Notas iniciais
Oi, desculpem o atraso! Pan Alban e Crazy Girl agradeço imensamente pelas recomendações, sintam-se homenageadas. Obrigadíssima pelo feedback, já estou por dentro de como funciona o Nyah e consegui ver todos. Boa leitura.

Como se tratava de um sábado à noite, talvez eu tenha tido sorte ao voltar. O trânsito não estava tão ruim assim, e algumas músicas boas estavam tocando na rádio. Ainda não era o meu estilo musical, não sou um grande fã de jazz, mas os clássicos não são nem de longe o pior tipo de melodia no mundo.

A tela do meu celular pisca no banco do carona, e penso que recebi uma nova mensagem de Naruto, provavelmente porque saí às pressas, sem me despedir.

Foi o momento perfeito para alguém que sequer fora convidado sair sem ser notado, todas as atenções estavam no namorado, posso dizer que estou impressionado com minha própria habilidade em sair correndo.

Estou cansado e com preguiça de estacionar o carro na zona particular, mas o faço mesmo assim. Tive um dia cheio; há pouco mais de quatro semanas, uma associação está me procurando para pedir uma doação ao seu evento filantrópico. Tentando me comover, trazem panfletos de instituições de caridade e alegam que estão procurando outras pessoas influentes para participar. Passei a tarde comprometido com este assunto, e estou mental e fisicamente exausto.

No elevador, uma moça bonita sorri para mim, jogando charme. Me faz lembrar o quão maravilhado fiquei ao entrar no meio empresarial e perceber os sorrisos aumentando, junto com os decotes. A única coisa que diminuiu foi o tamanho dos vestidos.

Vivi o que todo homem sonha viver em meus primeiros anos, sócio de boates noturnas, amante de várias mulheres, uma para cada dia da semana, até que aquela rotina eventualmente perdeu a graça e me apaixonei por Ino. Passamos três anos juntos, ficamos noivos, com casamento agendado, até que fosse chamada para um reality show e houvesse sido aconselhada por seu empresário que ficar solteira seria o ideal. Lembro-me do dia em que veio conversar comigo, pedindo permissão para declarar em TV aberta que estava sozinha (mas que mantivéssemos nosso relacionamento às escondidas), achei ridículo, não consegui aceitar e rompi de uma vez; me senti bem durante poucos dias, consciente de que foi a decisão certa até que ela “confidenciasse” ao país inteiro que eu havia a traído.

Assim, tenho uma fama de adúltero boêmio até hoje.

Naruto me consolou dizendo que eu estaria de volta aos clubes noturnos dos quais era sócio para afogar a tristeza, e assim, voltaria a ser quem fui no início. Mas depois de aproximadamente oito meses, nada próximo disso aconteceu. Francamente, foi mais o contrário. Meu olhar sobre mulheres havia mudado, eu perdi qualquer encanto por relacionamentos casuais e minha vida tem sido ir de casa ao trabalho, com academia quatro vezes por semana, treinar esgrima aos sábados e domingos no dojo de um velho amigo e visitar meu pai no interior sempre que possível.

Naruto, percebendo que sua previsão falhou, tenta disfarçar dizendo “vai passar, é apenas uma fase. Está deprimido pelo divórcio, em um dia desses voltará a ser o Sasuke ‘cachorro louco”’.

A moça à minha frente está contando a alguém, no WhatsApp, que está dividindo o elevador comigo. Há um espelho atrás dela, porém, como gosto de evitar problemas, finjo que não estou percebendo.

A situação chega ao limite quando ativa a câmera e tenta tirar uma foto minha. Dou um passo à frente e pressiono o botão do próximo andar – que ainda não é o meu – e saio no momento em que as portas se abrem.

Bufo, percebendo que os outros dois elevadores estão, respectivamente, parado e recolhendo pessoas no sexto andar. Decido, por fim, subir cinco andares pelas escadas, o que é ruim, considerando que tenho dificuldades para dormir. Uma herança das noites que passei em claro, rotineiramente, bebendo e escolhendo prostitutas a dedo. Mesmo quando noivo, Ino vivia dizendo que era um problema de saúde e que eu deveria procurar um médico ou tomar calmantes para dormir normalmente, mas nunca dei importância. Várias pessoas passam por isso, não é digno de atenção.

Passo o cartão magnético pela trava e a porta se abre. Tudo que consigo pensar é em abrir as janelas e tomar uma ducha fria.


Trinta minutos depois, estou deitado no sofá vestindo nada além de uma calça de algodão. Olho para meu console e tento lembrar qual foi a última vez que joguei alguma coisa. Agora é o momento perfeito, porém, recordo da mensagem que recebi no carro e vou conferir o celular.

Surpreendentemente não foi o Naruto, e sim uma resposta da Sakura, deixada há cerca de uma hora à minha despedida relâmpago.

Ah, está bem. Boa noite.

Ela continuava online. Lembro da imagem que tive durante o pouco tempo em que estive naquela festa: Sakura sentada, com os olhos fixos ao celular, parecendo tão solitária que aspirava pena.

Certamente foi isso que me “forçou” a puxar assunto, principalmente depois de prometer a mim mesmo que pararia com aquela babaquice depois que pedisse desculpas, mas obviamente não consegui.

E parece que vou falhar outra vez.

“Já estou em casa agora. Você continua na festa?”

Minha teoria sobre permanecer avulsa e entediada se confirma novamente, a resposta é rápida. “Sim, a pizza está muito gostosa”

“Ah, então a sua festa está bem melhor do que a minha. Não tinha pizza onde eu estava”

“Por que acha que eu ainda estou aqui?”

“Realmente a pizza é um motivo convincente, já que você não parece estar aproveitando muito esta festa.”

Ela parece ofendida, até demora alguns segundos a responder. “Só porque estou usando o celular a noite inteira não significa que não estou aproveitando a festa.”

“Na verdade, significa” Respondo rapidamente.

Percebo que ela começa a digitar, para e começa outra vez, como se nada do que escrevesse a agradasse. Resolvo esperar.

“Ah claro, no mínimo o senhor está aqui durante todo este tempo e tem total ciência do que está falando. É claro que estou aproveitando, do meu jeito.”

Se ela soubesse o quanto aquilo era engraçado...

“Tem razão, eu não estava. Você não disse que tinha levado um fora do amor de sua vida?”

“E levei. Estou deprimida, por isso é a terceira fatia de pizza que como”

“Você é um monstro.”

Eu sei. Estou comendo por mim mesma e por meu chefe.”

“É mesmo?”

“Sim, o cara saiu voando daqui... é uma boca a menos, não tenho do que reclamar hahaha” Apesar de acreditar em sua alegria por poder comer a mais, eu não conseguia imaginá-la rindo verdadeiramente, apesar da risada ‘espontânea’. “Estou rindo e comendo para não chorar, sabe. Ser descartada é um lixo.”

“Este é um sentimento que não conheço ainda.”

“Claro, você confirmou que se encaixa na descrição que fiz antes. É um fracassado quando o assunto são mulheres”

Não dá. Eu tento ficar sério, mas é impossível.

“Se você diz.”

“Não sei o que fiz de errado. Comprei um vestido pensando nele e nunca me senti tão bonita quanto hoje. Tentei ser legal o tempo inteiro, não tive nenhum tique estranho na frente dele, mas ao mesmo tempo não tinha assunto para falar! Então eu agradeci por ter me aceitado no Facebook esta semana, então ele foi meio grosso e saiu de perto de mim como se eu tivesse pulgas!”

Aceitar no Facebook?

Naruto sempre disse que ela o olhava de um jeito estranho. Eu não queria acreditar no que a situação indicava, por isso dei o benefício da dúvida e fingi para mim mesmo que poderia ser algum outro homem.

“Este foi o assunto que julgou como “melhor”? Não teria algo mais interessante para falar?”

“A única coisa que pude pensar, fora isso, foi dizer que sou apaixonada por ele desde que comecei a trabalhar na UCX ou dizer que inspirei o Francis nele, ou mesmo falar do vestido que comprei pensando nele e perguntar se gostou.”

“Tem razão, o Facebook foi o menos pior.” Agora eu não tinha mais dúvidas, era impossível ter. Só haviam três homens da empresa lá, e como ela não falara comigo ou Sai a noite inteira, só restava presumir que se referia a Naruto.

Não pude deixar de pensar o quão azarada era. Naruto tinha medo dela, inventara o apelido pelo qual todos a conheciam e tiravam sarro. Tenho certeza que poderia ter escolhido alguém melhor, na verdade, qualquer outra pessoa, até o velhinho dos caixotes.

“Seu vestido tinha um decote? Era justo?”

“Não. Era curto, serve? A estampa era muito bonita.”

Ela estava fazendo tudo errado.

“Vocês mulheres se produzem para si mesmas, para se sentirem bonitas. Se se arrumassem para homens, não precisariam de roupas.”

“Que exagero. Mas sim, quase sempre queremos agradar mais a nós mesmas do que a outras pessoas, mas neste caso eu realmente me produzi pensando em um cara, por isso estou frustrada.”

“Entendo. Sinto muito”

“Ele é muito difícil...”

Ela não me ajudava muito com aquela resposta. O que eu poderia dizer? “É verdade, o Naruto é um projeto de filho da puta”.

Me sento no chão e ligo o console. Eu tinha uma coleção grande de jogos, mas estavam desatualizados. Era algo que eu poderia resolver no dia seguinte.

Geralmente eu só jogava quando Naruto estava online, em sua casa, mas depois da conversa que tive com Sakura, fiquei chateado com ele. O pior é que não havia motivos diretos, eu só sabia o quão grosso ele poderia ser, e conseguia imaginar com facilidade como havia a tratado.

Dou pausa no jogo, meu celular vibra outra vez.

“A propósito, me chamo Sakura.” Eu sei. “Qual o seu nome?”

Suspiro, pensando sobre como responder aquela pergunta.

Eu ainda não havia iniciado a fase das mentiras, seria esse um bom momento para começar?

Belo nome. Você não acreditaria se eu te dissesse o meu...”

“Qual é?”

“Espero que a surpresa não mate você.”

“Qual é o seu nome?”

“Ekusas.”

“Nossa, que surpresa... você é muito criativo com nicks."

"Eu sei, não precisa ser sarcástica"

"Mas seu nome é estranho."

"O seu também não é o nome mais bonito do mundo. O que é Haruno, a propósito?"

"Eu não queria usar meu nome, então coloquei o sobrenome. Sakura Haruno é o meu nome completo. Prazer, 'senhor mistério'"

"Prazer, Sakura."

Das surpresas que eu poderia ter tido naquela semana que se inicia, nenhuma delas se igualou a realidade.

Ao contrário de sua reação sarcástica quando a “confidenciei meu nome”, eu estava realmente espantado com a mulher que estava falando comigo agora.

Era estranho. Nós nos conhecíamos pessoal e virtualmente, e por mais que não soubesse que eu era o seu “amigo virtual”, tínhamos mais empatia pelo chat do que por nosso contato ‘ao vivo’.

Era nítido que tinha receio a mim, parecia que sempre agia premeditadamente, era muito séria.

O mais incrível é que Sai não parecia tão surpreso quanto eu.

Eu precisava crer que aquilo era verdade.

— Pode repetir, Sakura? — apoio o tornozelo esquerdo sobre meu joelho e a observo com atenção. Percebo que olha de forma tensa para Sai, e depois volta seu olhar a mim.

— Bom, eu estava dizendo que quarenta e cinco por cento dos clientes entre vinte e quatro e quarenta e dois anos de idade acharam o apoio da marcha muito confortável. — ela para e respira — Os outros vinte e cinco por cento acharam o material muito mole, de forma que não passa a segurança e firmeza necessária para o ato de trocar a marcha enquanto dirigem, estes mesmos alegaram que não deixariam de comprar o carro no modelo sedan por causa disso, mas trocariam em revisões futuras ou oficinas. Os trinta por cento restantes não viram um problema ou não tinham opiniões formadas sobre o assunto, mas disseram que não viam a marcha como uma prioridade, algo para ser revisto.

Inacreditável. Ela estava se esforçando.

— E o que você acha? — pergunto, em tom inquisidor.

Ela abre a boca e olha para Sai, com desespero controlado.

— O que eu acho não é importante, senhor Uchiha.

— Quantos anos você tem?

— Vinte e quatro.

— Você está na faixa etária do nosso público-alvo, então é importante. Você teve a chance de tocar na marcha?

— Sim. – ela aquiesce, umedecendo os lábios — Eu tive, na estreia, todo mundo entrou no carro e...

— E então? — tenho a impressão de que estou sendo, talvez, um pouco insensível.

— Estou entre os quarenta e cinco por cento, senhor. Achei-as muito boas. E também acho que não deveriam ser a sua prioridade agora.

Fico interessado. — E qual deveria ser minha prioridade?

— Hum, o pneu estepe que vem de fábrica junto aos veículos direcionados a áreas rurais, nós recebemos um número moderado de críticas negativas a qualidade da matéria prima, que sempre foi de primeira. Acho que seria aconselhável se... — ela desvia o olhar do meu e encara Sai de forma tensa — Se o senhor entrasse em contato com o fabricante.

— Muito bem. — anuo positivamente — Obrigada, Sakura. Você pode ir.

— De nada.

Ela sai, e penso sobre o quão confuso e inócuo foi aquele “de nada”. Sai me olha com apreensão, ele não pedira para comparecer a amostra de Shikamaru, mas com Sakura, obviamente, a história foi outra.

— O que você achou? — ele quis saber, enquanto massageava os próprios ombros.

— Acho que ela só saiu viva daqui e não teve um infarto porque estava presente.

Ele me olha e sorri.

— Fazer o que, você tem uma presença imponente, todos ficam nervosos. Eu sou o porto seguro dela.

— Shikamaru não ficou.

— Shikamaru é “gato escaldado”. Ele tem se preparado para isso, estava esperando, sabia que era o melhor do departamento de marketing, ele tem a promoção em mãos e vai se sair melhor do que Sakura, infelizmente.

— Também acho. — observo os balanços que ela deixou sobre a mesa, para análise — Mas ela foi bem, se comparada as demonstrações anteriores, você contou a ela?

— Sim. Ela está se esforçando, quer a promoção, acho que vai surpreender.

— Isso vai ser bom.

Não posso evitar a intuição de que realmente me surpreenderei com ela, seja positiva ou negativamente. Eram duas possibilidades com igual chance de acontecerem.

— Sim, o Naruto vai filmar a apresentação dela? — perguntou casualmente.

— De jeito nenhum, eu vou com ela.

— Como assim? — ele juntou as sobrancelhas — Não ia ser o Naruto?

— Mudei de ideia. Naruto pode ir com Shikamaru, Sakura e eu vamos juntos.

Notas finais
Vou fazer o possível pra voltar na próxima quarta-feira. Espero que tenham gostado. Até a próxima.