Elemetar Fate: Kaze no Arashi
2 Memórias Esquecidas
“Correndo pelas ruas rapidamente, passava por qualquer obstáculo que viesse a frente. Naqueles dias ele era absurdamente temido. Aquele vento vinha sem aviso, aquele vento que todo dia se repetia, que o medo aos comerciantes trazia. Naquela árida e grande cidade, o vento sombrio do leste espalhava-se tal como uma calamidade.”
Capítulo 2 – Memórias Esquecidas
Com a respiração ofegante, estava a contemplar o céu de cima daquela montanha. O suor lhe escorria pelo rosto enquanto uma calma brisa finalmente lhe cruzava a face, deixando uma sensação de frescor por alguns momentos. Fechou os olhos por um instante enquanto continuava a respirar fortemente.
– Não achei que você já tinha tanto conhecimento sobre como utilizar ataques com o vento... apesar deles serem fortes, são um pouco descoordenados e além do mais, tudo que você estava fazendo era usar a pressão do vento. – Estando de pé, Sofia tinha ambas as mãos na cintura enquanto olhava para o garoto deitado no chão. Não podia reprova-lo depois daquela demonstração. Apesar de tudo, ele tinha passado no teste. – Mas então... por que só dessa vez você tirou as faixas da mão direita? – Perguntava curiosa continuando. – E o que foi aquilo de Vento Sombrio do Leste.
– Não achei que precisaria relembrar aqueles momentos... – Ele abriu os olhos fitando a imensidão azul acima de si. – Antes de eu vir para essa região eu vivia em uma grande cidade a Leste da Capítal... Lá, como eu não tinha uma família ou alguém para cuidar de mim, eu me tornei um ladrão de rua. Tinha que roubar para sobreviver, pois eu nunca fui instruído a fazer algo útil e quando eu roubava, ninguém conseguia me pegar ver quem havia roubado as coisas, justamente por causa de minha capacidade de poder usar o elemento vento.
Flash Back
– Azuma, estamos prontos. – o garoto de cabelos castanhos exibia um amplo sorriso enquanto ajeitava a pequena mochila semi-aberta nas costas e colocando um lenço sobre a boca e o nariz. – Contamos com você.
– Claro, vamos fazer o de sempre, Karlos! – Azuma começou a correr em direção a rua do comercio da cidade e então ele estendeu mão direita liberando uma grande quantidade de vento pelas mãos levantando uma grande quantidade de poeira, passando correndo pela rua inteira que ficava aos gritos.
– É o Vento sombrio do Leste! – exclamavam todos tentando proteger suas mercadorias. Porém como sempre, não conseguiam proteger tudo.
Uma hora depois da confusão, chegavam os dois a uma pequena casa em uma colina, naquele tempo vivam ele e mais duas crianças. Quando praticavam o roubo, eles nunca pegavam coisas além de comidas e remédios. Pois não estavam querendo se dar melhor que os outros, apenas queriam sobreviver. Azuma tinha sete anos de idade assim com Karlos.
– Azuma-onii-chan! – Corria uma pequena garotinha que aparentava ter uns cinco anos de idade. Aproximava-se com um sorriso no rosto ao ver que haviam retornado.
– Irina, não seja tão grudenta assim. – Aproximou-se outra garota que aparentava ter a mesma idade que Azuma e Karlos. Ela tinha um pequeno cobertor sobre os ombros e de vez em quando dava uma pequena tossida.
– Layla, você está bem? – perguntou Azuma dando um passo a frente. – Nós conseguimos alguns remédios e muitas frutas para comermos também.
– Não se preocupem, eu vou ficar bem... – ela demonstrava um sorriso para ambos enquanto virou-se indo em direção ao fundo do pequeno barraco em que viviam. Ela então sentou-se em uma cadeira de madeira em frente a pequena mesa olhando para ambos que ainda estavam perto da entrada. – andem, vamos comer. – Ela abriu um sorriso fazendo ambos avançarem.
– Sim... – responderam os dois juntos aproveitando a refeição que conseguiram naquele dia.
Eram quase meia noite e quando todos já estavam dormindo, Azuma saiu para o meio da rua para olhar o céu. A brisa da noite era calma e não era muito fria, já que naquela região não costumava ter invernos tão rigorosos. Então ele percebeu que alguém se aproximava e ao olhar para a porta do barraco viu Layla aproximar-se.
– Não consegue dormir? – perguntou ela enquanto ficava de pé ao lado de Azuma.
– Apenas estou sem sono, resolvi vir aqui fora para me refrescar um pouco. – ele respondeu enquanto olhava diretamente para ela. Naquele momento uma pequena brisa passou pelo local balançando suavemente os cabelos da garota fazendo o rosto dele corar um pouco virando-o para cima. – E-e você?
– Também estou sem sono... – ela abriu um pequeno sorriso. – Sabe Azuma, eu tenho que te agradecer... Se não fosse por você eu tenho certeza que não estaria viva hoje.
– Não diga besteiras... você é uma garota forte, Não lembra a primeira vez que nos encontramos, você me deu um baita chute na cara. Está doendo até hoje. – ele tinha fechado os olhos para lembrar daquilo porém quando tornou a abrir os olhos, deparou-se com o rosto de Layla bem próximo ao seu. – O-o...
– Shhh... não diga nada... – Layla apenas aproximou o rosto do dele dando um pequeno beijo sobre os lábios dele. E logo que se afastou ela virou-se olhando para cima. – Espero que tenhamos momentos bons assim sempre.
– Com certeza teremos... – ele disse abrindo um pequeno sorriso.
Logo pela manhã, Azuma resolveu ir sozinho pegar comida na cidade. Mais uma vez utilizando aquela tática ele começou a correr em meio a poeira das ruas, pegando algumas frutas e coisas comestíveis indo até o final da rua. Percebeu que aquele seria um ótimo dia, já que estava cada vez melhor em fazer aquele tipo de coisa. Assim que terminou de pegar tudo ele partiu correndo em direção a sua casa e ao olhar a porta de frente seus olhos ficaram completamente abertos enquanto este largou a mochila ao chão.
Ao entrar na casa ele não viu nenhum de seus amigos e viu que tudo estava completamente revirado de cabeça para baixo com exceção da mesa que tinha um pequeno papel em cima dela escrita as seguintes palavras: “Deixei um presente para ti na praça principal.” Os olhos de Azuma arregalaram-se enquanto seu corpo automaticamente começou a correr em desespero em direção a praça da cidade. Eram quase dez horas da manhã e o Sol já estava um pouco inclinado. Ao chegar na praça olhou para todos os lados tentando achar seus amigos foi então que ele percebeu sombras a sua frente com machas de sangue ao chão logo depois das sombras. Os olhos dele se arregalaram completamente ao olhar para cima e ver o corpo de Karlos, de Irina e de Layla perfurados por várias estacas enquanto o sangue corria por estas.
Ele sentiu as pernas ficarem frágeis, e seus joelhos foram de encontro ao chão de pedras. Ficou encarando o chão tentando fazer-se pensar que aquilo não era verdade contudo aquela imagem não saia mais de sua cabeça. Naquele instante uma grande quantidade de guardas o cercou enquanto um homem aproximou-se por trás dele.
– Patético... – disse o homem tirando ambas as luvas sujas de sangue.
– O que... – Azuma olhou para as luvas com sangue a sua frente e lentamente olhou para o rosto do homem cerrando os dentes.
– Você sabia que a penalidade para crimes de roubo em muitos dos países da região oriental é a morte? Pessoa que... – O homem continuava falando.
– Karlos... Irina... Layla... Eu... Me desculpem... – algumas lagrimas escorriam por seu rosto enquanto os dentes cerrados demonstravam sua raiva. Suas palavras eram ditas de forma a murmurar. – Eu não os perdoarei... Eu não os perdoarei....
Azuma se levantou devagar enquanto seu cabelo lhe cobria uma boa quantidade do rosto e o ângulo que o sol fazia, colocava-lhe uma pequena sombra sobre os olhos. A Expressão de fúria estava tomada em seu rosto enquanto uma brisa começou a soprar ao redor da praça, um pouco da poeira ao redor de seus pés começou a levantar. Não conseguia mais pensar em nada. Em sua mente, a imagem de seus amigos perfurados era uma coisa que estava o deixando completamente fora de controle. Então ele começou a gritar alto enquanto o vento que começou a acelerar ao redor de si tornava-se mais rápido e incontrolável.
Em segundos aquele vento formou um enorme furacão expandindo-se por uma área de 5 quilômetros de raio, devastando tudo ao redor. Casa, construções de pedra, muros, barracas. Toda aquela cidade havia sido dizimada em apenas alguns segundos. Foi então que Azuma desmaiou.
Fim do FlashBack
Com os olhos fixados no céu ele manteve o sorriso nos lábios enquanto Sofia lembrou-se que já tinha ouvido falar da cidade que havia sido destruída ao leste.
– Quando eu acordei eu não quis procurar os corpos dos três, eu sabia que aquilo iria me machucar muito então eu apenas fiz três cruzes com os escombros enfaixei minha mão andando para longe daquele lugar. Aquilo realmente acabou comigo.
– Mas então porque você... – Sofia ia começar a fazer-lhe uma pergunta.
– Aquilo aconteceu porque eu não soube controlar meus poderes... – Ele impediu Sofia de continuar a pergunta. – Nunca mais cometerei o mesmo erro em minha vida novamente... Aquela foi a ultima vez em que eu me deixei levar pela fúria e pelo ódio. – ele levantou-se lentamente olhando para o horizonte. – Eu quero ficar mais forte, assim eu serei capaz de proteger àquele que eu amo. Assim eu nunca mais precisarei me lembra daqueles dias, pois aquelas serão apenas Memórias Esquecidas.
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