Ella - A Verdade Por Trás Da História
19 Capítulo 18
Notas iniciais
Enquanto seu Volvo XC60 preto deslizava pela estrada, Haig e Kuzma mantinham um silêncio tenso. Doroty estava demorando demais para retornar com informações de Gävle e isso os estava atormentando.
Era primavera e o verde predominava por toda a extensão da rodovia de GävlesBorg Ian, onde também era possível ver algumas casas em seu estilo tradicional de madeira pintada em tom vermelho tijolo, alguns telhados em verde bem claro, longas fileiras de pinheiros bem verdinhos seguiam-se por toda essa extensão e, geralmente, atrás de cercas de arame.
Quase na altura de Falun, o telefone tocou e os dois, ao mesmo tempo, tentaram pegar o aparelho, mas Haig usou de bom senso por estar ao volante entregando à Kuzma essa tarefa.
- Ô, até que enfim!
- Onde vocês estão?
- Haig não quis passar mais uma noite em Sandviken esperando um telefonema que nunca acontecia, estamos quase passando por Falun.
- Kuzma, escute bem o que vou te dizer e dê um jeito de segurar esse maluco! Alexsander esteve em Gävle ou ainda pode estar, ninguém sabe ao certo.
- Mas...
- Fique quieto! Não quero que Haig saia correndo para lá, temos motivos para crer que a casa de Amaril esteja sendo vigiada, não dá para se aproximar de lá agora. Ana está a salvo por enquanto, mas temos outro problema.
- Estou ouvindo.
- Na verdade, o outro problema não é nosso, é de Amaril e o tal Alexsander pareceu muito desconfiado.
- Quem? Aquela...
- Ela mesma, a filha adotiva de Amaril. Não consegui saber muito, pois temia levantar suspeitas, enviei uma velha amiga de Gävle alegando que talvez o telefone de Amaril estivesse com defeito já que não conseguia contato. Amaril tentou enviar as notícias através de códigos dizendo que recebeu a visita do meu primo cujas filhas estão bem, mas precisavam viajar com urgência, pois decidiram começar a faculdade fora e ele estava muito preocupado caso elas não conseguissem embarcar, pois estavam se arriscando a perder a vaga na faculdade. No mais...
- Bom, vamos ver o que podemos fazer daqui, te mando notícias – Kuzma desligou o telefone com Doroty ainda chamando pelo seu nome, tinha a difícil missão de fazer com que Haig ouvisse tudo e não tomasse nenhuma decisão precipitada. – Precisamos tomar um café.
Ouvindo isso, Haig virou bruscamente o volante do carro em direção ao retorno em Falun e pegou a toda velocidade a estrada de volta em direção à Gävle. Kuzma se segurava como podia. Com cara de quem estava se divertindo, disse:
- Ei, se não estava a fim de tomar café era só me dizer! – No fundo, apesar de fazer sempre uma cara séria e usar um tom contido na maioria das vezes, ele divertia-se muito e apreciava uma adrenalina.
Transformando a paisagem do percurso num borrão, o crossover de seis cilindros e 285 cavalos de potência deslizava pela estrada em alta velocidade rumo à Gävle. Na mesma velocidade ia a mente de Haig que procurava adivinhar o que poderia estar acontecendo. As hipóteses mais sombrias lhe assombravam a mente, depois eram substituídas por outras cheias de esperança que pressupunham que, se algo de grave tivesse acontecido, a notícia já os teria alcançado. Em seguida, as sombras retomavam o controle, tudo isso num grande redemoinho que não dava trégua. E quanto mais se angustiava, mais aumentava a velocidade, o que ia deixando Kuzma tenso, não porque tivesse medo de morrer, mas, certamente um acidente, além de lhes atrasar, acabaria chamando uma atenção indesejada.
- Quer testar nossa imortalidade? Ah! Qual é?! Eu gosto desse carro!
Nada que Kuzma dissesse poderia ultrapassar a barreira do desespero que tomava conta de Haig, com o pé cada vez mais fundo no acelerador, ele só pensava em chegar à casa de Amaril, sem medir ou se preocupar com as conseqüências.
- Haig, você precisa raciocinar cara! Se chegar dessa forma, irrompendo cidade a dentro, se Alexsander estiver por lá, se ainda existir uma chance de salvá-la, se é que ele sabe sobre ela, se é que ele está lá, se é que ela está em perigo, e se ela ainda nem souber... pense... você pode arruinar as coisas – como não obtivesse nenhuma reação do amigo além de afundar ainda mais o pé no acelerador, gritou – Você pode matá-la!
Nesse instante, Haig freou o carro tão bruscamente que quase capotou e foi muita sorte não vir ninguém atrás nesse momento. Saiu para o acostamento, parou o carro e desceu, seguiu para o meio das árvores, um bosque ao lado da estrada. Surrou tanto um pinheiro que quase o derrubou e, embora cicatrizassem logo, suas mãos ficaram sujas de sangue. Seus olhos enegreceram e sua feição tornou-se bruta e raivosa, dentes afiados surgiram nas laterais de sua arcada. Kuzma vinha logo atrás, mas, ao ouvir o amigo ofegante, diminuiu os passos até que parou diante de alguém que ele não sabia se conhecia.
- Ei! – disse Haig, indo em direção à Kuzma ainda ofegante e, de repente, parou diante da expressão aparentemente retesada do amigo.
- Eu realmente estou começando a ficar com medo de você! – disse Kuzma olhando para Haig que já voltava a ter a mesma aparência de sempre. – Eu não sei o que é isso, quer dizer, já vi isso, mas... bom, depois que salvarmos a mocinha ...
- Tô começando a achar que talvez a mocinha não esteja tão segura assim comigo – Haig começava a sentir medo de si mesmo, não entendia o que estava acontecendo, seu pai nunca lhe falara de nada parecido.
Ao mesmo tempo em que era capaz de sentir as coisas que sempre sentia, de ter consciência de quem era e de toda sua vida até aquele momento, ele também era capaz de sentir que algo dentro dele mudava, a raiva era intensa, todos os sentidos ficavam alertas, sentia-se forte e... o sangue... nunca havia pensado nele como agora. Não teve coragem de dizer isso a Kuzma, mas no momento em que se dirigiu à ele, por uma fração de segundos sentiu que poderia ter atacado o próprio amigo. Não sabia o que fazer, amava tanto Ella, até aquele momento tivera a mais pura certeza de que seria capaz de dar sua vida para protegê-la e agora, já não sabia nem mesmo se ela estaria a salvo ao seu lado.
Notas finais
Gostaria de pedir desculpas aos leitores por estar num ritmo mais lento, porém, entre os motivos que considero relevantes está o fato de não querer acelerar minha beta linda que já é suficientemente atarefada sem precisar da minha ajuda para isso...rsrs (ela é extremamente capaz e se esgota demais por isso); o fato de estar descobrindo a delícia de escrever outras histórias concomitantemente o que de certa forma, considero que ajuda a enriquecer esta e a leitura de alguns livros em busca de um enriquecimento maior do vocabulário.
Obrigada a todos que acompanham esta história, fico muito feliz e chego a dizer um "huhu" quando vejo que tenho um leitor a mais. Vcs são o máximo! Bjokas♥
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