Ela Só Queria Ser Feliz
1 Véspera
Notas iniciais
"Você acredita em céu e inferno? Você realmente acredita que, lá em cima, tem alguém olhando e guiando seus passos, para que você seja plenamente feliz? Tudo o que você ouve na TV sobre expressar seus sentimentos é uma mentira. Na verdade, ninguém se importa com o que você está sentindo. Meu nome? Me chamo Elizabeth Cartman e essa é a minha história."
[ 06/12, 09:30 A.M. ]
A véspera do meu aniversário, e diferente de muitas garotas por aí, estou entediada como se fosse qualquer outro dia. Do meu quarto dava para se escutar os gritos da minha mãe, novamente gritando com o meu pai, por ele chegar mais uma vez bêbado em casa. Estou sentada na minha cama, com a cabeça entre os joelhos, sozinha como sempre. O vazio em meu coração me corroía aos poucos e sinceramente acho que estou ficando louca. Depois de uns minutos, a briga acaba e minha mãe furiosa vem para meu quarto e abre a porta ferozmente.
- O que está fazendo aqui? Se arrume agora e vá buscar as coisas na casa de sua tia. — Ela ordena e sem questionamento faço.
Vou até o banheiro e me olho no espelho... Céus, quem é essa garota miserável ali? Arregalo os olhos, faço caretas na frente do espelho, suspiro. Tiro minhas roupas e as jogo no cesto de roupas sujas, entro de baixo do chuveiro, aonde fico ali por muito tempo. Depois de aproximadamente 30 minutos de banho, saio do chuveiro e me enxugo, tudo lentamente. Vou até o guarda-roupa e o abro, fitando as roupas ali jogadas, fazia muito tempo que eu não arrumava isso. Pego minhas roupas íntimas e as visto, em seguida procuro uma roupa melhor para ir até minha tia. Visto um short jeans preto com o símbolo do Guns N' Roses no bolso direito da frente, ummoletomcinza "Sex, Drogs and Rock" e meu tênis Allstar surrado. Desço as escadas e vou até a cozinha, pego uma maçã e olho em volta, o silêncio. "Ele deve ter saído novamente" penso comigo mesmo.
[ 06/12, 11:00 A.M. ]
Caminhava pela calçada escutando nos fones de ouvido, no volume máximo, minha música favorita. Arriscava cantar alguns pequenos versos baixinho, sem ninguém ouvir, apenas para mim. As pessoas passavam por mim, falando em seus celulares, mexendo em seus tablets e outras coisas do tipo, como se não houvesse mais contato pessoal. Passo pro eles despercebida já que ninguém olha para nenhum outro lugar a não ser o celular em sua mão. Chego em 20 minutos na casa de minha tia, Jenna, minha tia favorita. Bato na porta e de lá de dentro escuto sua voz gritar: — ENTRE! — E eu faço isso, fechando a porta após entrar. Olho em volta e vejo que Judith, minha prima, está no trabalho. Vou até minha tia e ela me abraça.
- Olá meu bem, como está? — Ela pergunta gentilmente.
- Bem tia e a senhora? — Pergunto fitando o chão, enquanto me encosto no balcão da cozinha.
- Ah, ótima querida, preparando os cupcakes da sua festa de amanhã. — Ela sorria, animada.
- Nossa, legal. — Digo, sem nenhuma animação.
- Boba, deveria estar feliz sabia? Quinze anos não se completa duas vezes na vida. Tome, entregue isso a sua mãe, cuidado hein. — Ela me entrega uma bolsa com algumas coisas, sei lá oque.
- Está bem, amanhã estarei animada. — Digo enquanto me retiro e não ouço mais sua voz.
Novamente me encontrava andando nas ruas, agora cheias, por ser horário de almoço e alguns estavam voltando para suas casas. Carrego a bolsa cuidadosamente, eu não queria morrer antes dos 15 é claro. Ao chegar em casa, minha mãe via TV e parecia tranquila. Deixo a bolsa em cima da mesa e vou até ela.
- Mãe, a bolsa que a tia Jenna deu está na mesa. — Digo apreensiva.
Ela se levanta e vai até ela, abre e vê o que tem dentro, sorri e eu fico feliz por isto. Me aproximo e tento ver o que tem lá mas era surpresa, ela não permite ver. Me sento para almoçar enquanto ela vai guardar as coisas para o grande dia.
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