Eletronicky - Revolution

5 O que é uma revolução


Lá estavam todos eles, frente a frente com dois dos piratas mais importantes do mundo; os “mocinhos” encaravam o chão e uns tinham umas pontadas de medo no pé da barriga, menos Baby.

O cyborg abraçou os amigos e levantou a capitã pela cintura e a rodopiou até que esta batesse as pernas pedindo para ser posta no chão.

— Por que voltou Baby? – Tino perguntou apontando-lhe a mão. – Faz um bom tempo desde a última viagem.

— Me lembro bem que nesta última vez me mandou fazer novas visitas. – Baby continuou conversando.

Sem que os outros parassem de rir e conversar Nicky se aproximou do precipício do porto, seu cabelo esvoaçou e um navio passou tão próximo que quase acertou seu nariz. Lá de cima ela conseguia ver todos os operários, muitos sorriam carregando os produtos e minerais para os navios. A garota estranhou a visão pois era a primeira vez assistindo trabalhadores pesados.

Demi ao seu lado quase caiu favela abaixo, mas também via a sena como se estivesse em um zoológico.

Florence ainda não tinha prestado atenção em todos, então pelo ombro de Baby enxergou Dom e demorou menos de um segundo para que ela começasse a falar:

— Não! – Ela enfureceu – Nem pense nisto. Ele quase me matou da última vez.

— Eu me lembro bem da última vez, nós dois quase morremos.

— Baby. – Ela o agarrou pelos ombros e levou em um canto. – O meu navio custeou ao estado mais do que já ganhei com qualquer entrega, mais uma dessa e posso perder toda a minha frota.

Nicky ainda observava a paisagem, tranquila.

— É bonito não é? – O capitão se aproximou. – Os carregamentos são resultados de pessoas tão pequenas.

— Como formigas. – Nicole sorriu, apontou para a fila de pessoas que passavam equipamentos de mão em mão. – Túneis e equipe, fábricas longes... É o sonho do meu povo.

— Seu povo?

— Sim. Sabe, nunca vi uma arena coberta de serragens e nem lutei apenas por amor e paixão mas ninguém da minha geração o fez. Mas ainda somos um povo. – Ela continuou. – Eu não tenho certeza se os rapazes estão preocupados em lutar ou em sobreviver mas eu sei que estamos chegando no fim. – Ela virou ao capitão. – E mesmo assim não vão me destruir.

— Nenhum de nós.

O capitão se virou a todos e disse:

— Eu vou levá-los.

Florence arregalou os olhos.

— Nós temos que levar as peças à Ponte Rubra, descarregar sem fiscalização. – Dom disse. – Eu vou dar 1/3 do que eu ganhar para você.

O capitão concordou, não conversou muito e aprontou a partida, Florence ficou para trás fumegando ódio. Era como a mulher se comportava.

Florence não acreditava em muitas coisas, pouco a importava com o que o governo mandava ou com o objetivo dos demais, com uma boa sacola de ouro qualquer um podia ser o capitão da capitã.

Hell, o navio flutuante era feito de aço e ferro escuros, as velas eram amareladas de sujeira e a tripulação contava com mais de trinta homens e mulheres, construtores, mercadores e bêbados que sabiam atirar com uma pistola.

Sentados em uma mesa redonda no alojamento principal, o capitão trouxe cervejas e comida.

— Menos de uma hora e já iremos passar pela fiscalização. – Dom disse “gelando”.

— Depois como vai distribuir? Você não pode ser visto. – Akira largou a caneca. – Eu me encarrego de Além Desfiladeiro.

— Não. As fiscalizações vão por todas as academia, é óbvio que os professores e mentores serão os primeiros a serem revistados pelos policiais.

— Desde quando se importa com isso?

Dom a encarou, suspirou triste pois sabia que não valia a pena responder, não agora ou daquela maneira.

— Se eu disse que quero que você participe, você iria querer quanto para distribuir? – O traficante voltou a falar.

— Não faço por menos da metade do seu lucro, se for recorrente.

— Mas que avarento.

— Pague a gasolina, mais meus piratas e ficarei só com o 1/3 desta vez.

­ – Abaixe o número de tripulantes e te dou mais que 1/3. – Dom sorriu e apoiou os pés na mesa.

— Ou seja. – Nicky ficou em pé. – Desempregue alguns pobres para o negócio correr.

— O que quer dizer?

— A perseguição continua, é o que quero dizer; ainda corremos perigo. Bom, você não. – Ela continuou. – O grande Dom, o pirata não tem compromisso com nada mas eu tenho. Eu e meus amigos corremos perigo de nunca mais lutarmos, ou de acordar amanhã. Aliás nem a maioria de nós nesta mesa e ninguém faz nada. Todos querem sua parte do dinheiro porque só são fortes quando tem ouro na mesa.

— E o que quer que façamos? – Baby levantou nervoso e gritou. – Que cheguemos no prédio do estado com as mãos vazias e implorando mais liberdade? Quem é você para ditar como devemos conseguir dinheiro?

— Eu não disse de mãos vazias. – Não somos os únicos querendo saber o que está acontecendo nesse lugar, conheço pessoas que querem lutar contra isso também.

— É o que estamos fazendo. – Akira respondeu. – Nos opondo a isso, você é criança demais para saber o que é guerra.

— Pode até ser. – Tino se levantou. – Mas ela não está errada. Vocês estão se escondendo em um navio do estado, não me levem a mal, quero meu dinheiro mas ela tem sua razão.

— Eu não posso voltar pra lá antes de saber se é seguro. – Nicky disse.

De repente um barulho foi ouvido. Tino pegou a pistola no armário e correu com todos para fora do alojamento.

O barulho foi um navio pequeno dos militares, Visconde e Luke atacavam com suas armas a todo vapor, com sangue nos olhos levavam o naviozinho até que batesse em Hell na esperança que este falhasse o casco. Desviavam das balas e retornavam os tiros.

— Como sabiam que Dom está aqui? – Akira disse atirando.

Akira atirava com o braço de sua antiga robô, seus tiros pouco faziam efeito, assim como os de Dom e Baby que faziam de tudo para acertar as velas, porém Luke era um incrível piloto tal como seu exército de policiais e robôs preparados.

Uma ponte foi erguida para conectar os navios.

— Atenção tripulação. – Tino gritou.

“Sim capitão!”

— Atinjam a ponte, não deixe que entrem.

Os tiros e as bombas se direcionaram a ponte, fora danificada mas não o suficiente para impedir a passagem dos robôs do estado. Os dentuços de lâmina seguiram até a tripulação do pirata, aqueles que tocavam nos humanos os cortavam em pedaços jorrando sangue para todos os lados.

Akira tentava os socorrer enquanto Nicky atirava de cima de Demi com a suas metralhadoras, mesmo que nenhum dos inimigos chegassem perto desta.

Tino lutada com suas duas pistolas contra o robô, os tiros tilintavam e raspavam a armadura mas poucos conseguiam ser concentrados o suficiente para destruir o sistema interno, o robô acertou uma de suas esporas nas costelas do capitão. Abriu-lhe um corte fundo que jorrou sangue nos primeiros segundos.

Caído no chão o capitão soltou um grunhido assustador, quase sendo atingido pelo último golpe do policia-robô foi atingido parcialmente por uma bomba que tinha sido jogava para acertar Nicky.

Com o impacto sobre si a garota foi jogava para longe de seu robô, Demi estava cara-a-cara com Visconde e Luke.

“Por que?” Ela se perguntou. Por que os policiais se arriscariam pessoalmente para enfrentar seu Demi quando podiam mandar destruí-lo pela multidão de seu exército.

Sem Nicky para pilotar Demi ficava quase que 100% indefeso, tinha uma ótima defesa porém não era invencível.

Desviava dos golpes lentamente, não tinha a agilidade de um GPS profissional então recebia sem revidar golpes de armas, punhos fechados e chutes. Os dois homens não teriam piedade alguma, Nicole sabia bem disso, mas não alcançava seu robô, lhe doía ao extremo enxerga-lo assim mas tinha que sobreviver se quisesse ajuda-lo pois agora estava mais indefesa que seu amigo.

Baby correu para alcançar Nicky e Akira apareceu para protege-la também.

— Juntos? – Baby perguntou.

­– Sim. – Akira respondeu.

Uma bomba foi lançada por Baby e Akira se dirigiu ás pressas para perto da fumaça.

Simultaneamente do outro lado do navio Demi caía de joelhos desistindo da luta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.