Elas Contam

1 Capítulo 1 - Aria


Notas iniciais
Sejam bem vindos a esse estranho mundo feminino!

P.D.V. Aria

Acordei com a luz do sol incomodando meus enormes e assustadores olhos castanhos. O destaque as palavras "enormes" e "assustadores" se deve a ter sidoessasas palavras que meu ex-namorado usou antes de me chutar.

"Seus olhos são enormes, e as vezes até assustadores."

Só pra deixar claro, depois disso eu chutei as bolas dele.

Enfim, voltando ao meu acordar, eu percebi que não estava na minha cama. O que me levar á crer que eu também não estava sozinha. Há um mês, desde que Mike e eu terminamos, eu não tenho passado minhas noites vendo filmes românticos enquanto choro em cima de um pote de sorvete.

Eu tenho transado. E muito.

O problema é que eu nunca achei um cara bom o suficiente. Tipo, o cara. Mas como você pode escolher o melhor sem experimentar os outros?

Nossa, isso soou tão vadiamente vadia.

— Bom dia. — Disse um cara entrando no quarto onde eu estava. Belo quarto, por sinal. Já o homem era loiro, musculoso, olhos verdes, e trajava apenas uma bermuda branca. — Você deve estar com fome.

Ele pôs sobre a cama de casal onde eu estava uma bandeja de café da manhã recheada de pães e frutas.

Acho que o nome dele é Jason.

— É, mais ou menos. — Respondi enquanto ele se sentava á minha frente. — Sabe, a primeira coisa que me passou pela cabeça quando eu acordei foi: Seu nome é tão incomum, sabe?

Ele me olhou, confuso. Quando não se sabe o nome do cara com que você transou na noite passada, tente esta tática.

— Não acho Jake um nome incomum. — Ele disse sorrindo.

Jake. O nome dele é Jake. Agora só consertar meu pequeno erro.

— Sabe como é, eu vim da...da... Escócia...Jake não é um nome comum por lá. — Sorri enfiando um pão na boca.

— Engraçado, você disse que sua família era americana... — Ele ficou mais confuso ainda.

— Metade americana, metade escocesa. — Respondi rapidamente, tentando parecer o mais sincera possível.

Passei os olhos pelo quarto, até pousá-los num rádio relógio ao meu lado.

8:30 da manhã.

— Merda! — Exclamei levantando e procurando minhas roupas pelo quarto.

Sutiã, ok. Saia, ok. Blusa, ok.

— Blazer... blazer... — Balburdiava enquanto procurava meu blazer preto. Achei-o jogado em cima da cômoda.

— Aonde você vai? — Perguntou o Jake.

— Trabalhar. — Respondi enquanto jogava o cabelo pro lado e o prendia em um rabo de cavalo mal feito.

—Aria, você...Poderia não contar a ninguém sobre meu probleminha? — Pediu envergonhado

Eu o fitei, confusa. Ele apontou pro amiguinho lá embaixo. Ah, porra, óbvio.

— Sobre a disfunção? — Perguntei. —O.k., sem problemas.

Caminhei até a bandeja e peguei uma maçã verde. Cinco minutos depois e eu estava andando pela rua, tentando pegar um táxi e comendo a minha maçã. Eu disse tentando.

Um defeito de Nova York? Diferente dos filmes, quando uma pessoa assovia, nunca para a merda do táxi.

Uma vantagem em saber disso? Eu carrego um apito na bolsa. É, um apito. Sim, um daqueles que serve pra apitar.

Retirei meu bom e velho apito metálico da bolsa, engoli o último pedaço da maçã, e soprei com toda a força. Resultado: Metade dos carros da rua pararam, e a outra metade quase se meteu em um acidente. Assim que avistei um táxi vazio, corri e adentrei o veículo.

Viu? Se você mora ou pretende vir para Nova York, traga um apito. Mesmo que isto custe dezenas de xingamentos.

— Destino? — Perguntou o taxista.

— Empresa Walter's. —Respondi.

Empresa Walter's é, nada menos, que a empresa de relações públicas mais famosa de NY. Na verdade, é uma rede de empresas com cede em NY. E eu obviamente trabalho lá.

Olhei meu relógio de pulso: 8h45min. Eu ia me atrasar se parasse para trocar de roupa. Por sorte, eu sempre trago uma blusa limpa na bolsa. Agora é só trocar.

— Moço. — Chamei. — Que prédio é aquele ali? — Perguntei apontando para um prédio qualquer, que, por sorte era o Empire States.

— Aquele ali? — Ele perguntou olhando para fora do carro. Enquanto isso, eu retirava a blusa e trocava pela outra. — É o Empire States.

— Não moço, o alto. — Falei ganhando tempo.

— É o Empire States, senhora.

— Aquele lá, com uma agulha enorme no topo.

— É o Empire States! — Exclamou olhando pelo espelho do motorista.

Ha-ha, blusa trocada com sucesso.

— Ah, é verdade. — Falei fitando o engarrafamento. Eu estava á duas quadras do prédio onde eu trabalho. — Toma, eu vou ficar aqui mesmo. — Entreguei a ele uma nota de dez e desci apressada do veículo.— Fica com o troco!

Senti algo vibrar na minha bolsa. Abri e fui logo procurando meu telefone, enquanto caminhava rápido.

Mensagem da Alison

Criatura, cadê você? A reunião importante-do-século começa daqui á sete minutos e nada de Aria por aqui. Se tiver morrido, avisa que eu fico com o seu cargo.

Kisses.

Alison, minha melhor amiga e companheira de trabalho. Tão fofa quanto eu.

Respondi enquanto caçava um pequeno frasco de enxaguante bucal que eu sempre carrego na bolsa.

O que foi? É melhor prevenir do que remediar.Especialmente quando se é do sexo feminino.


To chegando, perua. Segura meu emprego.

Quando finalmente achei o bendito líquido azul, já estava entrando no prédio. Por sorte, o elevador estava vazio quando eu entrei gargarejando. Olhei ao redor, e a única coisa que havia ali era um pequeno vaso de planta, no qual deveria ser entregue para alguém no 10º andar, como dizia no bilhete colado á ele. Bem, ele agora seria entregue já regado.

As portas do elevador se abriram no 7º andar. Sai terminando de retocar o batom.

Passei correndo pela secretária, que estava sempre com a mesma saia longa preta, e disse um bom dia bem rápido.

9h01min.

— Bom dia, Srtª Peterson.— Disse o presidente da empresa ao me ver passar pela enorme porta de vidro da sala central de reuniões.— Está atrasada.

Um minuto. Um minuto, velho filho da...!

— Me desculpe, Sr. Walters, isso não vai mais acontecer.— Disse me controlando e me sentando ao lado da Alison, que hoje estava com os cabelos loiros soltos. O velho não disse nada.

— Senhoras e senhores.— Disse o filho do Sr. Walters, que é o vice presidente. Só que, diferente do pai, ele é simpático, e... Um gato.— Dando início á nossa reunião, gostaria de apresentar-lhes o Sr. Oliver, um dos encarregados do novo projeto da empresa...

Ele ergueu a mãe para o homem ao seu lado, que, diferente de todos ali, não estava com uma roupa social. Usava uma blusa de manga comprida, calças jeans,provavelmente um tênis, e...Jesus, que deus grego!

Antes que vocês pensem que eu sou a rainha das galinhas, não é bem assim. Se você é homem e esta lendo isso, saiba: As mulheres também tem pensamentos pervertidos. Eu ainda sou daquele grupo que repara no bumbum. Se você é mulher, com certeza vai me entender.

O desconhecido se levantou e acenou com a cabeça.

— Só Jensen, por favor.— abriu um leve sorriso e sentou-se novamente.

Pequena observação: Ele tem voz grossa.

Enfim, depois de quase uma hora o filho do Sr. Walters finalizou a reunião. Eu prestei atenção, claro, mas sempre com um olho naquela escultura divina do outro lado da mesa. Como era clássico nas finalizações do Owen, ele disse:

— Qualquer dúvida, procurem a Srs. Cooper.— e fez um gesto na minha direção. E eu sorri sem graça.

Como sempre.

Os acionistas já se retiravam quando Ali cochichou no meu ouvido.

— Sr. Só Jensen está vindo tirar umas dúvidas com vocês. Conta depois.— deu aquela risadinha de quenga dela e saiu.

Mas não é que o homem veio mesmo?

— Cooper, certo?— ele se aproximou.— Sinceramente, eu prefiro mais os nomes, então...

— Aria.— completei seu raciocínio.— Aria Cooper.

— Então, Aria, eu tenho umas dúvidas sobre o projeto. Da pra gente tomar um café enquanto discute isso?

Eita, ele é rápido. Mais do que eu.

— Claro.— sorri.

No caminho até o café mais próximo, ele me contou um pouco sobre sua mudança para Nova York. Tinha vido da Flórida, trabalhava com turismo lá. Conheceu o Owen em uma jogo de basquete e não demorou muito para a proposta de emprego chegar. Também contei um pouco sobre a vida sobre a minha vida, omitindo a parte do pé na bunda.

Quando chegamos, haviam duas mesas disponíveis. Ele me deixou escolher, e eu peguei a mais no fundo. Fiz o pedido pelos dois.

Quando o expresso chegou, ele disse:

— Nossa, gostei do lugar. Vou trazer a minha noiva aqui qualquer dia desses.

E foi ai que ferrou tudo. O CARA É NOIVO GENTE. E a idiota aqui nem reparou.

— Noiva?— enfiei meio litro de café na garganta.

— Sim. Eu te contei sobre a Jena? Vamos nos casar daqui a um mês.

Agora babou tudo. Eu aqui, cheia de segundas intenções, e ele só queria tirar dúvidas mesmo. Mesmo frustrada, foi isso que eu fiz. Afinal de contas, ainda sou uma boa profissional.

— Você pode me passar o seu telefone? Assim, fica mais fácil.— ele pediu, retirando o aparelho dele do bolso.

Eu tive que pegar o celular, porque, adivinhem: Eu não sei o meu número de cabeça. Esta salvo como "EU" na minha lista de contatos. E ai veio o outro problema: eu não estava com o telefone.

— Droga, eu esqueci o meu celular na empresa.— ele me olhou, esperando o número. Eu não podia passar mais essa vergonha, então dei um número qualquer e tratei de sair dali. Se ele realmente me ligasse, eu podia falar que troquei de número ou coisa assim.

Não precisei pegar um táxi até a empresa, porque ficava a algumas quadras dali. Em dez minutos, cheguei no meu destino. Corri para a sala de reuniões novamente. Uma pequena observação: A plantinha já tinha sido entregue.

Enfim, lá estava ele, um imenso ponto verde no meio de um monte de papéis. Sim, meu celular é grande e verde. Quando estava quase chegando no elevador, notei que havia uma luz acessa ainda. Owen ainda estava lá, na sua sala, trabalhando feito um condenado.

— Assim você vai acabar enfartando antes do seu pai.— falei, parada na porta. Eu e Owen éramos muito amigos, apesar das broncas que ele sempre me dava.

— Aquele lá nunca vai ter um problema de saúde.— riu.— Mas você tem razão.— abaixou a tela do notebook, deixando a sala quase escura.

— Você precisa descansar, Owen.— adentrei a sala e espalhei os papéis sobre a mesa.— Vamos embora.

— Sabe que eu vou ter que trabalhar em dobro amanhã para arrumar tudo isso, não é?— ele sorriu, se levantando.

— Sei. Ai eu venho te buscar de novo.

E ai aconteceu o pior dos piores: Meu telefone caiu no chão. PORRA CELULAR COR DE CAPIM MALDITO!

— Droga.— murmurei, me abaixando para pegar. Quando levantei, Owen estava quase colado em mim.

Me esquivei, mas não muito. Os olhos verde acinzentado dele me olhavam de uma forma estranha. Nenhum cara tinha me olhado assim antes. Não que eu me lembre.

— Posso te contar uma coisa?— fitou minha boca, mas logo voltou para os olhos.— Eu adoro os seus olhos.

— Sério?— contive um sorriso.

— Eles são chamativos. Quase chamam mais atenção que a sua boca.

Sorri de vez. Eu tinha achado o cara. Agora, claro, só faltava provar isso.

— Quer mesmo fazer isso?— perguntei.— Sem compromisso, só...

— Com certeza.

Ficamos um tempo nos encarando. De repente, ele me puxou para dentro da sua sala e fechou as persianas.

E sim, aconteceu bem ali, no meio dos papéis que eu acabara de bagunçar.

Notas finais
E aí, o que acharam? Capítulo que vem é outra personagem, com outra história! COMENTEM FANTASMAS. Até :*