Ele Me Visita Quando Durmo
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“Desvendar o misterioso, perceber o extraordinário, realizar o impensável, é apenas parte da jornada de ser humano, na sua busca pela superação do impossível.” (Dimos Iksilara)
Quinze de setembro de 2010, Quarta-feira.
Oi Diário.
Hoje eu fui para aula, mas fiquei bastante avoada e algumas vezes eu cheguei a derramar algumas lágrimas em cima de meu caderno. Ainda me parecia uma mentira, um sonho, mas infelizmente era tudo realidade. Realidade sofrida que me machuca tanto assim. Eu não tenho nenhum amigo e o único que consegui é uma coisa que me assombra.
Na saída, escutei aquele sinal tocar machucando meus tímpanos com seu som agudo e irritante. Saí um tanto lenta e cabisbaixa, eu não tinha vontade de sorrir, mesmo sentindo leves gotas que desciam do céu tocando minha face. Eu sabia que a chuva ficaria mais grossa em pouco tempo e ficou, mas não liguei para isso. Não me importei se chegaria a casa encharcada, a verdade é que naquele momento cheguei a pensar que nem voltar para meu lar eu conseguiria.
O que mais me espantou em meu caminhar não foi a forte chuva que despencava ou os relâmpagos que desciam de uma vez causando um barulho horrendo e brilhando tudo por um breve momento, mas foi o rapaz que correu até mim e segurou em meu rosto com sua mão gelada pela chuva. Seus cabelos negros estavam tão molhados quantos os meus e seus olhos cinza pareciam preocupados. Eu não queria ver Steve, mas ele estava a minha frente.
Dirigi nenhuma palavra, apenas tirei sua mão de meu rosto e passei por ele, caminhando lentamente e tristonha. Uma mão segurou meu braço e meu corpo girou 180 graus, dando de cara com Steve. Nenhumas palavras saíram de nossos lábios, apenas olhares e tristeza explicava nossa situação, explicava o que sentíamos. Ele me abraçou, mas saí desse abraço que me provocava sensações deliciosas. Eu não queria sentir isso vindo dele. “Desculpe-me. Eu não queria magoá-la, mas você não entende.”. Aquelas palavras saíram suaves, mas não me tranquilizaram, não tiraram a tristeza de meu coração.
“O que é você?”. Foi o que consegui dizer. “Um demônio? Íncubos? Ou um fantasma? Talvez até um mutante!”. Seu olhar era assustado.
“Eu não posso dizer ainda!”.
“Por que não pode dizer? E por que sempre aparece e me toca com não deve?”. Ele segurou minhas mãos, mas soltei-as. Eu não queria contato com ele.
“Não posso dizer por que nem eu mesmo sei! E com relação aos encontros durante a noite, fiz isso porque tenho atração por ti. Você é linda e tão diferente das outras pessoas. Mas essa atração está se tornando algo aqui dentro.”. Apontou para o peito. As suas palavras surtiram um efeito tão diferente em mim que senti vontade de chorar. E chorei. Chorei apoiando minha cabeça em seu peito e sentindo minhas lágrimas se misturarem com as gotas da chuva. O seu corpo estava tão frio quanto o meu, mas me era aconchegante abraçá-lo.
Depois disso ele me levou até em casa e o fiz prometer nunca mais aparecer daquela forma assustadora para mim, se bem que agora eu já não me incomodaria.
Acho que vou parar de escrever por aqui e outro dia desabafo contigo, Diário. Até mais!
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