Elemetar Fate: Kaze no Arashi
1 O Vento Sombrio do Leste.
Notas iniciais
“Meus próprios olhos não conseguiam desviar daquela imagem. Era como se cada gesto dela paralisasse meu corpo inteiro. Minhas mãos tremulas atrás daquela única arvore, firmavam-se ali, tentando não se percebido e observando algo que nunca havia visto daquela maneira. Os cabelos dela voavam ao vento assim como os braços dela se estendiam ao som de uma melodia que ela mesma murmurava de forma a ecoar por todo aquele campo aberto a sua frente. Era como se sentisse meu coração batendo mais rápido. Era como se o vento estivesse a meu favor naquele dia.”
Capítulo 1 – O Vento Sombrio do Leste.
- Azuma-san... acorde que precisamos treinar. Vamos logo que não temos muito tempo hoje. – a voz vinha do andar de baixo da casa.
- Estou indo... Uoooooh – Com uma grande expressão de sono, levantou os braços acima do corpo logo que se sentou na cama e espreguiçou-se de forma bem demorada. Os olhos piscavam varias e varias vezes tentando não pegar no sono novamente.
Assim que levantou, começou a andar em direção a uma porta em frente ao quarto onde estava entrando então no banheiro. Ficou uns 10 segundos olhando sua própria face. Ele sabia que não devia ter ido dormir tarde como sempre fazia. Foi então que um pequeno vento adentrou pela pequena janela do banheiro, balançando seus cabelos loiros trazendo a ele algumas das memórias sobre o que tinha visto nas noites anteriores. Sem perceber, ele estava com um pequeno sorriso no rosto. Assim que lavou o rosto ele desceu as escadas direcionando-se para a cozinha.
- Bom dia Sofia-sensei. – Disse o garoto, sentando-se sobre a mesa.
- Bom dia... Aqui está seu café. – Ela deixou o prato dele sobre a mesa com duas torradas e omelete. Era o prato preferido dele.
- Obrigado... – Ele começou a comer fazendo expressões de felicidade enquanto comia. – Hmmm.. delicioso. Sabe Sonfia-sensei, eu me casaria com você se você não fosse tão vel...
Naquele instante Azuma sentiu seu corpo voar contra a parede depois de um forte soco de Sofia que tinha no rosto uma expressão muito furiosa. Caminhava passo após passo na direção de Azuma, estralando os dedos das mãos com um dos punhos fechados.
- Quem você esta chamando de velha? – Ela fazia uma expressão muito assustadora.
- N-ninguém. – Ele se encolhia para proteger-se da raiva dela.
- Bom, que seja, eu vou cuidar muito bem do seu treinamento de hoje. – dizia com um sorriso cínico no rosto.
- medo... – O garoto olhava para ela meio assustado.
Ele então se levantou após aquilo andando de volta a seu quarto. Aproximando-se de uma pequena mesa, ele pegou em uma gaveta uma pequena faixa, enrolando esta em sua mão direita e então ao cerrar o punho com a mão parcialmente enfaixada ele abriu um sorriso caminhando para fora. Ao sair de casa ele se deparou com sua professora o esperando com uma mochila nas costas. Ambos então começaram a caminhar conversando como faziam de costume. Naquele dia eles iriam treinar em umas montanhas a sudoeste da cidade onde moravam. Como já faziam aquilo há uns dois anos, eles já estavam acostumados a ir a qualquer tipo de lugar, mesmo que de difícil acesso para as pessoas. Ao chegaram no lugar onde treinariam, Sofia deixou a mochila no chão, perto de uma rocha e virou-se para Azuma ficando parada em pé na frente dele.
- Então Azuma, eu quero ver como estão seu reflexos. – ela tirou do bolso seis pequenos dardos de borracha sem ponta, segurando estes entre os dedos de ambas as mãos. – Se conseguir desviar dos seis dardos eu irei lhe ensinar a controlar o vento. Você falhou neste teste vinte e sete vezes seguidas e eu continuarei fazendo você reprovar até que possa desviar de todos eles. Você terá três tentativas como sempre, espero que não me decepcione desta vez.
— Desta vez será completamente diferente. Eu não deixarei você me acert.... – dizia com toda a determinação que tinha quando sentiu um dardo bater em sua testa. Ele não soube o que dizer.
- Você perdeu...
- Espere os outros terminarem de falar! – Exclamou ele enquanto expressava um pouco de raiva quanto aquilo.
- Seu inimigo não vai lhe dar tempo para falar. Tudo que ele quer fazer é lhe matar, conversa fiada não serve para nada em uma batalha. – ela dizia com uma expressão séria no rosto.
- Entendo... Então venha, eu vou lhe mostrar minha determinação. – Disse ele tomando postura.
- ótimo... eu gosto desta expressão, porém, será que é o suficiente? – Ela então fechou os olhos lentamente. – Aqui vamos nós. – Ao abrir os olhos ela empurrou o primeiro dedo da mão direita fazendo o dardo escorregar de sua mão e cair em direção ao chão. Contudo o dado havia sumido dali em apenas um piscar de olhos. – Você não vai conseguir escapar de mim. – Ela abriu um sorriso.
Era uma coisa surreal de se ver. Como é que mesmo depois de soltar o dardo ela podia mexê-lo? Foi exatamente a mesma coisa em todas as outras vezes que havia feito aquele teste, mesmo que corresse em direções diferentes o dardo de alguma forma o acertava. Então como podia fugir dele. Algumas das vezes que tentou desviar, podia ver o dardo superficialmente em um piscar de olhos antes deste bater nele e em outras havia desviado por puro capricho do destino. Mas nunca havia conseguido perceber de que direção o dardo vinha. Quando se deu conta o dardo já havia acertado sua perna. Aquilo o fez franzir a testa com um pouco de raiva. Por que? Ele ficava se perguntando o motivo daquilo. Sabia que ela estava controlando o dardo com o vento, mas por que ele não conseguia vê-lo?
Ele então fechou os olhos por um momento. Começou a respirar devagar. Durante aqueles anos que passou treinando, se perguntava se não havia nada que ele tivera aprendido. Todo o trabalho duro que estava fazendo não era resultado de nada? Como ela podia dizer para ele que era um escolhido daquela profecia, se ele não conseguia nem ao menos desviar de um dardo.
- Por favor... mais uma vez. – ele bradou com a voz meio séria.
— Claro... vamos lá.
Novamente aquela mesma cena. Observou atentamente cada segundo que se passava até o dardo chegar à altura do joelho dela quando este novamente sumiu. Ele ficou de olhos arregalados novamente cerrando os dentes e saltou para o lado quando o dardo acertou sua própria barriga. Aquilo o fez ficar cada vez mais furioso. Teria que dar duro novamente por mais um mês para conseguir fazer aquele teste novamente? E novamente ele fechou os olhos. Tinha o costume de fazer aquilo quando queria pensar em algo. Contudo, naquele momento um vento comum passando de forma branda por ali balançou seus cabelos e estando de olhos fechados, ele conseguiu ver na sua frente à imagem daquela garota dançando. Ele sabia que aquela era um lembrança boa, mas por que estava se lembrando dela naquele momento? Sua cabeça estava confusa até que seus olhos se arregalaram.
- Entendo... então é isso... heh... – ele abriu um sorriso pequeno enquanto olhava para as próprias mãos.
- Azuma-kun... está muito calor? Você parece que está ficando louco rindo ai sozinho. – Sofia debochava dele enquanto pegava novamente mais um dardo.
- Calada! – ele cerrou os dentes mais uma vez porém, desta vez ele não estava sentindo raiva e sim algo diferente, era como se estivesse feliz. Então, levando a mão canhota até a destra, ele lentamente desamarrou a faixa pouco a pouco, deixando a mão livre. Sofia nunca tinha entendido o porque que ele deixava a mão enfaixada até porque ele não havia contado a ninguém o motivo que enfaixara sua própria mão. Ficando com a postura ereta e um olhar sorridente no rosto ele disse apenas uma palavra para determinar a continuidade do teste. – Venha!
Sofia não questionou a palavra dele, soltou novamente o dardo que ficava preso entre os mesmo dedos e então os olhos dela se arregalaram ao vê-lo correndo em sua direção. Um ataque de desespero? Quanto mais perto ele estivesse, mais fácil ela acertaria o dardo, porém naquele momento ela viu o dardo cair no chão sem nem encostar nele. Sofia então abriu um sorriso ao ver Azuma passar ao seu lado. Indo para o lado contrario.
- Se você pensa que será assim tão fácil, você está muito enganado! – disse ela deixando cair mais um dos dardos, porém desta vez, um da mão direita.
Os olhos de Sofia se abriram ainda mais ao ver o garoto parar do nada enquanto o dardo seguia fortemente na direção dele. Ela tinha toda certeza que este o acertaria nas costas contudo, fazendo apenas um movimento para a diagonal para baixo, o dardo passou ao lado de sua cabeça, apenas balançando seus cabelos.
- Sabe sensei... eu não vou ser mais acertado por esses dardos. Você me conheceu quando eu tinha oito anos de idade e desde aquela época eu sempre andei com a minha mão enfaixada por causa de uma promessa que fiz a mim mesmo, em cima de meu maior medo acima de tudo. Agora eu realmente acredito que eu posso ser esse tal escolhido que a profecia diz, principalmente por que a partir de hoje eu vou dominar meu próprio medo. – ele então levantou a mão direita ao ar virando-se na direção dela e apontando para esta. – venha! Eu vou lhe mostrar o quanto eu mudei, eu vou lhe mostrar a verdade por trás do meu passado e porque eu era conhecido como O Vento Sombrio do Leste!
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