Notas iniciais
Mil desculpas pela demora! É chegada a hora de refletir mais e melhor sobre os capítulos, de tentar tornar a história ainda mais atraente e dar a emoção que esse tipo de enredo pede. Espero que gostem! Bjokas♥

Ana sentia-se atordoada com tudo o que estava descobrindo através daquelas estranhas anotações, desejava quase que desesperadamente que tudo não passasse de fantasia, no máximo alucinações e delírios de algum louco. Ainda que essa pessoa, louca ou não, parecia conhecer muito bem seu avô e detalhes da vida de seus pais.

A poucos dias de completar vinte e um anos, Ana começava a se sentir estranha, tinha dores de cabeça constantes, tonturas, tinha sonhos tão vívidos que muitas vezes ficou em dúvida se realmente sonhava. Como não conseguia explicações trancada naquele porão, responsabilizou aquelas histórias malucas que andava lendo.

Em alguma das anotações, o tal livrinho foi novamente citado e ela decidiu que o encontraria, tateou cada centímetro daquele porão, devia haver ali um compartimento secreto, um cofre, um tijolo solto, qualquer coisa, depois se achou maluca, mas, sem muito que fazer ali, decidiu embarcar naquela “viagem”.

Já ia por volta do quarto dia no porão, depois de haver verificado quase todo o cômodo, foi então que encontrou sob as escadas de madeira. O primeiro degrau de baixo para cima parecia oco ao bater com os dedos, devia ser uma espécie de mini baú, o problema agora era como faria para abri-lo, isso não parecia fácil, mas pelo menos lhe garantiria algum tempo de distração e ocupação.

Fez várias tentativas de abrir o compartimento usando o cabo de um garfo que Évenice havia lhe trazido com a refeição e que ela guardara embaixo do colchão, mesmo após ter pensado que havia assistido filmes demais e que na vida real um garfo não faria milagres. Mas então, depois de haver machucado as mãos respingando um pouco de sangue ao pé da escada, ela finalmente conseguiu abrir e aquele compartimento revelou-se relativamente fundo.

Ia começar uma nova etapa dentro de toda aquela maluquice, então, em primeiro lugar, decidiu lavar as mãos numa pequena pia no canto direito embaixo da escada. E antes de enfim descobrir que segredos mantinham ali tão bem guardados, trocou também as roupas que estavam um pouco respingadas, colocou uma calça jeans, que se ajustava confortavelmente em seu corpo, uma camiseta vermelha e calçou um coturno de couro preto cano curto, lembrou-se que seu pai detestava aquele tipo de calçado ele sempre dizia: “uma princesa não deve calçar essas coisas”. Princesa? Uma princesa sem reino! Riu ante esse pensamento e prendeu os longos cabelos num rabo de cavalo para em seguida deixar à mão sua jaqueta, não sabia exatamente porque, mas já se sentia alerta, uma espécie de sexto sentido talvez.

Sentou-se próximo ao compartimento, outra frase de seu pai ecoava em sua mente enquanto retirava e espalhava todas as coisas que encontrava em seu interior pelo chão: “filha, esteja sempre preparada, a vida é uma caixa de surpresa, se sentir-se em perigo, fique alerta, ainda que pareça uma bobagem”. Havia mais anotações, uma caixa contendo uma espécie de ampolas com um líquido verde, umas balas de prata, um lindo revólver que parecia ter sido todo trabalhado em ouro envolto num pano de seda vermelha.

“Bom, agora já tenho uma arma”, ela pensou e, embora nunca tivesse usado uma, diante da atual situação não se intimidou em deixá-la à mão, manuseando-a até que conseguiu descobrir como colocar as balas que encontrou.

Arma preparada, colocou-a na cintura, continuou retirando mais um tanto de papéis até que chegou ao fundo e lá estava ele, o livreto em sua caixinha de madeira. Enfim, quem sabe, encontraria ali respostas ou então acabaria louca como quem um dia habitou aquele porão.

As anotações em papéis menores seguiam o mesmo ritmo das histórias anteriores, falavam de seu avô, seu pai, a tal agência, Angus, mas toda vez que lia o nome Alexsander, um arrepio desagradável percorria-lhe o corpo que sentia gelar em seguida.

Deixou o livreto de lado, “a emoção para o final”, pensou. Que líquido era aquele verde naquelas ampolas? Embora sua curiosidade fosse muito grande, para sua sorte não conseguiu destravar nenhuma delas e chegou à conclusão, equivocada, de que deveriam estar lá há muito tempo, recontou as balas e colocou algumas no bolso da jaqueta e da calça, ao voltar-se para os papéis, reconheceu a letra do avô.

“Estou mandando todos para Gävle, o cerco apertou e creio que vocês também deveriam deixar a França. Meu filho vai ser pai e quero que meu neto nasça longe daqui. Eu ficarei para garantir a segurança acompanhando a movimentação dos inimigos de perto e garantir que consigam despistá-los. Sei que sempre pude contar com você, meu bom amigo, mas, se por acaso não for um neto, vou precisar ainda mais. Você já deve conhecer toda a história, ou pelo menos grande parte dela, a que realmente interessa nesse momento, conto com você! Ah, sim! Apenas aceite como verdadeiros as cartas e recados em meu nome, desde que entregues por Angus, jamais mandarei outro mensageiro”

Agora chega! Como assim “se não for um neto”? Ana largou tudo o mais à sua volta e agarrou o livreto de uma vez, se jogou sobre a cama e na leitura.

“Querido amigo, não sei o esperar de agora em diante, sei que já fez muito por nossos amigos arriscando sua própria vida e de sua esposa, sua carreira, mas não tenho alternativa nesse momento, peço encarecidamente que me estenda a mão mais uma vez. Vou lhe contar tudo, lhe darei nomes e direi de quem e como pode tentar se proteger, caso seja necessário.

Estou lhe encaminhando esse rapaz, ele é um vampiro, filho de um dos melhores amigos que já tive, há dois anos e meio ele foi pego por Alexander Randorvick, guarde esse nome, ficou ferido e beirou a morte, não pude mais mantê-lo no local para onde o enviei por questões de segurança. Preciso que o abrigue por um tempo que nem mesmo posso garantir que será breve. Como sempre, ficarei na retaguarda de onde terei mais chances de acompanhar os passos da agência e saber o quão perto chegam ou não de vocês.

Ele deverá lhe entregar um caderninho, na verdade, uma espécie de diário no qual procurei anotar tudo o que consegui saber sobre as origens desse rapaz, de sua espécie e, pasme, das minhas origens, o que agora coloca em risco meus possíveis futuros descendentes. Peço que leia com atenção e com seu olhar científico, pois, acredite, essa espécie não é tão imortal quanto se pensa,a KGB tratou de desenvolver uma fórmula que é capaz de torná-los incapazes de se defender. Eu consegui, nem quero falar de que maneira, essa fórmula e espero que você possa e tenha tempo de descobrir uma maneira de salvá-los disso.

Não foi por acaso que chegamos até você. Quando descobri as intenções da agência e vimos de que maneira eles estavam conseguindo matá-los, eu e meu amigo, pai desse rapaz, começamos uma pesquisa frenética por qualquer coisa que pudesse nos ajudar. Foi quando pensamos que, se isso foi criado em laboratório a custa de pesquisas usando os primeiros vampiros que capturaram e mataram de maneira trabalhosa, porém tradicional, somente outro cientista poderia nos ajudar.

Chegamos a seu nome já que suas habilidades extraordinárias foram amplamente divulgadas na ocasião de sua formatura e devido a alguns prêmios que recebeu desenvolvendo vacinas que acabaram erradicando algumas doenças entre os humanos.

Assim que Angus detectou sua boa vontade, ficou claro que poderíamos contar com sua preciosa ajuda e, por ter se mostrado tão fiel ao combate a essas atrocidades é que, mais uma vez, recorremos a você.

Você receberá uma ajuda financeira que virá apenas em entregas que serão feitas por Angus, tudo que precisar peça a ele e nós daremos um jeito de conseguir recursos e materiais.

No mais, espero que as histórias contidas nesse pequeno diário possam ajudar no esclarecimento de muitas questões que, tenho certeza, povoaram sua imaginação, e sejam de grande valia na pesquisa de alguma coisa que nos ajude.

Que Deus esteja com você e nos ajude!

Seu amigo Rud.”

Vampiros, KGB, fórmulas. As ampolas verdes!

Não era maluquice, nem delírio, era verdade, tudo verdade!

Chega de tentar fugir, Ana! É hora de encarar de uma vez por todas! Tudo isso não é uma obra de ficção e, de alguma maneira, você faz parte disso!