“Não sei o significado concreto desse misterioso envolvimento, mas deixo o vento do seu paladar penetrar delicadamente disparando meu corpo maviosamente com seu único e delicioso sabor.” (Fernanda Timbira)

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Dezoito de setembro de 2010, Sábado.

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Olá Diário!

Eu ainda me sinto mal com relação a Steve mesmo após já ter passado esses três dias. É estranho você ser amiga de alguém que viveu praticamente um mês te atormentando enquanto dorme, mas o bom é que ele não veio mais me atormentar, pelo contrário, me encontrava apenas na hora da saída do colégio. Eu acho que realmente ele tem um sentimento por mim e eu sinto arrepios quando estou próxima ao seu corpo, mas não posso dizer que estou apaixonada. Na verdade, não sei direito como é estar apaixonada, mas vamos deixar esse assunto para lá.

Hoje eu acordei muito bem, meu corpo estava leve e quentinho. Dormi como nunca e isso foi ótimo, mas novamente senti aquela sensação de que alguém esteve comigo, vou ter que falar com Steve sobre isso. Se ele quer dormir comigo podia pelo menos avisar e não aparecer como um fantasma ou sei lá o que.

Passei na biblioteca sem ao menos tomar um café antes, mas meu estômago não reclamou pela falta de comida, talvez a leitura conseguiu o efeito de substituição. Confesso que voei bastante lendo um livro e isso me fez um grande bem, foi incrível! Viajei por um mundo oposto, onde se tem intrigas e momento marcantes, reconciliações e beijos apaixonados, ódio e amor, final feliz. Chorei lendo aquele romance que não fiz coragem alguma de prestar atenção no título e no autor. Mas ele me comoveu de uma forma tão doce e linda que acabei por desejar um romance tão feliz quanto aquele.

À volta para casa foi estranha, minha mente flutuava, meus passos iam lentos. Caminhava sonhadora e pensando no homem do livro, um rapaz belo e doce, tão companheiro da protagonista e sempre a ajudava quando precisava. Naquele momento me encontrei com Steve, que abriu um sorriso a me ver e meu coração acelerou. Será que ele podia me fazer viver um romance? Dar-me um final feliz e aconchegos apaixonados? Sinceramente, meu coração naquele momento respondeu que sim, mas minha mente contrariou. Na verdade não contrariou apenas provocou uma dúvida. Ele é estranho, ele é uma sombra que me visitava a noite, mas era o rapaz que me ajudou quando aqueles garotos me bateram e foi o único que me beijou sem medo. Ele é doce e misterioso e sempre está sorrindo para mim, sua voz é meiga e seu rosto também, e seus olhos cinza me hipnotizam. Ele arranca suspiros de meus lábios, batidas fortes de meu peito e pensamentos de minha mente. Isso é paixão?

Abraçamo-nos e ele beijou minha cabeça, perguntando como eu estava e aonde iria. Respondi que estava a caminho de minha casa, mas se quisesse poderíamos passar um tempinho juntos até que a hora do almoço chegue. Ele negou, mas disse para nos encontrarmos na praça às 16 horas e acabei aceitando. Levou-me até em casa e beijou minha mão de costume. Entrei em casa e fiquei bastante pensativa, com um sorriso nos lábios. Não sei por que estava sorrindo, mas meu coração sabia e infelizmente ele não me contou.

O almoço foi tão diferente, Florence conversava empolgada comigo e chegou até mesmo a fazer algumas brincadeiras. Ela estava começando a se tornar uma mãe para mim e isso estava me fazendo bastante feliz. Após, lavei as louças e ajudei-a com a faxina caseira.

As horas hoje pareceram passar mais rápido e não demorou muito eu já estava em frente ao espelho penteando meu comprido cabelo escuro e deixando os fios lisos escorrerem por meus ombros, costas e seios. Senti-me linda e romântica.

Meus passos eram calmos e em pouco tempo já me encontrava na praça, sentando em um banco onde optei ser o melhor no momento, já que estava sendo sombreado por uma longa árvore. Levei você comigo, Diário, e mais uma vez escrevo neste lugar que tanto aprecio, sentindo uma leve brisa bater em meu corpo e espalhando alguns fios de cabelos. No momento Steve ainda não chegou, mas em breve aparecerá e acho melhor cessar de escrever por aqui, porque geralmente ele me pega de surpresa e tampa meus olhos. Então até a próxima querido Diário!

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Voltei! Meu dia hoje, por algum motivo maluco, foi muito especial em todos os sentidos! Ficar com Steve foi ótimo e ele foi tão carinhoso comigo que me senti a pessoa mais especial do mundo. Como eu havia deduzido, ele chegou tampando meus olhos e dando um suave beijo em minha bochecha quando acertei quem era – como se a resposta fosse um tanto difícil de adivinhar. Steve estava lindo com aquela camisa vermelha, dava um contraste especial com sua pele tão clara, suas sardas tão leves e seus olhos exóticos. Como sempre sorrindo e sentando ao meu, mas desta vez segurou firme minha mão enquanto conversávamos sobre a beleza daquele parque e os casais apaixonados que passeavam de mãos dadas. Esses são os tipos de assuntos que eu jamais conversaria com alguém, mas Steve é tão especial que tudo acaba se tornando interessante e divertido.

Entrei naquele assunto sobre o que ele é, mas continua insistindo em dizer que não sabe, mas que está em busca da verdade. Perguntei como ele conseguia fazer aquelas coisas, como desaparecer ou virar uma sombra. A resposta foi que também não sabia, era algo natural e fácil, assim como andar e falar. Aprofundei um pouco mais perguntando o porquê daqueles atos eróticos comigo, sua resposta me deixou escarlate. “Já disse, quando comecei a te observar te achei tão interessante, diferente e linda que senti uma atração sexual enorme por ti, mas quando nos aproximamos esse desejo se tornou paixão.”. Sincero e fofo concorda?!

Mas ainda tenho curiosidade sobre o que ele é. Perguntei se havia possibilidades de ser um Íncubos, Steve disse que não sabia ao menos o que isso significava e quando expliquei sua resposta foi clara. “Só fiz isso contigo e não me alimento através de atos sexuais.”. Cortei da lista o Íncubos, mas acho que ele é um fantasma. Um fantasma visível para as pessoas porque ele conseguiu perguntar tranquilamente para um casal de idosos sobre as notícias no jornal em que ambos liam.

Quando o pôr-do-sol chegou, Steve me encarou com um olhar tão diferente que sacudiu meu coração arrepiando minha coluna espinhal. Não consegui compreender o motivo disso tudo, daquele sorriso que se abriu e daqueles olhos brilhantes, parecia que tudo havia se paralisado e suas palavras contribuíram ainda mais. “O pôr-do-Sol é tão maravilhoso não acha?! Eu gosto de ver seu cabelo com o reflexo alaranjado provocado pelo sol nesse momento tão especial, até seus olhos azuis ficam amarelados! Sabe, esse momento tão especial me provoca um frio na barriga e um enorme desejo de beijá-la.”. Preciso explicar o porquê suas palavras me deixaram mais inerte ainda?!

Não respondi nada, apenas fechei meus olhos ao observei-lo vagarosamente aproximar seus lábios aos meus e quando senti o toque suave meu estômago resmungou de tantas borboletas. Seus lábios eram um pecado e tão doce quantos suas mãos que acariciavam meu rosto. Eu não sabia se ainda estava no planeta Terra naquele momento, parecia tudo um sonho ou alguma coisa boa de mais para ser real, talvez fruto da minha imaginação. Foi nisso que acreditei enquanto nos beijávamos, mas ao sentir nossos lábios se separarem e abrir meus olhos que se encontraram com o cinza dos deles eu quase chorei de tanta emoção. Nenhum garoto chegou a dizer que sou interessante, nunca disseram que sou bonita e que desejava me beijar. Minha alta-estima subiu de uma forma quase milagrosa me deixando contente para o resto do dia. Ele me trouxe de mãos dadas e nos despedimos com carinhos e selinhos.

Diário, me sinto tão viva, tão especial que estou a um ponto de começar a voar. Só não tento porque não possuo asas e isso seria suicídio. Eu sei que esta noite durmo bem e não me importaria se ele viesse em meu quarto fazer-me uma visita especial como andou fazendo por essas semanas. Deseje-me boa sorte e até a próxima!