Elite

2 A Day In the Life


Notas iniciais
Agora simm, vai começar de verdade huahsuhauhuhauhss Boa leitura!

Inglaterra. Cambridge.

Muitos chamam esta cidade de: "A verdadeira Inglaterra". Vários museus, edifícios belíssimos, velhas igrejas, tradição histórica e um belo rio que corre ao fundo das faculdades. Cambridge é, para muitos, um ótimo lugar para se viver.

Mas não para Noam Stevens.

Mesmo com duas calças, duas blusas finas de manga e um grande casaco xadrez, o frio insistia em incomodar o garoto que não aguentava mais o inverno.

Ele esperava o ônibus que, para sua sorte, se mostrava mais que atrasado.

— Eu não pago impostos para ficar aqui congelando – Reclamava um senhor que estava tão impaciente quanto Noam. O garoto apenas esboçou um sorriso sem se dar ao trabalho de mostrar os dentes.

Noam Stevens não precisava ficar ali esperando um ônibus. Se quisesse, apenas uma ligação para seu motorista particular seria o suficiente para o jovem ser tirado dali imediatamente, podendo escolher se queria ser visto andando em um Maybach Landauletou o Evoque branco de seu pai. Porém Noam estava de castigo.

O garoto sabia que merecia ser repreendido por tudo que fez, e, obviamente, ele não ficava de todo feliz com isso, porém não podia reclamar. Fazia parte da sua recuperação.

Ele deu mais um gole em seu chá quente enquanto continuava a observar a estrada sem nenhum sinal do grande ônibus de dois andares.

As aulas começariam em apenas uma semana, e ele havia saído para comprar o restante do material, se arrependendo amargamente por não ter pego o carro mesmo que escondido. "Você não é tão esperto assim, não é Stevens?" pensou consigo mesmo. Graças à rainha, o castigo de Noam iria acabar assim que as aulas retornassem, afinal, ir para a escola de ônibus durante todo um ano letivo, já foi muita humilhação, segundo a senhora Stevens.

Este seria seu último ano e ele pretendia, assim como no ano anterior, se dedicar ao máximo nos estudos, para poder ter um lugar garantido na Ivy League. Harvard, de preferência.

Ele estava tão focado que não possuía tempo para outras coisas. Não abrira mão apenas de algumas atividades extracurriculares como o xadrez e as aulas de piano que ele mesmo lecionava. Tudo girava em torno de pontos para faculdade. Noam mal tinha tempo para se divertir, o que o fazia lembrar de como era sua vida, um ano e meio atrás.

Todos os fins de semana, Noam estava em alguma festa badalada ou metido em alguma confusão que rendiam ótimas histórias. As noites passadas sem dormir, as garotas, as bebidas, os amigos, as drogas...

O garoto chacoalhou a cabeça ao pensar nessas coisas. Prometera a si mesmo não remoer o passado e não ficar pensando nele. Principalmente naquela noite.

"O que passou, passou Noam. Esqueça"

— Finalmente — Comemorou o senhor ao lado de Noam assim que notou o transporte se aproximando.

Stevens entrou no ônibus e subiu para o segundo andar, avistando um grupo de jovens que cessaram a conversa assim que viram o garoto.

Eles encararam Noam por um tempo. Sabiam que o reconheciam de algum lugar.

"Ele era um deles" pensou um.

"É um dos riquinhos que andava com aquele garoto", pensou outro.

Noam apenas ignorou os olhares indesejados e curiosos, partindo em direção ao fundo do ônibus. Já estava acostumado com esses olhares. Ele podia ouvir o grupo de jovens sussurrando coisas, compartilhando suas teorias. Noam apenas suspirou e colocou os fones de ouvido, tratando de colocar a musica Blood Brothers do Iron Maiden no máximo volume que fosse possível alcançar.

****

— Inglaterra! Ai, como eu amo a Inglaterra! – Suspirava Isabella alegremente admirando a paisagem pela janela do carro.

— Bella, acho que é a vigésima vez que você menciona isso desde que saímos do aeroporto, e isso não faz... — A menina checou o relógio de pulso. — Nem dez minutos! – Concluiu Alyssa Hastings, entediada, já que a bateria de seu iPad havia acabado, e a garota não podia mais ouvir suas músicas. Precisaria aguentar sua prima.

— Seja bem vinda a Inglaterra, senhorita Isabella! – Falava James, o motorista dos Hastings. James trabalhava para a família há cinco anos, e ficara encarregado de levar as meninas à mansão dos Hastings enquanto estes resolviam alguns problemas no banco. – Depois de uma viagem pelo mundo, deve ser bom estar em casa, não é mesmo senhorita Hastings? — James encarava Alyssa pelo retrovisor aguardando uma resposta, a garota deu uma olhada pela janela, avistando as pessoas na rua caminhando calmamente entre os parques debaixo do céu parcialmente nublado.

— É. Acho que sim.

Alyssa havia ficado fora do país por um ano e meio, para esfriar a cabeça após os acontecimentos daquela noite.

Na Europa, visitou a Alemanha e a França. Decidiu então ir mais além, chegando na Califórnia, Estados Unidos, e foi em Beverly Hills que terminara o segundo ano do ensino médio.

Por fim, passara o natal no Brasil, onde encontrou Isabella Lopez, a prima brasileira de 2º grau que esperava ansiosamente a permissão dos pais para estudar na Inglaterra.

Alyssa conheceu pessoas e culturas diferentes, mas não se passava um dia se quer que não se lembrasse dele, daquela noite e de seus amigos. Quer dizer, ex-amigos.

A garota não queria voltar. Ela amava o lugar onde vivia, porém cada canto daquela cidade a fazia se lembrar dele. Ele estava em toda a parte. Seu rosto estava por toda a cidade. Nos cartazes espalhados pelas ruas, nos jornais diariamente jogados nas portas e nos noticiários da TV.

James virou à direita entrando no bairro nobre em que os Hastings e várias outras famílias da Elite viviam. O bairro e as casas não haviam mudado nada. Eram as mesmas árvores, as mesmas ruas e as mesmas casas vitorianas modernas. Tudo estava igual, como se nada tivesse acontecido.

O carro parou e Alyssa pôde perceber que havia, finalmente, chegado em casa. Ela analisou o quintal e notou que ele fora bem conservado pelos empregados e mantinha o mesmo ar sofisticado e Vintage que sua mãe tanto gostava.

Alyssa não pôde evitar dar uma olhada na casa ao lado. A casa possuía o mesmo design da sua, porém as cores eram mais claras, as janelas eram menores e o acabamento mostrava claramente que a casa havia sido recém pintada. Por mais que estivesse analisando a casa pelo lado de fora, ela sabia exatamente a quais cômodos cada uma daquelas janelas pertencia e aonde cada um dos grandes corredores terminava. Ela se lembrava das horas que já havia passado lá dentro, e se lembrava de que a pessoa que morava ali costumava ser um de seus melhores amigos. Alyssa tinha vontade de sair correndo e bater na porta, ser recebida pelos empregados e passar a tarde conversando asneiras com seu amigo, como nos velhos tempos. Mas o tempo havia passado, e as coisas não eram mais as mesmas. E provavelmente, graças àquela noite, as coisas jamais seriam as mesmas.

— Nossa, olha isso! – Falava Bella, acordando Alyssa. – Sua casa é enorme, nossa Aly, você não me disse que era assim tão grande! Nossa!

Alyssa segurou o riso.

— Nem é tão grande assim – Comentou.

— Claro que é! – Alegou a prima. – No Brasil, acho que nem o Silvio Santos tem uma casa assim!

— Quem é esse? – Perguntou Alyssa confusa.

— Ah, esquece! A gente não vai entra não, é?

— Estamos aguardando que o porteiro libere a entrada. — Falou James.

— James— Chamou Alyssa um pouco receosa.

— Sim?

— Os Stevens ainda moram na casa ao lado? – Perguntou, se referindo a casa a qual tanto observava.

— Ainda moram sim senhorita Hastings. Ouvi dizer que o filho deles talvez entre para Harvard! Se lembra dele? Noam Stevens?

— L-lembro. Lembro sim.

— Harvard! — Suspirava James — Minha sobrinha já ficaria muito feliz só de poder ir para a Universidade do bairro. — Alyssa assentia ao que James falava. — Vocês tem muita sorte. Vocês podem ir para Oxford, Universidade de Cambridge, ou ir para Ivy League! Aproveitem as oportunidades.

Antes que eles pudessem dar continuidade a conversa, o grande portão se abriu dando passagem para o carro.

Finalmente a ficha caíra para Alyssa. Ela estava de volta.

Um dos maiores medos da garota, era como seria recebida.

"Era tão bom estar em outro país" pensava a menina, "Ninguém me conhecia, ninguém me olhava torto ou com pena"

Ela deu um longo suspiro.

— Não se preocupe Alyssa, — Falou James vendo o receio da garota. — Tudo vai ser exatamente como antes.

Alyssa sorriu para James e voltou a observar o jardim pela janela. A garota se sentia mal ao admitir, mas a verdade é que, ela não tinha certeza se queria que as coisas voltassem a ser exatamente como antes daquela noite.

***

— Carter! Passa a bola! Anda!Anda!

Adam Carter passou a bola rapidamente para seu parceiro do time, driblando o adversário.

— Corre! Corre! – Berrava Adam – Aqui! Estou livre!

A bola é passada para Carter que dribla o ultimo "obstáculo", e com um salto marca uma...

— CESTA! Isso!! – Grita o time que saiu correndo para abraçar Adam em comemoração. Porém eles se separaram rapidamente assim que ouviram o som de um apito.

— Muito bem garotos, muito bem – Parabenizava a treinadora do time e também a mais querida professora de Educação Física, Petra Taylor. – Quero ver toda essa garra nos jogos, hein!

Easy Peasy! – Pronunciava-se Johnson, ou simplesmente Johnny, membro do time. – Com o grande Adam aqui, – Dizia se debruçando sobre o amigo — Acho difícil alguém ganhar de nós.

— É, adam – Falava Senhorita Taylor – Você se saiu muito bem hoje. Porém vocês sabem não é Mates? Confiança demais nem sempre é bom. Então, continuem treinando! Estão dispensados por hoje pessoal! Semana que vem as aulas irão retornar, não se esqueçam de ver o quadro com os novos horários de treino. Bom final de semana!

— Para senhora também treinadora. – Falou o time em uníssono, se dirigindo para o estacionamento.

— Hey, Carter! – Chamava Johnny. Adam apenas se virou para ouvir o que o companheiro tinha a dizer. – Sábado vai ter uma festa na casa dos Smith.

— Dos quem?! – Perguntava Adam com a testa franzida.

— Smith! – Repetiu Johnson. — Na verdade é o filho deles que vai dar a festa. Acho que o nome dele é Harry, sei lá, é um cara do primeiro ano ai querendo se enturmar...

— Festa na casa de um calouro, sério mesmo Johnny? – Debochava Adam, enquanto colocava suas coisas no porta mala do carro.

— Festa é festa, mate! Vamos lá, Carter!

— Eu vou sair com a Blair neste sábado. Ela quer ir a um restaurante em Londres.

— Qual é cara! Vocês nem são namorados direito!

— É, mas ela pensa que somos. E parece que é só isso que conta.

Johnson bufou, desistindo de insistir.

— Tá ok. Mas se mudar de ideia, sabe onde me encontrar.

— Se as coisas ficarem chatas com a Blair, quem saiba eu vá. – Disse dando uma piscadela cúmplice a Johnson, abrindo a porta do carro.

— Esse é meu garoto! See ya mate!

Adam apenas acenou para o colega.

O garoto entrou no carro e deu partida em direção a sua casa.

Adam já estava cansado dos motoristas dirigindo para ele. Quando tirou sua carta, fez questão de pedir para seus pais deixá-lo dirigir o próprio carro, ao invés de contratar alguém para isso. Apesar da relutância deles — em especial de sua mãe— Adam conseguiu a autorização, e agora dirigia seu Volvo v40, sem ter que dar satisfação a ninguém.

Esse seria um grande ano para Carter. Os treinos estavam ficando mais rigorosos devido ao ano da formatura, e as grandes oportunidades de bolsas que apareciam nesse período. Adam sabia que bastava um estalar de dedos de seu pai e boom! ele está dentro de Oxford ou Ivy League com direito a escolha. Porém o garoto queria conquistar suas próprias coisas e fazer seu próprio caminho sem a interferência de seu sobrenome nisso.

Entretanto, no decorrer do último ano, e dos últimos 6 meses, Adam precisou batalhar para limpar seu nome. Adam Carter estar envolvido em uma tragédia polêmica trouxe consequências não só para ele, mas também para seu pai, Jesse Carter, que teve de dar seus pulos para livrar a família do escândalo inevitável.

Querendo ou não, Adam continuava tendo o nome ligado ao caso, porém agora, as coisas estavam mais calmas. Parecia que as pessoas já haviam deixado de lado.

"Como eu queria conseguir deixar aquela noite de lado", pensava consigo mesmo.

Ainda no caminho de casa, Adam acabou passando pela mansão que pertencia aos pais de Noam Stevens — um garoto que costumava chamar de melhor amigo —, e avistou um certo movimento de carros na casa ao lado.

Adam reduziu a velocidade do veículo e se esforçava para enxergar quem eram os novos vizinhos de Stevens. Ele não estava curioso com respeito a vida de Noam Stevens, mas o fato de aquela casa pertencer a família de uma certa pessoa que morava ali antigamente, despertava sua curiosidade.

Ele passava lentamente em frente a mansão e procurava avistar um rosto conhecido que há muito não via. Uma garota com cabelos médio saiu da casa para pegar uma caixa. Adam olhava fixamente para ela, porém, assim que ela virou em sua direção, ele percebeu que não era quem ele pensava que fosse.

— Droga – Resmungou.

A garota percebeu os olhos do menino sobre ela e piscou com o olho direito em sua direção. Adam apenas ignorou, pisou no acelerador e foi embora.

Chegando em casa, esperou que o porteiro abrisse o portão para que pudesse entrar com o carro.

— Senhor Carter – Cumprimentou o Chofer. – Não quer que eu manobre o carro para o senhor?

Normalmente, Adam diria não, mas acabou deixando o pobre chofer fazer alguma coisa.

— Por favor, Daniel – Pediu, saindo do carro.

— Ah! Senhor! Eu ia levar as correspondências para dentro, — Daniel entregou os papeis para Adam. – Aqui estão.

— Obrigado, Daniel. – Falou o garoto dirigindo-se para dentro de sua casa.

Carter analisou a correspondência. Contas, contas, cartas para seus pais e o jornal do dia.

Adam abriu o jornal e viu que haveria um desfile em Londres no sábado.

"Ótimo, agora tenho uma desculpa para não levar Blair ao tal restaurante".

O garoto ficou feliz, porém quando fechou o jornal, se deparou com um rosto que já estava cansado de ver estampado por ai.

"DESAPARECIDO"

Era sempre a mesma foto desgraçada. Os cabelos loiros e os olhos azuis piscina, disfarçavam bem a obscuridade dos segredos que aquele rosto guardava. Segredos que Adam tentava esquecer.

— Chega de segredos. — Falou Carter consigo mesmo — E já chega de você pra mim!

Adam amaçou o jornal e o jogou na lata de lixo.

Ele não estava com vontade de encarar o rosto de Scott Parker.

Não mais.

Notas finais
E então? O que acharam? Comentem ai pessoal!! Noam é meu personagem favorito ♥ hahahahha Bjinhos :*