Ele não está tão Afim de você
19 Capítulo 19
Notas iniciais
– O Saga disse que eles vão transferir o garoto para Grécia. – comentou Aiolos com o marido e Kannon que estavam com ele na cozinha do Massala. Saga ligara naquela manhã para avisar que eles estavam voltando e dar noticias sobre Hyoga – Os médicos disseram que ele está estável e bem para viajar, só não responde a estímulos ainda.
– Quem sabe aqui perto de todo mundo ele não melhore? – Kannon estalou a língua – Os amigos, a família dele... Longe do Henry.
– Saga disse que ele não vai ao hospital desde o dia em que aconteceu, Kamus não fala com ele... Espero que ele se sinta culpado mesmo pelo que fez. Você viu está em todos os jornais e sites de fofoca! E foi só uma parte da conversa, imagina o que ele disse para o garoto!
– Acho que vocês querem demais esperando uma atitude altruísta e legal do Henry. – Shura comentou segurando seu chá gelado com as duas mãos – O que esperavam do cara que ao primeiro sinal de que o filho era gay se apavorou?
– Você está defendendo aquele porco Shura?!
– Claro que não Oros! – Shura olhou o companheiro irritado – Mas... Olha convenhamos, nem todo mundo aqui é Dionísio! Seu pai Kannon é sim um cara incrível, mas talvez se ele não tivesse toda a luta para casar com a Amaia ele não fosse tão mente aberta assim. Em todo caso não é qualquer pai que aceita as coisas numa boa, meu pai mesmo não fala comigo e já se passaram seis anos! – Aiolos afagou os ombros do amado com um olhar cumplice, entendendo onde Shura queria chegar –
Eu só estou dizendo que o Henry se apavorou! Ele não soube lidar com a precocidade do Hyoga e de alguma maneira ele acha que falhou, ainda tem o fato de que ele admirava muito o Vladimir e ninguém imaginava que aquele porco estupido fazia aquelas atrocidades com o garoto.
– É mais a Ahalya de alguma forma sabia. – Shura tomou outro gole da sua bebida gelada – Mas ela nunca iria contra Henry, ela o ama e o respeitava como pai e chefe da família.
– Lembra como eles chegaram aqui? Parecia uma família perfeita. – Kannon suspirou – Era o tipo de família que eu teria.
– Você? Tendo uma família? – Aiolos caçoou – Eu duvido um dia que você se case Kannon imagine ter uma família.
– Mas eu vou casar. – Kannon revidou indignado – Hilda ainda não sabe, mas nós vamos nos casar.
– Você o que? – Shura parou seu copo no ar e encarou o louro com incredulidade.
– Já está tudo pronto. – ajuntou Kannon satisfeito – Ela vai ter uma enorme surpresa.
Aiolos e Shura trocaram olhares estarrecidos imaginando a “surpresa” que esperava a pobre Hilda.
O curioso é que Hilda não desconfiou de nada, nem quando foi deixada sozinha no refeitório da faculdade até pelas amigas conspiradoras que ajudaram Kannon com seu pedido de casamento. Esmeralda e Saori estavam nas nuvens pela amiga, mesmo que soubessem que estavam provocando a fúria dos polos gelados ao não contar nada a Hilda. Esperavam que a amiga finalmente assumisse seu amor por Kannon e que o pedido fosse aceito.
Shun, Aiolia, Afrodite e Ângelo estavam confortavelmente sentados nas mesas ao fundo com pipoca e refrigerante esperando o espetáculo. Aiolia e Ângelo apostaram dez euros que o escândalo de Hilda ia ser colossal, só divergiram quanto ao momento. Aiolia tinha certeza que seria assim que ela visse o anel de noivado, Ângelo apostava que era no momento em que Kannon falasse para todo refeitório ouvir.
– Eu só queria que o Hyoga estivesse aqui para ver – queixou-se Shun
– E aí noticias dele? – Afrodite perguntou
– Ele ainda não acordou, vão transferi-lo para cá. – Shun deu de ombros – Quem sabe aqui perto da gente ele não melhore? Ahalya e todo mundo...
– Ele vai melhoras Shun, você vai ver benzinho. – confortou Aiolia – O garoto é forte, vai sobreviver a isso também.
– Puta Merda! – Ângelo exclamou cortando a conversa e apontando para a mesa de centro onde Hilda estava olhando atônita para o namorado que estava em cima da mesa com um microfone na mão enquanto dois outros rapazes nas mesas ao lado portavam uma guitarra e um baixo. Próximo à lanchonete uma bateria surgiu como por encanto (nem tanto assim, ela estava sendo montada atrás de um biombo de obras e todo mundo imaginou que o balcão da lanchonete estava em reforma)!
– Hilda meu amor eu ofereço essa canção para você. – depois de limpar a garganta e olhar para os amigos de faculdade que assentiram, a melodia encheu o refeitório e Kannon começou a cantar:
“You're just too good to be true
Can't keep my eyes off you
You feel like heaven to touch
I wanna hold you so much
At long last love has arrived
And I thank God I'm alive
You're just too good to be true
Can't take my eyes off you”
“Você é boa demais para ser verdade
Não consigo tirar meus olhos de você
Você é como tocar o céu
Quero tanto te abraçar
Enfim, o amor verdadeiro chegou
E agradeço a Deus por estar vivo
Você é boa demais para ser verdade
Não consigo tirar meus olhos de você”
Talvez tenha sido o susto ou todo aquele choque por ser a detentora da atenção de uma centena de pessoas, mas Hilda só conseguiu ficar de boca aberta olhando para Kannon embora seu rosto estivesse coberto de um vermelho gracioso pela vergonha. Ele por outro lado tinha um enorme sorriso no rosto enquanto cantava sem se intimidar por todas aquelas pessoas olhando.
“Pardon the way that I stare
There's nothing else to compare
The sight of you makes me weak
There are no words left to speak
But if you feel like I feel
Please let me know that it's real
You're just to good to be true
Can't take my eyes off you”
“Perdoe a maneira como te olho
Não há nada que se compare
Ver você me enfraquece
Não restam palavras para falar
Então se você sente como me sinto
Por favor, deixe-me saber que isso é real
Você é boa demais para ser verdade
Não consigo tirar os meus olhos de você”
Nesse momento ele desceu da mesa e foi para junto de Hilda, a pegando pela mão e olhando fundo naqueles olhos de mar escuro.
“I love you baby, and if it's quite alright
I need you baby to warm the lonely nights
I love you baby, trust in me when I say
Oh pretty baby, don't bring me down I pray
Oh pretty baby, now that I found you, stay
And let me love you baby, let me love you”
“Te amo querida, e se estiver tudo bem
Preciso de você para aquecer as noites solitárias
Te amo querida, acredite em mim quando digo
Oh querida, não me desiluda, eu peço
Oh querida, agora que te encontrei, fique
Deixe-me te amar querida, deixe-me te amar”
Kannon deslizou o anel no dedo anelar direito de Hilda e quando ela o viu arfou, os olhos lindos ficando ainda maiores, ela precisou de todo o seu alto controle para não desmaiar. Hilda estava tremendo, ela não conseguia fazer mais nada além de olhar de Kannon para o anel enquanto ele continuava a cantar e o refeitório inteiro prendeu a respiração à espera da reação dela.
– Hilda Smith você aceita casar comigo? – Kannon verbalizou o pedido, e a musica cessou para esperar a resposta da jovem.
Um minuto de hesitação e então Hilda se jogou nos braços de Kannon escondendo o rosto no peito dele sem conseguir fazer mais nada. O rapaz levantou o queixo dela para olhá-la por um momento até selar os lábios rosados com um beijo delicado e então o refeitório explodiu em gritinhos e vivas numa algazarra tremenda.
***
– Você imaginaria algo assim louro? O Kannon casando e ainda com a encrenqueira da Hilda? – Ikky perguntou para o anjo adormecido na cama. Naqueles dias em que ele estava ali em coma Ikky não deixava sua cabeceira, às vezes era substituído por Kamus ou Ahalya apenas o suficiente para trocar de roupa, mas ele nunca deixava Hyoga – Ainda bem que o Shun gravou tudo, quando você acordar vai poder ver. Kannon está tentado a considerar a carreira com a banda.
Ikky segurou os dedos pálidos entre os seus sentindo a leveza e fragilidade deles, sua garganta travou, mas ele engoliu o soluço e manteve o sorriso no rosto porque queria que a primeira coisa que o seu louro visse ao acordar fosse o seu sorriso. Hyoga sempre dizia que amava quando Ikky sorria para ele.
– Como estamos hoje? – Ahalya entrou no quarto, animada como sempre. Depois do choque inicial ao ver Hyoga na UTI Ahalya chorou e depois daquele dia ninguém mais a viu chorar. A indiana acreditava que devia se manter forte para os filhos, não iria esmorecer e acreditava piamente que Hyoga voltaria para eles.
– Estamos bem – Ikky a recebeu com um abraço e depois de abraçar o moreno Ahalya foi depositar um beijo na testa do filho adormecido – Os médicos estão otimistas, ele apresentou mudanças no encefalograma e na ressonância. A transferência saiu?
– Saiu – Ahalya acariciou o rosto do rapaz adormecido – Vamos poder leva-lo para casa. E você Ikky já comeu? Descansou?
– O que mais eu faço Ahalya, não se preocupe.
– O Camus está lá embaixo com os médicos cuidando da burocracia, acho que ele precisa de um advogado – Ahalya piscou para Ikky que riu de lado.
– Vou ver o que posso fazer? – o moreno beijou a testa da indiana e deixou o quarto.
Ahalya foi tomar o lugar de Ikky perto da cama para velar o sono do seu doce anjo. Sentia-se aliviada agora que os médicos asseguraram-lhe que o rapaz estava bem e que as possíveis sequelas que poderiam advir da tentativa de suicídio possivelmente não existiriam. Ele ainda estava inconsciente, mas não por indução, segundo os médicos era apenas uma resposta do cérebro ao estresse extremo a que foi submetido, uma espécie de defesa. Assim que estivesse pronto ele despertaria.
Dessa forma ele poderia ser transferido para Atenas para ficar junto da família agora que não corria mais risco de vida e Ahalya se sentia feliz por essa pequena vitória.
– Nós vamos para casa Hyoga. – beijou a testa do filho enquanto sorria e afagava a mão dele observando o belo contraste que a pele morena fazia com a alva do rapaz e logo se lembrou de Ikky e seu sorriso ampliou-se. Era bom que seu pequeno tivesse o amor de Ikky naquele momento, isso era primordial e Ahalya sentia em seu coração.
– Foi exatamente assim que a vi pela primeira vez. – a indiana levantou o olhar para a figura que estava parada no umbral da porta, hesitante em entrar – Fui ver o bebê e a encontrei embalando o berço em que ele estava enquanto sorria para ele.
– Hyoga se recusava a dormir, tão pequeno e ainda sim tão ativo. – Ahalya voltou outra vez seus olhos para o rapaz adormecido na cama – Ele se parece tanto com Natássia!
– Os mesmos olhos, a mesma beleza... – Henry enfim entrou no quarto e foi ficar ao lado da mulher – E o mesmo coração doce alquebrado. Mas isso eu poderia ter evitado.
Ahalya levantou seus olhos amendoados para Henry, agora que ele estava próximo percebia o abatimento e tristeza que tomavam conta do semblante sério do francês.
– Eu falhei com vocês duas. – murmurou Henry – Jurei para Natássia que protegeria nossos filhos e protegeria você e não fiz nenhuma coisa nem outra por puro medo. – Henry olhava para Hyoga, os olhos castanhos estavam marejados por conta da emoção profunda que o possuía – Será que um dia vocês vão me perdoar?
Ahalya levou a mão à boca ante a pergunta estava espantada com aquele homem que via a sua frente. Henry sempre fora uma fortaleza, nunca se deixava abater e mesmo após a morte de Natássia ela nunca vira o francês tão fragilizado como naquele momento.
– Nada foi tão doloroso quanto ver o sofrimento nos olhos dele quando me dizia aquelas coisas terríveis. – continuou Henry sem perceber a perturbação de Ahalya – E como na primeira vez que ele me desafiou, há oito anos, eu fiquei tão assustado que não consegui fazer nada e depois só consegui fugir! E então encontrei o Amamiya e ele me levou outra vez para procurar Hyoga e quando nós chegamos ao quarto... – Henry respirou fundo e fechou os olhos para conter a dor – Doeu tanto! E agora o vendo assim é ainda mais doloroso quanto da primeira vez... Saber que ele não consegue mais viver... – ele se virou para Ahalya a segurando pelos ombros de repente – Eu não sabia! Natássia nunca me disse você nunca me falou!
– Mas eu também não sabia Henry. – Ahalya respondeu em um sussurro – apesar de desconfiar que algo muito grave aconteceu no passado de Natássia, ela nunca me contou. Eu só sabia que ela odiava o pai e eu não entendo até hoje porque você casou com ela se ela odiava o Vladimir e tudo que vinha dele.
– Foi um acordo entre meu pai e Vladimir, fomos obrigados. – Henry suspirou – Depois do nascimento de Kamus, Natássia ficou doente, mas escondeu isso de mim até que descobrimos Hyoga e então ela decidiu ter o bebe mesmo contrariando os médicos.
– E ainda sim eu não entendi. – Ahalya se voltou para o rapaz adormecido – Talvez ela o amasse também Henry, por isso aceitou casar. Vocês se conheciam há muito tempo... Eu e Natássia nos conhecemos nas missões de paz em que Vladimir a levava e depois na ONG na Índia, ela se tornou mais que uma amiga, uma irmã! Eu devia muito a ela, por isso quando me pediu que cuidasse dos meninos eu fui sem pestanejar.
– E Natássia me deu o segundo presente mais precioso que poderia me dar além da paternidade. – Ahalya levantou os olhos para Henry e o francês tocou delicadamente no queixo delicado da mulher – Ela me deu o amor e eu desperdicei, assim como desperdicei a paternidade. O que fiz com Shaka? Com Kamus e Hyoga?
– Você os rejeitou no momento em que eles mais precisavam de você Henry – sentenciou Ahalya – E agora, sabendo disso você vai abandoná-los outra vez?
– Eu...
– Meu deus! Franceses são muito complicados Kamus! – Ikky abriu a porta com Kamus atrás dele impedindo Henry de responder – Quanta burocracia!
– São procedimentos do hospital Ikky... – Kamus se virou e foi quando viu o pai ao lado da cama do irmão, ele se retesou e o sorriso morreu quando seu olhar encontrou o de Henry – O que faz aqui?! – perguntou ríspido.
– Vamos lá para fora. – Ahalya disse indo até Kamus e entrelaçando suas mãos na dele – Venha Henry, nós três precisamos conversar. Você pode cuidar do meu anjo Ikky?
– Eu vou prepara-lo para ir, a ambulância vem busca-lo à tarde para pegar o avião – Ikky disse assentindo olhando para os outros três que estavam tensos.
Quando Kamus fechou a porta atrás de si Ikky se jogou na poltrona ao lado da janela e suspirou pesadamente. Ver Henry ali não era boa coisa, mas esperava que tudo se resolvesse.
– Louro! Seu pai aqui realmente é porque algo importante vai acontecer – ele tocou na mão de Hyoga com carinho entrelaçando os dedos – Não acha bom que ele tenha vindo? Se ele veio é porque se importa.
– Talvez seja só remorso – Ikky ouviu a voz rouca e baixa e por um momento ficou indeciso se era de Hyoga que ela estava vindo, mas para atestas que ele não estava louco o lourinho abriu devagar os imensos olhos de céu e Ikky sentiu o coração falhar e depois bater frenético no peito – Ikky...
– Por Atena! Você... – ele chegou mais perto da cama segurando o rosto do namorado com delicadeza.
– Não me beije. – Hyoga tossiu fraquinho enquanto lambia os lábios ressequidos – eu estou com sabor de bueiro na boca.
Ikky abraçou o louro sem conseguir se segurar com o coração quase explodindo de felicidade. Hyoga deixou que seus braços recebessem o moreno e aquele abraço cheio de saudade e carinho.
– Eu preciso chamar os médicos! – Ikky saiu apressado do quarto e depois voltou tão rápido quanto um furacão com Kamus, Ahalya e Henry a tira color. Hyoga tentava se mover na cama ainda tonto e desnorteado pelo tempo dormindo e assim que viu a família um sorriso se insinuou pelos lábios vermelhos.
– Por Buda! – Ahalya correu em abraçar o filho e Kamus também não conseguiu se segurar todos muito emocionados acercando o rapaz que também parecia emocionado demais.
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