Eldrwin E O Pergaminho Mágico De Orion
16 Perto!
–SALVE A PRINCESA! SALVE A PRINCESA! — Todos do salão no primeiro pavimento do templo de pergaminhos novamente se colocaram de pé e disseram em coro enquanto Anya, os soldados, Eldrwin e Kairou passavam e seguiam rumo á entrada principal.
–Parece que foram treinados para dizer isto não é? — Disse Kairou á Eldrwin que preferia nem sequer olhar para cena por ainda não conseguir entender o por que da princesa do reino simplesmente abominar qualquer tipo de honraria dirigida á ela. Caminharam mais um pouco e chegaram á rua que ficava frente ao templo onde se encontrava parada uma carruagem branca bastante bela e com detalhes em ouro espalhados pelo lado de fora de sua cabine. Possuia quatro grandes rodas vermelhas em seu eixo também de ouro e se destacavam chamando atenção até mesmo de longe. Os guias do veículo eram dois cavalos com o porte imponente e de pelugem também branca. Tão branca que parecia brilhar aos olhos de quem via. Os nove soldados que estavam com Anya, seguiram para seus próprios cavalos que estavam amarrados noutro lado da rua, enquanto um ficara e abrira a porta para que a princesa tivesse acesso ao interior do carro. Antes de entrar porém, Anya virou-se para Eldrwin e Kairou para se despedir.
–Procurem o maior nuemero de pistas sobre o que nós lemos está certo?
Disse aos garotos enquanto ambos faziam sinal de sim com a cabeça.
–E você tome cuidado para que ninguém além de nós saiba. — Disse Eldrwin com um claro tom petulante que fazendo com que a princesa mostrasse um pequeno sorriso justamente pela falta de mimos dirigidos á ela.
Logo foi subindo os pequenos degraus da escada da carruagem até se colocar dentro dela e se sentar no estofado felpudo e macio de cor vinho. O soldado então fechou a porta enquanto os outros nove iam se aproximando pela parte de trás montados em seu cavalos altos com a pelugem amarronzada também bem brilhante e lustrosa formando duas filas. Cada fila com quatro soldados, enquanto isso, o outro ia se dirigindo para a frente do primeiro cavalo, o que guiava a carruagem. O soldado que estava se colocando á frente levava consigo uma trombeta de outro puro, longa e brilhante. Anya então deu um ultimo recado aos jovens antes de partir.
–Não participem de nada sem mim certo? E lançou um olhar diferente e muito fixo para Eldrwin que entendeu a mensagem. Mesmo sendo perigoso, se houvessem lutas, Anya não gostaria em hipótese alguma em ficar de fora por mais perigoso que pudesse ser.
Até que um som alto de trombeta ressoou. As pessoas andando pelas ruas movimentadas pararam e começaram á procurar de onde estava vindo o som até constatarem que vinha da carruagem de Anya. Todos que passavam em frente á ela curvavam suavemente a cabeça em reverencia e continuavam seu caminho. O soldado então colocou as mãos nos arreios agitando-os e fazendo os cavalos galoparem lentamente pela rua onde estava. Os outros soldados também seguiam o mesmo caminho. Anya foi se afastando deixando Eldrwin e Kairou sozinhos e prestes á irem para onde disseram que iriam. Para a casa de Kahlil.
–Logo logo o sol já vai se por — Disse Eldrwin á Kairou ao mesmo tempo que olhava para o céu que começava á ficar da cor do poente — Temos que nos apressar enquanto o pai de Kahlil provavelmente esteja trabalhando.
–É uma pena o templo ficar justamente no centro do reino e a casa de Kahlil ser praticamente ao sul — Reclamou Kairou franzindo a testa lamentando. — Bom não temos escolhas, Vamos lá.
Lado á lado, os dois começaram á caminhar pelas ruas á passos largos. Iam cruzando com todo tipo de pessoas. O reino estava ainda movimentado e faltavam algumas horas para anoitecer. Tudo estava indo muito bem até que de um momento para o outro, Eldrwin começou á sentir algo dentro de si que ele não entendia. Parecia que algo por dentro espremia seu coração com grande força. Uma sensação de que seria atacado por trás á qualquer momento e que este ataque seria fatal. De súbito, virou o rosto com tamanha violência para o lado oposto que chegou até estalar.
–Está acontecendo alguma coisa? — Perguntou Kairou completamente confuso.
Mas Eldrwin não conseguia entender. Havia alguém no meio da multidão que estava ali querendo alguma coisa. Ele sentia como se alguém lhe atravessasse as entranhas. Era uma grande agonia. Indescritível. Não conseguiu segurar e fez a declaração assustadora ao amigo.
–Nós estamos sendo seguidos Kairou! ... E tenho certeza disto!
Os olhos de Kairou se arregalaram. Começava a se lembrar da noite anterior em que quase foi morto por varios guerreiros negros. Mas ali? Em plena luz do dia e na frente de várias pessoas? Era impossível.
–Mas Eldrwin! Ainda é dia! Não pode ser!
–E seja quem for vai nos atacar.
Os dois apressaram o passo. Estavam praticamente correndo porém com bastante dificuldade de se locomoverem por causa da quantidade de pessoas vindo em direção oposta e que sem querer, se chocavam contra eles. A sensação sentida por Eldrwin foi ficando mais forte. Ele precisava se livrar daquele perigo mas, uma batalha ali naquele lugar possivelmente faria com que todo o sigilo se dissolvesse completamente.
–Iremos fazer o seguinte... — Disse Eldrwin se virando e cochichando para o amigo sentindo que algo mortal se aproximava mais e mais.
Caminharam mais alguns passos até que ambos chegaram em um cruzamento. As pessoas ainda andavam para todos os lados falando alto e carregando alguma coisa em mãos. Eldrwin e Kairou se olharam e cada um seguiu uma direção oposta correndo o máximo que podiam.
No meio do cruzamento estava uma figura com uma túnica vermelha e uma pedra amarelada em mãos. Era Hasef. O rosto tomado de ódio e rancor tampado pelo pano bastante velho da túnica. A pedra em sua mão direita brilhava fortemente, até que foi parando de brilhar aos poucos. O velho abriu um sorriso mostrando os dentes podres por debaixo da túnica e disse á sim mesmo á seguir.
– O pergaminho de Orion está por aqui! Está perto! Muito perto! Dmitri precisa tomar consciência disto neste exato momento! — E saiu andando em meio á multidão acariciando a pedra com a mão esquerda.
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