Notas iniciais
Olá queridas e queridos! Estou de volta!!!! Bem, passei por diversos problemas, muitos acontecimentos, muitas coisinhas chatas e me vi obrigada em excluir minha conta do Nyah!Fanfiction, porém, estou de volta para escrever e acompanhar muitas fics! *---* Estou repostando EMVQD, que foi meu "livro" (e.e) de maior sucesso por aqui, para os fãs, que queiram reler ou guardar para si, aqui está! E para aqueles que ainda não leram, sejam bem-vindos! *0* Beijos e até mais! Boa leitura.

“Viver sem problemas é impossível. O sofrimento nos constrói ou nos destrói.” (Augusto Cury)

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Nove de agosto de 2010, Segunda- feira.

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Oi diário.

Meu nome é Hellen, tenho dezesseis anos. Esta é a primeira vez que escrevo em um diário e a verdade é que não sei bem o porquê de escrever agora, mas sinta-se lisonjeado por ser o primeiro. O clima de hoje foi frio e com uma razoável chuva, para o meu agrado. Eu gosto da chuva e de sentir o vento gelado bater em minha pele quente, não é uma atitude com intenção masoquista simplesmente me sinto bem com isso.

Gostaria de relatar que hoje acordei com uma sensação esquisita de que alguém me acompanhou durante a noite. Não sei dizer como algo assim aconteceria, já que durmo só, mas eu sabia que desta vez foi diferente. Levantar da cama sentindo aquele vazio enorme, a falta de um alguém que eu não sabia dizer quem era, mas que me acabou por me deixar triste sem a sua presença. Eu sei que isso é um tanto estranho e não consigo explicar o que ocorrera comigo, mas aquele aperto em meu peito me assustou um tanto. Talvez tivesse sido alguma espécie de sonho que não conseguia recordar, ou realmente alguém atreveu a se colocar presente em minha cama essa noite? Invasor? Não, meu sono não é pesado o suficiente para não ter notado alguém. Fantasma? Não acredito nessas coisas.

Sair para estudar é umas das coisas que me estressam bastante, pincipalmente por aturar colegas de escola que amam implicar com minha pessoa. Não sei o que se passa na mente deles para agirem assim, talvez porque eu sou uma “menina valentona”, pelo menos é assim que me chamam. Eu sei que perco o controle facilmente, mas seria tudo tão mais simples se eles apenas me deixassem na paz em meu cantinho.

Eu sento no lugar de sempre, em uma mesa na parede e no fundão da sala. Gosto deste lugar, pois assim eu posso ficar em paz, distante de todos, me excluindo da sociedade, sozinha em meu mundo, voando em meus pensamentos malucos e perturbados.

Prestei atenção em absolutamente nada do que a professora havia falado e mal notei quando o horário do intervalo começara e cessara. E daí? Para mim isso pouco importa. Eu sempre tenho de fingir não escutar as pessoas para não cometer alguma loucura.

No horário da saída estive bastante contente, peguei minha mochila e saí a longos passos daquele inferno que costumam a chamar de colégio. Pode até servir para se ter um bom futuro nessa vida imbecil, mas não deixa de ser chata. Mais chata ainda por toda vez que eu andar aparecer algum idiota que começava a zombar de mim gritando coisas como “Olha a valentona passando!”. Não tenho culpa de ter a mão pesada e saber brigar bem e principalmente por eles implicarem comigo praticamente implorando para apanhar.

Chegar a casa era para ser um alívio, mas muitas vezes eu encontrava minha mãe adotiva bêbada, com lágrimas em seus olhos verdes e murmurando coisas que raramente eu compreendia e hoje foi um desses dias. Lembro-me de ter me chamado por meu apelido “Ellie” como se fosse dar alguma espécie de carinho ou conselho maternal. Mas ela raramente fazia isso e nunca por sinceridade, eu acho.

Quando me aproximei de sua figura magra senti aquele hálito de vodca e um enjoo passou por meu estômago. Observei que sua maquiagem estava bastante borrada por causa das lágrimas. Ela me fitava um tanto esquisita e gritou algo como “Por que se atrasou?”. Eu não entendi o motivo dela falar isso, sendo que aquele horário era umas 17h30min. Eu não estava atrasada, talvez ela tenha saído mais cedo do trabalho, mas a sua embriaguez não lhe tenha deixado recordar.

“Não estou atrasada, a senhora que chegou um tanto mais cedo e confundiu por não me ver aqui.” Foi o que consegui dizer, mas ela gritou histérica um “Cala a boca! Não diga besteiras só para se livrar de sua culpa. Se eu souber que você andou mexendo com drogas...”. Queria entender de onde ela tirou essa ideia de eu estar usando drogas. Tentei dizer que nunca me envolvi com isso e que nunca iria me envolver, mas ela não acreditou me chamando de mentirosa e insistindo naquilo do qual não fiz. Tentei convencê-la, mas isso piorou a situação e acabei levando um tapa na cara estralado que me fez cair ao chão. Aquilo doeu bastante, tanto por fora e mais ainda por dentro, porque eu nada fiz.

A única coisa que consegui fazer após essa situação humilhante foi correr para meu quarto sentindo as lágrimas quentes percorrem meu rosto e me tranquei, deitando em minha cama a abafando meu choro com o travesseiro que estava em meu rosto. Fiquei um bom tempo me perguntando o que havia feito e o porquê dela me odiar tanto para fazer esses absurdos comigo toda vez que bebia. E ela nem ao menos é minha mãe verdadeira.

Parece que não se sentiu satisfeita com aquele tapa e veio tentar fazer mais coisas comigo, tipo me bater para valer. Digo isso porque ficou batendo na porta de meu quarto parecendo uma louca, isso sem contar os palavrões que anunciava. Naquela hora tive tanto medo e corri para dentro do guarda-roupa, prevenindo-me caso ela conseguisse quebrar a porta. Camuflei-me entre meus casacos e vestidos. Meu corpo ficou encolhido e por bastante tempo permanecia lá.

Estive dentro do guarda-roupa por volta de umas duas horas mais ou menos e me perguntei como essa mulher conseguiu tantas energias para ficar esse tempo todo batendo na porta de meu quarto. Saí do guarda-roupa quando tudo ficou silencioso, talvez ela tenha desistido ou talvez tenha caído inconsciente no chão. Quando me levantei, meus músculos estavam doloridos e minha coluna também, isso sem contar as dormências em minhas pernas e os ossos que estralaram.

Havia deitado na cama e senti meu estômago roncar e isso era bastante ruim porque eu não podia fazer a janta com a Florence bêbada e descontrolada daquele jeito. Talvez estivesse desmaiada, mas preferi não arriscar. A solução que havia encontrado era comer sabonete, então eu fui ao banheiro e mordi um pedaço daquele objeto e me arrependi. O seu sabor não era nada agradável e muito menos recomendável comê-lo, talvez fosse até tóxico. Voltei para minha cama, sentando nela e por acaso te achei, jogado em baixo da cama e comecei a escrever. Talvez essa seja uma boa forma de desabafar. Meu estômago ainda dói de fome, mas acho que uma boa forma de me livrar dessa dor é dormindo, então cesso essa escrita por hoje e quem sabe escrevo mais depois. Agora vou dormir, tenha bons sonhos, diário.