Eletronicky - Revolution
4 Os capitães do Sete Ventos
O dia amanhecera, Nicky acordou e como o prometido se manteria longe da academia por um tempo tal como Demi, que ficava em casa a maior parte do tempo.
Se Nicky ia ao mercado, Demi estava em casa; ela ia à loja, lá ele permanecia...
A conversa da última noite deixou a garota uma ansiedade, já fizera a mala e estava pronta para partir ao Vale das Libélulas com Baby, mas as horas passavam e ninguém aparecia em sua casa... os pés palpitavam no chão da sala e nada.
“Esqueceram de mim?” ela pensou.
Não podia mais esperar, afinal de contas ela fora confrontada antes, e seu histórico mostrava um certo acesso aos crimes e agora que estavam a perseguir os piratas a polícia poderia bater em sua porta à qualquer momento.
Deixou o robô em casa, e correu até a loja de Baby, no caminho foi parada e revistada.
Passou na frente da academia e viu algo nela, algo novo. Grudado no prédio estava uma imagem projetada de um representante do estado uniformizado a falar palavras de repressão e “segurança”
Não tinha tempo para prestar atenção na bíblia que era dita goela abaixo, mas enquanto corria assistiu várias pessoas olhando sérias com os rostos cerrados e nervosos encarando os policiais, oficiais e o grande telão.
Correu mais e mais, a testa pingava de suor e Nicky se esquivava das pessoas ao redor, escorregava nos bancos até que avistou a loja, sem parar os passos abriu a porta aos gritos.
— BABY! – Ela gritou. – Quando vamos nos...
Na sala ela avistou na sala: Dom, Akira, Baby, Toru e Christian.
Dom, o pirata era alto e forte, musculoso com tatuagens no corpo usava um rabo de cavalo, com a cabeça raspada aos lados, usava uma regata preta e calças largas e rasgadas; mesmo com seus quarenta e pouco anos ele mantinha uma aparência bonita.
Christian seu comparsa era negro, como um carvão, usava sempre uma máscara verde no rosto quando estava na estrada, tal como roupas camufladas. O motivo? É um fugitivo da prisão, também tinha seus quarenta e poucos anos, mas ao contrário do despreocupado Dom, Chris era um marido fiel e pai de uma garotinha de três anos.
— Por que não me avisaram? Onde esteve Dom? – Nicky gritou.
— Eu gostaria de perguntar antes... Por que a senhorita não correu até meus braços ainda? – Dom respondeu.
Um sorriso largo surgiu na face de Nicky, e esta correu até os braços de Dom, o amigo que tanto lhe ensinara sobre peças e que sempre a orientou desde que era um bebezinho babão. E após o abraço apertado, um menos carinhoso foi para Chris, um amigo também muito querido.
— Não tive tempo de avisar querida. – Akira tocou-lhe o ombro. – Estamos escondendo-os aqui, aparentemente os policiais estão vigiando a todos.
— Eu contava que você viria. – Toru disse. – Tenho que contar uma coisa. – Ele se sentou na cadeira da mesa de jantar. – As coisas só vão piorar, um rebelde foi morto na última noite, um professor.
— Quem? – Baby disse.
— Não estava lá... Mas eu conheço meus companheiros, isso foi só um aviso; um aviso de que agora tudo está sob controle de alguém, estão finalmente conseguindo o que queriam.
— O que? Um terror? – Akira tomou ar. – Faça o favor, não é como se fosse a primeira tentativa para reprimir os robôs.
— Mas foi a primeira vez que meu comando me orientou a ficar fora de vista por mais tempo. – Dom respondeu. – Se não fosse por Toru não teríamos chegados aqui com vida, os policiais estão impossíveis.
— O que me fez lembrar de algo. – Chris retirou do bolso uma bolsa de moedas. – Aqui! – Ele arremessou para Toru.
Dom continuou:
— As motos ficaram paradas em “Além desfiladeiro” junto com as peças de todos que me pagaram adiantado, não consegui trazer mais para ninguém, me proibiram de se arriscar.
— Eu não estou tão desesperada por peças. – Nicky disse. – Mas o restante está, as coisas tem ficado péssimas com estes projetos de peças.
— Já não podemos mais vender nessas condições. – Chris disse impaciente – Não precisamos de mais problemas.
A conversa de todos estava chateando Baby, este tinha a mochila pronta para a viagem.
— Eu já disse aos dois sobre o Vale das Libélulas. – Baby disse com raiva. – Por que não pode confiar em mim nessa Dom?
— Navios? Jura? – Dom se levantou. – Os navios do próprio carregamento do Estado.
— Ele tem razão Dom. – Nicky se intrometeu. – Os navios podem te ajudar a distribuir, os convés são espaçosos e trancados a sete chaves, mesmo que um espião adentre o navio é impossível que ele chegue as peças.
A essa altura o sorriso no rosto de Akira surgira.
— Imaginem o golpe que dariam. – A gêmea começou. – Os grandes chefes não sabendo de onde as peças estão vindo, o que está as trazendo já que os grandes piratas estão longe e confiscados.
— É de fato tentador. – Dom concordou.
— Mas qual condutor vai concordar com isso? – Nicky disse.
— Eu conheço dois. – Baby sorriu. – Mas vamos precisar de moedas.
— E de proteção. – Toru indagou. – Estou fora.
Dom fez uma cara de choro infantil e irresistível:
— Argh! Não me deixe sozinho nessa. Por favor amigo!
— Não me peça para me por em risco, sabe que ninguém vai gostar de um político ajudando piratas, alguém vai caguetar... E se eu for pego vocês serão também.
Toru e Dom eram amigos de infância, os melhores na verdade.
— Você pode ir disfarçado.
— Me tirem dessa, ok? – Toru caminhou até a porta. – Já me coloco em muito perigo por você Dom, quando estiver na cidade venha me procurar, é sempre um prazer.
O suspiro longo de Dom mostrou um conhecimento e compreensão grande sobre o velho amigo, sabia que apesar de melhores amigos da vida, Toru sempre fora um covarde com C maiúsculo.
Foi combinado então, que os dois piratas, Nicky, Baby e os gêmeos partiriam para o Vale das Libélulas no mesmo dia, marcaram um encontro na Ponte e para não atrair olhares curiosos todos, incluindo os motociclistas iriam a pé.
Não era um caminho longo, pelo menos para Nicky, que insistira em levar o seu parceiro Demi, logo assim que cansava estava em seu colo e adormecia nele até que as pernas cessassem a dor de caminhar.
O caminho parou de ser asfaltado assim que saíram da cidade, em três horas todos passaram pelas montanhas perfumadas, um local isolado, usado apenas para aventureiros solitários e tristes; era chamada assim por conta do forte odor de grama cortada.
Mais cinco horas adiante estariam com os portos, e Nicky deitada e dormente não tinha ideia do que a aguardava.
Ainda estava desmaiada quando chegaram a entrada da cidade, O Vale das Libélulas era um pedaço considerável de... favelas.
Com casas amontoadas uma em cima da outra, em péssimo estado formavam um tipo de prédio velho e desgastado. Mas todos eles continham um porto.
Quando entrava na cidade o ar era pesado e poeirento, as ruas não tinham asfalto e por que teriam? Os navios obviamente não tinham rodas, eles não navegavam mas, estavam acima da cabeça dos nossos visitantes.
Navios do céu, eram estes que povoavam os ares da cidade, com suas velas fortes e finas como asas de libélulas, sempre carregados de coisas suspeitas.
Quando Nicky desceu de Demi sentiu um ar balançar seus cabelos, maravilhou-se com o enorme navio que passara.
— Bom. – Baby começou. – Vamos subir até o porto 8.
Enquanto subiam, no porto 8 uma mulher estava descarregando seu navio, usava um capacete pontudo, um peitoral de ferro e um saiote curto, com meia calça. A maravilhosa Capitã Florence, e ao seu lado seu parceiro tão bonito quanto, Tino, o Capitão dos sete infernos.
— Oh não! – Tino exclamou ao ver o grupo chegando. – Baby, qual o problema dessa vez?
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