Notas iniciais
Não tem muito o que dizer, esse capítulo ficou razoavelmente pequeno (Pelo menos para mim) Mas é porque se eu fosse deixar ele maior ele acabaria tendo umas 5.000 palavras...

O sol se punha e o frio aumentava rapidamente, o que fez com que Angélica se arrependesse de não ter pegado um casaco.

— Quer que eu pegue um abrigo? -Perguntou Ruby colocando uma das mãos geladas no ombro da jovem, o que fez ela recuar.

— Não precisa, Ruby. —Angélica sorriu e cruzou os braços — Deus sabe o que eles estão falando agora. Podem ficar com raiva se você atrapalhar.

Embora parecesse uma desculpa, as duas sabiam muito bem que era verdade, tinham experiência com essas situações.

— É verdade...–A empregada concordou – Mas se você pegar uma gripe será pior! Pegue o meu xale, não estou com tanto frio.

Angélica não pensou duas vezes para pegar o chalé.

O tecido era leve e a costura cheia de buracos, mas mesmo assim ela se sentiu melhor. Provavelmente era só seu psicológico jogando com ela. Angie se lembrava de quando estudou isso, ficou encantada por semanas.

As duas seguiram caminho até o mercado que era ali perto, não gastaram mais de 10 minutos para chegar até a praça.

As diversas tendas estavam mal distribuídas entorno da enorme praça. Comerciantes gritavam seus produtos e as crianças corriam. Angélica amava aquele caos, pelo menos na maioria das vezes.

— Vou comprar as coisas. — Ruby chamou a atenção da garota — Por que não vai dar uma volta?

— Está bem, mas me chame quando acabar. — Ruby assentiu com a cabeça e começou a procurar algo na sacola que levava. Logo, tirou dali um saquinho com uma porção de dinheiro e extendeu para a jovem.

—Senhorita, pegue algum dinheiro! Pode gostar de algo. — Ruby sorria de forma educada. Angélica então agradeceu e pegou o dinheiro.

A garota caminhava esbarrando nas pessoas e quase sendo derrubada. Tinha certeza que sairia dali cheirando suor.

— A cidade já é pequena para esse monte de gente e ainda decidem ir todos para o mesmo lugar...— Resmungava toda hora.

O fluxo de pessoas finalmente diminuiu quando chegou na esquina da praça e ela pode enxergar onde estava indo.

Passava enfrente a um bar que estava do outro lado da rua. Ela teria entrado, mas percebeu que não era um bom momento. Carlos e André, os dois estavam ali, e isso significava problema caso ela se aproximasse.

Os três estavam sempre juntos na infância, mas por volta dos 15 anos se distanciaram. Bem, pelo menos André sim...Não soube muito bem o motivo por muito tempo.

Quando Carlos disse que gostava de Angie, André simplesmente sumiu, parou de falar com eles.

Dias depois descobriram que ele também nutria sentimentos por Angélica e que estava a ponto de se confessar.

E Carlos manteve-a sempre distante do coitado, não queria que André tivesse a oportunidade de tentar ficar com ela.

E ele conseguiu isso por um longo período de tempo! Mas quando foi servir ao exército André tentou aproximar-se novamente...

Angélica teria ficado feliz de reatar a amizade, mas ele não era mais o mesmo. Havia cortado os cabelos loiros em um corte militar, estava excessivamente musculoso e alto. Mas a aparência não foi o que mais mudou, ele estava realmente mudado. Gostava de beber, sempre jogando, utilizava um vocabulário chulo e andava sempre com umas 10 garotas...Era triste para ela.

— Angie! —Carlos chamou de dentro do bar, mas a garota fingiu não escutar e seguiu caminho. —Pequena!

Ela virou-se inconscientemente ao ouvir o apelido. Se sentia um cão sendo chamado pelo dono.

— Droga...— Murmurou e abriu um pequeno sorriso.

Carlos sorrindo fez sinal para que ela entrasse no bar.

O que mais ela poderia fazer? Suspirou e foi.

— Boa noite, querida! -Ele sorria como uma criança feliz ao segurar a mão de Angelica.

— Carlos, você é idiota? — Ela tapou a boca dele com a mão que restava e puxou a outra das mãos dele. — Seja discreto...

— Estão mais preocupados em ouvir o jogo. —Ele apontou para o círculo de brutamontes envolta do rádio — Não se preocupe.

Ela se sentou no banco a lado dele e observou o cardápio. Nada que ela quisesse, só havia bebida alcoólica.

— Conversou com o André? — Ela colocou a cardápio de lado e cochichou baixinho perto do ouvido de Carlos.

— Não. — Ele fez uma cara confusa –Por que iria? Não tenho o que falar com um muro musculoso.

— Não seja infantil! Ainda guarda rancor? Sabe que ele não quer mais nada comigo...Podiam ser amigos de novo.

—Quer, quer sim! Só que agora não é só com você...Ele quer todas que puder ter. Ele cantou você na minha ausência.

Ela levantou uma sobrancelha e debruçou sobre o balcão, encarando fixamente o companheiro.

—Eu não te contei isso... Você falou com ele sim!

Ele tentou bolar uma desculpa mas acabou por baixar a cabeça, era demais para ele, era pessimor em mentir.

—Talvez...Mas foi ele quem me chamou! Disse que nós não temos nada, então que é para eu parar de ficar tão na sua cola. —Ele suspirou — Não aguento mais. Eu quase disse para ele que temos sim! Sábado precisa chegar logo, pequena.

—Carlos...— Ela segurou a mão dele — Vamos dar uma volta? Acho que vai ser bom...Podemos conversar melhor em um ambiente... — Ela olhou ao redor — Mais vazio.

Ele concordou mas virou o copo de cerveja antes de sair e Angélica começou a rir discretamente.

—O que foi? — Ele olhou para ela fingindo uma expressão séria — Está caro!

—Bobo...Vamos! — Ela apertou a mão dele e os dois foram para longe dos postes de iluminação, caminhando na parte escura da rua, distantes o suficiente para que ninguém os visse.

Notas finais
Bem, foi isso aí! Espero que tenham gostado. Vejo vocês nos comentários ^^