Eletric Heart
7 Capítulo 7
Meu celular estava estranho, eu queria ligar para Mindy, ele se reajustou de uma forma assustadora, observei cada parte dele. Ele fez o telefonema.
— Eu fiquei extremamente preocupada com o seu e-mail, Agnes! Liguei na sua casa e ninguém atendia, quando consegui falar com seu pai ele estava bravo, não, ele estava irado com você, o que raios aconteceu? — ela gritava ao telefone, coloquei no viva voz e larguei sobre a mesinha da sala.
Contei a ela o que tinha acontecido contei tudo até o momento que fui a casa de Bruce Wayne. Ela ficou em silêncio.
— Amanhã vamos nos encontrar, você precisa me explicar muita coisa.
Desliguei.
Fui pesquisar sobre o meu poder, não encontrei nada. Lembrei de uma aula do Doutor Palmer, ele disse algo sobre tecnopatia, mas eu não prestei muita atenção porque achei bobagem, meu celular digitou uma mensagem e enviou para ele. Eu perguntava o que ele sabia sobre isso. Ele me respondeu minutos depois dizendo que tinha muitos documentos, perguntou o por que da minha curiosidade, eu não queria contar a ele, apesar que ele entenderia, com receio comecei a enviar a mensagem. Digitei a resposta com medo do que ele poderia achar, provavelmente ele ria.
— Agnes? — olhei Bruce com o uniforme – Precisa de algo?
— Vai se encontrar com o Átomo? — ele ainda não estava com a máscara, franziu o cenho – Raymond Palmer.
— Eu sei quem ele é, só não entendo o seu interesse – ele falou vestindo a máscara.
— Ele tem documentos sobre esse tal poder que você diz que eu tenho, acho que vai me ajudar a entender melhor o que é isso.
— Falo com ele.
— Eu já falei – dei de ombros — Só preciso pegar os documentos – ele deu um riso engasgado.
— Se cuida, Agnes.
Eu não tinha muito o que fazer ali, fui até a Bat-Caverna, liguei os computadores e comecei a perceber as ações que ocorriam, deixei cada tela focada em um herói. E lá estava ele, meu novo favorito, Super Choque, ele jogava seus raios estáticos sobre as pessoas que paralisavam, ele pousou e encontrou a Hit-Girl, conversaram algo, um alarme soou na Bat-Caverna, eu não entendia o que era aquilo, desliguei os computadores e ouvi uma voz engraçada.
— Ué... — aquela voz, eu já ouvi antes – O Morcegão não tem energia nessa caverna? Que péssimo! Ah! Achei – as luzes acenderam e eu pude ver o uniforme vermelho, o mesmo da noite do Kick-Ass, as luzes eram controladas por um dos computadores, foquei e as apaguei novamente.
Mas trabalhei tarde, uma espada encostava na minha garganta, acendi a luz e tinha um rosto mascarado ao lado do meu e ele cantarolava algo, abaixou a espada, tomou uma mão minha e começou a me fazer rodar enquanto cantava.
— Quem é você?
— Shh, não estrague a música.
Ele parou de cantarolar e me olhou, olhou em volta.
— Estou na caverna certa? — perguntou finalmente e deu de ombros quando eu ia responder – Preciso encontrar o morcegudo, disseram que ele pode me ajudar – com quem ele falava?
— Com licença — ele me olhou – Quem é você? — ele franziu o cenho e o dele eu percebia que realmente estava franzido.
— Deadpool – e gelei, o tal Mercenário sanguinário, o que ele estava fazendo ali? E por que eu ainda não tinha corrido desesperada? Provavelmente meu subconsciente já sabia que não adiantaria correr, observei as armas dele, as espadas, se ele me atacasse o que eu tinha para reagir, olhei em volta, é nada.
— Quem você está procurando?
— Você sabe, o cara da roupa de morcego que ele insiste em chamar de uniforme, prefiro chamar de fantasia. E ele tem uma capa, capas são legais, mas não entendo a real utilidade – eu ri, ele me olhou sério.
— Você está no lugar certo, mas ele não está aqui. — ele pareceu decepcionado – Quer esperar? — deu de ombros.
Encontrei o comunicador, pedi a Alfred alguns petiscos, joguei uma cadeira ao Mercenário que se sentou, liguei os computadores, sentei em outra cadeira e estiquei as pernas no painel, ele fez o mesmo. Minutos depois já estavamos comendo os petiscos e fazendo apostas nas lutas.
Eu ouvia coisas horriveis sobre ele, mas além de louco ele não era ruim, era divertido e me fazia rir. Ouvimos alguém chegando, não tiramos os pés do painel, apenas dobramos nossas cabeças para trás e avistamos o enorme homem nos observando e ao que assistíamos.
— Morcego! — Deadpool pulou.
— Agnes!
— Átomo! — eu quase caí da minha cadeira — Não pensei que te veria hoje.
— Não pensei que você estaria morando com o Batman – ele encarou o Deadpool que estava estranhamente em silêncio pela primeira vez.
— Você mora com o Batman? — ele me olhou espantado com as mãos na bochecha imitando de forma cômica o quadro O Grito, eu ri e confirmei – Ela não é muito nova para você?
— Cala a boca, Deadpool.
Percebi que o Deadpool era o único que eu não conhecia a identidade naquele lugar e isso me deixou desconfortável.
— Doutor, trouxe aquilo...? — ele confirmou, Deadpool pareceu se distrair com a gente.
Me entregou alguns papeis, espalhei pelo painel e desliguei algumas telas.
— Ah droga – olhamos Deadpool – Estou te devendo uma pizza – ele apontou para uma das poucas telas que deixei ligada – Hit-Girl chutou aqueles caras.
— Eu te disse – pisquei para ele.
Bruce puxou o Deadpool para um canto e Átomo se aproximou de mim.
— Está tudo bem?
— Estou cansada de me perguntarem se está tudo bem – falei cansada e olhando rapidamente os arquivos – Como você conseguiu tudo isso?
— Tive a sorte de encontrar poucos como você — ele sorriu e tirou a máscara — Agnes, como exatamente aconteceu?
— Acho que vou me cansar de repetir isso – falei e sorri para ele, contei.
Ele me ouvia atento e curioso, provavelmente eu me tornaria um objeto de estudo dele, mas eu via um brilho nos olhos dele como quando fui tirar algumas duvidas sobre a física atômica e o mesmo brilho quando contei que eu sabia sobre ele. Palmer era um homem fantástico, eu o admirava tanto em sua forma humana como na sua forma heroica, ele era inteligente e um ótimo professor e acabo de aprender que um ótimo ouvinte.
— Não se preocupe, vai ficar tudo bem. — ele falou sorrindo. Ele era charmoso mesmo com a idade que tinha. — Não sabia que conhecia o Bruce. — dei de ombros – Posso perguntar qual a relação de vocês?
— Ele é meu pai. — ele me olhou assustado e olhou em volta, depois pensou e me olhou – Estranho, não é? — ele confirmou — Você tinha de ver quando descobri isso e pior quando descobri que meu pai era o Batman.
— Mas você vive com outro homem que é seu pai – neguei.
— Minha mãe nunca contou ao meu pai que eu realmente era filha do tal Bruce Wayne, e imagino a cara dele se descobrisse – balancei a cabeça — Droga! — peguei os documentos.
— Aonde você vai? — Átomo perguntou e olhou em volta procurando para onde eu poderia estar indo.
— Meu pai não sabe que sou filha do Bruce Wayne, se eu sumir como estava pensando o que ele vai pensar, provavelmente que fugi de casa e realmente que sou uma pessoa de má índole e eu não sou, certo? — olhei Bruce que voltava acompanhado do Mercenário que nos observava – Certo? Você me disse que eu não sou uma má pessoa.
— Você é uma pessoa boa que fez coisas ruins isso te torna ruim, não é? — Deadpool refletia, eu me encolhi em meus ombros, ele me olhou e para os dois que o fuzilavam – Ta certo, você é uma péssima pessoa – as telas começaram a piscar, ele olhou fascinado e olhou os dois a sua frente.
— Agnes, você não é uma pessoa ruim – Bruce falou — Você está certa, é melhor voltar para sua casa e tentar explicar as coisas para o seu pa... para o Felipe, mas não perca o controle.
— Eu machuquei ele e a esposa dele, além do cunhado dele, Bruce, eu machuquei aquelas pessoas, eu machuquei as pessoas que eu mais me preocupava, Deadpool está certo, eu sou uma pessoa ruim, eu não posso voltar para lá.
— Agnes! — meus ombros foram balançados, as telas piscavam loucas, iam queimar logo, olhei a pessoa que me balançava — Para!
— Mindy?
— Chutadora de Bundas! — Deadpool falou sorrindo — Vocês se conhecem? — ele perguntou confuso.
— Mindy! — eu a olhei nos olhos, ela sorriu – Mindy, eu machuquei meu pai.
— Você o machucou, mas não foi por mal, está bem? — ela olhou em volta – Esse lugar é fantástico — olhou o Bruce – Por que nunca marcou um churrascão na Bat-Caverna?
— Porque era para ser um lugar secreto – Bruce falou cansado — Não faço ideia de como você e ele entraram aqui, mas têm de sair, eu cuido dela.
— Desculpa, morcegão. Eu vou cuidar dela, até entendo essa sua necessidade de ser pai dela depois de tanto tempo, mas cá entre nós, você não é o melhor pai do mundo – ele me olhou, eu olhava Átomo que nos assistia – Eu te levo para casa.
— Chutadora, posso pegar carona? — olhamos o Deadpool – Adoro a sensação de morte de pegar carona com você — ela deu de ombros.
— Doutor? — olhei Átomo.
— Eu vou te ajudar, não se preocupe. Amanhã te mando uma mensagem. — confirmei. — Se cuida.
Mindy me levou até a moto dela, o guidão comprido, ela se sentou, me entregou um capacete que percebi só estar ali por minha causa, Deadpool se sentou no eixo do guidão e esticou a mão para frente enquanto Mindy acelerava, ele gritava uhul enquanto eu me segurava fortemente contra minha amiga, eu nunca tinha pego carona com ela e provavelmente não voltaria apegar carona com ela, preferia ir a frente do disco estático a ter de enfrentar uma carona com essa louca.
— Minha parada – Deadpool pulou da moto em movimento. Ela saiu rolando e lançou um joinha para gente.
Mindy parou de fora da minha casa. Eu a analisei, ela me incentivava com um sorriso, toquei a campainha, eu não tinha saído com a chave. Eu estava com medo.
O portão se abriu, meu pai me olhava, pude perceber o alivio no olhar dele, Mindy já tinha partido quando meu pai me abraçou preocupado. O abracei de volta preocupada, ele grunhiu com dor, me desculpei, ele pediu para eu entrar, a rua era muito perigosa. Assim que minha madrasta apareceu eu corri e a abracei, ela ficou estática e me abraçou de volta.
— E o tio, como está? — olhei os dois preocupada.
— Vai ficar internado, mas nada muito grave, pelo que disseram – meu pai falou – Agnes, olha...
— Desculpa – eu voltei a chorar – Eu perdi o controle, eu sou uma aberração.
— Verdade – minha madrasta falou – Mas nós não fomos a melhor família nos últimos tempos – ela me abraçou novamente — Não tentei entender pelo que você passou, mas depois de ontem eu entendi. — ela olhou meu pai.
— Você já deve ter ouvido falar dos X-Men – olhei meu pai – Professor nos encontrou no hospital e explicou o que tinha acontecido com você — olhei meu celular, usando meus novos poderes mandei uma mensagem para Bruce agradecendo por ter enviado Professor para conversar com minha família — Sinto muito por não ter compreendido, sinto muito por não ter tentando te entender, me desculpa, mesmo.
Eu os abracei.
— Quem eram aqueles dois? — meu pai perguntou se referindo aos dois policiais.
— Meta-humanos – dei de ombros – soldado de algum grande vilão. Lembram quando apareci na televisão — confirmaram – eles foram responsáveis por aquele ataque no centro, mas fugiram, acho que eu os peguei – eu ri, era engraçado — Mas agora... — olhei a televisão — Estamos sem TV, sinto muito.
— Pelo menos estamos todos bem.
Confirmei.
— Mas o seu poder do qual o Professor falou – olhei minha madrasta, ela parecia curiosa – O que exatamente você faz?
— Não tenho certeza – abri os arquivos – Essa é a melhor pesquisa sobre meus poderes, é algo muito raro, e novo, pelo que entendi. Eu meio que consigo controlar a tecnologia a meu favor – dei de ombros – Mandar mensagens, mudar de canal — minha madrasta riu – mudar a forma das tecnologias – mostrei meu celular todo arranhado – Foi ele que fez o estrago com o tio – falei preocupada – Mas não sei como fiz o que fiz.
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