Ele não está tão Afim de você
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Hyoga estava entediado, olhou o relógio novamente e soltou um suspiro entediado ao ver que ainda faltavam alguns minutos para acabar aquela aula. Queria poder pular a parte teórica e partir para a prática, a maioria daquele conteúdo já tinha visto e queria mesmo era visitar os museus com os artistas gregos, começar a pintar e esculpir, fora por isso que aceitara fazer o curso.
Remexeu no zíper do casaco impaciente até que o professor deu por encerrada a aula e todos se levantaram para sair da sala até que a outra aula tivesse inicio. Uma garota de cabelos roxos passou por ele e sorriu, Hyoga retribuiu com uma piscadinha fazendo a jovem corar. O rapaz riu. “Tola e volúvel” pensou consigo enquanto se apoiava na parede do corredor.
– Ela é namorada do Seiya sabia? – Shun comentou se aproximando dele, Hyoga deu de ombros e continuou a puxar o zíper do casaco – Mas é uma vadia no fim das contas. Eu ainda tenho esperanças que ele de uma chance a Shiryu, ele gosta mesmo dele.
– Talvez Seiya só precise de um empurrãozinho. – comentou Hyoga com um sorriso maroto e Shun riu capitando a mensagem. Era assim quando eram crianças, que as traquinagens começavam. – Ah olha quem vem ali. Ei Seiya!
– Ah oi pirralhos! – Seiya bagunçou o cabelo de Shun e Hyoga. Chamava-os de pirralhos, mas era apenas dois anos mais velho que eles – O que estão aprontando? Vocês viram a Saori?
– Acabou de sair com as amigas – Hyoga respondeu – Seiya você viu o Shiryu por aí? Vocês são da mesma sala não são? – o louro passou o braço sobre os ombros do outro – Sabe é que eu queria saber se eu tenho uma chance com ele. – Seiya olhou fundo naqueles olhos azuis, estranhando aquela conversa e não gostando nenhum pouco – Ele é tão na dele, mas sei lá! Aqueles cabelos longos, o olhar sério, aqueles olhos verdes indecifráveis... – olhou por cima do ombro para Shun que os acompanhava mais atrás com um risinho – Ele deve ter uma pegada!
– Hyoga!
– Que é Seiya? Se não quer tem quem queria sabia?
– Mas! – Seiya ficou vermelho e se atrapalhou nas palavras, fitando o outro irritado e Hyoga mantinha a expressão serena, tranquila como se nada tivesse acontecendo – Não seja idiota moleque, eu tenho namorada! A Saori... Ela me ama.
– Ah tá, mas eu não falei nada você que tá pensando besteira – olhou por cima do ombro de Seiya e sorriu – Ah parece que o destino está a meu favor – piscou sacana para o sagitariano – Oi Ikky, oi Shiryu.
Ikky parou em frente ao louro, arqueando a sobrancelha para o sorriso doce que o outro lhe lançava, Hyoga cumprimentou Shiryu com um aperto de mão e a voz estranhamente amável e terna e Seiya sentiu um incomodo com aquela intimidade. Shiryu mesmo que permanecesse na sua natureza tranquila e comedida, cedeu um raro sorriso em resposta ao de Hyoga, encantado com o rapaz. “Mais um para a lista dos babões pelo Hyoga, pensou Ikky enciumado”, mas aquilo parecia tão natural para o louro, seduzir, que ele estava completamente à vontade. Isso intrigava Ikky mais do eu tudo.
– Então Shiryu eu estava falando aqui com o meu amigo Seiya e meu amigo Shun sobre quem sabe a gente visitar o coliseu e depois tomar um expresso naquele café em frente – Seiya e Ikky olharam para Hyoga, mas o louro continuou sem dar por eles – O que você acha hein? Vai ser divertido.
– Você está me convidando para sair? – o jovem chinês sorriu e Hyoga riu cumplice, dando de ombros e piscando para Seiya que já estava vermelho de raiva e aí Ikky entendeu tudo. Hyoga e Shun estavam aprontando outra vez. – Olha só Ikky cada vez mais atrevido!
– Tem toda a razão.
– Ah desculpe – Hyoga mexeu no cabelo aparentemente desconcertado, mas intimamente satisfeito – Não precisa aceitar, é só um convite.
– Podíamos ir todos o que acham? Seria divertido – Ikky interveio e Hyoga lançou um olhar irritado a ele – E aí Seiya o que acha?
– Eu? Ah, talvez – Seiya mexeu nos cabelos castanhos constrangido e enfim olhou para Shiryu, se perdendo na força plácida daquele olhar esmeralda – Pode ser.
– Perfeito! Amanhã, as nove Shi, todo mundo. – Shun se intrometeu – Menos a dona chata Saori viu Seiya? Todo mundo no Coliseu amanhã. Agora eu tenho que ir, tenho aula. Até mais pessoa, vem Seiya!
– Mas a Saori...
– Anda cara, a gente vai se atrasar! – Seiya deu uma última olhada para Hyoga e Shiryu e depois se foi com Shun. Hyoga voltou a se encostar-se à parede colocando as mãos no casaco aparentemente feliz demais.
– Por que eu acho que vocês dois estão tramando alguma coisa?
– Por que você não é tão estupido como eu imaginei frango. – Hyoga piscou para Ikky – E aí Shiryu, atitude amanhã viu? Ele só precisa do incentivo certo.
– Mas e a Saori – o chinês indagou
– Ela é uma vadia. – Hyoga deu de ombros – Só não peguei porque não curto o tipo sonsa.
– Mas esse pato se acha! – Ikky achou graça, irônico – Anda deus Apolo da Sibéria, vem comigo.
– Aonde? Eu tenho aula sabia?
– Se quisesse assistir realmente não tava aí de bobeira no corredor. – e como sempre, sem esperar resposta ele pegou Hyoga pelo pulso e depois de acenar para Shiryu saiu arrastando ele. Hyoga resolveu o deixar prosseguir.
Saíram da área de prédios e foram para o bosque onde Kamus encontrou Hyoga na outra vez. Estava vazio aquela hora e depois de constatar isso o lourinho soltou um risinho, se desvencilhando da mão do moreno e andando ao lado dele. Ikky o olhou de canto e Hyoga parecia tranquilo e animado até, isso era bom porque esperava conversar sério com o louro.
Sentaram embaixo de uma das arvores, Hyoga aproveitou para sentar muito próximo a Ikky que parecia nervoso e um tanto constrangido. E então sem paciência sentou no solo do moreno, uma perna de cada lado das pernas do outro e o beijou, afoito embora intensamente e Ikky tomado de surpresa se deixou beijar até que se lembrou do que realmente queria ali e a muito custo afastou Hyoga, mas o manteve em seu colo.
– O que foi? – o lourinho olhou para ele aturdido – Não tem ninguém aqui.
– E? – Ikky respirou fundo para controlar-se, ter Hyoga naquela posição sugestiva não estava ajudando e para piorar, o adolescente resolveu se remexer sobre o sue colo e o moreno arfou – Hyoga fica quietinho, por favor.
– Você quer me amarrar? – Hyoga dizia aquilo tão naturalmente e total inocência que Ikky ficou alguns minutos olhando aquela expressão doce – Sim você vai ficar me olhando com essa cara estúpida ou vai começar a agir? Não temos a manhã toda, daqui a pouco a aula acaba e isso aqui vai estar cheio de gente.
– O que você? Hyoga! – Ikky se aproximou mais do outro – Nós não viemos aqui para transar!
– Não? – Hyoga o olhou e depois estalou a língua, saindo do colo do moreno – Eu pensei...
– Será que tudo que você pensa é só em sexo?
– Não é errado é? – Hyoga puxou a franja com irritação – Eu pensei que você queria! Estamos sozinhos, você quer... Naquele dia na quadra você... – Hyoga se virou admirado para Ikky – Aquilo não vai mais acontecer! Foi só um momento, eu fiquei surpreso é só!
– Então se eu quisesse te tomar aqui e agora não ia ter problema nenhum?
– Não – Hyoga deu de ombros, desviando o olhar – Eu já disse! Você quer?
Ikky passou as mãos no cabelo frustrado. Era mais fácil antes, quando Hyoga o enlouquecia com as suas traquinagens, não agora que o fazia sem querer. Estava claro que o garoto não via a contradição nas suas palavras, no quanto estava se mostrando como objeto, não uma pessoa.
– Oga – chamou, mas o garoto permaneceu de olhos baixos, puxando a grama do chão. Ikky se aproximou e pegou o rosto dele entre os dedos, fazendo-o encará-lo – Eu trouxe você aqui para conversarmos – Hyoga se retesou, não queria conversar, geralmente quando alguém queria fazer isso era para querer que ele contasse sobre a Rússia, sobre aqueles horrores e ele não queria! Queria esquecer! – Eu quero conversar sobre mim, sobre você.
– Ah Ikky corta essa! Eu não sou uma virgenzinha que precisa de “eu te amo” para transar! Tá tudo bem. – Hyoga revirou os olhos – Você nunca ficou com um cara? Quer só experimentar? Não precisa querer ser meu amigo Ikky. A gente faz e pronto!
– Ah meu deus como é difícil conversar com você!
– Por que eu prefiro fazer outra coisa com essa tua boca gostosa. – ele voltou a subir no colo de Ikky e o puxou pela gola da camisa social, o olhar brilhando e um sorriso sedutor na boquinha vermelha – Vem Ikky me beija e cala boca.
E eles voltaram a se beijar, mesmo que Ikky estivesse angustiado com aquela situação se deixou levar, Hyoga devastou a boca do moreno, ruindo com todas as barreiras dele com relação aos dois. Ikky segurou a cintura de Hyoga, o menor ondulava os quadris sobre o moreno, provocando e atiçando enquanto a língua explorava o pescoço de Ikky e as mãos seguravam os cabelos da nuca deste com firmeza, fazendo-o arquear o pescoço para o bel prazer de Hyoga. Ikky fechou os olhos e gemeu baixinho quando sentiu as mãos pálidas entrar sob a sua camisa e explorar a barriga e o peito musculoso. Agindo por instinto, segurou os quadris de Hyoga com força, apertando a carne sob as roupas até encher a mão com as nádegas roliças e Hyoga mordeu o lábio, a expressão dele era de prazer e Ikky por um minuto se perdeu nela.
– Não chega! – disse rouco, segurando os pulsos do russo com delicadeza – Não aqui, não assim.
– Não Ikky, agora é muito tarde para parar. – murmurou o lourinho enquanto mordia o lóbulo da orelha do japonês.
– Mas vamos! – ele disse firme e afastou Hyoga que fez um bico emburrado. Ikky teve de rir da expressão de contrariedade dele. Depositou um beijinho no nariz delicado – A gente continua depois, agora eu preciso mesmo falar com você. Eu quero saber exatamente o que você quer Hyoga, é importante para mim.
– Nesse exato momento eu quero te matar. – Hyoga suspirou enfastiado, Ikky riu o que deixou o louro ainda mais contrariado – Ikky o que você quer afinal?
– Eu quero entender Hyoga – Ikky suspirou – Por quê? Eu tenho uma namorada sabe, eu nunca me interessei por um cara, ninguém nunca mexeu comigo do jeito que você mexe...
– Por que eu sou especial – e Hyoga deu um sorriso presunçoso para Ikky, os olhos de céu brilhavam divertidos embaixo da franja. – Vamos Amamiya admita que você sempre foi louco por mim.
– hahaha vai sonhando pato abusado, você que sempre foi apaixonado por mim. – e os dois riram, Hyoga tocou na face do moreno, tirando o cabelo negro dos olhos dele, e ambos se fitaram em silencio por um momento vendo mais nos olhos do que as palavras podem explicar.
– Eu não acredito que você tem uma namorada. Você disse que a Esmeralda era só uma garota.
– Eh... Bem ela era. – Ikky desviou o olhar sem graça – Mas ela insistiu tanto e como eu andava meio confuso, nem me toquei muito que tinha aceitado namorar com ela.
– E agora? – Hyoga se levantou do colo do moreno irritado. Não queria admitir, mas estava enciumado e Ikky prometera ficar com ele não prometera? Por que agora admitia que estivesse namorando? Mas era óbvio que Ikky queria apenas se divertir, ele não iria levá-lo a sério. Ninguém levava ele devia estar acostumado. – Não esquece que eu falei! Tchau Ikky!
– Hyoga volta aqui! – o louro nem se importou, saiu andando irritado sem se importar se o moreno o seguia ou não, ou se estava sendo coerente.
“Ele só está curioso Hyoga, ele quer se divertir, porque é só isso que você representa, diversão” dizia a sua cabeça e Hyoga respirou fundo para conter o desanimo. Por que insistia em querer aquilo que não se pode ter? Por que tinha que ser Ikky Amamiya a mexer com os seus sentimentos, podia ser qualquer um ou podia ser ninguém.
– Você tem parar de agir como um menino mimado! Você não é mais criança! – Ikky segurou o braço dele, conseguira alcançar o louro.
– Há muito tempo que eu não sou uma criança Ikky – rebateu o louro amargo – Olha, volta lá para a sua namorada e vê se não enche o meu saco! – se desvencilhou da mão do moreno – Você só quer uma foda? Quer experimentar? Vai procurar outro.
E saiu de novo e Ikky dessa vez não o seguiu. Tinha o seu orgulho também, estava cansado de tentar entender aquele louro problemático. Talvez fosse melhor fazer o que ele falou mesmo e voltar para a Esmeralda, para a normalidade.
Hyoga voltou para o campus, mas já perdera a aula e agora teria que esperar o intervalo e aí a próxima aula. Foi para o estúdio de pintura, já conhecia aquela parte do campus porque Shun e Afrodite o levaram num tour na semana anterior. Lá não encontrou ninguém e resolveu ficar lá entre os tubos de tinta e cavaletes, estava com raiva e agora queria extravasar a raiva. Se estivesse em casa pintaria e foi o que resolveu fazer. Achou lápis carvão nas prateleiras e telas brancas, pegou uma e começou a desenhar, sem se importar com nada, apenas desenhando o que vinha na sua mente. Era um momento em que se sentia verdadeiramente em paz consigo mesmo, o modo que conseguia expor seu interior.
Absorto no seu trabalho, Hyoga não percebeu que Radamanthys entrava no estúdio, sua aula seria ali naquela tarde e sempre gostava de chegar com antecedência e preparar tudo e se espantou quando viu o garoto ali. O inglês parou na porta admirando a tela que começava a ganhar os contornos e resolveu não interferir, ficou apenas observando o rapaz começar a desenhar. Hyoga tirou o casaco e voltou a desejar, os músculos definidos se alongavam e retesavam conforme os movimentos. Ele se tornara um homem bonito no fim de tudo, pensou Radamanthys, a beleza acentuando ainda mais aquela aura sedutora e quente que ele parecia emanar. Será que era necessário? Continuou pensando, que ele fosse aquele espécime belo para atrair ainda mais desejo e luxuria para si?
– Eu sempre disse que você tem talento e está desperdiçando...
Hyoga se virou e a surpresa o fez deixar cair o lápis ao ver quem o observava.
– Não acredito – colocou as mãos na cintura, os olhos miraram o teto e um sorriso despontou nos lábios cheios. Radamanthys sorriu de volta, contagiado por aquele raro sorriso. Um sorriso verdadeiro, sem sarcasmo ou tristeza.
– How are you my dear? – perguntou em inglês para o adolescente e Hyoga se jogou em seus braços onde Radamanthys o recebeu num abraço apertado e saudoso. Seu doce amor trágico e platônico.
Hyoga não era mais do que um menino quando se viram a primeira vez, Radamanthys acabava de se formar em psicologia, contra a vontade uma vez que desejava seguir a carreira de pintor e tinha muito talento para isso. Um dia, depois de voltar do trabalho no centro de psicologia onde trabalhava recentemente, Wyvern se deparou com a cena que povoaria sua mente por muito tempo e lhe daria inspiração para a sua primeira exposição. “A face triste do anjo” foi aclamada e recebeu as melhores criticas, os quadros foram vendidos e até hoje ela era comentada. O menino estava sentado no balanço da varanda, os pés mal tocavam o chão e ele se balançava lentamente o olhar perdido em algum ponto no jardim. Usava o uniforme escolar, parecia um anjo diáfano de roupas escolares, tal era a beleza do pequeno ser. Radamanthys ficou tocado por ela e quando aqueles olhos expressivos e tristes pousaram nele o inglês sentiu algo tocar dentro de si.
– Não se mexa – pediu quando o menino ia se levantar do balanço – Deixe-me desenhar você?
Hyoga o olhou intrigado, mas obedeceu e ali começou aquela amizade doce e terna, repleta de adoração e carinho. Radamanthys foi o mestre do menino na arte, se sentia quase um mecenas ao descobrir que o jovem tinha um talento extraordinário e muita imaginação. Tudo ia bem até que seu pequeno anjo lhe surgiu com um pedido inusitado que se mostrou depois uma prova amarga da realidade sombria do garoto.
– Você dá aulas aqui?
– História da arte e arte contemporânea. – respondeu o louro mais velho – E você está estudando o que?
– Fazendo cursos complementares, específicos para escultura – eles se sentaram próximos aos cavaletes e Hyoga voltou a desenhar – É só um modo de passar o tempo até que eu possa mexer na herança e começar a esculpir...
– Pensei que a pintura fosse o seu grande amor.
– Gosto de pintar – Hyoga parou um momento analisando o desenho – mas talvez esculpir me deixe fazer coisas belas e menos perturbadoras.
– A tintas nos armários lá atrás, pincéis e palheta para que você possa misturar as tintas – indicou Radamanthys os armários mais atrás e Hyoga foi até lá voltando com o material e misturando as tintas, com pericia – Vejo que não perdeu o jeito.
– Eu continuo pintando. – Radamanthys olhou com expectativa, mas ela sumiu quando o rapaz terminou a frase – Mas eu queimo as telas logo depois. Esqueça Rada, você sabe que eu nunca vou ser famoso por elas. Só servirão para entulho!
– Azul índigo – Radamanthys trocou de assunto, não adiantava discutir sobre isso.
Hyoga assentiu distraído e continuou a fazer o desenho, depois usou a tinta, evidenciando os contornos em negro e azul, sob o olhar atento do outro louro.
– Você ainda pinta Rada?
– Menos do que eu gostaria, mas ainda pinto sim.
– Você ainda o tem? – Hyoga perguntou sem se virar, um murmúrio frio e distante e Radamanthys se retesou. Sabia que ele perguntaria.
– Tenho – respondeu gravemente – Apesar de tudo, é a melhor tela que já pintei.
– Devia ter exposto.
– Jamais faria isso com você.
– Não importa, não sou mais criança. – deu de ombros afastando-se da pintura e ele passou a mão nos cabelos, irritado – Eu sou apenas muito estúpido!
Radamanthys se aproximou para olhar a pintura melhor. O preto e o azul índigo predominavam, apenas essas duas cores eram ora nítidas, ora apagadas, dando uma sensação e evanescência sombria na tela. Meu desfocado e ainda sim, com alguns traços nítidos, principalmente os olhos, havia um rosto masculino, mandíbulas fortes, traços marcados pelo lápis carvão, os cabelos negros também. Porém o que mais impressionava no desenho eram os olhos. Pareciam vivos e penetrantes de uma forma que Wyvern julgou perturbadora. Parecia o olhar de um predador.
O sinal tocou e os tirou da contemplação do quadro, Hyoga vestiu o casaco e se foi, sem se importar em deixar o quadro para trás. Radamanthys estava recolhendo a tela quando percebeu um olhar sobre si e quando se virou, viu o mesmo olhar da tela e então entendeu.
Ikky viu a tela de relance e já ia perguntar ao homem à sua frente o que Hyoga fazia com ele quando o outro voltou a deixar a tela no cavalete. O japonês olhou para o quadro aturdido e por um minuto inteiro ficou sem saber o que dizer ou o que fazer e acabou ficando no mesmo lugar de queixo caído.
– Quem... – fora lá porque procurava Shun para avisar que não estava se sentindo bem e ia embora. Olhou pela sala onde alguns adolescentes já se sentavam ou olhavam a pintura na mão do professor e não achou o irmão – Shun? – indagou para o louro mais velho.
– Ikky Amamiya não é mesmo? – Radamanthys tinha o olhar dourado sobre o moreno e isso incomodou o segundo – Acho que isso lhe pertence – pegou a tela e estendeu à Ikky – Foi Hyoga quem fez. Cuidado a tinta ainda está fresca, ele acabou de pintar.
O leonino pegou a tela nas mãos enquanto o outro falava.
– É perturbador não? Principalmente porque traduz exatamente o que você representa para Hyoga, mesmo que subconscientemente. O predador implacável e intimidante, misterioso e distante... Que o desnuda com apenas um olhar. Também nos conta como ele se sente aos seus olhos: a presa.
– Você o conhece? – Ikky fixou os olhos no seu interlocutor, analisando o inglês pela primeira vez. Quem era aquele homem que se julgava tão intimo de Hyoga para fazer aquelas observações?
– Muito bem... Pegue, é sua. Ele provavelmente vai destruí-la como todas as outras. Ele tem um talento impar e, no entanto não acredita nele, assim como não acredita em ninguém e no que sente... – Não o magoe, ele não vai sobreviver a isso.
– Sobreviver? – Ikky sentiu seu sangue gelar com aquela ultima frase, mas sem mostrar como aquilo mexeu com ele, pegou Radamanthys pelo pulso e o fez encará-lo – Quem é você? O que quer com Hyoga?
– Eu só quero que ele seja feliz. Ikky, fale com Kamus e venha a minha casa amanhã junto com os irmãos do Hyoga – Radamanthys se desvencilhou da mão do moreno – Será importante que você esteja lá. Eu me chamo Radamanthys de Wyvern, eu conheci Hyoga há algum tempo... Eu sou psicólogo e Kamus me procurou para ajudar. Venha Ikky, acredito que você é a peça chave para ajudar Hyoga a sair desse poço escuro.
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