Elite
3 Capítulo 2: See ya
Notas iniciais
A área verde recém regada cheirava a plantações de hortelã. Enquanto o vento frio do fim da tarde insistia em mostrar sua força, Alyssa respirava calmamente de olhos fechados, inalando o típico cheiro de seu quintal que ela tanto gostava.
— Você parece uma tonta ai parada de olho fechado.
Alyssa virou bruscamente devido ao susto que a voz lhe dera. Quando virou, pôde avistar Bella à sua frente com uma caixa de mudança na mão.
— Ai que susto Isabella! — Falou Alyssa, meio rindo, meio irritada. — Que caixa é essa? Já disse que os empregados estão terminando de ajeitar as coisas e não é pra ficar atrapalhando porque se não...
— Hey hey devagar ai ... — Pediu Bella interrompendo a prima. — Meu inglês não tá tão bom e esse seu sotaque não ajuda nem um pouco.
Alyssa respirou fundo xingando seus pais mentalmente por terem deixado a prima morar com eles por um tempo.
— Que caixa é essa? — Perguntou tentando recompor a postura.
— É uma caixa minha com coisas meus. — O inglês de Isabella não era mesmo muito coerente, às vezes. — Não estou acostumada com empregados mexendo nas minhas coisas. Eu decidi pegar porque tem algumas coisas da escola aqui, só isso.
— Ta ok, desculpe a arrogância. — Aly se desculpou e a prima mandou um beijo no ar para ela em forma de agradecimento. — Falando em escola, precisamos sair para comprar o uniforme.
— Uniforme? Ah, pensei que vocês não usassem uniforme na escola. — Bella falou um tanto quanto desapontada.
— Nós sempre usamos uniformes, — Disse Alyssa dando de ombros com indiferença. — Quer dizer, nós das escolas privadas. Nas públicas eles não exigem uso de uniforme. — Aly sorriu. — Se quiser exibir suas Havaianas vai ter que se mudar pra uma escola pública.
— Aly, Havaianas é marca de calçado não de roupa — Bella tentava se defender.
— Ah você entendeu! Anda, vamos logo. Quero voltar antes que meus pais cheguem.
— Tá bem, vou trocar de roupa! —Isabella caminhava alegremente em direção aos quartos sendo seguida calmamente por Alyssa. — Sabe, quando eu fui pegar essa caixa lá fora, vi um garoto muito, mas muito gato na rua.
— Ah, jura? — Alyssa disse, falsamente interessada.
— Juro sim! Ele estava olhando pra cá na hora que eu sai, acredita que ele piscou pra mim? Até buzinou o carro!
— Ah, jura? — Alyssa já estava irritando a prima.
— Se não quiser acreditar problema seu! Ele era um gato e tinha um carro maravilhoso.
Alyssa desconfiava, desde quando estavam no Brasil, que a garota iria dar trabalho. Ela era um ano mais nova, e viria para a Inglaterra apenas para passar algumas semanas, pois os pais não possuíam dinheiro para o tão desejado ensino médio. Mas a mãe de Alyssa se ofereceu para pagar e disse que ela poderia morar com eles, se quisesse. Óbvio que ela queria.
Tudo para a brasileira era novidade, tudo eram flores. Bella achava que a vida de Aly era um conto de fadas, e talvez ela se desapontasse quando as aulas retornassem. Pois Alyssa, provavelmente, não seria mais a queridinha da escola.
— Como são os uniformes da escola de vocês? Como é o nome da escola mesmo?
As garotas desceram as escadas se dirigindo ao balcão da cozinha. Isabella não parava de fazer perguntas.
— Holly`s High School — Respondeu Aly. — É a melhor de Cambridge. Uma das melhores da Europa. A realeza toda já passou por lá.
— Vocês usam aquelas saias com gravata e tudo? — Perguntava animada.
Alyssa não pôde conter o riso pela animação da prima.
— Gravata e tudo! — Respondeu, pegando as chaves da garagem.
— Ah que sonho! — Suspirava Bella.
— Vem, vamos logo, só vendem os uniformes na própria escola, temos que ir antes que escureça
— Yep!
As meninas caminharam até a garagem onde os carros estavam. Alyssa se aproximou de onde seus pais guardavam as chaves dos carros, mas antes olhou para a garagem tentando se decidir entre o SW4 de sua mãe ou no mesmo Maybach Landaulet em que viera do Aeroporto
— Você vai dirigir? — Perguntou Isabella.
— Não posso, eu não tenho habilitação Bella.
— Ah é, você tem um motorista particular e tal. Não precisa dirigir como nós, meros mortais.
Ao ouvir a fala de Isabella, Alyssa teve sua mente invadida por uma velha recordação.
“ Alyssa estava na limusine dos Parkers junto com Scott voltando para casa após a escola. Ela estava com a cabeça apoiada no ombro dele, quase adormecendo, e então, de repente, Scott começa a rir.
— O que foi amor? — Perguntou a menina. Scott se debruçara na janela para observar as ruas.
— As pessoas no trânsito, dirigindo os próprios carros. Tenho pena delas.
— Pena?
— Sim.
— Qual o problema em dirigir o próprio carro? — Aly insistia em perguntar com a cabeça apoiada no ombro de Scott.
— Entenda uma coisa, amor: Só AuPairs, motoristas e taxistas dirigem os próprios carros, porque esse é o emprego deles. Alguns de nós dirigem para dar uma de pseudo moralista, mas você não os vê dirigindo um simples carro popular, vê?
Aly balançou a cabeça negativamente.
— O resto – Scott apontou pela janela — São meros mortais que não possuem o luxo que nós possuímos, eles não são como nós. E nunca vão ser. Por isso tenho pena deles.
— Você é imortal por acaso? — Perguntou rindo.
Scott sorriu e deu um selinho na garota.
— Ainda não, mas um dia, quando Noam ou o pai dele descobrirem a fórmula, vou poder pagar por isso também.”
— Aly? Alyssa! — Chamava Bella acordando Alyssa de suas lembranças.
Alyssa sacodiu a cabeça.
— Vamos, Bella?
Aly caminhou até o portão principal onde James a esperava com o carro que já havia sido tirado da garagem.
— Aqui está senhorita Hastings — Falou James abrindo a porta para ela.
Alyssa sorriu.
— Vamos Bella? — Disse virando-se para encarar a prima. — Bella?
Isabella não respondeu pois estava encarando o grande ônibus de dois andares que havia parado na rua em frente. Ela só vira aqueles ônibus em filmes. Imediatamente ela tirou o celular dos bolsos e começou a tirar fotos.
Alyssa sorriu com a empolgação da prima, mas então, Aly passou a reparar em um garoto que descia do ônibus e atravessava a rua com uma sacola na mão e um chá do Michel´s na outra. Ele vestia um grande casaco xadrez, tinha os cabelos pretos e usava um óculos de leitura no rosto. Assim que o garoto levantou os olhos, Alyssa paralisou. Justo agora? Pensava. “E por que raios ele estava andando de ônibus?”
A reação do garoto foi semelhante ao notar a menina de cabelos castanhos e olhos claros parada ao lado de sua casa. Não pode ser. Pensava ele. Ele caminhava em direção a ela. Ambos estavam, inconscientemente, prendendo a respiração.
— A-Alyssa? — Gaguejou Noam ainda incerto.
— Oi, Noam. — Disse simplesmente, soltando o folego.
— Meu Deus! Quanto tempo! Você... Você sumiu...
— Estava viajando — Disse ainda um pouco receosa. — Visitei a Alemanha, França, Estados Unidos e um pouco do Brasil.
— Poxa, que legal mas, e a escola?
— Terminei o segundo ano do ensino médio em Beverlly Hills. Foi meio decepcionante. Americanos não são tudo isso que demonstram ser — Falou Aly sorrindo.
— Americanos são estranhos — Disse Noam rindo, e então ele reparou na garota que estava ao lado de Alyssa. — Espero que essa sua amiga não seja americana, porque se sim, me desculpe...
— Não ela não é — Falou Alyssa virando para a prima que olhava para as fotos que havia tirado do celular. — Essa é minha prima Isabella, ela é do Brasil. Veio passar um tempo aqui. Ela estava tirando fotos do ônibus.
— Ah, o ônibus de dois andares. Ápice de se visitar a Inglaterra. Depois de Beatles é claro. — Alyssa sorriu. — Bem vinda a Cambridge, lugar que Deus sempre esquece de mandar o sol.
— Ele se lembra bastante do Brasil, principalmente do Rio, nesse quesito — Isabella sorriu para o garoto, analisando-o de cima a baixo, o deixando um pouco sem jeito.
Um silêncio pairou entre eles.
— Como vão as coisas Stevens? — Perguntou Alyssa depois de alguns segundos.
— Ótimas. Quer dizer ... não tão ótimas. Quer dizer... você sabe ... Scott ainda não ... você sabe. — Noam suspirou, abaixou a cabeça e começou a encarar os tênis. O silencio voltou por um tempo. — Como vão as coisas?
— Indo. — Disse simplesmente. Muitas coisas se passavam pela cabeça de ambos e a mesma pergunta os assombrava, porém não podiam tratar disso. Pelo menos não com Isabella ali. — Bom, estamos indo comprar uniformes. Melhor nos apreçarmos.
— Você vai voltar para Holly´s? — Perguntou Noam, um tanto quanto surpreso.
— Sim.
— Bom, boa sorte.
— Obrigada.
— A gente se vê Aly... Alysssa! — Corrigiu. Eles não possuíam mais essa intimidade. — Prazer Isabella. Até logo! — Disse Noam em português, o que soou como: “atchée logouu”
Isabella sorriu.
— Até logo! — Respondeu também em português acenando para o garoto.
— See ya, Noam — Falou Alyssa entrando no carro.
— See ya...
***
— Nossa! — Exclamava Isabella. — Aqui só tem gente gata!
As meninas já haviam comprado os uniformes, Isabella surtou ao provar o seu e ficara dizendo que as cores da escola – Azul e preto – combinavam perfeitamente com a sua pele. Elas decidiram parar em um lugar perto da escola para tomar um lanche.
— Gente gata? — Repetiu Alyssa se sentando na mesa que ficava perto da janela, junto com o seu milkshake.
— É. Gente bonita — Se explicava Bella, tirando o casaco. — Hoje de manhã quando fui pegar a caixa vi um menino muito gato, eu te falei né?
— Falou.
— Pois então, ele era lindo! — Isabella fechava os olhos para admirar a recordação que tinha do garoto. Aly riu. — E esse seu amigo ai, Noam, também é bem gatinho. Se tirasse os óculos então ...
— Ele tem lentes. Costumava usar, não sei porque não usa mais — Mentiu Alyssa. Ela sabia muito bem porque Noam não se importava mais em usar lentes. Era o mesmo motivo pelo qual ela deixou de fazer várias coisas.
— Um gato! Você podia arranjar ele pra mim sabia? — Isabella se empolgou com a própria ideia. — Ele é um doce. Engraçado, bonito e ainda é inteligente! E ele falando português? Ai que lindo! Como se não bastasse o sotaque britânico sedutor...
— Uau. Você se apaixonou mesmo hein?
— Talvez — Bella deu uma piscadela para Aly. — E então, vai me ajudar? Sabe, já que vocês são amigos.
— Não somos amigos — Corrigiu Alyssa. — Pelo menos não mais.
— Como não?
Alyssa encarou a prima por um tempo. Bella não sabia da história toda, e por mais que a prima quisesse saber, Aly não podia contar exatamente o que aconteceu à ela.
— Costumávamos ser amigos, mas perdemos o contato e é isso. Não somos mais próximos um do outro. — Falou Alyssa.
Porém ela sabia que eles possuíam uma ligação. Todos eles.
— OW. Alyssa? Alyssa Hastings?
As meninas foram surpreendidas por um garoto que encarava Alyssa pasmo. Ela o reconhecia de algum lugar. Da escola. Só não se lembrava de seu nome.
— Sim, sou eu — Respondeu com receio.
— Sou eu Johnson! Johnson Reivers! Eu jogo no time de basquete da escola. Bom não sei se você se lembra ... É que eu não jogava na época em você estava lá... bom mas agora eu consegui entrar pro time!
— Entendi... Hã...Que bom. Bom te ver Johnson — Alyssa disse assentindo com a cabeça, ela definitivamente não se lembrava dele.
— Eu jogo junto com o Adam! Adam Carter, desse você se lembra não é? Vocês andavam juntos e tal.
Adam
Fazia muito tempo que ela não ouvia esse nome.
— Sim eu ...eu lembro do Carter.
— O cara joga pra caramba, e é muito gente boa também. Tá bonitão agora! Pegando a escola inteira, safado! — Alyssa ia se pronunciar mas foi cortada por Johnny. — Bom, foi maneiro te ver. Bom ver você também gatinha — Disse piscando para Bella, a garota abriu um pequeno sorriso. — Ah, sábado nós vamos estar dando uma festa de volta às aulas — Johnson tirou um papel do bolso. — Vai ser nessa casa aqui. Aparece lá, vai ser legal.
— Nós vamos com certeza! — Disse Isabella, recebendo um olhar de reprovação imediato da prima.
— Legal. Ah, Alyssa, sinto muito por você. Esse negócio todo do Scott e tal, sei que você gostava dele. — Alyssa sorriu em forma de agradecimento. — Mas é isso ai! Espero vocês na festa. See ya Girls!
***
As meninas voltaram para casa e, no caminho inteiro, Isabella ficou falando sobre como elas deviam ir para a tal festa e “Será que Noam vai estar lá?”.
Quando chegaram, James estacionou o carro na garagem e esperou que as meninas saíssem do carro e entrassem na mansão. As luzes estavam acesas, o que significava que os Hastings haviam voltado.
— Aly? — Chamou sua mãe descendo as escadas e indo em direção a filha. —Onde você estava, fiquei preocupada meu amor, sabe que não pode ficar saindo sem avisar. É perigoso.
— Está tudo bem mãe. Fui com a Bella comprar o uniforme.
— Tá mas porque não me avisou, mandasse uma mensagem, eu cheguei aqui e vocês não estavam eu liguei você não atendeu ....
— Mãe, calma, meu celular estava sem bateria. Eu tô legal, não precisa ficar assim. — Disse Alyssa pegando uma uva do balcão.
— Está bem filha, está bem. — A mãe de Alyssa, Jessica, nunca fora uma mãe muito protetora, mas desde aquela noite, ela havia começado a se preocupar com a filha. Elas nunca haviam conversado muito a respeito. Alyssa dizia que tudo que ela sabia, ela já tinha contado a sua mãe. Mas Jessica pressentia que a filha escondia algo mais.
— Cadê o pai? — Perguntou Alyssa.
— Trabalhando, Aly. Ele esta em uma reunião — Respondeu sua mãe enquanto mexia no celular.
— Já?! Mas nós acabamos de chegar em casa! — E então a porta da cozinha se abriu revelando um homem alto de olhos claros e cabelos escuros, senhor Ben Hastings, ou papai.
— Se quiser continuar andando em carros bons, estudando em uma escola caríssima, ir para Oxford e ainda usufruir de tudo que os catálogos da Chanel e Victoria´s Secret pode oferecer, alguém tem que trabalhar certo? — Falou o pai de Alyssa.
A garota sorriu e abraçou o pai.
***
Adam olhava para seu prato com legumes e verduras e se perguntava quando que a dieta idiota do basquete iria acabar pra que ele pudesse comer de verdade.
Era um jantar em família. Sua mãe, Janice, estava sentada a sua frente olhando alguns catálogos de joias. Sua irmãzinha Chloe estava ao lado dela brincando com a comida e murmurando palavras estranhas. Sua namorada Blair estava sentada ao seu lado, ela passava as mãos pelas pernas de Adam deixando claro que estava entediada e queria alguma diversão. Seu pai, Jesse, estava ao lado de sua mãe repreendendo Chloe por brincar com a comida.
— Como foi o treino hoje, Adam? — Perguntou o senhor Carter. Blair imediatamente parou com as sacanagens em baixo da mesa.
— Normal, vai ficar firme mesmo semana que vem. E o trabalho, pai?
— Ótimo. Consegui fechar dois bons negócios hoje que vão me proporcionar um ótimo retorno. — Adam assentia bebendo um pouco do suco de laranja. — Sem contar que meu parceiro dos negócios está de volta! O senhor Hastings!
Adam se engasgou com o suco. Ele tossiu e logo recuperou o fôlego.
— Os Hastings voltaram? — Perguntou Adam com a voz um pouco falha.
— Sim sim, voltaram hoje de viajem — Jesse respondia animado.
— Todos eles? A família toda?
— Sim. Ele, a esposa, a filha e ainda uma sobrinha do Brasil que vai passar um tempo aqui.
— Brasil — Falou Blair com um certo tom de deboche — Diferente.
Adam assentiu como que demonstrando interesse no que Blair disse, mas sua cabeça estava em outro lugar, ele estava pensando em outra pessoa.
Após terminarem o jantar, Adam e Blair subiram para a sala de cinema. Disseram aos Carters que iriam assistir um filme, mas óbvio que as intenções não eram essas.
Adam estava deitado no sofá e Blair estava por cima dele. Eles se beijavam e Blair tentava abrir a camiseta de Adam para que pudessem elevar o nível das coisas. Adam passava a mão pelas coxas de Blair, porém ele se demonstrava aéreo ao que estava fazendo, pois ainda estava com a cabeça no jantar e no que seu pai havia lhe dito.
— Adam, ADAM! Estou falando com você! — Berrava Blair. Adam mal percebera que ela o chamava — Qual o seu problema?
— Nada eu só ... — O garoto suspirou. — Eu só estou cansado hoje. Deixa pra outro dia, Blair. Melhor você ir, está ficando tarde.
— Vai me dispensar assim mesmo? — Falava indignada enquanto Adam arrumava sua camiseta. — E vem cá, que interesse todo era esse na família dos Hastings? Pensa que eu não percebi?
— Não viaja, eu só fiquei surpreso. Não sabia que eles iriam voltar. Muito menos que já tinham voltado.
— Espero que seja só isso mesmo.
— E o que mais seria? — Perguntava Adam impaciente.
— Não sei. Talvez alguma coisa relacionada com a queridinha Alyssa Hastings. Odeio aquela garota, ela é uma vaca.
— Alyssa é uma ótima pessoa. Pelo menos era, dois anos atrás.
— Coitado, tão ingênuo. Vai por mim Carter, reconheço aproveitadoras quando vejo uma. Espero que ela não volte e fique querendo roubar meu namorado, vadia do jeito que é.
— Pelo que eu me recordo, — Se pronunciou Adam — Era você que era afim do namorado dela, lembra?
— Isso é passado, tanto que o coitado do Scott nem tá aqui pra contar a história — Falava rindo — Agora eu só tenho olhos pra você. — Disse dando um selinho em Adam. — Boa noite, swett. See ya...
Adam murmurou um boa noite e assim que Blair saiu ele se dirigiu para o seu quarto.
O garoto ainda não podia acreditar que os Hastings haviam voltado. Alyssa de volta a cidade trazia muitas lembranças, e com certeza daria muito o que falar.
Ele abriu uma gaveta de seu guarda roupa e de lá tirou um baú cheio de coisas que ele guardava por algum motivo. Dentre cartas e alguns brinquedos de quando era criança, ele apanhou uma foto.
Aquela foto fora tirada um ano atrás em Paris. Eles estavam em um restaurante em frente a Torre Eiffel. Nas duas cadeiras da frente, Noam Stevens estava sentado ao lado de Adam e apontava freneticamente para que não tirassem a foto pois, pelo que Adam lembrava, ele estava comendo. Adam estava ao lado rindo da situação. E sentada na cadeira de trás estava ela, linda e deslumbrante como sempre, aqueles olhos encantadores e o sorriso contagiante, e ao lado dela estava Scott Paker, beijando suas bochechas de um jeito apaixonado, talvez o motivo pelo qual ela estivesse rindo. Aquela foto deixava Adam feliz pois o lembrava dos bons momentos com os amigos, mas partia seu coração ao mesmo tempo pois o lembrava de que o amor da sua vida, naquela época, era sua melhor amiga e, pra piorar, era namorada de seu melhor amigo.
Atrás da fotografia, uma frase escrita com a letra dela e a marca de seu batom com os dizeres: Best fucking friends 4ever!
Adam guardou a foto e se deitou, ainda com a garota em sua mente. Eles eram grandes amigos, mas ela nunca escrevera ou mandara e-mails dizendo onde estava e como estava. E Adam também nunca tentara se aproximar. Não mais. Pois a última vez que tentara, resultou em desastres que o levava a uma noite que ainda lutava para esquecer. A noite que separou ele, Alyssa Hastings, Noam Stevens e Scott Parker para sempre.
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