Notas iniciais
Oiieee Digam para mim que vocês não em abandonaram? Aqui vai mais um capítulo da fic e eu não vou ficar enrolando muito só queria agradecer os reviews e o carinho da Suh, Camy, Sheilinha, Lulu Chan e a todos os leitores que não comentam, mas acompanham na surdida

– Por que eu ainda sinto muito sono? – Hyoga resmungou esfregando os olhos enquanto o médico ditava as ultimas recomendações a respeito da saúde do paciente. Já fazia um dia e meio que havia saído do coma e mesmo que tivesse dormido por todos aqueles dias ainda se sentia cansado.

– É o corpo se adaptando aos poucos e ainda efeitos dos sedativos que estavam sendo ministrado, eu os suspendi e logo você poderá ficar mais acordado. – respondeu o médico visivelmente satisfeito – A confusão mental também é normal. – virou-se para Kamus e Ahalya que permaneciam no quarto, Ikky estava cuidando novamente da burocracia, dessa vez da alta médica – Com o passar do tempo você vai lembrar mais de tudo e se situar no tempo. Agora eu vou passar o diagnostico para o hospital e cuidar da alta dele com o advogado. Que bom que está bem meu rapaz, você teve muita sorte!

– Sorte por quê? – Hyoga olhou para o médico confuso e percebeu o olhar trocado entre ele e a família antes de o doutor ir embora do quarto com Kamus. – Maa cadê todo mundo? Cadê o Shaka? Por que o médico fala francês?

– Hyoga tente dormir meu anjo. – a indiana acariciou os cabelos do filho e mordeu o lábio para controlar a aflição de vê-lo naquele estado de confusão.

Hyoga acordara tão desorientado que demorou a assimilar que estava no hospital e até aquele momento ele não lembrava porque tinha parado ali. Aparentemente ele não se lembrava da viagem a trabalho para Paris nem que tinha terminado com Ikky, seu cérebro havia de alguma forma bloqueado aquelas lembranças ruins de sua mente.

– Não quero... – ele lutava para manter os olhos abertos, mas a sonolência acabou vencendo e ele dormiu de novo.

No corredor Kamus conversava melhor com o médico.

– Prescrevi um calmante leve para ele, vai ajudar para que ele não fique agitado por conta de não lembrar nada. – ele informou ao ruivo – As lembranças chegaram aos poucos então muito cuidado com o que forem conversar com ele. Já falei com o senhor Amamiya sobre isso e com o senhor Henry Bertrand. Também receitei um antidepressivo para que ele tome durante esses dias até que volte a Grécia e volte para o psicólogo. Você havia me dito que ele estava em tratamento...

– Sim ele estava no inicio ainda do tratamento com o Dr. Wyvern.

– O Dr. Wyvern é um ótimo psicólogo Sr. Bertrand, o que aconteceu ao seu irmão foi uma fatalidade, um caso isolado que teve vários fatores e por conta de todo o isolamento do paciente e nessa fase do tratamento realmente ele não poderia ter feito mais do que fez para evitar – explicou o senhor com a mão no ombro do homem mais novo – Seu irmão tem traumas terríveis que escolheu esconder sob uma capa de autossuficiência, uma armadura muito difícil de transpassar se o próprio paciente não quiser. Agora quem sabe ele perceba que precisa do tratamento para lidar melhor com seus medos e com a sua própria vida.

– E quando ele lembrar doutor? – Kamus perguntou calmamente, mas o médico percebeu o alarme no olhar castanho avermelhado.

– Ele precisará de apoio e a família é muito importante nesse momento. Agora preciso ir senhor Bertrand para tratar da liberação da papelada e amanhã de manhã o Hyoga terá alta.

Kamus assentiu e voltou para o quarto com a mãe e antes de entrar Ikky se juntou a ele. Encontraram Hyoga dormindo e Ikky estranhou indo para perto do russo.

– O médico disse que é normal – Ahalya explicou ao moreno antes que ele verbalizasse a preocupação – Tudo resolvido Kamus? Ikky?

– Só falta o laudo do médico e ele está livre desse hospital.

– Vamos para o hotel mãe eu preciso resolver um monte de coisas e deixar tudo pronto para partirmos – Kamus acariciou a mão do jovem adormecido na cama e afagou o ombro de Ikky.

– Vamos resolver tudo no hotel para você Ikky e amanhã eu trarei roupa limpa e suas coisas, nós finalmente vamos voltar para casa! E com o meu filho acordado Chukriá Buda!

Ahalya deu um beijo na fronte de Ikky e se foi com Kamus deixando o moreno com o paciente “’adormecido” que ao perceber a porta se fechar abriu os olhos azuis de céu e os fixou no moreno em um olhar desafiador.

– Agora sim frango você vai me contar tudo que está acontecendo!

– Seu pestinha você fingiu que dormia. – Ikky o repreendeu de leve se sentando na cama ao lado do louro.

– Ikky! – Hyoga se empurrou na cama até sentar segurou a cabeça entre as mãos num gesto aflito – Eu... Por que eu tô aqui?!

– Você não lembra pato? – Hyoga balançou a cabeça e Ikky se moveu na cama para aninhar Hyoga em seus braços – Você precisa lembrar amor. O médico disse para não conversarmos sobre isso com você, mas já que quer tanto saber você precisa lembrar primeiro.

Hyoga fungou junto ao pescoço de Ikky e deixou que aquele cheiro tão familiar e bom enchesse seus pulmões tentando forçar as lembranças a virem, mas não conseguia. Sentia que algo estava errado, que tinha feito uma enorme besteira, porém não conseguia lembrar exatamente o que.

– Eu fiz uma enorme besteira não é? – ergueu o rosto para encarar o namorado – Eu fiz de novo não fiz?

– Vem cá. – Hyoga voltou para os braços do namorado e Ikky tomou os lábios dele com carinho e saudade, sentindo a macies da boca vermelha que tanto gostava de beijar. Como sentira falta daquilo! – Esquece um pouco isso, já passou e você está aqui comigo e isso é muito bom.

– Ikky eu... – Hyoga se lembrou da conversa com Radamanthys – Eu ia terminar com você – e agora alguns flashes mais e o lourinho olhou para Ikky de olhos arregalados – Nós terminamos! Ikky meu deus... Você! Perdoe-me Ikky, eu sei que devia ter...

– Shiu... – colocou o dedo nos lábios de coração e Hyoga estava estranhando a serenidade do moreno sempre tão esquentado e impulsivo – Já passou, esquece. Eu te amo Hyoga, nunca se esqueça disso.

Hyoga se jogou nos braços de Ikky o beijando com paixão e fome, ansiando demais por aquele gesto para se sentir inteiro. Com Ikky tudo parecia mais fácil, até mesmo aquela escuridão dentro de si. Aqueles dias em que esteve em Paris antes do desfile em que se sentia dilacerado pela falta do moreno ele percebia que era tarde demais para abdicar de Ikky e mesmo assim se conteve em procura-lo. Agora o japonês estava ali com ele no hospital depois daquela confusão que ele não se lembrava... Talvez tenha tido uma crise de estafa por conta do trabalho todo, das noites mal dormidas e da tristeza. E mesmo depois do modo como deixara o moreno, Ikky estava ali para ele e era mais do que Hyoga podia querer.

Uma batida na porta e eles se afastaram ofegantes e com um sorriso emocionado nos lábios que morreu em Hyoga quando viu quem estava entrando pela porta.

– Eu pensei que você dormia... – Henry estacou quando viu o olhar cheio de magoa do rapaz sobre si.

– O que veio fazer aqui?! – gritou o russo e então ele estacou quando as lembranças começaram a jorrar na sua cabeça e ele fitou Ikky confuso e seu olhar voltou ao pai até que seus olhos baixaram para as mãos jogadas na cama e ele disse com um sussurro – O que foi que eu fiz?

Ikky emudeceu quando Hyoga o olhou, não havia lagrimas nos olhos dele, mas havia culpa e vergonha. Eram sentimentos conflitantes.

– Eu vou embora...

– Não Henry fica – Ikky se ergueu e disse Hyoga olhou para o namorado com raiva. Não queria enfrentar o pai naquele momento – Escuta Hyoga, o Henry veio aqui todas as noites ver você. Ele vem aqui quando você estava dormindo e quando ninguém está aqui além de mim porque ele não quer causar confusão ou outra coisa. Ele me ajudou a trazer você para cá... Acho que vocês precisam conversar.

– Não é o melhor momento Amamiya.

– Então nunca haverá um bom momento Henry! – o moreno se impacientou – Você sempre vai fugir desse assunto? Nós vamos embora amanhã e você vai à Grécia depois para finalmente conversarem?!

Sem esperar a resposta de Henry Ikky saio do quarto fechando a porta atrás de si. Sabia que estava sendo um pouco precipitado, mas acreditava que aquela conversa era fundamental para a recuperação de Hyoga. Queria que seu louro finalmente se livrasse daqueles fantasmas no armário e para começar deveria ser acertar com o pai.

No quarto Henry e Hyoga ainda permaneciam em silencio sem se mexer. Hyoga olhava pela janela sem nada ver realmente, não querendo encarar o pai e o remorso que parecia estampado no rosto dele. Henry por sua vez procurava uma forma de falar com o filho que não via por muito tempo, tentava achar uma maneira de pedir que ele o perdoasse.

– Eu ouvi o que você disse – Hyoga quebrou o silencio e Henry se virou para olhá-lo – Antes, para a mamãe sobre o que houve com a minha mãe verdadeira e Vladimir... Sobre você não saber de nada.

– Eu não sabia Hyoga. – Henry ousou se aproximar um pouco mais da cama e apoiou suas mãos na proteção, sua vontade era de tocar no filho, mas tinha medo da rejeição – Eu sei que tem motivos para me odiar, mas eu achei que estava fazendo o certo quando enviei você para Vladimir – Hyoga deu um meio sorriso amargo e ainda continuou com os olhos na paisagem da janela – Ele sempre foi um grande exemplo para mim. Desde a minha adolescência, Vladmir era amigo do meu pai e meu ídolo porque sempre foi tão correto e perspicaz, tão justo... Havia Natássia também e nós éramos amigos desde muito tempo quase crescemos juntos e foi tão natural que surgiu a possibilidade de casar com ela que não achei nada demais quando Vladimir e meu pai acertaram nosso casamento.

– O seu ídolo justo e correto era um molestador, um doente que torturava a própria filha e depois... – o rapaz finalmente o olhou – Eu não vou repetir aquilo tudo novamente, admita que no fundo você sabia. Por que não foi me ver? Por que não foi me tirar de lá quando teve chance? Você viu que Vladimir estava mentindo e obrigando o médico a mentir e não fez nada para impedir.

– Você tem razão em me odiar pela passividade e por não enfrentar Vladimir – Henry respirou fundo se sentia o mais fracassado dos homens porque apesar da carreira politica ele não conseguira salvar a própria família – Eu estava num momento crucial da minha carreira e Vladimir como sempre me apoiou pediu que eu o levasse para ele, disse que ia me ajudar a educar você já que parecia tanto com a sua mãe... No fundo eu achei que Vladimir poderia fazer com que você fosse diferente de Shaka e Camus.

Hyoga olhou para o pai surpreso por aquela confissão e logo a surpresa foi substituída pela raiva. Henry nunca ia aceita-los era isso? Ele abomina os próprios filhos! Pensou amargo o rapaz.

– Eu sabia...

– Hyoga você tem que tentar se colocar no meu lugar... Não é fácil para um pai aceitar que de alguma forma falhou com os próprios filhos. – Hyoga abriu a boca para retrucar, mas Henry tocou em seu ombro para que ele ficasse em silencio e continuou – Não é fácil para eu admitir também que estava completamente errado ao pensar isso e vejo isso agora, porém na época eu tinha ideias erradas de tudo isso e Vladimir para me guiar em uma decisão totalmente equivocada. Entenda meu filho, se eu tivesse o mesmo discernimento que tenho agora tudo seria diferente.

– Você nos odeia? Odeia meus irmãos e a mim por termos decidido seguir nossos corações e a nossa vida da forma que queremos e não como você queria? – perguntou Hyoga depois de um tempo em silencio, Henry ainda permanecia com a mão em seu ombro e pelo gesto sentia que o pai tremia levemente – Por que sempre pareceu que você me odiava.

– Eu amo você Hyoga e amo seus irmãos. – Henry disse sentido. Doía saber que o filho pensava aquilo sobre si e imaginava o que Shaka e Kamus diriam quando enfim conversasse com eles. Achava que eles jamais lhe perdoariam e mesmo que soubesse que não tinha direito a isso, ainda sim doía – Eu tenho orgulho de vocês. Como não teria vendo os homens que se tornaram? Shaka com o seu restaurante e o escritório de contabilidade, Kamus com a universidade e agora com toda essa fama que apesar de me parecer inusitada ele parece outra pessoa! Mais forte e confiante... E você mon ange depois de tudo ainda sim... Essas noites em que passei vindo aqui, vendo-o lutar para viver e lembrando as coisas que me disse aquele dia e no quão infeliz eu tornei a sua vida... – Henry pegou os dois ombros de Hyoga e o fez olhá-lo – Ah Hyoga eu falhei terrivelmente com você e sei que não tenho esse direito, mas eu juro que vou não remediar, não posso apagar seu passado nem aquelas coisas terríveis, mas eu posso ser um pai melhor eu só queria uma chance. Será tarde demais para nós meu filho?

– Talvez seja pai – Hyoga respondeu em um murmúrio dolorido e Henry estancou, seu coração pesado por aquela constatação e as mãos abandonaram os ombros do filho e ele se permitiu deixar escorrer as lágrimas que a custo segurava.

“O que esperava?” pensou amargo, faria a mesma coisa se fosse consigo. Hyoga era a própria Natássia, jamais lhe perdoaria e por isso deveria se conformar. Mas algo dentro de si se recusava a aceitar, não iria desistir! Precisava reconquistar o amor dos filhos nem que para isso tivesse que trabalhar arduamente, mudar-se para Grécia, estar perto. Queria sua família de volta e a teria.

Henry beijou o topo da cabeça do filho e saiu do quarto, deixando o lourinho sozinho olhando a noite fria pela janela com a expressão inalterada. Quando o pai fechou a porta Hyoga abraçou-se a si mesmo tentando de alguma forma não desabar, tentando conter aquele desespero desolador da outra noite que o levou a sucumbir e então Ikky voltou ao quarto e foi direto a cama e o tomou nos braços beijando-lhe os lábios murmurando que estava ali e o amava. Aquele sentimento ruim foi aos poucos cedendo lugar ao calor dos braços do moreno, aquele sentimento pungente que os unia.

– Me perdoa? – Hyoga segurou o rosto de Ikky entre os dedos longos olhando-o profundamente – Por ser um estupido e idiota ao me afastar de você? Ao lhe impor aquelas coisas?

– Não fala nada agora, a gente...

– Shiu... – pousou dois dedos nos lábios carnudos – Eu preciso. Ikky eu me sentia um lixo quando estava com você porque eu não conseguia aceitar me entregar sem sentir culpa, mesmo sabendo que você nunca me trataria como Vladimir! Mesmo amando você. – Hyoga precisava desabafar aquelas confissões, antes com o pai e agora com Ikky, eram como uma torrente que precisava ser libertada ou ele entraria naquele abismo escuro mais uma vez e isso ele não ia permitir – Me perdoa se eu não conseguia dividir isso com você, por não confiar! Mas eu juro que agora vai ser diferente porque eu não quero mais ficar longe de você, não quero te perder...

Hyoga tomou os lábios de Ikky nos seus mostrando no beijo toda a urgência que sentia em ter o namorado. Agora estava tudo claro em sua mente e os fantasmas aos poucos começavam a deixar aquele quarto escuro que era o seu interior. Não importava como teria Ikky, só o que importava era que ele estivesse ali com ele.