Ele não está tão Afim de você
22 Capitulo 22
Notas iniciais
– Coloque esses arranjos ali. – Shaka indicou com o dedo os locais que queria os arranjos de flores e os garçons apressaram em lhe atender.
Era mais um dia comum no Massala e logo o restaurante abriria para receber seus clientes, Shaka olhava a organização de tudo atentamente como sempre. Detalhista e perfeccionista, o virginiano era um pouco tirano com cada detalhe dentro do seu restaurante assim como com a contabilidade. Saga era o rei da cozinha com o seu general Shura e o indiano reinava no resto e por isso a parceria deles era um sucesso.
– Nós vamos terminar o livro hoje Shaka? – Aiolos veio até o salão enquanto mexia no tablete – Diga que sim!
– Talvez, preciso voltar cedo para casa porque quero ver Hyoga. – respondeu ainda com os olhos azuis fixos na mocinha que arrumava os centros de mesa – Não querida, eles são no centro da toalha e ela está errada, é para fazer contraste com a verde escura debaixo, não cobri-la – ordenou na sua voz tranquila.
– Então tudo bem. – Aiolos deu um muxoxo – Shaka porque você não está me olhando ultimamente?
– Quando eu superar a visão de você vestido em uma roupa de látex talvez eu volte a olhá-lo. – Shaka se virou para a entrada do restaurante e o Maître trazia um senhor até ele – Não acredito!
Aiolos se virou também a tempo de ver Henry Bertrand hesitar ao perceber a hostilidade no olhar do filho. O grego olhou de um para outro e achou melhor correr e procurar Saga, qualquer coisa que acontecesse ali, o geminiano poderia contornar a situação.
Mesmo sentindo a hostilidade de Shaka, Henry continuou se aproximando e o indiano permaneceu encarando-o em desafio. Não iria baixar a cabeça para o pai seja lá o que fosse que ele viera fazer ali.
– Bom dia Shaka – cumprimentou Henry amável olhando ao redor – Tem um belo restaurante.
– O que faz aqui? – rebateu Shaka ríspido.
– Vim vê-lo – o indiano abriu mais os olhos, surpreso pela resposta do pai e lambeu os lábios, apreensivo. Saga veio da cozinha nesse momento e se colocou ao lado do marido.
– Bom dia Henry. – cumprimentou Saga ao chegar, estendendo a mão para um aperto que Henry aceitou se surpreendendo pela recepção formal, porém menos hostil do “genro” .
– Belo restaurante, ouvi muitos elogios de alguns amigos e as notas dos críticos mais conceituados – tagarelou Henry para disfarçar o desconforto que o olhar penetrante de Shaka lhe causava. Admirava aquela fleuma do filho mais velho, do quanto ele podia parecer intimidador apenas com aquele olhar perscrutador – Aproveitei que estava na cidade e vim conferir pessoalmente.
– Ainda estamos fechados – Shaka falou um tanto duro – Poderá vir almoçar aqui em algumas horas e poderá saber por que tantos elogios. Agora se me der licença...
– Shaka. – chamou Henry antes que ele se afastasse – Eu preciso falar com você.
Shaka fechou os olhos por um momento e respirou fundo tentando achar seu ponto de equilíbrio, mais do que nunca precisava dele. Ouvira do irmão e da mãe que Henry havia ido ao hospital e dissera todas aquelas coisas e que estava arrependido, já esperava que ele surgisse em Atenas em algum momento. O quase suicídio de Hyoga transformara Henry, mas não apagara as lembranças que ele Shaka tinha do pai, mesmo que ele ainda o amasse. Henry foi o único pai que conheceu, foi seu porto seguro por muito tempo e sempre o admirou e além da dor da rejeição, havia a decepção de seu ídolo ter pés de barro.
– Que tal chá gelado para esperar o almoço? – Saga interveio apaziguador – Podemos tomar lá dentro no seu escritório amor? – Shaka ia abrir a boca para protestar, mas Saga o pegou delicadamente pelo cotovelo – Ah claro que sim! A vista da praia é linda. Aceita chá Henry?
Saga não esperou a resposta de Henry, conduziu o marido e o sogro para o escritório do louro e depois de acomodá-los lá foi buscar o chá gelado. Ao entrar na cozinha do restaurante Shura o olhou apreensivo.
– Você os deixou sozinhos?
– Por enquanto. – Saga olhou para Shura com um sorriso nervoso nos lábios – Reze espanhol para que eles se acertem ou vou capar você!
– Mas eu só estou tentando ajudar! O Henry me pediu e achei que Shaka também... – Shura coçou a nuca sem graça – Não é muito legal você não poder contar com o próprio pai Saga, você não sabe o que é isso porque tem Dionísio, mas eu sei e cara... Não é legal.
– Acho que você pode ajudar e fazer um chá calmante para o seu louro mano. – Kannon apertou o ombro de Shura em solidariedade enquanto falava com o irmão – Acho que dessa vez vai! O Henry tá arrependido.
***
Shaka sentou na sua poltrona olhando o pai andar pelo pequeno cômodo olhando as fotos espalhadas pela parede e estante.
– Fotos muito bonitas – comentou o mais velho.
– Saga adora fotografar e gosta de tirar fotos de todos e encher todos os cômodos com elas – Shaka remexeu no peso de papel da mesa demonstrando sua inquietação – O que veio fazer aqui realmente pa... Henry?
– Ainda o ofende me chamar de pai?
Henry parou em frente ao filho fitando aqueles olhos plácidos que agora pareciam perturbados e temerosos.
– Ouvi uma vez que Henry Bertrand não era meu pai porque ele nunca teria um filho gay – respondeu o indiano com um sorriso cheio de ressentimento – E agora ele tem três? Por que só agora? Veio pedir perdão?
– Não. – Shaka se surpreendeu com a negativa firme do pai e seu estomago se revirou com o pensamento de que se Henry não estava ali para se desculpar, estava ali para tripudiar dele – Eu só queria vê-lo Shaka, sei que o que fiz é imperdoável, mas espero que um dia eu possa voltar a ouvir você me chamar de pai com o mesmo amor e respeito que eu ouvia dizer quando tinha onze anos – Henry segurou o encosto da cadeira à sua frente – Se havia algo que me orgulhava, era o amor e admiração que você e Kamus tinham por mim.
– Admiração e amor que você jogou no lixo na primeira oportunidade – rebateu o indiano amargo – Não é algo que simplesmente você consiga esquecer.
– E você está certo em não esquecer, eu mesmo não consigo me perdoar por todas as coisas que fiz então não espero perdão de vocês. O sofrimento que infligi a minha própria família não tem perdão.
– Então porque veio aqui? – Shaka conseguiu manter o tom composto mesmo que sentisse um vórtice de sentimentos com as palavras do pai. Nunca vira Henry tão exposto como naquele momento e isso o tocou fundo.
– Não quero nada Shaka, já disse. Você me dará o que achar que deve – Henry ergueu os braços e os deixou cair ao longo do corpo. Sentia-se cansado e derrotado, mas precisava dizer tudo que queria ao filho, talvez fosse sua única oportunidade de se redimir – Eu apenas quero que saiba que me orgulho de você, das coisas que conquistou e da pessoa que se tornou. Sabia que eu vinha sempre aqui quando vinha à Grécia? Nunca deixei de vê-los mesmo de longe – Henry suspirou – Você, Kamus... Acompanhava de longe o seu sucesso no restaurante e no mundo acadêmico.
Henry respirou fundo e deu o primeiro sorriso desde que chegara ali.
– Um dia vim jantar aqui e vi você Saga e Dionísio, aquele grego espalhafatoso como só ele consegue ser! Ele tinha você sob um braço e Saga ao outro enquanto falava e gesticulava alto e todos riam em volta – a essa altura Henry não conseguia segurar a emoção e sua voz falhou – Dionísio lhe deu um beijo na testa e o abraçou forte e pude ver que ele lhe parabenizava por algo, havia muito carinho ali... No dia seguinte eu soube que você havia concluído seu mestrado em economia aplicada. Nunca tive tanta inveja de alguém na vida quanto tive de Dionísio aquela noite Shaka! Era eu quem devia estar lá com os braços ao seu redor, lhe dando um beijo nos cabelos e dizendo o quão orgulhoso eu estava de você. Que Deus e John haviam me dado um filho perfeito.
Como refletida no rosto de anjo do mais jovem, uma lagrima solitária rolou pela bochecha de Henry. Uma testemunha silenciosa da grande comoção que tomava a ambos. O pai se aproximou devagar e impelido pela passividade de Shaka se aproximou até depositar um beijo no alto da cabeça do filho que ainda permanecia sentado e mudo.
– Eu tenho orgulho de você mon ange. – disse Henry cheio de carinho – Perdoe-me por não ser um bom pai. Eu amo você.
O Bertrand mais velho se afastou para a porta e antes que a abrisse Saga entrou quase se chocando com o sogro.
– Saga Acrisius eu queria mesmo falar com você antes de ir – Henry bateu no ombro do genro – Obrigado por cuidar e amar meu filho e me perdoe se eu não reconheci isso antes.
Henry saiu do escritório antes que Saga dissesse qualquer coisa e o grego foi até Shaka preocupado com o estado emocional do indiano que ainda permanecia mudo e lacrimoso na sua poltrona. Então Shaka se levantou de repente e correu porta afora há tempo de ver o pai atravessando as portas de vidro da saída.
– PAI! – gritou e Henry virou com o coração aos pulos por ouvir aquela pequena palavra dos lábios do filho mais velho – Eu ainda não posso perdoa-lo... Não ainda, mas eu amo você!
Henry não pode conter o sorriso e as lagrimas que embasaram sua visão ao ver Shaka vir até ele e quando o indiano se aproximou e o tomou nos braços num aperto aliviado e cheio de amor que fez com que todos em volta se emocionassem. Shura e Aiolos trocaram olhares cumplices com Saga e o sagitariano apertou a mão do espanhol um gesto de consolo e agradecimento. Como amigo de Shaka, Aiolos sabia que o afastamento do pai era como uma chaga na felicidade do indiano e que Shaka só seria feliz completamente quando tivesse a aprovação do pai. Agora tudo sim seria perfeito.
***
– Eu preferia ter ficado em casa a ver essa gente me olhar com essas expressões de “Você não é aquele modelo que tentou se matar?” – Hyoga resmungou se sentando na cadeira com um ar irritado, Shun e Afrodite sentaram-se também os três se preparando para degustar seus lanches depois do cinema.
– Não exagere Hyoga, ninguém se lembra disso. – tentou amenizar Shun.
– Mais aquela mulher que abraçou Hyoga e recitou quase toda a Bíblia para mostrar que só Jesus salva acho que lembra até demais – Afrodite revirou os olhos – Mas você não pode ficar enfurnado naquela casa para sempre benzinho.
– E os planos para o fim de semana com o Ikky?
– Depois de seu irmão adiar eles duas vezes por conta do trabalho, acho que dessa vez rola. – Hyoga passou a mão nos cabelos – Eu já estou subindo pelas paredes!
– Sem sexo? – Afrodite arqueou a sobrancelha e o russo confirmou com a cabeça
– Desde que voltamos para Paris. A justificativa dele é que eu ainda estou me recuperando e que ele quer fazer algo especial, mas eu não aguento mais! Só pode ser castigo porque não é possível. – tomou o suco – Eu já falei que desencanei daquela historia de revessar e tudo mais, já retomei as sessões com o Rada... Mas nada! Tem carinho, ele continua aquele namorado apaixonado e tudo, mas não transamos! Ele deve estar pegando umas dicas com o Aiolia.
– Por falar em Aiolia e aí como está tudo Shun?
– Não está Afrodite – Shun deu de ombros – Eu e o Aiolia terminamos.
– Vocês terminaram?! – exclamaram Afrodite e Hyoga ao mesmo tempo.
– Foi melhor assim. Eu e o Aiolia não estávamos mais fluindo como um casal – Shun pensou um pouco mexendo no seu refrigerante – A gente não tem mais aquela sintonia sabe, aquele fogo de estar apaixonado... Sem perceber nos tornamos amigos que vão para cama e isso não pode acontecer num relacionamento. Quando ele me propôs casamento eu percebi que não amava ele tanto quanto imaginava porque se eu não quero passar a vida inteira com ele, faz sentido a gente namorar? Sei lá pode ser que eu me arrependa lá na frente, mas por hora é isso mesmo. O próprio Aiolia me confessou que só me pediu em casamento porque achava que devia já que todo mundo da turma parece estar casando e a gente já namora há tanto tempo...
– Todo mundo não! Seu pai insistiu com o Ikky, mas nós concordamos que não importa isso agora – Hyoga disse enfático – Nós estamos bem e nos amamos independente de casados ou não. Ainda é cedo demais!
– Eu também terminei com o Ângelo – Afrodite disse baixo, meio triste – Mas não foi por querer... É que ele não consegue ser fiel e eu não vou suportar! Eu capo aquele carcamano filho da puta se pegar ele com alguém de novo...
– Ah Dite! – Shun abraçou o amigo e Hyoga estendeu a mão sobre a mesa para pegar a dele.
– Vou aproveitar e viajar, Valentine me indicou um curso de três meses em Nova York. Ele acha que eu poderia fazer esse curso de cinema lá e depois voltar tranquilamente para a faculdade. – disse se desvencilhando dos amigos e limpando os olhos marejados – Eu vou esquecer o Ângelo! Você podia vir comigo Shun, ia ser bom para você também. Ficar longe um pouco, conhecer coisas novas.
– No mínimo seria interessante. – Shun mordeu o lábio, expressão marota – Já imaginou nós dois sozinhos em Paris Afrodite?
– Só não se apaixonem um pelo outro, por favor. – Hyoga comeu o sushi falando de forma displicente e apontando com os hashi para os outros dois – Sabe como é passividade demais em um casal só.
– Cachorro!
– Seu cretino. – Shun bateu na cabeça dele e Hyoga levou um chute por baixo da mesa de Afrodite.
– Aquele ali não é o Seiya? – disse o russo para evitar mais agressões.
O trio olhou para Seiya que conduzia uma sorridente Saori para uma mesa mais afastada de onde estavam os amigos. Se o japonês notou os outros não demonstrou, preferindo seguir com Saori tagarelando ao lado dele satisfeita demais.
– Ele voltou com a Saori?! Não é possível...
– E o Hyoga diz que nós somos passivos – Afrodite estalou a língua ainda com os olhos azuis fixos na mesa onde o casal trocava carinhos – Quer prova maior que o Seiya é um bundão do que voltar para a Saori? E essa garota por Atena! É estupida ou o que? Aceitar ele de volta depois de saber que ele estava com o Shiryu?
– O fato é que o Seiya não gostava realmente do Shiryu – Hyoga disse irritado – Ele só estava curioso ou não o deixava de bandeja para o Aiacos. Quer saber? Saori e Seiya se merecem!
Falando mal da vida alheia que feio!
Milo surgiu de repente, assustando os três com a sua presença repentina:
– Parecem três patricinhas recalcadas!
– E você Barbie ninfomaníaca, cansou de torturar o meu irmão?
– Se você soubesse que ele é o torturador da relação...
– Eu sei – Hyoga riu com desdém.
– E então o que fazem além de falar mal da vida alheia?
– Só dando uma volta e você Milo?
– Vim almoçar, trabalho aqui perto Shun. E como você está pequeno tirano? Saiba que o meu irmão está sofrendo muito sua pestinha.
– Ah Milo não fala assim! Eu fico me sentindo um monstro... – Shun baixou os olhos sentido.
– Mas você é!
– Milo! – ralhou Afrodite e afagou os ombros claros de Shun que deixou que a sua cabeça repousasse nos ombros do sueco. O grego olhou para Hyoga que só fez dar de ombros.
– Desculpa Shun eu não resisti em ver essa sua cara desolada – Milo sorriu zombeteiro – Aiolia está muito bem se quer saber. Ele está saindo com Marin Price. – Milo se deleitou com as caras de espanto em volta – Sim! Depois do programa em que Hyoga participou eles trocaram telefone porque o Aiolia descobriu que eles fizeram a sexta série juntos já imaginou? Sexta série com Marin Price e zás! Milhões de coisas em comum.
– Shun o Aiolia está saindo com Marin Price e você se contentando com o Afrodite. – Hyoga não conseguiu deixar de escarnecer – Que fase hein amigo!
Milo e ele gargalharam para acabar com o serviço, Shun olhou para os dois com a maior cara de desalento enquanto Afrodite esbravejava uma série de xingamentos.
***
Hyoga chegou em casa no inicio da tarde e depois de se despedir de Shun foi direto para o seu estúdio. Aaliyah estava na sede da ONG na Grécia, agora que tudo estava bem a indiana voltara para as suas criancinhas e refugiados de guerra, Kamus estava em mais um dos seus ensaios fotográficos e Shaka no restaurante. O russo ficaria em casa sozinho até o anoitecer.
Trocou a roupa pelo seu velho jeans manchado de tinta e abriu as janelas do estúdio para deixar que o sol da tarde iluminasse tudo, enquanto preparava seu material para pintar, colocava suas musicas para lhe inspirar. Desde que voltara para casa não tinha pintado nada com todas as coisas que tivera que resolver naqueles dias atribulados. Agora tinha seu tempo livre outra vez já que largara a repentina profissão de modelo e só fazia agora as sessões com Radamanthys, além de ter voltado para as sessões e para os cursos livres na faculdade. Ainda estavam na fase do “cuidado”, tendo a atenção excessiva, os remédios e tudo mais. Mas pela primeira vez em muito tempo ele sentia que estava retomando sua vida e sentindo em paz consigo mesmo.
Estava vivendo um dia de cada vez e suas pequenas porções de felicidade e para Hyoga aquilo se não era o suficiente, era mais do que ele esperava. A única coisa definitiva em sua vida naquele momento era Ikky, o homem da sua vida e seu amor.
Começou a misturar as tintas e a dar as primeiras pinceladas precisas e firmes sobre a tela branca que pouco a pouco ganhava cores intensas como aquele entardecer ensolarado que se via pela janela. Ficou absorto naquela tarefa por muito tempo até sentir braços fortes cingindo sua cintura e um nariz aspirar à curva do seu pescoço com vontade.
– Boa Tarde louro. – Ikky apertou Hyoga junto a si e o russo se virou em seu abraço para tomar-lhe os lábios num beijo saudoso.
– Pensei que só o veria à noite doutor Amamiya – murmurou junto aos lábios do namorado.
– Shiryu desmarcou a reunião com os clientes do banco que levariam toda a nossa tarde – Ikky riu de lado – Alguma coisa me diz que isso tem dedo daquele maluco do Aiacos! Shiryu não faz esse tipo de coisa – Ikky esticou o pescoço para olhar melhor a tela – Pintando flor da Sibéria? Que maravilha!
– Flor da Sibéria é a puta...
– Ei respeita a minha mãe! – Ikky bateu de leve na bunda do louro – Que tal trocar esse jeans para sairmos? Não que eu não goste dele bebê, mas é que você andando com ele por aí não é algo que me deixa muito feliz.
– Não quero sair, quero ficar aqui – Hyoga largou os pincéis e começou a ajeitar seu material de pintura – Que tal a gente subir e namorar um pouco frango?
– Não me provoque. – o olhar de Ikky já estava escuro só de ver o louro sem camisa e naquele jeans justo, mas não podia ultrapassar o sinal. Quando Hyoga estivesse realmente curado eles teriam o momento deles.
Hyoga não se intimidou com a advertência e se aproximou outra vez de Ikky, mas sem tocá-lo, lambendo os lábios dele de forma provocante.
– E se eu não quiser? – um sussurro baixo e rouco que agiu direto nas terminações nervosas de Ikky excitando-o. Hyoga sabia como ser sedutor e provocante e Ikky sabia que quando ele agia assim era quase impossível resistir.
– Se eu implorar? – Ikky puxou o ar com força quando sentiu a mão macia acariciar sua ereção por cima da calça social, enquanto o louro puxava a gravata do advogado esmagando os lábios dele num beijo possessivo e faminto. – Louro o nosso fim de semana... – tentou argumentar quando Hyoga se afastou dele para ir trancar a porta do estúdio – Eu tenho planos incríveis para nós dois naquela cabana na praia em Laka! Você já conhece Laka? É uma ilha linda com uma paisa... – as palavras morreram no moreno quando visualizou o louro voltando até ele nu em pelo, o corpo glorioso banhado pela luz do fim da tarde. Hyoga ainda não havia recuperado totalmente o corpo que tinha antes da tentativa de suicídio, só voltara à academia e o muay thai só aquela semana. Porém não perdera tanta massa muscular assim, apenas estava mais languido e curvilíneo.
“Ainda continua uma delicia” constatou Ikky lambendo os lábios de repente secos, os olhos não conseguiam desviar do homem que vinha em sua direção com um olhar predador. Encurralando Fênix entre a mesa de trabalho e ele, Hyoga exigiu a boca do moreno em um beijo profundo e lascivo que minou o resto do autocontrole do japonês.
Ikky segurou a nuca de Hyoga firmemente prendendo no lugar para degustar aquela boca quente do jeito que quisesse, o louro se arrepiou inteiro ao sentir que finalmente o moreno se entregaria a excitação. Estava exultante! Ikky continuou com o beijo duro, sugando os lábios, mordendo-os até invadir de novo a boca carnuda e explora-la com a língua exigente.
– Você me enlouquece. – murmurou o russo de olhos fechados e um sorriso deliciado no rosto quando Ikky deixou seus lábios para provar a pele do pescoço e ombros — Eu amo você.
– Também amo você – a voz de Ikky estava entrecortada pela excitação, mas causava um leve tremor de desejo no corpo do outro. As mãos passeavam pelo corpo alvo, marcando, apertando a carne tenra e os lábios e a língua brincava com os mamilos rosados fazendo Hyoga jogar a cabeça para trás e gemer alto.
Hyoga se afastou para Ikky se livrar das roupas, a ereção pulsante estava insuportavelmente presa na boxer vinho. Hyoga se ajoelhou e chupou o falo sob o tecido da cueca fazendo-o gemer. O moreno se livrara da camisa e da gravata enquanto Hyoga se encarregava da calça e quando teve o pênis finalmente livre, foi para Ikky ter a visão luxuriante dos lábios vermelhos cobrindo a cabeça do falo com o olhar de céu fixo no seu.
– Ah caralho! – gemeu Ikky entredentes ao sentir aquela boca quente em volta do seu membro, chupando forte e massageando a base com as mãos num movimento tão intenso quanto dos lábios.
Levou a mão aos cabelos louros segurando a cabeça do amante, se enterrando ainda mais naquela boca que era uma perdição cadenciando os movimentos e seus gemidos ecoavam no ambiente. O suor já fazia brilhar os corpos à luz do entardecer.
– Vem aqui – Ikky o afastou ajudando-o a se levantar para tomar a boca em um beijo – Eu quero provar você.
– Não bebê – Hyoga usou o mesmo tom safado do moreno e ambos sorriram – Hoje quem vai provar você sou eu!
– É? – Hyoga deixou que as unhas corressem pelo peitoral definido do moreno.
– Fique tranquilo meu amor – Hyoga espalmou as mãos no peito de Ikky e o empurrou para que deitasse na mesa, a boca explorando a pele do peito e abdômen – Escolha um sentido, apenas um. Só vou poder usar o que você escolher.
– Paladar – Ikky pensou rápido. Seja lá o que aquele louro quente pretendia tinha de confiar nele e aquela forma desinibida e tão à vontade como o louro se mostrava também o excitava. Queria que Hyoga aproveitasse o sexo entre eles sem culpa.
Hyoga começou a sua exploração pelo corpo glorioso abaixo de si, os lábios e a língua deixando rastros de fogo por onde passava na pele morena e os gemidos de Ikky já escapavam dos seus lábios sem pudor nenhum. Com a boca, o louro provocava os dentes arrastando pela carne firme de Ikky fazendo-o arquear-se. A excitação era enorme, Ikky estava no limite e o russo não estava tão diferente, mas queria provar o seu moreno por completo.
– Hyoga! – o louro explorava com toda a calma e sensualidade a virilha e a parte interna da coxa e então tomou o membro teso na boca de novo chupando com vontade ao que Ikky praguejou entredentes.
A língua serpenteava por toda a extensão e em seguida a boca macia envolveu as bolas uma de cada vez até que Hyoga lambeu o períneo se preparando para degustar a parte daquele corpo que mais lhe interessava naquele momento. Em um movimento rápido deitou o japonês de bruços na mesa e sem esperar pela sua reação abriu as nádegas do moreno e lambeu a entrada com vontade.
– Puta que pariu! – Ikky sentiu que poderia morrer naquele momento ao sentir a língua ousada o tocando naquele lugar tão secreto. Era tão bom! Cristo aquela língua era uma delicia, pensava aflito o moreno.
Hyoga continuou o beijo grego intenso, usando a mão para se masturbar para chegar seu próprio prazer e então o clímax chegou para os dois, devastador! Ikky gozou arqueando as costas num grito estrangulado e Hyoga sentiu o próprio gozo nas mãos. Ambos arriaram no chão exaustos e arquejantes.
– Você é um demônio pato – Ikky murmurou de olhos fechados
– Você é uma delicia. – Hyoga lambeu os lábios deliciado, indo se acomodar no colo do namorado – Vamos limpar tudo e subir porque nós ainda não terminamos.
– Hum – Ikky segurou o russo pela bunda apertando a carne branca com vontade – Dessa vez eu quero provar você!
– Vem Ikky, sou todo seu! – Hyoga riu deliciado, Ikky também ao sentir o quanto aquela pequena entrega fez o seu louro feliz, como aquelas pequenas doses de felicidade traziam luz para aquele que amava e sendo assim se entregaria de corpo e alma para fazê-lo feliz. – Eu quero você! Quero te sentir em mim – murmurou junto aos lábios do moreno e Ikky já sentia a sua ereção despontar para a segunda rodada com o seu amante insaciável.
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