Notas iniciais
Então aqui está o epilogo e nosso adeus a essa fic que foi muito deliciosa de escrever. Queria de novo agradecer o carinho e a paciência até daqueles que ficaram caladinhos só acompanhando. Vocês também tem o meu amor. A musica do caps é Alright - do supergrass é muito divertida e achei que combinava com o final da fic, escutem!

Milo chegou ao prédio da Runaway Publicity correndo como sempre, passando pela recepção em direção ao elevador com seus cachos dourados balançando pelo movimento. As recepcionistas risonhas receberam a piscadinha do “furacão grego” que era o seu chefe, muito conhecido por sua “pontualidade”.

“Kamuy você me paga!” resmungou consigo, descontando no namorado a irritação pelo atraso. Do que Kamus estava absolutamente inocente, ele ainda tentava acordar Milo na hora que saia, mas aquele grego difícil tinha o sono muito pesado.

– Milo é para você ir direto para o estúdio, o modelo para a campanha do Cristian Lacroux já está lá. – Yoko sua secretaria falou enquanto lhe estendia a xicara de café fumegante.

O grego largou suas coisas de qualquer jeito pela sala e foi com o seu amado café para o estúdio onde seria gravado o comercial da nova campanha do perfume de seu cliente. Não foi preciso chegar muito perto para reconhecer aqueles cabelos de um vermelho incomum.

– Kamus? – Milo olhou para Aiolia e para Seiya, seus sócios e respectivos diretor de arte e marketing gráfico, que desviaram os olhares para outro lugar que não fosse a expressão contrariada daquele escorpião esquentado. – Devia ter adivinhado.

– Você pediu um exemplo de virilidade e sem – Aiolia achou por bem terminar a frase ali quando viu o olhar mortal que o louro lhe lançou – E ele está em alta! Lacroux também adorou a ideia.

– Milo você poderia, por favor, se controlar e andarmos logo com isso? – Kamus interveio – Não tenho o dia todo, ainda vou fazer as fotos da Calvin Klein hoje.

Milo apenas respondeu com um revirar de olhos malcriado e foi sentar-se na sua cadeira especial junto com Aiolia e Seiya e todos tomaram seus postos para começar a gravar.

– Kan, porque comerciais? O que aconteceu com “só vou fazer fotos nada de me expor demais!”. E a sua especialização em politica internacional?

– ainda não recebi respostas e nós conversamos isso depois – cortou o francês naquele seu jeito frio e impessoal como era do seu costume. Milo estreitou os olhos para o namorado.

A gravação teve inicio e os três publicitários da Runaway ficaram observando como era de praxe, no fundo da sala em seus lugares de honra.

– Pense pelo lado positivo mano, eu te chamei para olhar tudo – Aiolia comentou mais baixo.

– Acha que se eu apelar para o Henry ele convence o Kamus a largar a vida de modelo?

– Acredito grego idiota – Aiolia juntou os dedos em torre – Que sesse seu ciúme vai acabar com o seu namoro. Por falar em Henry, alguma noticia do barba azul?

– O Henry vai sempre almoçar no restaurante agora – Seiya comentou – A Saori disse que ele sempre dá um jeito de ir e Shaka e Saga almoçam com ele.

– Kamus vai de vez em quando também, mas não é como antes – Milo estalou a língua – Mas ele parece uma nova pessoa, embora eu ainda veja os olhares estranhos dele com relação a nós ou ao Shaka e Saga. Não é hostil, só acho que ele precisa se acostumar.

– O Hyoga continua irredutível? – Aiolia questionou. – Kamus perdoou o pai, Shaka também, só o lourinho não perdoou!

– Não havia nada o que perdoar. De certa forma Kamus só achava que o pai agiria com ele como agiu com Saga e Hyoga e como Shaka o perdoou... Hyoga apesar de não perdoá-lo também não parece mais tão hostil... Henry agora parece aceitar o nosso relacionamento , temos uma amistosa relação inclusive.

– Acho que o Hyoga precisa de tempo só isso.

– Sim ele sofreu demais Seiya, apesar de tudo não é fácil esquecer. – Aiolia estalou a língua – Vocês vão para o almoço do Dionísio sábado?

– Vamos sim, Kamuy desmarcou todos os compromissos da semana e do fim de semana para estar lá! Sinto falta de reunir todo mundo assim – Milo olhou para o irmão de canto de olho – Você vai levar a Marin?

– Por que não levaria? – Aiolia disse tenso e Milo bufou sarcástico – De qualquer forma ela estará em Nova York no fim de semana.

– É verdade que o Shun está com o Afrodite? Anda Seiya você namora aquela coisinha da Saori, amiga deles – Milo perguntou alto o bastante para que Aiolia ouvisse e soltou um risinho quando sentiu o irmão trincar o queixo.

– É o que dizem, eles viajaram e agora estão de volta. – Seiya deu de ombros – Mas ninguém assume nada. Mas você não acha meio esquisito o Seiya e o Shun? Sei lá fica um pouco... – Seiya coçou a cabeça pensativo – Lésbico!

– Sabe alguns caras gostam de experimentar o outro lado de vez em quando para saber como é. – dessa vez a indireta deixou Aiolia e Seiya cabisbaixos e Milo inflou o peito satisfeito. Achava uma estupidez o que ambos estavam fazendo! Seiya morria de medo da família e por isso não quis assumir o relacionamento com o Shiryu, agora o chinês estava com outro (na opinião de Milo uma aquisição bem melhor). Aiolia e Shun eram namorados desde a infância e agora por capricho tinham terminado o relacionamento, o irmão desde o ex-namorado só namorava mulheres, mas ainda parecia sofrer pelos cantos pelo diabrete Amamiya.

– Moira querida, já chega de tanta maquiagem! – Milo se levantou apressado e foi em direção aos bastidores onde a maquiadora dava uns retoques na base de rosto de Kamus – Kamuy não precisa disso.

Aiolia e Seiya olharam para o grego que gesticulava para a jovem maquiadora ameaçadoramente enquanto Kamus revirava os olhos.

No sábado a residência dos Amamiya Portokalos estava alegremente confusa. Amaia e Ahalya e Ágata se revezavam entre as três enormes mesas que foram montadas no quintal enorme arrumando as travessas de comida, Heitor e Dionísio cuidavam do churrasco e das bebidas enquanto os gêmeos instalavam as traves no pequeno campinho e arrumavam os guarda-sóis em volta da piscina. Logo os convidados começaram a chegar, era um sábado ensolarado e quente que convidava a um banho de piscina e relaxar.

Milo e os irmãos e o cunhado foram os primeiros a chegar, já com a roupa de trabalho trocada por shorts coloridos e folgados e regatas e logo foram se instalar nas espreguiçadeiras em volta da piscina com os gêmeos bebendo cervejas enquanto esperavam o aval das mulheres da casa para comer. Shaka chegou em seguida com o irmão Kamus.

– Onde está o Hyoga? – Ikky perguntou chegando em seguida com Shun e Afrodite. Tinha ido buscar os dois na universidade, pois tinham se reunido com um grupo de estudos naquelas provas finais. Afrodite estava com uma carranca enorme porque o moreno havia convidado Ângelo para o churrasco, sem lembrar que agora o sueco e o italiano eram ex-namorados e não muito bem resolvidos.

– Eu não sei da pestinha! – Shaka bufou – Ele sumiu a manhã inteira e não sei onde ele se meteu, você sabe Kamus?

– Não – Kamus franziu o cenho. – Pelo que eu saiba, ele não tinha sessão hoje com o Radamanthys... Será que... – os três se entreolharam preocupados. Souberam na noite anterior que Dionísio convidara Henry para o almoço e apesar da recente aproximação dos Bertrand com o pai, Hyoga ainda se mostrava reticente em conviver com ele.

– Calma gente – Shun interveio – Ele vai aparecer. Vem Afrodite vamos subir e trocar de roupa.

Shun subiu com Afrodite e Ikky foi com Ângelo se juntar ao grupo da piscina. Aiolia viu de longe o ex-namorado sair com o sueco, mas não disse nada apenas tentou retomar a conversa com os primos e amigos, embora sua vontade fosse de ver Shun.

– Você deixou a porta aberta Ikky? – Dionísio perguntou ao filho que negou com a cabeça e o grego mais velho foi até a sala abrir a porta para os convidados que ainda estavam faltando. Ele ainda tinha esperanças que Henry viesse e nada sabia que o pequeno furacão ainda não havia chego.

Aiolia alegando que ia pegar uma cerveja na cozinha entrou na casa e depois de pegar a bebida foi em direção à sala tentando ver se encontrava Shun, que no momento em que o leonino subia as escadas descia por elas em direção ao quintal. Shun ficou sem jeito, parado dois degraus acima e Aiolia não tirava os olhos do japonês que lhe parecia mais bonito do que da última vez que se viram.

– Oi Olia – cumprimentou Shun tentando aparentar naturalidade. Esperava que seis meses longe fosse o suficiente para tirar aquele desconforto quando fosse ver Aiolia, mas ele quase se esquecera do que aqueles olhos verdes eram capazes quando o olhavam daquela maneira.

– Oi Shun – Aiolia tomou a cerveja para disfarçar o nervosismo – Como está?

– Estou ótimo e você?

– Shun eu não vou... – Afrodite desceu as escadas apressado e depois de olhar um para o outro deu um sorriso incentivador e afagou os ombros do amigo – Vou esperar você lá na piscina.

A aparição de Afrodite deixou ambos ainda mais sem graça. Shun sabia o que andava se espalhando sobre ele e o sueco estarem juntos e nenhum dos dois quis desmentir. Afrodite não se importava, Aiolia estava namorando não estava?

– Vocês estão juntos?

– Nós... O que Aiolia? – Shun piscou confuso e depois corou intensamente.

– Você e o Dite. Estão juntos? – Aiolia mordeu o lábio e desviou os olhos de Shun – Namorando?

– Eu e o Dite? Ah a gente... – Shun ficou afobado e tentou descer até que tropeçou nos próprios pés e se Aiolia não tivesse próximo ele tinha rolado escada abaixo. O grego o segurou firmemente junto a si e Shun olhou para ele com os olhos arregalados.

“Por Atena essa pegada!”, pensou espantado ao sentir o leve tremor do seu corpo ao sentir os braços fortes de Aiolia em volta de si.

Aiolia sem conseguir pensar muito afundou o nariz nos cabelos castanhos aspirando o perfume doce e cítrico de Shun do qual sentia muitas saudades. “Ah, a quem queria enganar?!” ele também pensava “Era louco por aquele moleque teimoso!”. A campainha tocou e nenhum dos dois prestou atenção nela só presos um no corpo do outro, Shun cravou as unhas curtas nos bíceps do leonino enquanto sentia-o estreitá-lo junto a si. “Atena me ajude que saudade eu senti disso!”

– Eu avisei a Ikky para deixar a porta aberta. – Dionísio entrava na sala e nem percebeu nada até abrir a porta e ver Henry Bertrand olhar para o inicio da escada e depois desviar o olhar desconcertado, com Hyoga passando por eles como um tufão.

– Por cristo vão procurar um quarto! – Hyoga disse ao passar pelos dois “ex-namorados” indo para a cozinha e saindo para o quintal. Shun e Aiolia já iam subir ao ouvir Dionísio gritar:

– Quarto?! NADA DE QUARTO SEU SHUN! – ele gesticulou irritado – Vocês não tinham terminado?! Que historia é essa de quarto, já para a piscina os dois! O senhor só encosta no meu filho com pedido oficial de namoro ouvir senhor Aiolia. – Dionísio trouxe Henry para dentro e fechou a porta, irritado – Agora eu posso com isso?

– Eles... – Henry deu um meio sorriso aturdido – Dionísio como você consegue?!

– Consigo o que? – o grego e o francês pararam no meio do caminho, na porta em arco que dava para o quintal. Todos já estavam lá espalhados pelo enorme quintal.

– Isso! – Henry olhou em volta. Shura tinha Aiolos no colo enquanto conversava com Kannon e Saga, esse último tinha o marido sentado entre as pernas, na beira da piscina com as pernas na agua até os joelhos. Hilda estava na mesma posição com Kannon e a moça conversava com Shaka. Seiya e Saori estavam na piscina onde Shun e Afrodite mergulhavam naquele momento com Carlo mais afastado bebendo uma cerveja com Ikky que nesse momento enlaçava Hyoga pela cintura e ganhava um beijo.

– É normal Henry! – explicou o grego dando e ombros – É minha família, as pessoas que amo e admiro. Não vou negar que no começo foi complicado, mas depois pensei comigo mesmo. “Eu tenho vergonha de demonstrar meu amor e carinho por eles”? Porque eles deveriam ter vergonha de demonstrar o mesmo na minha frente? – Dionísio passou o braço sobre os ombros de Henry – Eu os amo, é isso que importa Henry! – e então um detalhe que ele havia deixado passar foi percebido e o grego se virou para Bertrand animado – Você veio com o Hyoga?

– Eu não queria vir. – riu o francês sem graça e depois olhou carinhosamente para o filho mais novo que contava animado algo para os amigos – Mas ele foi me buscar dizendo que você não me perdoaria por faltar e ele não queria magoar você.

– Nisso ele tem razão – e a gargalhada estrondosa de Dionísio preencheu o ar, mas era uma gargalhada de alegria pelo amigo que finalmente parecia estar encontrando o caminho para a felicidade. – Agora vamos lá Henry Bertrand! Venha se divertir com a sua família e ver como é bom estar com todos que se ama.

– Pai esse almoço não sai não?! – gritou Kannon da piscina.

– A carne não está pronta! Procurem o que fazer – gritou de volta o grego mais velho – Venha Henry, vamos alimentar aqueles monstros!

– Ei que tal uma partida? – Aiolia fez embaixadinhas com uma bola de futebol que achara na varanda e todo mundo começou a se animar pela perspectiva do futebol – Dividimos os times como antigamente?

– Nada disso – Hyoga tomou a bola do leonino e equilibrou na cabeça com muita habilidade – Eu quero jogar, já tenho idade para entrar no time.

– Então vem pato porque você está me devendo um gol pestinha – Ikky abraçou o namorado por trás e eles se beijaram – Quero ver agora você se meter na minha jogada!

– Ah pague para ver frango!

Eles dividiram os times e forma para o campinho. Shaka e Shun ficaram olhando da beira do campo com Hilda e Afrodite ao lado deles. Saga e Kannon dividiram os times, com Shura, Kamus, Hyoga, e Aiolos no time de Saga e Milo, Ikky, Aiolia e Ângelo no time de Kannon.

– Belo eu vou fazer um gol para você – gritou Ângelo e Afrodite queria que um buraco abrisse no chão e ao mesmo tempo se sentia feliz demais – EU TE AMO CASPITA! Volta pra mim!

Agora era a vez de Hilda e Shaka gargalharem da cara de vergonha do sueco, mas o sorriso dele era enorme e cheio de amor para aquele italiano encrenqueiro.

“We are young, we run green,
Keep our teeth, nice and clean,
See our friends, see the sights, feel alright”

“We wake up, we go out, smoke a fag,
Put it out, see our friends,
See the sights, feel alright”

“Nós somos jovens, somos inocentes,
Mantemos nossos dentes, bonitos e limpos,
Vemos nossos amigos, consideramos nossa opinião, nos sentimos bem.
Nós acordamos, nós saímos, fumamos um cigarro,
Colocamos para fora, vemos nossos amigos,
Considerando nossa opinião, nos sentimos bem,”

– Aiolia faz um gol para mim! – gritou Shun sem se conter da beira do gramado e todos riram e foi só quando ele percebeu a gafe, mas Aiolia piscou para ele que ficou ainda mais vermelho.

O jogo começou e foi como um déjà vu. Ahalya se viu parada olhando seus meninos correndo com aquela alegria que ela testemunhava da sua janela quando os via correr na rua junto aos outros amiguinhos. Amaia abraçou a amiga e ambas ficaram compartilhando aquele momento de “enfim paz” que só os seus corações de mãe podiam testemunhar. Ágata e Heitor se deram as mãos com aquele sentimento de missão cumprida e com a paz nos corações. Dionísio e Henry olhavam tudo de onde estavam, e o segundo sentiu seu peito doer e os olhos arderem ao ouvir a gargalhada do seu pequeno tufão que comemorava um gol com os amigos, os olhos de céu estavam finalmente felizes e isso era a sua redenção de certa forma. Poder testemunhar aquela felicidade depois de todo o sofrimento era um balsamo para seu coração martirizado.

“Are we like you?
I can't be sure,
Of the scene, as she turns,
We are strange in our worlds”

“Somos como você?

Eu não tenho certeza,

Desta situação, conforme ela muda

Nós somos estranhos em nossos mundos”

“But we are young, we get by,
Can't go mad, ain't got time,
Sleep around, if we like,
But we're alright,
Got some cash, bought some wheels,
Took it out, 'cross the fields,
Lost control, hit a wall,
But we're alright”

“Mas nós somos jovens, estamos indo
Não podemos enlouquecer, não há tempo,
Dormimos por aí, caso nós gostemos
Mas estamos bem,
Temos algum dinheiro, compramos algum carango
Saímos por aí, através dos campos,
Perdemos o controle, batemos contra o muro,
Mas está tudo bem”

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