Elena

3 Você sabe o que está fazendo aqui?


Notas iniciais
Ei! Desculpem a demora para postar :c Masss cá estou eu de novo, e agradeço pela presença de quem está acompanhando! Espero que gostem deste novo cap., ♥

Alice tinha os olhos de ameixa mais lindos que eu já vira no mundo. Ainda que não se parecesse em quase nada comigo, tinha em contraste das roupas meigas que usava um jeito debochado e rebelde de agir. Era alta, muito alta, e seus cabelos castanhos atingiam a altura dos ombros. Com todo o luxo do apartamento, os móveis planejados quase sempre revestidos de raros tipos de madeira, a decoração em estilo vintage e todos os chamativos lustres que reluziam o carpete vermelho, eu só conseguia prestar atenção em Alice.

Ela era tão linda, tão cheia de características únicas e tão magnificamente desenvolta que eu sentia como se a conhecesse há anos.

Alice era ─ na verdade, fruto de uma rápida relação entre minha mãe e seu antigo esposo, um homem que nem sequer conhecia. Apesar da desenvoltura de uma mulher formada e da estatura alta, era poucos anos mais velha do que eu e alguns meses mais nova que Justine, nossa prima.

E Deus, como eu gostaria de me parecer (ainda que minimamente) com Justine. Sua pele naturalmente bronzeada, os cabelos negros até a cintura, e aquele sorriso que contagiava qualquer um que estivesse por perto; Justine era tão singular que eu poderia afirmar a quem aparecesse que não havia ninguém no mundo inteiro capaz de se comparar a tamanha graciosidade.

Senti-me tão pequena perto daquelas duas garotas que tive vontade de me esconder num buraco de terra. Eu não tinha metade das qualidades de Justine e muito menos da atitude de Alice.

─ Esta casa não é minha, na verdade ─ Justine gesticulou para mim, embora suas palavras fossem dirigidas à minha mãe ─ O dono do espaço nos aluga mensalmente e por um preço inferior ao dos outros apartamentos do bairro, que são absurdamente caros ─ e riu ─ Vocês não precisam pagar pelo aluguel, é claro;

─ Ah, por favor ─ minha mãe sorriu, apoiando-se na mesa de mármore ─ Olhe para isso… Vocês não precisam de mais despesas.

─ Nós insistimos ─ disse eu, olhando fixamente para elas ─ Temos o dinheiro.

─ Só precisamos de um tempo para procurar outro lugar ─ minha mãe completou.

Justine demorou pouco a ceder; ainda que quisesse muito mostrar sua ajuda, sabia que o custo de vida num lugar como aquele não era baixo, e com mais duas pessoas na casa por tempo indeterminado talvez não conseguisse arcar com tudo sozinha. Alice não disse nada. Depois que nos cumprimentou, sentou-se numa das poltronas da sala de estar e se entreteve com o celular.

Eu sabia que a relação que tinha com nossa mãe não era das melhores; sabíamos ambas que o pouco caso que ela fazia com Alice era pelo ressentimento do relacionamento fracassado com Heitor, o homem com que fora por pouco tempo casada.

É claro que a culpa não era de Alice, e fazer minha mãe enxergar isso era difícil à altura em que estávamos. Além do que, ela não fazia muito o tipo extrovertida (diferente de Justine), e não se preocupava em esconder isso.

Sentei-me ao seu lado. Justine e mamãe mantinham um papo tão aparentemente bom que desconfiei que não terminariam tão cedo; deste modo, afastei-me e deixei que conversassem sozinhas.

Alice me olhou de canto de olho, vendo que estávamos próximas. Jogou o celular na mesa de vidro à nossa frente e cruzou uma perna sobre a outra, mantendo agora toda a sua atenção em mim.

Suspirei, imaginando se deveria ou não lhe dizer alguma coisa. Ela parecia… entediada.

─ Você, hum… ─ mordi o lábio inferior.

─ Você pode falar em português comigo ─ ela riu de escárnio, descruzando as pernas e ficando em pé ao meu lado.

─ É claro ─ levei a mão à testa, sentindo-me estúpida ─ Eu me esqueci que era… Me esqueci de… Deixe para lá.

─ Você está bem com a mudança? Está feliz por estar aqui?

Encarei o tapete aveludado, pensando no que deveria responder. Eu estava feliz? Estava realmente feliz por estar ali? Tinha a mínima noção do que significava aquela mudança para mim e todos naquele apartamento?

A verdade era que eu não sabia; ainda havia algo dentro de mim que não conseguia se acostumar com a ideia de que aquele era o meu novo lar, que aquelas eram as pessoas com quem conviveria dali para frente; ainda havia um vazio em mim que não seria preenchido tão facilmente por todo aquele luxo e por todas as regalias que agora eu tinha a minha frente. Não; eu não sabia se era realmente aquilo que queria, e seria hipócrita em dizer que definitivamente não era.

─ Não muito ─ respondi ─ Mas acho que terei tempo o suficiente para mudar de opinião.

─ É claro que sim ─ ela assentiu, satisfeita com a resposta ─ Vamos subir. Você precisa de um quarto, não precisa?

Hesitei antes de concordar; não queria forçar a barra com Alice, e muito menos desejava deixá-la inconfortável com minha presença. Sabia que ainda que fôssemos irmãs, teoricamente aquilo não passava de um laço. Eu tinha muito mais intimidade com algumas das minhas amigas do Brasil do que com minha própria irmã.

Levantei-me e a segui. O apartamento tinha uma vasta área com ao menos dois estreitos corredores, cada um deles dando entrada a um banheiro e dois cômodos (respectivamente); deste modo, tínhamos ao todo uma sala de estar, onde nos reuníamos quase o tempo todo, dois banheiros em lados opostos da casa, três quartos e uma cozinha consideravelmente pequena.

Os detalhes do apartamento eram todos de acordo com as cortinas e iluminação, combinando cores, luz, tecidos e formas geométricas; fiquei encantada com tantos detalhes e tanta beleza em cada canto que olhava.

No final de um dos corredores, Alice abriu a porta do quarto onde eu ficaria, um cômodo de tamanho médio e bem arejado que tinha vista para o jardim da casa, o que (infelizmente) me impedia de dormir até tarde no dia seguinte, já que o sol batia justamente no rumo da cama.

Não reclamei; na realidade, agradeci Alice por ter me mostrado o quarto e por tê-lo arrumado antes da nossa chegada.

─ Consegue guardar tudo isso até a noite? ─ ela apontou com a cabeça para as minhas malas no chão.

─ Eu, hum… ─ joguei a cabeça para trás ─ Eu não sei, na verdade. Tem muita coisa além das roupas e...

─ Então se apresse ─ ela me cortou rapidamente, virando-se para sair ─ Nós saímos antes das oito.

Notas finais
Hey! Espero que tenham gostado c: Não se esqueça de deixar seu comentário e compartilhar com os amiguinhos @w@ até a próxima!