimas exceções e estava justamente indo verificar a movimentação em uma delas na região de Gävle, quando se deparou com Ana. Se ela estava naquele estado, para Angus foi fácil deduzir que havia alguém atrás dela, seu carro estava a uma boa distância então, se essa pessoa estivesse muito próxima e se fosse quem ele pensava ser, precisaria de toda sua habilidade para fugir, já que Alexsander não era um humano como os outros.

Como não lhe restasse alternativa vendo a moça desmaiada no chão, ergueu Ana nos braços e caminhou de volta na direção de onde veio. Quando chegou ao carro, no momento em que ia colocá-la no banco traseiro, Ana acordou e foi impedida de gritar tendo a boca tapada por Angus, que lhe pediu para se acalmar garantindo que ele era amigo de Pedro e que a levaria em segurança para casa.

Ana começou a chorar, mal pôde acreditar no que ouvia.

- O que você faz aqui? O que aconteceu? – perguntou ele.

- Eu não sei, eu fugi da casa da... Não, espera! Como posso saber se devo confiar em você? E quem é “você”?

- Fique tranquila, eu sou amigo de Pedro, e também conheci seu avô. Você é Ana, não é? Da última vez que nos vimos, você e sua família embarcavam para Gävle.

- É verdade... estou me lembrando de você agora! Você esteve com meu pai no dia do embarque para Gävle! – Ana começou a chorar novamente e entre lágrimas continuou – Você também conhece Amaril? – depois da afirmativa com um balanço de cabeça — Eu estava hospedada na casa dela depois de vir para cá atrás de respostas sobre minha família. O barco em que nós viajávamos naufragou, eu desmaiei na praia e acordei na casa desse tal Pedro que eu nem sei quem é.

Angus ouvia atentamente as palavras de Ana, claro que ele já sabia de todo o ocorrido, mas precisava saber até onde “ela” sabia das coisas.

- Um dia, Amaril recebeu uma visita e me mandou para um porão dizendo que era para minha segurança, fiquei lá por uns três ou quatro dias talvez – era difícil controlar as lágrimas, o medo e ter que contar toda aquela história –, achei uns papéis e comecei a ler, havia coisas terríveis sobre meu avô, quer dizer, sobre pessoas que ele conhecia, nem sei... coisas que eu pensava que só existiam na ficção, uma doideira sobre KGB, espiões e vampiros...

Angus percebeu que ela havia descoberto as coisas da pior maneira possível e agora não sabia se a levava de volta para Mora, que aparentemente era o local mais seguro no momento, já que ela parecia não saber que Pedro e Haig eram a mesma pessoa, ou se deveria ir até Amaril.

- Na noite em que fugi, eu achei uma arma, algumas balas esquisitas e uns frascos, tipo seringas com um líquido verde, tudo parecia surreal aliado às anotações que li no diário do Sr. Francis que, segundo me consta, era marido de Amaril. Foi demais para mim, atirei na fechadura do alçapão de onde eu estava e saí para o quarto, Quando ia sair pela janela, entrou um homem, estava escuro, eu atirei nele, mas ele continuou vindo para cima de mim então o espetei com aquela “coisa” que parecia uma seringa com um líquido verde, ele ficou caído no chão e eu fugi.

A expressão inalterada de Angus não condizia com as preocupações que pipocavam em sua mente.

- Depois disso um homem me ajudou, mas quando descobri quem ele era e tentei fugir, ele me perseguiu e me trouxe até esse lugar, me amarrou num porão. Estou cheia de porões! – seu choro agora era de raiva.

O que será que havia acontecido? Quem ela havia atingido com aquilo? Porque certamente não foi Alexsander. Toda aquela narrativa acabara ditando a direção, ele iria até Amaril correndo todos os riscos porque precisava saber “quem” Ana poderia ter matado.

Enquanto isso, na casa de Amaril, controlar Haig não estava sendo fácil, deixaram o porão e ela insistia que deveriam ir embora, pois acreditava que sua casa, que antes já não era tão segura, agora seria certamente um alvo constante de vigia e investigações.

Kuzma e Carlos voltaram para contar o que descobriram e assim que entraram na cozinha pelos fundos da propriedade, Haig tossiu e cobriu o nariz.

- Criaturas, por onde vocês andaram? Um esgoto cheira melhor que vocês! – As três mulheres se olharam, não sentiam cheiro algum, do que será que ele estava falando?

- Chegamos até lá, mas a partir daí o local estava empesteado de pó de alho e de acônito, parece óbvio que alguém está tentando esconder o rastro. – Kuzma estava irritado – Essa merda pode não nos matar, mas fede! Cretinos! Preciso de um banho e roupas limpas!

- Bom, o cheiro de Ana termina de frente para um muro que fica em frente ao Texas Longhorn Burgers & Deli, na Rua Södra. – completou Carlos.

- Como assim, “termina”? Não é possível! – vociferou Haig socando a mesa da cozinha que ficou danificada.

- Espera aí, acônito é coisa para lobisomem! – Disse Évenice. Todos a olharam. – Eu andei... pesquisando... internet, Google, conhecem?

- Pesquisando coisas contra vampiros? – Perguntou Carlos com olhar incrédulo. – Ou você acredita em lobisomens?

- Você sabia que a maioria esmagadora da humanidade não acredita em vocês? Até bem pouco tempo atrás eu também achava que isso só existia na ficção!

- No que vocês acreditam ou deixam de acreditar, sinceramente, é o que menos importa nesse momento! – Disse Haig conferindo sua pistola Taurus 9mm. – Eu vou achá-la e trazê-la de volta e dessa vez pretendo acabar com o assunto Alexsander.

Haig seguia com passos firmes e decididos em direção à porta da frente, enquanto Amaril e Évenice o seguiam pedindo que ele tivesse calma e fizesse um melhor planejamento de ação. Carlos e Kuzma também conferiam suas armas e pentes de munição extra, sabiam que seria quase impossível segurar Haig, não tinham alternativa senão segui-lo e tentar ajudar.

Notas finais
Aguardo reviews, Bjokas♥