Elizabeth.
2 O começo.
Notas iniciais
"Então morra. Sofrer e achar que quer morrer só significa que você foi mimada pela vida. Se não quer morrer, não seja mimada. Sofra pela vida, rasteje pela vida. Aguente até o fim. Se mesmo assim, continuar com vontade de morrer, venha atrás de mim. Eu acabo com você."
Eu desci as escadas naquela noite de quarta feira, eram exatamente Oito horas e vinte e quatro minutos. Quarta era o dia em que minha família se reunia na sala de jantar para conversar e decidir alguns assuntos ou dar avisos e noticias, como uma reunião de negócios. Eu me sentei na escada e parei para ouvir a conversa sem que ninguém me visse, já que me expulsaram da reunião quando eu tentei me sentar para participar. Sim, eu senti que iriam falar alguma coisa referida á mim que preferiram discutir. Eu escutei uma voz doce e familiar, era a voz de minha querida e fashion mãe, ela disse exatamente isso :
– Catlyn, você não vai conseguir convence-la a matar a amiga assim tão fácil. É impossível e não está na hora! — Argumentou. — Ela tem apenas dezesseis anos!
– Ela sempre soube que teria que matar alguém que ela gostasse, cedo ou tarde, querendo ou não. — Meu tio, com sua voz forte, fez reinar o silêncio de minha mãe por um tempo.
– A hora chegou, temos que aproveitar que está a noite e fazer com que Elizabeth mate a Ariana agora! — Ponderou minha avó Catlyn.
– Ariana? O que a Ariana fez? — Me perguntei, indo até a sala de jantar.
Logo que eu chego, os olhares são focados em mim. Minha tia Gertrudes me olha com aquele jeito nojento e superior dela, velha rabugenta que ficou pra titia.
– Você já deve ter escutado, portanto, se arrume e vá matar a sua amiguinha. — Disse a minha avó, curta e grossa. — Fui clara?
– "Se arrume e vá matar a sua amiguinha"? Credo. O que ela fez? — Questionei, desentendida.
– O que ela fez não interessa, ela é uma inimiga e quero que você mate ela! — Respondeu, rude como sempre.
– Priminha, você viu a lua? Está perfeita para um passeio e um treinamento, mate ela e não deixe rastros. Ok? — Minha prima Amélia se pronunciou, indicando a lua com sua cabeça.
Amélia era a minha prima preferida, eu faço tudo pra ela e ela tudo pra mim. Ela me conhece bem e todos sabem que eu tenho uma certa ligação com a lua, a noite eu fico um pouco mais forte, como todas as bruxas.
– O velho truque da lua. Ok, eu vou! — Falei, convencida. — Mel, vou pegar seus acessórios. — Fui correndo para o quarto da Amélia e desci alguns minutos depois.
Decidida e já com os meus olhos totalmente brancos e iluminados como duas luas, liguei para Ariana e marquei de vê-la na casa dela em uma hora. Coloquei-me a caminhar até a sua casa, que era um pouco longe.
Uma hora depois...
Chego na porta de sua casa e toco a campainha, a demora para Ariana a atender a campainha me deixa mais nervosa, alguma coisa estava me deixando com a cabeça confusa e com uma repleta raiva e fúria da Ariana, assim que ela abre a porta, não consigo me controlar e começo a enforcá-la e dizer palavras e coisas que não sabia, apenas sentia.
– Você tem que morrer, Ariana! Traidora! — Gritei.
– Porque? O que eu...- Ela não consegue terminar e começa a puxar o ar, tentando respirar.
– Se explique, traidora! — Joguei-a de lado com uma força que eu desconhecia, fazendo Ariana bater seu corpo na parede.
– Eu não fiz nada, Elizabeth! — Ariana exclamou. — Está louca? Por que me chamou de traidora ? Por que me enforcou?
– Eu...não sei. Mas você tem que morrer! — Determinada, me aproximo aos poucos de Ariana. — Você traiu minha família e não merece a minha mínima amizade!
– Não fiz nada, acredita em mim. Por que seus olhos estão assim? Nunca vi você desse modo! — Choramingou. — O que fizeram com você, amiga?
– Não me chame nunca mais assim! Você é uma falsa mesmo, né? Não sei o que você fez, mas... — Senti uma tontura no meio da fala, me acalmando. — Desculpa, não sei o que aconteceu comigo, Ariana. Fiquei descontrolada, só isso! Não quero te machucar nunca, você é uma das minhas melhores amigas.
– Você está bem? Seus olhos estão voltando ao normal...isso é bom. — Ariana foi se aproximando aos poucos de mim, preocupada.
O pavor e a raiva foi voltando assim que ela se aproximou de mim, eu relutei contra isso, mas não consegui.
– Bom será ver você morta no chão. — Minha mão, agora empunhada por uma faca, foi levada por mim até a barriga de Ariana, ficando-na profundamente. — Desculpa, eu não queria...
– Por que isso, Elizabeth? — Ela limpou o sangue que começou a sair, com os olhos apavorados.
– Era o seu destino, eu apenas adiantei ele. — Deitei Ariana no chão e retirei um vidro pequeno do bolso, colocando seu liquido na boca dela. — Isso vai te matar mais rápido.
– Eu não me...- Seus olhos se fecharam automaticamente, ela estava morta. Senti ela congelar em meus braços.
– Ariana? — Balancei seu corpo. — Pronto, morta. Eu sinto muito! — Manuseio minhas mãos passando-a pelo chão, tirando toda a sujeira e minhas digitais.
Depois de limpar tudo e tirar minhas digitais de qualquer tipo de prova, fui a caminho da minha casa, vejo Liam, um colega da minha escola, e cumprimento-lhe :
– Oi Liam, o que está fazendo aqui, tão tarde?
– Saindo da casa da minha vó. E você? Veio visitar a Ariana?
– Ari...ana? E-e-u? Não! — Fiquei totalmente branca e gelada.
– Eu tenho que ir pra casa, não terminei de estudar e minha mãe está preocupada. — Ele ajeitou seu óculos. — Tchau, Elizabeth.
– Tchau, Liam, bons estudos!
Ele sorriu para mim.
Liam, o tipico garoto feio, inteligente que é zoado na escola. As vezes eu me pego olhando pra ele, mas ele é horrivel! Eu acho ele legal, adoro conversar com ele...sei lá. Ele é feio e eu sempre ligo muito pra aparência e tudo, não conseguiria namorar ele. Por mais que ele me ame, aliás...todos me amam!
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