Notas iniciais
oi pessoal Mais uma vez maravilhada pelos reviews lindos vocês são demais! Bem os dois capitulos que vou postar ficaram enormes, mas preferi não dividir para não ficar enrolando muito. Caps angust, i sorry eu sei que disse que ia ser leve mas as coisas foram fluindo e fluindo então preferi deixar nessa vertente mesmo. Teremos mais um pouco do passado do Hyoga e um novo personagem que eu não estava contando no inicio da historia, mas como tive a ideia agora e achei boa demais para ficar de fora, resolvi deixar assim Beijos e ENJOY

Quando Ikky desceu não encontrou nem Shaka, nem Kamus e agradeceu por ser assim, tinha mais coisas para pensar agora e definitivamente o estágio teria que se virar sem ele hoje. Deixara Hyoga dormindo depois de um longo silencio cumplice, embora remoesse internamente muitas duvidas acerca da vida do rapaz. Mas ele não lhe contaria, não ainda.

Ainda tinha suas próprias duvidas acerca de si mesmo e do que queria e precisava mesmo se resolver porque prometera a Hyoga que estaria com ele e o moreno sabia que tinha que levar a sério aquela promessa. Seu psicológico fragilizado não permitia que ele agisse de outra forma. E havia mais, havia o sentimento que Ikky ainda não sabia definir que o impelia a proteger e cuidar de Hyoga.

Foi para casa remoer essas duvidas, mas embora pensasse muito sobre aquilo não achava solução. Precisava conversar com alguém! Pensou em Milo, mas logo descartou a ideia por conta do temperamento intempestivo do outro. Ele não precisava de passionalidade agora, precisava de razão. Decidiu procurar o irmão no restaurante, com sorte poderia falar com ele próximo da hora de fechar, que não estava longe.

– Ikky que bom vê-lo por aqui! – Saga exclamou ao vê-lo, recebendo-o para um abraço carinhoso – E um milagre também porque você nunca vem aqui, prefere ir comer a comida da mamãe!

– Ela é melhor você tem que admitir. – eles riram enquanto Saga o conduzia para o bar – Uma bebida? Hoje o prato especial do espanhol está um manjar dos deuses! Quer jantar com a gente? Só estou esperando o Shaka terminar a contabilidade.

– Ah por falar em Shaka... É eu preciso falar com ele também. – Ikky coçou a nuca sem jeito. Shaka lhe dera um sermão enorme sobre até que ponto a implicância entre ele e Hyoga iria, que Ikky já era um adulto e que tinha que agir como tal e bla bla bla.

– É ele anda querendo o seu escalpo por causa do moleque, mas agora está bem mais calmo. – Saga sorriu sacana – Eu sei como acalmar ele!

– Vocês não tem vergonha não? – Ikky riu e Saga o acompanhou.

– Mas você veio até aqui para falar com o Shaka?

– Não, eu queria falar mesmo com você primeiro... Eu preciso... – Ikky olhou para os lados sem jeito e Saga observou o desconforto do irmão com interesse.

– Vamos para o escritório. – fez sinal para o garçom levar os drinques para o seu escritório e foi com o irmão para lá. Shaka estava no outro escritório com Aiolos fazendo a contabilidade.

O escritório de Saga era muito aconchegante, com uma mesa de mogno grande onde repousavam papéis, seu notebook e alguns porta-retratos da família e do companheiro. Nas horas vagas, Saga adorava fotografar, era um hobby que dividia com o irmão mais novo Ikky, ambos tinham talento porem não investiam nisso. Ikky foi se sentar no sofá próximo a janela de pé alta, esticando as pernas sobre o móvel e Saga foi se instalar na sua confortável poltrona de couro.

– Vamos lá Ikky desembucha! Você parece muito confuso e preocupado e algo me diz que tem a ver com o incidente da tarde e certo pato. – Saga tomou seu uísque e fitou o irmão esperando ele falar, Ikky tomou um gole da cerveja, pensando que tinha feito a coisa certa em procurar o irmão mais velho. Saga era muito perspicaz e ele confiava inteiramente nele, eles eram além de irmãos muito amigos apesar de Ikky e Milo serem unha e carne, era para Saga que Ikky contava todos os seus segredos e dúvidas.

– Ah, tá acontecendo uma coisa muito estranha... Eu estou confuso. – a ultima parte foi dita num tom muito baixo.

– Esmeralda? – sondou o moreno mais velho.

– Hyoga. – e Ikky não teve coragem de olhar o irmão, se tivesse perceberia que o geminiano o olhava boquiaberto, os olhos verdes arregalados. Não que não desconfiasse que no fundo, o motivo de toda aquela implicância não fosse interesse mútuo, mas eles eram crianças, Hyoga foi morar na Rússia e Ikky e mostrou tão hetero quanto Kannon, até mais que o seu gêmeo porque Saga sabia que Kannon já experimentara “o outro lado”. Agora ver Ikky confessar que estava em duvida com relação ao amigo de infância o qual ele tinha uma rixa de sempre o deixou surpreso. – Eu... Desde que ele voltou, eu não consigo tirá-lo a cabeça! Ele me provoca, a gente implica, mas sempre tem um duplo sentido implícito só que eu achava que era só mais um novo tipo de provocação. – passou a mão nos cabelos repicados – Mas a gente... Ele me beijou naquela noite da boate.

Achou melhor ocultar os detalhes sórdidos porque já era constrangedor demais falar que tinha beijado o russo ao seu irmão.

– Vocês se beijaram?! – a entonação surpresa na voz do irmão fez Ikky finalmente fita-lo e isso o deixou ainda mais constrangido. Claro que ninguém esperava algo assim, se ele mesmo ainda não acreditava que tinha beijado Hyoga, imagina os outros? – Eu... Nossa Ikky! E como foi? O que você sentiu?

– Ah Saga! – Ikky levantou e começou a andar pela sala – Foi tudo tão louco e sei lá, ele estava bêbado e eu também... Aí meio que aconteceu e eu acho que nenhum dos dois esperava! Agora isso ficou martelando esse tempo todo na minha cabeça e eu não consigo parar de pensar nisso. Aí hoje eu estava uma pilha e então ele apareceu lá na universidade e eu quase pirei!

– O Shaka o levou lá, parece que ele vai fazer alguns cursos complementares sobre arte, escultura. – Saga explicou – Ele pareceu se interessar e Shaka acha melhor que ele tenha algo para fazer além de ficar implicando com você. – Saga riu de lado – Mas ao que parece vocês andaram arrumando outras coisas para fazer além de implicar.

– Ah Saga não brinca com isso. – Ikky deu um muxoxo

– Eu brincava na época que vocês eram moleques sobre isso dar em casamento e tudo, mas era sacanagem Ikky! – e Saga gargalhou, Ikky bufou irritado e ele logo se controlou – Ok, vamos falar sério agora. Você se sente atraído pelo garoto é isso? Sente que é só curiosidade ou é só porque essa rixa entre vocês faz seu sangue ferver?

– Eu não sei! – Ikky se deixou cair no sofá outra vez – Eu tive um ataque hoje quando o vi de papinho com aquela Barbie sueca amigo do Shun! O Afrodite já estava de quatro para o Hyoga e o moleque achando tudo muito divertido. – Ikky riu sarcástico e Saga tentava controlar o riso por ver o quanto o irmão não percebia como suas palavras soavam ciumentas – Esse moleque não tem juízo, já vai saindo com qualquer um, jogando charme e caindo na lábia alheia... Foi assim na boate. Aquele cara já chegou junto do Hyoga, passando a mão e o lourinho não se fez de rogado, deixou o cara pegar onde quisesse e depois que o cara quis traçar ele foi aquela confusão! Eu quase quis cometer um assassinato naquela boate por causa disso...

– Ei que história é essa aí?! – Saga interrompeu o moreno e Ikky se deu conta que falara demais – Não foi isso que o Hyoga disse a nós sobre a “discussão” na boate.

– Saga tem mais coisa que eu quero contar, mas por enquanto vamos ficar só no meu problema tudo bem? – pediu Ikky – Eu preciso de um conselho cara!

– O que você quer que eu diga Ikky? – Saga abriu as mãos olhando o irmão com incredulidade – “Meu irmão, você está passando por um leve ataque de homossexualismo, é só um período, vai passar” – Saga cruzou as mãos na perna e olhou Ikky sério – Quem tem que achar as respostas para essas dúvidas é você Ikky. Você que tem que saber se esse interesse no garoto não passa disso, só um interesse! Vocês trocaram um beijo e você tá assim imagina se...

– Quase aconteceu sabia? – sussurrou Ikky, foi tão baixo que Saga teve que se inclinar para escutar. Novo assombro ocorreu no moreno mais velho.

– Puta merda Ikky!

– Boa definição. – Ikky deixou que a cabeça descansasse no encosto do sofá – Aquele louro metido me tira do sério de uma forma que eu perco a cabeça! O Hyoga me desafia, aquele queixo petulante levantado e eu tenho tanta vontade de... – Ikky suspirou, estava falando demais outra vez. Não sabia como ia contar a Saga sobre o que ocorrera no ginásio, talvez o irmão não entendesse... – Eu o quero Saga!

– Você tem ideia do quanto isso soou possessivo e como diria o Shaka “paleolítico”? – Saga gargalhou – Ikky você está apaixonado!

– Isso não tem graça Sa!

– Ah tem muita graça sim porque você foi se apaixonar justamente pelo pequeno tufão louro e você não vai conseguir problema maior.

– E como eu sei. – Saga parou de rir ao notar o tom angustiado do mais novo e o fitou preocupado.

Ikky acabou por contar o que ocorrera no ginásio para o irmão, não podia mais esconder aquilo a essa altura da conversa e esperava que Saga entendesse que perdeu a cabeça, mas nunca faria mal a Hyoga. Contou sobre a conversa no quarto do lourinho e Saga ficou ainda mais tenso ao ouvir aquilo. Ele e Shaka já desconfiavam sobre os possíveis problemas de Hyoga, mas aquilo que Ikky lhe contava era muito além do que imaginavam. Apesar de tudo Hyoga mostrara a Ikky um pouco da fragilidade que ele muito bem escondia sob a fachada arrogante e petulante que diariamente usava isso significava que de alguma forma o moreno mexia com ele. Poderia Ikky ser uma chance de Hyoga se abrir e enfrentar os traumas?

Ficaram em silencio um tempo ao final do relato do Amamiya até que batidas discretas na porta fizeram com que ambos se dessem conta do silencio tenso em que estavam.

– Entre – e então Shaka abriu a porta com um sorriso para o marido e então viu as faces preocupadas dele e do cunhado.

– Vamos jantar. – disse indo até Saga e dando um beijo delicado nele, sentindo a preocupação do outro – Aconteceu alguma coisa?

– Não aconteceu nada – Saga puxou o companheiro para o seu colo e lhe deu um beijo mais intenso, sem se importar com Ikky que ficou sem graça e desviou o olhar.

– Saga... O seu irmão! – o indiano se desvencilhou do companheiro com um rubor bonito no rosto delicado.

– O deixe pegar umas dicas. – Saga piscou para Ikky que deu um sorriso de canto e Shaka revirou os olhos, levantando e chamando-os para comer de uma vez. Todos deixaram o escritório e o geminiano deixou que Shaka se afastasse um pouco mais para dizer ao irmão – Ikky, o Hyoga sofreu coisas que ninguém deveria sofrer... Pelo pouco que eu ouvi do Shaka e do próprio Kamus, se o irmão não tivesse traumas pelo tempo em que viveu com o avô, seria um milagre. Só que ele não consegue lidar com isso e assim ele tenta esquecer, enterrar no fundo de si mesmo... Isso pode dificultar a relação dele com outras pessoas, com você. O Hyoga precisa de ajuda, eu vou ajudar ele e você também. Precisamos fazê-lo aceitar procurar alguém, vai ser uma tarefa difícil. Eu só preciso saber se você está disposto a enfrentar tudo isso Ikky, porque não vai ser fácil.

– Eu não posso deixa-lo Saga. – Ikky fitou o irmão, havia aflição nos olhos escuros do rapaz e Saga viu o que Ikky insistia em negar. Que estava completamente apaixonado.

– Isso é bom Ikky – apertou os ombros do irmão e ambos foram jantar com Shaka e Aiolos, Shura se juntou a eles e por um tempo eles deixaram os problemas de lado e curtiram uma noite agradável com os amigos.

Shaka resolveu não abordar o marido no restaurante, mas não deixaria que ele escapasse agora que estavam sozinhos e aconchegados em casa depois de mais um dia de trabalho. O restaurante era um sucesso e a parceria entre os dois e os amigos Aiolos e Shura deu muito certo. Enquanto Shaka e Aiolos cuidavam da parte administrativa e da publicidade, Saga e Shura cuidavam do funcionamento, Shura era o chef e o senhor da cozinha do Massala, Saga cuidava da rotina e abastecimento, dos garçons e da recepção dos clientes no restaurante. A independência tão arduamente conquistada agora era comemorada dia a dia em que o restaurante recebia novos clientes, criticas positivas e isso deixava os quatro amigos imensamente felizes. Dionísio, que dera ao filho e ao genro o apoio necessário para que ele começasse se sentia exultante pelo sucesso.

– Por que Ikky parecia tão angustiado Saga? – enfim perguntou depois de se aconchegar nos braços do amado – Algo aconteceu? Tem a ver com o Hyoga não tem?

– Por que você acha isso?

– Por causa de hoje a tarde. – Shaka se apoiou num cotovelo para olhar o rosto de Saga – Foi confuso e eu ainda não engoli essa historia de discussão! Algo grave aconteceu entre eles e nem Hyoga nem o Ikky querem me dizer, meu irmão já tem problemas demais sem ter Ikky Amamiya e sua curiosidade infernizando a vida dele.

– Acha que Ikky está curioso? – Saga ergueu uma sobrancelha – Sobre o que?

– Ora você sabe! É óbvio que Ikky quer experimentar. – Shaka entortou a boca, deitando-se na cama outra vez – Eu só queria que ele não procurasse o Hyoga para isso. Sei que o Hyoga não é tão inocente e ingênuo quanto eu queria, mas é justamente por isso que eu espero que Ikky fique longe dele se tudo que ele quer é experimentar... – Shaka suspirou triste – O Hyoga já foi usado o suficiente na vida para ser mais uma vez, ele não sabe discernir a diferença porque ele nunca teve a oportunidade de provar o contrário.

– Shaka porque nós não procuramos ajuda profissional para o Hyoga? – Saga acariciou o ombro do louro com carinho – Você e Kamus sozinhos não vão conseguir fazer com que ele conte tudo que viveu, o que o deixa com esse medo... Ele precisa de ajuda e rápido.

– Ajuda profissional? Acha que Hyoga é louco?

– Não, mas... – Saga se arrastou na cama até sentar – Shaka, você sabe que o jeito que ele ache não é natural. O Hyoga às vezes nem parece um adolescente! Às vezes ele age como se fosse mais velho, mais experiente e em coisas que não devia – Shaka mordeu o lábio e abraçou Saga. Claro que ele sabia disso, pensava a mesma coisa! Hyoga tinha graves distúrbios de personalidade, como se a criança de onze anos e um homem experiente e lascivo vivessem num mesmo corpo – Aquela malicia o jeito arrogante... O medo que vemos nos olhos dele. Acha aquilo natural Shaka?

– Ele não aceita falar conosco como acha que vai convencê-lo a falar com um psicólogo Saga?

– O Ikky esta apaixonado por ele. – Shaka se levantou e olhou para o marido de olhos arregalados – Sim está, ele não confessou com essas palavras, mas está eu vi nos seus olhos. Hyoga disse coisas para Ikky que o deixaram estarrecido e a mim também. Temos que ajudar o seu irmão logo Shaka ou será tarde demais.

– O que foi que ele disse?

– Eu vou contar tudo e quem sabe assim você se convença que seu irmão precisa de ajuda e rápido. Amanhã eu vou a universidade, vou falar com o Radamanthys, ele pode indicar alguém, talvez ele mesmo possa nos ajudar. Soube que ele não usa os métodos convencionais, que seus métodos são diferentes e dinâmicos e muitas pessoas tem ido procurá-lo. Quem sabe ele não pode achar uma terapia diferente para o Hyoga.

– Eu não quero você com o Radamanthys – Shaka fez uma careta e Saga percebeu o ciúme e num movimento inesperado derrubou o louro na cama, ficando por cima dele – Não gosto dele, nem adianta me agradar.

– Nossa que ciumento esse meu marido. – Saga aproximou o rosto e lambeu os lábios vermelhos do outro, uma das pernas entre as longas pernas do indiano enquanto segurava os pulsos do indiano, prendendo-os na cama – Possessivo!

– Trapaceiro – Shaka mordeu o lábio inferior do outro e ondulou os quadris, provocando e Saga riu em meio ao beijo – Vamos pensar nisso amanhã, mas eu ainda sou contra procurar o Radamanthys.

– Vou convencê-lo – e eles voltaram a se beijar, agora com fome.

***

Saga não desistiu da idéia de falar com Radamanthys e acabou trazendo Kamus para o seu lado, na tentativa de convencer o louro, o que não aconteceu. Por fim Kamus se encarregou de falar com o inglês, para tranquilizar Shaka. No passado, quando eram adolescentes, Saga e Radamanthys tiveram um namoro rápido, que acabou justamente por causa de Shaka e embora soubesse que o marido o amava, não queria dar chance para reviver o passado.

Dessa forma Kamus foi procurar o amigo inglês na universidade depois de uns dias, Radamanthys se formara e trabalhava na própria universidade, além de lecionar nos cursos complementares e foi o que disse a Kamus quando conversavam. Kamus achou maravilhoso que Radamanthys já conhecesse Hyoga do período em que o rapaz estudara em Londres e como psicólogo o britânico já tinha vislumbrado alguns problemas no comportamento do garoto.

– Então ele está estudando aqui?

– Está, você provavelmente vai vê-lo nas aulas hoje, não sei ainda qual a grade curricular que ele vai seguir, mas me informarei. Saga achou que você podia nos ajudar e depois do que ele me contou... Acha que ele pode melhorar?

– Hyoga é um caso complicado Kamus, mas do que imaginam. – Radamanthys mexeu no café devagar – Quando eu o conheci, ele ainda estava com o avô, passando uma temporada em Londres por conta do trabalho diplomático do Vladimir. Fui eu que indiquei o curso em Oxford para o rapaz, isso faz uns três anos aproximadamente, ele era ainda mais jovem do que é hoje e por isso foi tão perturbador ver aquele brilho malicioso no olhar dele. Vladimir e meu pai são amigos e logo eles começaram a frequentar a minha casa, Hyoga estava sempre com o seu avô. Ele parecia ter pavor dele em alguns momentos, mas gostava de desafiá-lo. Nos meus estudos descobri que isso se deve a um distúrbio de identidade. Ao mesmo tempo em que ele tem aquele gênio forte e acha que não precisa temer e nem dar satisfações a ninguém, Hyoga também sente que o que faz é errado, que magoa as pessoas. Os possíveis traumas causaram nele essa necessidade de autopunição, como se ele fosse culpado dos sentimentos ruins das pessoas a sua volta.

– Como foi com Ikky?

– Exatamente. Ele se diz culpado pelo fato de ter despertado a fúria e o desejo no outro rapaz – Radamanthys tomou o café e ficou pensativo por alguns minutos – Aí esta também uma prova de que para o Hyoga, desejo e fúria estão interligados, como se um não viessem sem o outro, por isso o pavor! Mas isso são só conjecturas, eu preciso analisar o caso mais a fundo para ter uma ideia exata.

– E como acha que posso abordá-lo a respeito de procurar ajuda?

– Não diga nada por enquanto, vou falar com ele, resgatar o laço de amizade – Radamanthys desviou o olhar embaraçado e Kamus arqueou a sobrancelha.

– Aconteceu alguma coisa entre vocês em Londres?

– Não exatamente...

– Ei você! – Milo surgiu ao lado da mesa no refeitório tão sorrateiro que nenhum dos dois o percebeu até ouvir a voz cheia de um tom ameaçador – Afaste-se!

– Milo...

– Onde você esteve a manhã toda senhor certinho? – se virou para Kamus os olhos crispando – Eu procurei o campus inteiro praticamente.

– Eu... – Kamus balbuciou aturdido com a súbita aparição do grego e o modo intempestivo que ele o interpelava – Estava aqui, eu estava tratando um assunto com o Radamanthys... Milo isso é jeito de chegar?!

– Passional e um tanto ciumento o seu grego Kamus. – Radamanthys tinha um brilho divertido nos olhos dourados e Kamus enrubesceu.

– Isso mesmo inglês. – Milo colocou a mão na mesa e se inclinou sobre o louro – Grego dele, meu francês! Fique longe dele.

– Eu não acredito que ouvi isso?

Radamanthys soltou uma sonora gargalhada e Kamus passou as mãos no rosto morto de vergonha. Milo por outro lado olhava para o outro louro indignado por ele estar rindo do aviso ameaçador (pelo menos ele tentou que soasse assim) dele. Era um assunto muito sério. Como assim depois do trabalho árduo, a situação constrangedora de ser pego na cama pela mãe do namorado (sim namorado, só Kamus ainda não sabia), todo aquele tempo para conquistar aquele ruivo difícil e já tinha um louro estonteante e tão perfeito quanto Kamus para lhe roubar o ruivo? Ah não aquilo era demais!

– Bom eu preciso ir Kamus, minha próxima aula se aproxima. Preciso conversar com os familiares do garoto, você poderia leva-los a minha casa amanhã? Terei a tarde livre e seria importante saber um pouco mais – disse o louro se levantando e pegando suas coisas – Também para terminarmos essa conversa. Eu quero contar sobre o que aconteceu entre mim e Hyoga em Londres e talvez isso de um vislumbre das dificuldades que teremos que enfrentar. Até mais Kamus. – e olhando para Milo, um sorriso enigmático nos lábios – Até logo grego.

Ele se foi e Milo ficou olhando-o se afastar até que se virou para Kamus.

– É muita cara de pau! – bufou Kamus o olhou indignado – O que foi? Ah não senhor Kamus nem adianta me olhar com essa cara. Acha mesmo que eu vou deixar você soltinho assim para fazer o que quiser? – Milo puxou Kamus pela gravata e disse próximo aos lábios dele – Você é meu! Meu entendeu? – e o beijou antes que Kamus despejasse todas as imprecauções que estava pensando sobre ele.