Ele não está tão Afim de você
4 Capítulo 4
Notas iniciais
– E aí Ikky você já viu o Hyoga?
– Ele apareceu em casa hoje cedo – respondeu a Milo enquanto se preparava para um arremesso, estavam na quadra de basquete da faculdade treinando arremessos entre uma aula e outra.
– Ele está qualquer coisa não está? – Milo pegou a bola e se preparou para arremessa-la – Quem diria que o “patinho” se transformaria em cisne hein?
– Se você tá dizendo. – retrucou o moreno de forma displicente, escondendo que na verdade ele havia notado sim o quanto o irmão de Kamus crescera!
– O Kamus me mata se souber disso, mas – Milo acertou o arremesso e depois deu uma piscada sacana para Ikky – pegava fácil aquele moleque!
– Eu vou contar ao Kamus só para vê-lo quebrando a sua cara! – Ikky correu até o louro e roubou a bola dele – E se ele pedir ajuda eu faço com satisfação!
– Ciúmes de mim Ikky? – eles começaram a disputar a bola, Milo era um provocador por natureza e não poupava ninguém, nem mesmo o melhor amigo – Ou do lourinho gostoso?
– Ele faz bem o seu tipo Milo. – Ikky desconversou, desviando do ataque de Milo e jogando a bola na cesta – Bem seme! Assume que o que você gosta mesmo é de rebolar gostoso em cima.
– E esse é o seu sonho erótico comigo Ikky Amamiya.
– Vai se foder Milo!
– Vocês só falam merda! – Hilda e Esmeralda entraram na quadra de basquete, fora a primeira que interrompeu a conversa “adulta” da dupla. Hilda não entendia como a amiga estava apaixonada por um garoto tão estúpido quanto Ikky Amamiya.
Hilda achava que qualquer homem abaixo dos vinte dois anos ainda era um moleque, gostava de homens mais velhos mais experientes. Kannon e a sua “cambada” como ela gostava de dizer eram todos uns moleques. E agora Esmeralda estava ali feito uma cachorrinha aos pés do japonês e ela achava aquilo ridículo
– Anda Esme – jogou os cabelos lisos e escuros para trás com desdém e levou o cigarro a boca – Faça o que tem de fazer e vamos embora, não quero ser vista com esses moleques.
– Ikky eu procurei você pelo campus inteiro o que aconteceu? – ela foi para perto do moreno que a enlaçou pela cintura e lhe deu um beijo delicado – Por que não foi me ver?
– Por que eu sou o melhor amigo dele e tenho privilégios! – Milo bateu a bola entre as moças, fazendo questão de assusta-las com isso – Eu sou prioridade na vida do Amamiya Esmeralda.
– Ai meu deus cadê o Kamus para controlar ele? – Ikky revirou os olhos.
– Ah isso mesmo me deixa ir atrás do ruivo, não é bom deixar ele soltinho por aí – Milo saiu andando da quadra – Ei Ikky, vamos sair hoje à noite. Hyoga quer curtir por aí, a galera toda vai.
– Vai ser legal – animou-se Esmeralda
– Ah só os caras garota! Eu não me lembro de ter convidado vocês. – olhou para Hilda que deu de ombros – Até a noite Ikky.
Milo deixou o amigo com as duas moças e foi atrás do ruivo, o encontrando na biblioteca. Era o ultimo semestre de Kamus, logo ele estaria formado e sairia dali. O ruivo já tinha um emprego garantido na empresa em que estagiava, era um ótimo aluno, um ótimo estagiário... Para Milo ele era perfeito! Perfeito demais até.
– Oi ruivo – cumprimentou em voz macia – O que está fazendo?
– Estudando, coisa que você também deveria estar fazendo – retrucou Kamus sem tirar os olhos do notebook. Milo se posicionou atrás do ruivo e abaixou-se para olhar o que ele estava lendo, os rostos bem próximos – Você está suado Milo!
– Eu que sou o gay e você que tem todas essas frescuras! – Milo virou o rosto minimamente, apenas para ficar a centímetros da boca carnuda do francês, provocando-a e sentindo-se satisfeito ao ver o quanto o ruivo estava desconcertado com o contato.
Milo resolveu investir pesado porque seu tempo estava acabando e se Kamus não se resolvessem logo, ele sairia da faculdade e se tornaria um adulto chato, com muitas horas de trabalho e nenhum tempo para ele. Era tudo ou nada!
Kamus arredou a cadeira se afastando daquela boca tentadora e tentando voltar a sua atenção para o seu artigo de marketing empresarial. Milo era o seu carma na vida e agora parecia que estava mesmo disposto a testar o seu autocontrole até as últimas consequências.
– Você vai hoje a noite não vai ruivo?
– Eu tenho um nome sabia? – respondeu ríspido para disfarçar seu desconforto.
– Eu sei que você gosta quando eu te chamo de ruivo – Milo abriu um sorriso arrasador – Eu fiz a minha tatuagem Kamus e eu quero te mostrar hoje à noite. Se você quiser a gente pode ficar sozinhos na sua casa que eu mostro ela a você. Tem que ser num lugar bem reservado... – aí Milo mordiscou de leve a orelha do francês antes de sussurrar – Por que eu vou ter que tirar quase toda a roupa para mostrar. – se levantou e começou a se afastar antes de deixar uma piscadinha para um ruivo atônito e tão corado quanto os cabelos.
***
– E aí Sa, não vai colocar o moleque para estudar ou algo assim? – Kannon e o irmão gêmeo descarregavam o carro de compras atrás do restaurante. Era rotina o gêmeo mais novo vir ajudar o irmão e o cunhado nas sextas depois da faculdade que ele aparecia de vez em quando. De todos, Kannon era o único que ainda não sabia ao certo o que queria da vida. Mesmo com todos os conselhos e brigas de Saga e Dionísio, Kannon ainda agia como um adolescente irresponsável. – Ele tem quantos anos?
– Dezessete. – Saga colocou o engradado no chão – O Shaka ainda vai conversar com ele sobre o que Hyoga quer fazer, mas ao contrário de certas pessoas – olhou de lado para o irmão – O garoto tem mais juízo que idade. Ele fala três línguas, fez inúmeros cursos em Londres e é formado em relações exteriores. Curso modular, feito em dois anos e meio.
– Wol fiquei impressionado agora! – Kannon riu pegando o engradado junto com o irmão e carregando para dentro do restaurante – Também, com toda aquela energia aquela pestinha só podia ser um prodígio mesmo! Ele tem cara de ser um perigo Saga, você mal casou e já arrumou um filho problema.
– É deixa o Shaka ouvir você falando assim do irmão dele. – eles riram. Os gêmeos se divertiam as escondidas da superproteção que Shaka exercia sobre o irmão, ambos achavam que Hyoga era tudo menos ingênuo – E bem agora que ele tem aquela herança, acho que ele não vai precisar trabalhar ou algo assim se souber investir direito. O Kamus vai cuidar de tudo por enquanto para ele.
– E ele e o Ikky já se viram?
– O Shaka disse que ele foi a casa ver o Shun hoje cedo, mas não sei o que aconteceu por lá. À noite talvez nós saibamos como foi esse reencontro de fato.
– Será que eles ainda vão implicar um com o outro como faziam quando crianças?
– Ah vai ser divertido se acontecer. – e eles voltaram a rir.
– Vocês fofocam igual duas matronas! – a voz de Shura se fez ouvir na cozinha e os gêmeos foram cumprimentar o amigo e cozinheiro. O moreno era um cozinheiro ímpar, aprendeu com o pai espanhol e agora na sociedade com o amigo Saga abriram aquele restaurante, Shura fazia faculdade de gastronomia e a noite era o cozinheiro oficial do Massala. – E aí Saga como está sendo essa semana de pai?
– Preocupante. Shaka é uma mãe neurótica. – Saga bufou e os amigos riram – Mas chega de conversa e vamos trabalhar porque o pequeno diabinho quer sair à noite então vou precisar de reforços e vocês estão intimados!
– Claro, eu não perderia a oportunidade de ver o moleque provocar Ikky como ele fazia antigamente. – Shura pegou o avental – Por que tecnicamente o Ikky ainda tem quatorze anos, só o corpo dele cresceu, a cabeça não.
Os três riram enquanto se colocavam para trabalhar. A noite prometia e todo mundo parecia bem animado com isso.
O assunto do momento estava confortavelmente instalado entre almofadas indianas parecendo um príncipe enquanto tomava o chay preparado pelo outro anjo louro que se encontrava recostado entre as almofadas também. Shaka e Hyoga pareciam-se mais do que Kamus, que era o irmão do rapaz de fato, mas na personalidade era com o ruivo que o louro mais velho se parecia. Ahalya dizia que Shaka era uma abençoada mistura de ambos os irmãos, por isso se dava muito bem com ambos.
– Vamos lá, pergunte o que quiser eu vou tentar responder. – Hyoga disse com um suspiro, vendo os olhos sobre si. Sabia que o irmão não o deixaria em paz até que ele lhe contasse seja lá o que queria saber.
– Você está tão diferente! Eu nunca consegui deixa-lo quieto por cinco minutos e você já está aí por um bom tempo. – comentou com cuidado – E então como foi ver o Ikky?
– Está preocupado que eu esteja arquitetando uma vingança maligna contra o Amamiya? – Hyoga só fez arquear uma sobrancelha para Shaka – Eu não tenho mais oito anos Shaka.
– Não custa nada sondar – o outro deu de ombros tomando o seu chay – Até o Ikky pensa que você está com um ódio mortal dele.
– A culpa não foi dele, se alguém merece que eu o odeie esse alguém é o nosso pai e acho que depois de tudo ele está tendo a sua lição. Afinal ter seu sonho de filho perfeito desmoronar com você não deve ter sido fácil e ainda tem a revolta do Kamus.
– Não seja tão cruel Hyoga. – Shaka baixou o olhar para o chá – Se soubesse o quanto ainda me sinto culpado...
– Por que quer. – Hyoga estalou a língua – Não se culpe por amar alguém Shaka, é tão terrível sentir culpa por isso quanto o que o nosso pai fez comigo e com você. Eu era só uma criança e você é como qualquer pessoa normal. – Hyoga sorriu de lado, um sorriso tão amargo que Shaka emudeceu ainda mais – Ele considerar você um anormal quando o pai de Natássia é um cretino pervertido é tão distorcido que chega a ser cômico se não fosse trágico.
A família russa de Hyoga era uma sombra distante para o menino e agora para o adolescente era uma mancha negra de uma ferida aberta. Os anos em que passou com o avô o marcaram de forma profunda e Shaka via agora que não foram boas marcas, mas Hyoga não queria falar disso e o mais velho não sabia o que fazer para achar uma fresta na armadura de cinismo e frieza que o rapaz erguera em volta de si.
– Hyoga eu estou aqui... Por que não...
– E em que vai me ajudar reviver tudo outra vez para contar a você? – cortou o outro irritado – O que posso fazer agora é seguir em frente e esquecer!
Shaka mordeu o lábio inferior, refreando a resposta que estava prestes a dar ao irmão, de que a melhor forma de cartasse era desabafar, expulsar do corpo todos aqueles sentimentos sombrios. Porém nada que dissesse adiantaria, precisava primeiro se reaproximar do irmão para que ele confiasse novamente e então se permitisse desabafar. Era tarefa dele, Shaka, já que com Kamus isso se tornaria impossível diante da personalidade fria e um tanto distante do outro. Uma das coisas que Saga trouxera para a sua vida e que apesar de reclamar da impetuosidade do grego, ele também o admirava por ser quem era. Caloroso, amigo, presente! Saga cuidava dele e mesmo que Shaka ainda fosse um tanto arrogante e autossuficiente, Saga conseguia penetrar nas suas barreiras e descobrir seus segredos, suas angustias e ajuda-lo a supera-las. Iria tentar ser assim com o irmão, precisava ajuda-lo.
– Okay, então porque eu tenho a impressão de que ainda vai provocar o Amamiya? – mudou o rumo da conversa
– Ah porque é divertido – e Hyoga sorriu, um sorriso cheio de más intenções – Principalmente agora que ele é o senhor hetero garanhão!
– Hyoga...
– Ah vai me dizer que você não desconfia de nada?
– Eu simplesmente não sei o que pensar! Ele parece tão seguro. – Shaka deu de ombros – Assim como você! Confesso que apesar das brincadeiras de selinhos eu ainda estou surpreso com o fato de que você é gay.
– Então você sabe que o uke da dupla era o Shun desde o começo não sabe? – Hyoga e Shaka trocaram um olhar divertido – Não sei por que aquele escarcéu quando descobriram sobre ele e o Aiolia, desde criança que o Shun é fissurado naquele leonino e alguém tinha alguma dúvida de quem seria o uke da relação?
– Mas não é fácil descobrir da forma como Ikky descobriu, principalmente sendo ele quem é. – Shaka bufou. Kannon e Ikky eram o pior tipo de machões, apesar de respeitarem ele e Saga, não deixavam de alardear por ai toda a “testosterona” que tinham. No fundo eram apenas dois imaturos idiotas, pensou o louro.
– É verdade que o Ikky quase matou o Aiolia? O Shun não quis me contar os detalhes sórdidos, mas eu fiquei tentando imaginar a cara do frango vendo o irmãozinho adorado e gemendo enquanto era empalado pelo leão! – Hyoga se jogou nas almofadas rindo – Ah eu daria tudo para ver!
– Nem quero imaginar o que você faria Shun já deve sofrer na sua mão o suficiente – Shaka fez uma careta – Eu vou ficar de olho em você, nada de se meter com o Amamiya já basta o Kannon dando problemas, não vou deixar você também aprontar.
– Você parece a maa Shaka! Vai ficar me regulando agora?
– Ah vou sim, eu e Kamus somos seus tutores até você ter idade suficiente para cuidar da sua vida. – Shaka disse satisfeito.
– Haha Shakinha pode tirar o Buda da chuva que eu não preciso de babá há muito tempo! – o adolescente estalou a língua – Acha que o Saga não vai se importar se eu convidar o Kannon para dar uma volta por aí, sabe como é só uma volta. Tecnicamente ele é meu cunhado, mas nós não somos irmãos de sangue e não há nenhuma probabilidade de alguém ter um filho...
– Sua pestinha fique longe daquele encrenqueiro!
– Ai Shaka você é um estraga prazeres – Hyoga revirou os olhos e nesse momento Shun entrou na sala meio esbaforido.
– Anda Hyoga vem comigo que o Aiolia concordou em levar a gente para o shopping comprar algumas coisas – ele disse quase quicando de tanta animação.
– E você ainda tem dúvida que ele nasceu para ser um uke? – ele olhou para o irmão que suprimia a vontade de rir do garoto de cabelos castanhos.
***
Seria uma noite normal, sair com os amigos seria divertido, até mesmo Shaka e Saga iriam... Milo conseguiu arrastar Kamus também. Na verdade não foi Milo, foi Hyoga e todo mundo estava indo por ele certo?
Até Ikky Amamiya.
Nada anormal se não fosse pelo fato de Ikky ter dispensado Esmeralda como companhia, apesar de o argumento de que queria ir “solteiro” fosse altamente válido, segundo Kannon. Hyoga achou divertido que ao invés de um alvo, ele agora teria dois, embora se Esmeralda fosse ele provocaria Ikky do mesmo jeito.
– Nossa isso tudo é para o Ikky? – Shaka provocou quando viu o irmão se olhando no espelho do seu quarto. Eles estavam na casa de Shaka e Saga, já que Hyoga não queria ficar sozinho na casa da mãe e Kamus estava no estágio, sairia direto de lá.
– Ah mereço! – Hyoga revirou os olhos ajeitando a blusa. Escolhera para usar uma camisa vinho de tecido maleável com gola em “V” cujo tecido moldava bem o peito torneado, calça social branca que marcava o contorno do bumbum e das pernas musculosas, sapatos social completava o look. – Tudo que eu fizer agora vai ser por causa do Ikky?
– Eu sempre achei que no fundo aquela implicância toda era amor reprimido sabe? Tipo almas gêmeas que se encontram e tudo...
– E você é um romântico incurável Shaka – Hyoga gargalhou – Anda mamãe eu estou morrendo de fome – ajeitou os cabelos no espelho antes de se virar e descer – Eu sei que você demora anos para se vestir, o Saga vive reclamando disso!
Hyoga saiu do quarto a tempo de não levar uma almofada nas costas, foi rindo que desceu as escadas, sem perceber que havia alguém na sala esperando. Arrumava o relógio no pulso e só se deu conta que a sala não estava vazia quando quase tropeçou no visitante.
– Ah... Oi Ikky!
– Oi Hyoga – respondeu Ikky com um sorriso de lado e Hyoga se perdeu um pouco admirando o moreno.
Ficaram minutos perdidos em analisar um ao outro que nem notaram que não utilizaram os apelidos de praxe para se cumprimentar. Hyoga tinha um ar maroto, um brilho divertido no olhar e Ikky pensou que ninguém deveria ser tão bonito assim, em seguida se recriminando por achar um homem, um moleque, bonito.
“E não é que o frango ficou gostosinho?!” Hyoga concluiu satisfeito ao observar detidamente o jeans negro justo que moldava as pernas poderosas do japonês, a camisa social que não escondia o contorno dos músculos do torso e dos antebraços descobertos pelas mangas enroladas até o cotovelo. O cabelo é como Hyoga se lembrava, tão rebelde quanto o dono, apontando para todos os lados numa desordem atraente.
– Pronto esfomeado nós já... – Shaka se interrompeu ao ver os dois homens se encarando e um sorriso malicioso brotou nos lábios formosos – Oi Ikky.
– O... O Kannon disse que eu devia leva-los para o restaurante Shaka já que você não dirige e o Saga não vai poder vir buscar você – Ikky coçou a nuca sem jeito.
– Sim ele me ligou para levar uma muda de roupa – ele mostrou o cabide que levava empacotado – Hyoga você vai na frente com o Ikky, eu não posso amassar a roupa.
– Ora veja como é uma esposa perfeita! – Hyoga bateu as mãos uma na outra e Shaka revirou os olhos – E a sua namorada Amamiya, ela não vai se importar?
– Eu não tenho namorada – apressou-se em dizer – Esmeralda é só uma garota!
– Hum – Hyoga abriu um sorriso enorme que desconcertou o moreno e fez o de Shaka se alargar ainda mais. O lourinho veio para junto de Ikky e passou o braço sobre os ombros do outro dizendo sacana – Então você é todo meu essa noite Amamiya.
Havia tanto duplo sentido naquela frase que Ikky sentiu seu corpo tremer involuntariamente aquelas palavras e a voz grave e rouca que chegava ao seu ouvido. Pensou temeroso que a noite prometia e que ele não estava preparado para ela.
E não estava mesmo
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