Eletric Heart
8 Capítulo 8
Fui a escola, minha cabeça não doía mais, era incrível. Mindy pulou meu pescoço e perguntou quais eram as novidades desde nosso último encontro, expliquei as pesquisas que eu tinha lido, expliquei o que eu tinha conseguido fazer e mostrei meu celular e um chip a mais na outra mão. Aos poucos o celular foi assumindo outra forma, coloquei o chip no meio e ele começou a se mexer.
— Isso é incrível! — ela pegou o robozinho que se mexia – O que mais você pode fazer?
Estavamos no meio de vários alunos, fiz todos os celulares tocarem, todos atenderam, acionei o viva voz e coloquei um barulho de ambulância que fez a maioria tapar os ouvidos inclusive nós duas. Ela ria. Os silenciei.
— Aprendeu rápido.
— Você não sabe quanto penei para fazer isso – eu ri – Mas uma novidade boa para mim pelo menos – ela pediu para eu continuar – finalmente dormi uma noite completa em quatro anos.
— Então adeus psiquiatra louca?
— Provavelmente.
— Finalmente poderemos sair, Dave vai adorar saber disso! — ela falou animada.
No intervalo Mindy pedia para eu continuar testando meus poderes, celulares mudavam de forma nas mesas assustando as pessoas, os carros no estacionamento ligaram assustando a todos ainda mais. Desliguei tudo quando Richie e Virgil entraram, Richie acenou para nós e veio até nossa mesa e estranhamente se sentou com a gente. Virgil me encarou e encarou Mindy.
— Como está se sentindo? — ele perguntou curioso.
— Bem, obrigada – sorri agradecida, ele projetou um sorriso de canto que logo sumiu – E desculpa ter te perturbado com problema meu.
— Não se preocupe – ele deu de ombros – Eu estava por perto de qualquer forma.
Richie e eu conversamos sobre as aulas de programação e o braço de robô, ele disse que encontrara uma nova parte e precisava de ajuda. Marquei de ir até a toca deles depois das aulas, Virgil reclamou e Mindy disse que queria ir junto e me mandou uma mensagem dizendo que estava curiosa para ver como seria meu poder em ação, mas eu não o usaria, iria apenas programar e foi quando liguei os pontos, mandei uma mensagem para Mindy e agradeci que não precisava mais de pegar o celular para enviar mensagens e descobri que até para as ligações.
"Será que eu conseguir programar tão bem não é devido a esse poder que acabei de descobrir?" Ela me olhou e enviei novamente "Veja bem, eu controlo a tecnologia e basicamente envolve pura programação, então talvez..."
"Pode ter razão, podemos perguntar a pessoas que entendam melhor disso, depois"
"Em quem você está pensando?"
"Gear" a olhei, ela deu de ombros, tinhamos nos esquecido dos meninos e tinhamos começado nossa conversa particular.
— Certo, então depois da aula encontro vocês. — eu me levantei meio correndo. Mindy veio logo atrás perguntando qual era o problema. — Não sei como vou me comportar na frente deles sabendo que eu também sou uma de vocês agora.
— Não, você não é uma de nós — a analisei – Legal, você tem poderes isso não faz de você uma pessoa apta a ir para a ação — concordei – Mas – ela levantou o indicador – Eu posso fazer de você alguém apto a ir para campo se quiser – eu sorri – Suspeito que isso seja um sim.
Depois da aula esperamos pelos meninos, fomos juntos até a toca onde uma perna robótica nos aguardava, Virgil mostrou que ela funcionava muito bem o que agora para mim não era mais necessário saber disso eu iria arrumá-la, mesmo que eu tivesse de controlar tudo daquele lugar.
— Ficaram sabendo que terá uma festa nesse final de semana? — Virgil comentou – Vai ser para o lado do centro.
— Não foi onde ocorreu seu acidente? — Mindy perguntou, observei os três no sofá. — Ouvi falar, mas eu não queria ir sozinha.
— E quanto a mim? — perguntei sem levantar o olhar — Eu quero ir – Mindy me olhou surpresa, sorri – Afinal faz quatro anos que não saio para festejar nada, acho que seria um momento interessante para começar. Sabe coisas boas estão acontecendo – dei de ombros e voltei a me concentrar na perna. — Têm solda? — olhei Richie que se levantou e me entregou a ferramenta.
— Eu vou – Richie falou – Faz tempo que não vou a uma festa das grandes.
— Pronto – limpei o suor da testa, olhei Mindy ela sorria, mandei uma piscadela e usando apenas meus poderes fiz a perna funcionar, nenhuma linha de programação nem nada, apenas a tecnopatia funcionando e aquilo era incrível, eu me sentia um pouco como o Doutor Frankstein, mas era algo bom.
— Nossa! — Richie sorria — Você precisa me ensinar como faz isso.
— Quem sabe algum dia. — pisquei para ele e me joguei no sofá. — Vocês costumam ir a festas? — olhei Virgil que observava o amigo brincando com a perna.
— Algumas, não muitas – ele me olhou sorrindo, senti minhas bochechas corarem, desviei o olhar — É perigoso sair a noite, muitos meta-humanos gostam de agir esse horário, meu pai fica preocupado.
— Mas você já deve ter dado alguma fugidinha, ou você faz o santinho que escuta tudo o que o papai diz? — Mindy perguntou curiosa.
Virgil a analisou, parecia querer entender até onde ela queria chegar.
— Já dei minhas fugas, mas quem nunca – eu levantei a mão — Nunca? — ele e Richie falaram juntos.
— Nem uma vez, ta uma vez, mas eu estava assustada – olhei Mindy que sorria para mim – Mas fugir para ir a festas ou algo assim, nunca.
— Precisamos ensinar um pouco do mal caminho para essa menina – Richie falou brincando e olhou Mindy — Você é das festas que eu sei – ela confirmou – Mas sempre vai com aquele namoradinho.
— Ele não é meu namorado – Mindy falou brava me fazendo rir.
Sexta Mindy reclamou de eu ir ao consultório da Doutora para fechar minha conta e me auto dar alta. Sentei na cadeirinha de espera, a secretária ao telefone como sempre, sequer me olhava tão entretida, assinei meu nome pelo modo automático. Fiquei ali esperando, estava cedo mesmo que eu quisesse fazer uma consulta normal.
A porta se abriu, levantei o olhar e Virgil me analisou, acenou para mim e saiu. A Doutora me chamou, estava com um ar sério atípico dela. Sentei no divã, eu sempre deitava de imediato. Observei o local pela primeira vez, câmeras de segurança que me deixavam tensa nas primeiras consultas, agora eram versões mais modernas. Um computador, o celular dela sempre ao lado marcando o tempo.
— E então? — ela me olhou.
— Ahm... Eu vim fechar com a senhora – falei meio sem jeito — Não vou mais passar pelo seu tratamento, ele estava muito bom, quero que saiba disso, mas acho que eu finalmente me encontrei e seria melhor deixar tudo do jeito que estava.
— Não! — eu a olhei, ela avançou na minha direção com um riso assustador – Eu sou a médica aqui, sou eu quem dou alta.
— Doutora, está me machucando – ela agarrava meu braço.
Uns bonequinhos que enfeitavam as estantes de livros começaram a se mover e aumentar de tamanho, ela me fuzilava além de arrancar a roupa que usava e apresentar um uniforme vermelho e preto, eu a encarei, eu já a tinha visto no noticiario, me senti uma idiota por nunca ter me importado de procurar a identidade dos vilões e apenas dos heróis. Olhei a minha volta, o computador, o transformei e mandei o chip para dentro dele, controlei seus movimentos de forma que ele a prendeu, ela dava gritos tentando se soltar de forma inútil. Olhei os bonecos que me cercavam, tentei controlá-los, mas foi inútil, eram de madeira ou de pano, e eu não encontrei nenhum sistema para poder controlar.
Abaixei quando todos me cercaram, transformei meu celular o que automaticamente fez o computador cair ao chão soltando a Doutora maluca. O celular começou a fazer vários movimentos de forma a socar e chutar os enormes bonecos, algo parou tudo, levantei o olhar assustada e o encontrei lá flutuando em seu disco, ele me olhava sorrindo.
— Você está se colocando em perigo de propósito para eu poder te salvar? — ele perguntou me fazendo rir – Vamos. — ele me ajudou a subir no disco e saiu voando.
— Obrigada, novamente.
— Esse é meu trabalho – ele me olhou pelo ombro, eu sorria o observando e perceber sue olhar me fez corar e apertar ainda mais sua cintura.
— O que eu perdi? — Gear se aproximou e pareceu surpreso em me ver ali.
— Ela atacou, mais uma vez – Super Choque falou – Se importa de dar uma volta comigo? Depois prometo que te dou carona até em casa – ele falou me olhando pelo ombro.
Os dois voaram até um local que eu reconheci de imediato. Alfred se assustou de me ver com os dois e eu não o culpo. Batman saiu da sua caverna e observou nós três na sala, os dois admiravam o tamanho do lugar enquanto eu observava meu pai com seu uniforme, o cumprimentei com um aceno de cabeça.
— Haley atacou novamente — Super Choque falou, Batman me olhou – Cheguei a tempo de tirá-la de lá.
— Como você está?
— Bem – falei sorrindo – Se não fosse ele eu não sei o que teria acontecido – ele me observou e ao robô que saiu do meu bolso e caminhou até meu ombro.
O robô das costas de Gear esticou sua câmera até o meu, eu observei os dois se reconhecendo, Gear me olhou e ao pequeno ser no meu ombro, o analisou visualmente, até que meu celular tocou fazendo com que eu e o robôs assustássemos, o voltei a forma tradicional e guardei o outro chip.
— Oi, pai. — olhei Batman, ele desviou o olhar para os outros dois — Só um minuto – olhei os três — Ahm... Sobre a carona de volta...
— Um dos meus motoristas te levam – Batman falou, Super Choque me analisou e eu confirmei com um aceno de cabeça, olhei Alfred.
— Deseja um chocolate quente, senhorita?
— Está aprendendo – sorri, ele se curvou levemente e sumiu pela casa – Oi, pai, acho que vou levar mais algumas horas para chegar, mas não se preocupe logo devo estar em casa. — ouvi algumas reclamações e ele desligou.
Depois do chocolate quente um motorista me chamou e fui até um dos carros que me surpreendi em ver que era normal, calma, era caro, afinal Bruce é rico, muito rico, mas não era um carro todo personalizado como os que o Batman usa quando está em ação. A porta traseira me foi aberta, sentar naquele carro enorme sozinha era meio solitário.
Logo cheguei em casa.
Contei ao meu pai que fui falar com a psiquiatra e por isso tinha demorado tanto e aproveitei para avisar que na noite seguinte eu iria a tal festa que todos estavam se preparando para ir.
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