Ekusas
4 Sakura
Notas iniciais
Um homem. Um homem querendo ser meu amigo. Um homem.
Certo, homens podem tranquilamente acessar aquele site e lerem alguns contos (o que já é difícil de imaginar), mas aquele marcou a maioria das minhas estórias nos favoritos, até mesmo o pequeno poema que fiz sobre como me sinto em relação a minha vida.
— Vou dar a você mais uma chance de aceitar que é uma encalhada de vinte e quatro anos e consequentemente ir até a festa do Sui comigo. – a voz de Karin soa a meu lado num tom entediado. Observo-a de soslaio, mas ela não está olhando para mim, e sim com a atenção fixada a seu monitor.
— Hoje você começou cedo... – respondo, abrindo uma nova aba — Já disse que não posso ir, estarei ocupada no dia.
— Eu não disse qual seria o dia. – rebate.
Algo estalou em minha cabeça e finalmente trocamos olhares enfezados. Karin gira sua cadeira em minha direção e cruza as pernas. Minha postura continua firme, pigarreio e finjo que estou centrada em meu trabalho.
— Se é assim, estarei ocupada em todas os dias, tardes e noites existentes nos próximos bilhões de anos. – sinto minha visão oscilar e procuro a caixinha dos meus óculos na bolsa.
— Lamentável, pois meu primo acaba de confirmar presença.
Seu tom de voz é sorrateiro, e me viro; ela está segurando o celular na altura de sua cabeça, com o visor virado em minha direção.
Agora estou enxergando melhor, mas antes que possa pensar em me aproximar para ler o conteúdo em seu celular, paro para pensar sobre a quantidade de primos que Karin possui, ou ao menos os que sei da existência: Nagato e Naruto.
Naruto. É isso, agora uma quentura percorre meu corpo e procuro me manter neutra, mas dou o braço a torcer e meus pés percorrem o chão, trazendo junto a cadeira de rodinhas na qual estou sentada.
A primeira visão que tenho é de uma letra “N” maiúscula, mas meu surto interno só se iniciou quando vi tudo nitidamente.
“Naruto
Recebida às 08:42
É, acho que vai dar para ir. Vou trazer uns amigos, por isso mande uma lista do que posso levar para ajudar.”
Naruto está indo para a social.
Franzo os lábios como se não tivesse importância e volto a observar a tela do meu computador. Eis o resultado atualizado do placar da vida: Karin 01 x Sakura 00.
O conhecido gosto da derrota amarga em minha boca e quando olho para o chão, vejo ambos, meu orgulho e dignidade quebrados em mil pedacinhos, como cacos de vidro.
— Hum, se é tão importante para você talvez eu possa arranjar um espaço em minha agenda e, quem sabe, irei a sua festa. Em que dia acontecerá? – pergunto, arrasada. Não tenho culhões de desviar o olhar da tela do monitor em direção a ela, mas sei que está rindo.
Torna-se óbvio que não sou uma pessoa discreta, afinal, meu relacionamento com Naruto nos últimos meses tem sido imaginário e, mesmo sem que eu tenha dito algo, Karin já sabe que sinto uma atração mortal por ele.
Só posso chegar à conclusão de que meus olhares não são tão tímidos e reservados quanto pensei que fossem.
— Não me leve a mal, eu também gosto de fazer alguma pirraça quando posso. – a olho, ela pisca e rapidamente volta a digitar em seu teclado — Hum, faltam oito minutos para as nove horas, a palestra desta semana está prestes a começar. Sobre o que acha que ele falará hoje?
— Não sei, o cara é formado em Economia, ele pode falar, basicamente, sobre tudo que quiser. – respondo, maximizando a aba do site.
Ekusas00, não há nada em seu perfil que possa iluminar minha mente de alguma forma, e isso é realmente entediante. Um perfil vazio, sem avatar ou localização torna minha decisão deveras complicada.
Abro uma outra aba e começo a responder os comentários do capítulo anterior, é o momento exato em que a porta do departamento se abre, e por ela passam Naruto e Sasuke juntos. Como é de costume, todos nós fingimos que estamos trabalhando duro e não desviamos as atenções de nossos computadores para contemplar a chegada deles, mas todo mundo, assim como eu, dá uma espiada.
Naruto olha por cima do ombro em minha direção e nossos olhares se cruzam, engulo em seco e encaro as costas de Sasuke que caminha ao lado dele e não dá o menor sinal de atenção a seus empregados. Ele é boçal, mas não de uma forma sufocante, o que o torna tolerável.
E ele foi prudente no dia anterior em não me demitir, mas poderia, por isso sou grata a ele mesmo assim.
Porém, meu foco agora é parecer uma mulher de negócios centrada e estável enquanto surto por ter recebido um mísero olhar. Rapidamente abro a gaveta de minha mesa e me olho no espelho; das duas uma, ele me olhou porque estou feia ou porque estou bonita.
Olho para Karin, ponderando se é a opção mais esperta perguntá-la sobre minha aparência, mas sinto o cheiro de esmalte e percebo que ela está pintando a unha do dedo mínimo de forma bem discreta por baixo da mesa.
É preciso ser muito dissimulada para agir daquela forma, diante da recente chegada.
O senhor Uchiha sempre chegava trinta minutos depois de nós, os meros mortais, mas hoje ele se atrasou pouco menos de uma hora, e não sei o que pensar sobre isso exceto que passou a noite na balbúrdia.
Já eu, escrevi um capítulo de cinco mil palavras, tomei iogurte e andei pela casa de pijama a noite inteira enquanto fechava todas as portas e janelas para impedir que John Constantine – meu gato – saia para sua rotina promíscua durante a madrugada.
Suspiro, reafirmando a antiga teoria de que sou uma falha.
É um pensamento sobre mim mesma que posso mudar se conquistar o homem que desejo. Por isso, mais do que nunca, preciso descobrir quando a social acontecerá para comprar uma roupa maravilhosa e tentar impressionar Naruto.
Shikamaru caminha pela sala, de um lado a outro. Dizem os boatos que Sasuke é uma espécie de “ídolo” para ele, e julgando por nossa convivência diária, não sinto dificuldades em acreditar nisso. Ele sempre é o primeiro a demonstrar empolgação nos dias de palestra, que geralmente duram de quinze a trinta minutos e são reconhecidamente proveitosas.
Sasuke fala com maestria, ele seria um excelente professor se assim desejasse.
Não é preciso que alguém venha nos comunicar, às nove horas todos se levantam de suas cadeiras e saem em direção à sala de reuniões. Eu maximizo a aba do site e observo o convite ainda pendente, chegando à conclusão de que não seria uma grande perda – ou ganho – dizer não uma pessoa só porque ela é discreta. Seja quem fosse, Ekusas00 marcou em seus favoritos a maioria de minhas estórias, e por isso, só por isso, aceitei o convite de amizade e suspendi o desempenho do computador em seguida.
Karin engancha o braço no meu e caminhamos juntas. Ela começa a falar sobre a noite passada e o churrasco com a família de Suigetsu, sorridente, parece bastante satisfeita com o encontro e encheu a sogra de elogios.
— Está falando do namoradinho fictício? – Sai surge ao meu lado e instintivamente o fito assustada. Faço uma careta, demonstrando insatisfação pela abordagem e ele ri — Você já conheceu o fantasioso Suigetsu, Sakura?
— Está prestes a conhecer. Se duvida, venha até minha casa no próximo sábado e você também o conhecerá! – estrila ela, empurrando as mãos masculinas que começaram a massagear seus ombros, enquanto andava.
A própria Karin não deve ter percebido que acabou de me informar o dia em que a reunião acontecerá. Um sorriso aliviado surge em meu rosto quando noto que tenho pouco mais de uma semana para comprar uma roupa decente.
Dispensado por ela, ele veio massagear as minhas costas, mas não o impedi, pois estava necessitada.
Sai continuava o mesmo cuzão de que tenho memória. Quando fui contratada, fomos colegas de departamento por dois meses antes que ele fosse promovido a Gerente de Pessoal e conseguisse sua própria sala e subordinados, como qualquer outro executivo da hierarquia empresarial. Eu estaria mentindo se dissesse que não o admiro por isso, se esforçou, subiu um degrau a mais, conquistou novos horizontes e poderia ter se tornado um homem desprezível, mas ao contrário disso continuava com brincadeiras impertinentes e o comportamento excêntrico.
Assim que entramos na sala de reuniões, Sai se distancia assumindo uma postura mais profissional, afinal, Sasuke e Naruto já estão lá de prontidão.
Arrasto-me sem qualquer disposição até uma cadeira ao lado direito da extensa mesa de reuniões e me sento; logo ao meu lado está Karin, e à minha frente, Shikamaru já abre um pequeno bloco de anotações com caneta a postos.
Não percebo toda a movimentação ao meu redor, todos são muito contidos e conversam em tom baixo, inclusive o próprio Sasuke, que tapa a visão de seus lábios com a mão enquanto sussurra algo a Naruto, que anui sério. A cumplicidade entre os dois é nítida a qualquer um.
Os membros do departamento de logística também começam a se acomodar e Sasuke finalmente encerra a conversa com seu vice-presidente para focar na palestra. Ele puxa as mangas de sua camisa de linho preta até os cotovelos e apoia as mãos à mesa de vidro, observando a movimentação atenciosamente.
— Minha nossa, bebê, para quê tudo isso? – Karin sussurra atrás de mim, e sei que ela está admirando o senhor Uchiha.
Eu, que deveria estar focada em Naruto também desvio a atenção até ele e percebo como seus braços são firmes, com algumas veias saltadas nos pulsos e mãos.
Ai, Sakura, mantenha o foco.
O meu foco é Naruto, não é necessariamente um foco responsável, mas não dou à mínima. Homens com aparência de modelos não deveriam assumir um cargo empresarial daquele porte e ainda cobrar concentração de seus funcionários.
Eu já não tenho concentração ao trabalho normalmente.
— Então, acho que todos já estão aqui, podemos começar. – ele diz, e continua na mesma posição — Não preparei algo substancioso para hoje, tive uma noite ocupada ontem. – como eu disse, estava na farra, nenhuma surpresa — Então simplesmente darei uma pequena lição de Economia a todos vocês e espero que seja proveitoso.
Suspiro, cruzando os braços e pensando em minha estória com esperanças de que seja o suficiente para me manter acordada. Ele fica em postura ereta e dá alguns passos, curtos, ao longo da sala.
— Hoje vamos falar sobre trabalho duro, necessariamente sobre como ele não é o suficiente para gerar grandes riquezas, ao contrário do que, infelizmente, é dito por aí. Vamos lá, suponham que sou um novato no meio empresarial que deseja se expandir e alçar novos voos. Eu compro máquinas, invisto muito dinheiro, crio um produto, corro os riscos, estudo, aperfeiçoo o processo produtivo e procuro um público alvo. Ou seja, estou atendendo uma demanda de uma determinada quantidade de pessoas na sociedade, e assim elas me pagam de volta. Imaginem que o meu produto seja um novo expoente do leite fermentado, para produzi-lo, eu teria que me preocupar com o custo de matérias primas, custo de produção e o ganho do revendedor, estas três coisas caracterizam o custo total do produto, também conhecido como CTO...
Se Sasuke estivesse falando em grego, para mim não teria a menor diferença. Minhas pálpebras já começam a pesar, e preciso arranjar algo que me distraia.
Cruzo as mãos e começo a brincar com meus polegares. Palavras e termos desconhecidos tendem a representar inteligência e inteligência é atrativa para mim. Estou entediada e ao mesmo tempo não, quero saber até onde toda aquela explicação levará.
Shikamaru está anotando tudo e Karin está quase babando, como nas palestras anteriores.
— Vamos supor que o CTO final do litro do leite seja vendido a um determinado preço, e eu, que obviamente desejo lucrar, o venda a um valor um pouco maior que ainda seja mais barato que o preço dos concorrentes. O resultado é que as pessoas comprarão o meu produto, eu ganharei dinheiro e posso usar o meu lucro para guardar ou reinvestir para ampliar a produção. Qual seria o melhor caminho para usar o dinheiro que lucrei?
Não foi uma pergunta retórica. Olho para Karin como se fôssemos duas alunas de ensino médio completamente confusas, e agradeço por ele não ser um professor carrasco que gosta de ultrapassar limites e testar os estudantes desnecessariamente.
Ele fica em silêncio, até que alguém rapidamente se pronuncie.
— Ampliar a produção. – Shikamaru diz.
— Exatamente. – ele anui satisfeito — Ampliando a produção eu fabricarei mais leite e atenderei uma demanda maior, dando oportunidade para que as pessoas economizem comprando um produto de qualidade igual ou superior a concorrência. – ele fez uma breve pausa — Agora desvendando um segredo imenso para vocês, a casa da moeda fabrica dinheiro de acordo com o crescimento econômico do país. O crescimento econômico de um país, também conhecido como PIB, é caracterizado pela geração de riquezas. A geração de riquezas é o processo que descrevi anteriormente, então, se eu não houvesse fundado a empresa, a riqueza que eu e meus funcionários ganhamos não existiria.
Olho para Naruto e ele está de braços cruzados, portando uma expressão facial neutra como se tivesse uma noção vaga do que Sasuke estava falando de forma tão genial e simplória, julgando que até uma ameba como eu pode entender.
Sempre ouvi dizer que não é possível para homens serem bonitos e inteligentes ao mesmo tempo. Bem, obviamente Sasuke Uchiha era uma exceção.
— Vocês precisam entender que riqueza é um conceito abstrato, pode ser uma moeda, um jogo, até mesmo o leite que exemplifiquei, o fato é: eu criei, eu investi sabiamente. Com isso podemos acabar com toda a teoria maluca de que empresários ficam ricos aos custos dos mais pobres. Apenas o trabalho duro não pode gerar grandes riquezas, todos podem suar, não é raro se matar de trabalhar, mas trabalhar de forma eficiente, inovadora e que atende demandas é raro, e sabem por que o diamante é valioso? Porque é raro.
Estou boquiaberta. Olho para trás e Karin me encara de forma igualmente surpresa pela excelente demonstração de sabedoria.
Ele recebe aplausos, mas a expressão neutra em seu rosto não muda, como se não fosse algo fora de sua zona de conforto, e realmente não é. Ele é um economista, obviamente sabe o que está falando, e aquele sistema de palestras semanais vem acontecendo a um mês como proposta, de acordo com ele, do próprio pai, que preza por relacionamentos estreitos entre o chefe e seu funcionário, acreditando que vá melhorar o desenvolvimento logístico.
Eu estava com sono antes de entrar naquela sala, e uma pessoa tinha que ser muito boa para despertar meu interesse falando sobre PIB, demanda e leite.
Naruto, ainda de braços cruzados, olhou para mim outra vez; foi breve, eu não teria percebido se ele não houvesse se mexido para olhar algo em seu celular, mas notei mesmo assim, e dois olhares em uma só manhã era um milagre.
Será que foi a planilha que preenchi? Tê-la entregado pronta no dia anterior causara uma boa impressão? Dificilmente.
Desisto, preciso perguntar. Sasuke volta a falar sobre países subdesenvolvidos e o que proporcionam ao mercado mundial, mas não estou prestando atenção.
— Karin, tem algo de errado com a minha aparência? – sussurro.
O monólogo durou vinte minutos a mais naquele dia. Sasuke falou por cerca de trinta e cinco minutos, e apenas o começo foi entediante. Quando comecei a querer entender o que ele estava falando, tudo me pareceu fazer mais sentido.
De volta à rotina, estou observando por cima do monitor quem está olhando para a minha mesa. Karin continua focada em suas atividades e posso finalmente fazer o que quero sem riscos.
Inicio o computador outra vez e espero o carregamento, não terminei de responder os comentários e minha consciência está pesando por isso.
Naruto passa à nossa frente, está falando no celular, mas Sasuke não o acompanha. Ele provavelmente está indo procurar algo para comer, como geralmente faz naquele horário. Tenho seus movimentos memorizados.
Karin atende uma ligação e recordo que preciso imprimir a lista dos produtos e estatísticas de vendas de acordo com faixas etárias do mês anterior para que possamos discutir, entre nós, a situação e enfim levá-la até Sasuke.
Uma pequena janela do chat salta no canto inferior da tela e não apenas o teor, como também o remetente me chamam bastante atenção. Geralmente eu sempre deixo no modo “invisível”, e curiosamente naquele dia me distraí com o número acentuado de comentários ao ponto de esquecer.
“Obrigado por aceitar o convite.”
Ele puxou assunto, mas mostrou-se realmente contido. Geralmente eu não recebia cumprimentos, as pessoas já me abordavam com perguntas sobre o que aconteceria nos próximos capítulos e eu sempre arranjava uma forma de me desviar do assunto.
Na vida real, com homens de verdade, sempre contei alguns segundos mentalmente antes de responder alguma pergunta. Como a internet me permite fazê-lo de forma mais prolongada, passo dois bons minutos pensando no que responder.
E tudo que consigo responder é:
“De nada.”
Ele também não respondeu no momento, embora eu duvide que esteja fazendo propositalmente. Bato minhas unhas contra o vidro da mesa e meus pés se movem de forma impaciente abaixo da mesa.
Ekusas00 está digitando...
Será que ele digita apenas com os dois dedos indicadores?
Karin solta uma breve risada ao meu lado, segurando o telefone em uma mão e uma caneta na outra. Lembro-me de que deveria estar trabalhando também, mas quando a notificação de nova mensagem surge, deixo os pensamentos de lado.
“Gostei bastante das suas estórias, li a maioria delas em uma noite. Acho que posso me considerar um fã. Parabéns pelo trabalho.”
Que irônico, pois a última coisa que mereço receber é um “parabéns pelo trabalho” quando estou burlando o trabalho!
Decido responder rápido desta vez, quem sabe a ideia de termos uma conversa imediata e dinâmica o atinge também. Estou desprezando a regra dos dois minutos.
“Fico muito agradecida em saber disso, é um grande prazer para mim receber elogios espontâneos. Qual delas é a sua favorita?”
“O Turista.” Ele responde em sequência. “O capítulo de ontem me surpreendeu bastante.”
Oh, nossa. Ele é um homem, ele leu o hentai que escrevi na noite passada.
Ele é um homem.
Sinto-me bem mais confortável em saber que o público que atinjo é formado majoritariamente por mulheres, mas a cada vez que recebo um ‘favorito’ de uma conta masculina, tremo.
Tenho vontade de expulsá-los da estória por vergonha, já sinto quando mulheres leem as partes mais adultas, um homem chega a ser sufocante.
Ekusas foi vago, ele disse que se surpreendeu, mas não definiu como, e apenas isso é o bastante para que eu sinta uma frieza em minha barriga. Imagino que tenha rido de mim, nossa, ele é homem, pode ter mostrado aos amigos, e todos eles juntos podem ter dado risada do que escrevi.
Certo, não tem motivos, eu já fiz sexo, e embora não tenham sido boas experiências, sei como é, não aconteceu nada de surreal na cena, mas busquei equilibrar selvageria com romantismo e não sei se a força do hábito me levou a exagerar demais em um dos lados.
Sinto uma coceira na cabeça e ele, como se soubesse o que me aflige, foi mais claro. “Positivamente. Você me surpreendeu positivamente.”
Pode ser mentira, mas também pode ser verdade, certo?
Acho que não saberei a resposta desta pergunta tão cedo, então simplesmente solto um longo suspiro de tensão e procuro raciocinar.
Francis foi com “sede ao pote”, mas cuidei para não deixá-lo excessivamente selvático de uma forma que possa causar incômodos as pessoas. Sobre Eloise, também não sei se foi muito submissa ou se a forma como ela provocou até o último segundo que pôde foi entediante ao leitor.
Suspiro, desejando por mais respostas.
“Por quê?” Antes que eu pudesse me arrepender, meu dedo médio atingiu o botão Enter e não havia mais volta. Para meu completo desespero ele levou cinquenta segundos para começar a digitar.
“Posso ser sincero?”
Seja quem for, está tentando me torturar. É óbvio que desejo sinceridade!
“Claro.” Respondo, completamente tensa.
“Você parece ser safada.”
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