Elena

4 A louca dos Donuts


Notas iniciais
Heyyy pessoinhas! Obrigada a vcs que compareceram nos coments no último cap e que opinaram isjdisaj Sei que demorei um pouquinho pra aparecer mas o importante é que tem cap novo o/ Espero que gostem!

O Phipps Plaza, luxuoso shopping no centro de Buckhead ─ famoso bairro onde agora morávamos, era nosso ponto de chegada. A estrutura ─ espantei-me ─ era enorme, e os detalhes que enfeitavam a fachada eram todos em dourado, dando um ar extremamente sofisticado.

Antes que entrássemos, Alice me disse que aquele era o mais requerido e completo centro de compras que conseguiríamos ver por perto, e animei-me ainda mais quando descobri que era ali que a maioria das celebridades compravam quando acabavam parando em Atlanta por alguma razão.

Não fazia ideia do quão animada Alice ficaria quando sugeri que fôssemos às compras; na realidade, nem mesmo estava considerando a hipótese. Justine, diferente do que eu imaginava, preferiu ficar no apartamento ajudando nos ajustes da nossa chegada.

Por dentro, o lugar era imenso; quase não soube para onde olhar primeiro. As escadarias detalhadas em vidro, a movimentação maluca nos corredores, as inúmeras vitrines das mais badaladas lojas e marcas de roupas e sapatos... Tive que ─ literalmente ─ respirar fundo para não ficar completamente louca.

Extasiada, é claro, fiquei e muito. Eu ainda não tinha toda a despreocupação de Alice para poder comprar descompassadamente, tanto porque a conversão da quantidade de dinheiro que levamos para o dólar não foi tão lucrativa quanto imaginávamos. Portanto, fui proibida de gastar mais do que supostamente deveria.

Sugeri que fôssemos ao cinema. Deste modo, eu não precisaria me preocupar em não ter que gastar nas lojas do shopping, nem seria tão maçante quanto passar a noite andando por boutiques. Alice concordou de imediato; apesar de ainda ter se mostrado muito diferente do que eu pensei que seria, ela se parecia muito comigo em diversos outros quesitos: não trocaria jamais uma sessão de suspense por uma noite de compras.

Sua animação por ter vindo ao shopping, pensei, fosse talvez somente por finalmente poder sair de casa.

Não precisamos sequer discutir antes de escolher o filme; descobrimos em pouquíssimo tempo que tínhamos o mesmo gosto para o gênero.

Até mesmo a sala do cinema era diferente do que eu estava acostumada no Brasil. Alguns detalhes contrastavam o modelo brasileiro das poltronas, por exemplo, que eram em couro e flexíveis.

No mais, não tive outras surpresas em relação à sessão. Não consegui ─ é claro, entender exatamente todas as falas do filme, embora através das cenas e do contexto conseguisse compreender ao menos o que estava acontecendo. Não encontrei muitas dificuldades em pegar o mistério da trama, e me apaixonei logo de cara com tudo o que me rodeava.

O shopping, Alice, a cidade incrível, o clima ameno e todas as outras coisas que tornavam Atlanta o lugar dos meus sonhos quase me fizeram arrepender de considerar a hipótese de fugir ainda no aeroporto. Fui tão bem acolhida, tão bem tratada por todos e tão surpreendida pelos mimos da cidade que desejei nunca mais sair daquela sala.

Alice me entreteve por quase todo o filme. Contou-me não só de si mesma, mas do que amava naquele país. Vi que tentava não tornar a conversa saudosa, mas sabia que no fundo sentia falta do amor e da presença materna que eu tive e ela infelizmente não.

─ Você precisa conhecer os parques, Elena ─ ela gesticulou com as mãos, tentando falar num tom mais baixo possível ─ Precisa ver o quão lindos eles ficam na primavera, no outono.

Concordei com a cabeça; Alice era incrível. Eu apreciava o cuidado que ela estava tendo para me deixar confortável com aquela mudança, e já a considerava minha irmã de verdade, não apenas pelo sangue.

Nós não demoramos muito para voltar para casa. Quando peguei meu celular no fim da sessão para tirá-lo do modo silencioso, fiquei espantada com a quantidade de ligações que minha mãe havia me feito. Quando retornei e soube que não, ninguém havia morrido, e que eu precisava voltar para terminar de desfazer as malas, voltei correndo para o apartamento.

De fato eu havia deixado algumas das malas de acessórios e sapatos por último, crente que teria tempo de sobra para organizar tudo com calma. Pobre de mim. Já se passavam das onze e eu ainda nem tinha começado a parte de cima do guarda-roupas.

O café da manhã nos Estados Unidos era de fato uma bomba calórica. Além dos ovos mexidos, do bacon, dos waffles e das torradas com mel, comi tantos donuts que já sentia como se aquela fosse a única refeição que faria no dia inteiro.

Justine tinha além de ótimas mãos (diga-se de passagem) para a cozinha, uma paciência infinita para preparar pratos cheios para todos nós. Numa velocidade incrivelmente rápida, mamãe ingeriu três ovos mexidos e uma xícara de achocolatado morno. Apanhou a bolsa, o casaco, despediu-se de mim e correu com uma disposição que eu nunca havia visto nela.

─ A escola ─ ela se virou rapidamente antes de bater a porta e olhou fixamente para mim, com um dinheiro embolado na mão ─ Justine irá com você na escola mais próxima e eu com certeza não volto antes da noite.

─ O que você está fazendo? ─ perguntei, ainda com a boca cheia de donuts ─ Pra onde está indo?

─ Procurar um emprego, Elena... Eu te disse isso ontem, não se lembra?

Não. É claro que eu não me lembrava. Assim que desfiz todas as malas que restavam no quarto, apaguei no colchão.

─ Tudo bem então ─ engoli os pedaços do doce acumulados na minha boca de uma só vez ─ Good luck.

Eu tinha certeza que ela não precisaria de tanta sorte para conseguir um emprego em algum canto do centro da cidade, ou até mesmo perto de onde morávamos, afinal ela tinha um inglês fluente há bastante tempo e experiência na área de TI. Na realidade, eu não duvidava que fôssemos nos mudar para um lugar exclusivamente nosso em pouco tempo, já que somente decidimos ficar naquele apartamento para não ter de migrar em hotéis e hotéis.

Mesmo no Brasil, mamãe já ganhava muito bem. Além da formação e dos cursos técnicos que tinha em seu currículo e que ─ eu sabia bem ─ a ajudariam muito na hora de conseguir uma vaga numa empresa em Atlanta, o salário nos EUA era milhares de vezes melhor do que no Brasil.

Animei-me novamente. Justine foi até o colégio secundário assim que terminamos de comer, e descobrimos logo que o ano letivo havia começado há poucos meses. Diferente do Brasil, as aulas lá se iniciavam no início do mês de Agosto, o que me deixou um tanto consternada. O colégio era basicamente o que eu imaginava vendo os filmes teen americanizados. A estrutura e a parte de dentro ─ ao menos ─ eram exatamente iguais as fotos que eu tinha visto com Alice na galeria do celular dela antes que fôssemos para lá.

Era a mesma escola em que Justine havia se formado, e como todas as outras que existiam nos Estados Unidos, era pública e tinha um ensino muito mais avançado do que qualquer outra particular que eu já havia estudado.

Senti-me excitada e amedrontada ao mesmo tempo. Estar ali, na minha zona de conforto, com pessoas que (embora há pouco tempo) já conhecia e que integravam de certa maneira minha família, era uma coisa. Frequentar uma escola num país quase que totalmente diferente do meu em inúmeros aspectos com pessoas que eu nunca tinha visto na vida, escutando e escrevendo tudo numa língua que ainda me era pouco estranha, no meio caótico do ensino médio... Bem, era outra coisa. Era totalmente diferente.

Eu estava tão ferrada.

Notas finais
Espero que tenham gostado c: de qualquer forma, deixem nos comentários o que acharam e até a próxima! beijossss