Notas iniciais
Olá. Demorei bastante, infelizmente, mas fim de semestre é assim mesmo :( espero que entendam. Enfim, feliz natal a todos, considerem este o meu presente hahauha Iniciei uma nova fanfic, vou deixar o link dela nas notas finais. Também é Sasusaku. Espero que gostem do capítulo. Boa leitura!

Não costumo ser muito intuitiva, contudo, ainda não sei o que aconteceu no domingo, e o que me levou a dormir tanto ontem.

É um fato que sempre durmo muito nos fins de semana, mas eu gosto de pensar que um anjo sussurrou no meu ouvido algo como: “durma muito hoje, pois você vai transar amanhã”, e eu o ouvi.

Estou sorrindo enquanto penso sobre isso agora, mas os músculos da minha bochecha relaxam quando percebo que é Karin ao meu lado, conversando com Kankuro do almoxarifado e me deixando em segundo plano.

Sasuke provavelmente esqueceu. Ele sem dúvidas esqueceu, e isso é um saco.

Eu suspiro, soltando o ar pela boca gradativamente. — Karin!

— Sim?

— São quase sete horas. Nós vamos perder o metrô.

— Nossa, eu esqueci disso. — ela olha para o rapaz ao seu lado, cujo sorriso nos lábios foi se esvaindo com a revelação de que nós duas precisamos ir agora — Bem, tchau. Até amanhã. O convite para sábado ainda está de pé.

— Pensarei sobre isso.

— A Sakura vai estar lá. Eu não sou solteira, mas ela é.

Eu continuo olhando para o outro extremo da calçada, opto por fingir que não ouvi o que disse, e assim, poupar minhas energias.

Logo em seguida, Karin está caminhando ao meu lado em direção ao túnel. Ela me observa, certamente esperando que eu a recrimine pelo que disse, mas não digo nada. Até porque daqui para sábado, tenho planos de conseguir inventar alguma desculpa e cabular o “encontro”.

Ela tira o celular de dentro da bolsa, e suas sobrancelhas se contraem. — Seis e meia. Ainda são seis e meia. Por que você mentiu?

— Porque eu estava sem paciência para ter que esperar um mínimo de boa vontade sua em se despedir dele para irmos embora.

— Ele é um cara legal, Sakura. É meu amigo. — ela para de andar, e eu continuo caminhando apenas dois passos antes de perceber que ela quer discutir a minha atitude. Então eu paro, aproveitando que minhas costas ainda estão viradas para sua frente e suspiro.

Não estou com paciência para brigar também.

— Desculpe.

— Desculpe nada, você agiu de má fé e não está arrependida.

— Não, não estou. — levanto os ombros, e ela me lança um olhar aborrecido.

A verdade é que estou irritada com ela, mesmo que a culpa não seja inteiramente sua, afinal sou eu que procuro por seus conselhos. Sou eu que a dou a ilusão de ter espaço e um certo controle sobre a minha vida e atitudes.

Eu estou tão arrependida agora. E sei que, quando estiver tomando banho antes de dormir, eu vou recapitular minha discussão anterior com Sasuke e falar sozinha todas as respostas melhores que eu podia – devia – ter dado. E, no entanto, ele é tão bonito e sereno que ainda consegue causar confusões em mim.

Sasuke está certo, eu preciso ter mais autonomia. Me apoiar em Karin trouxe mais malefícios do que benefícios, e eu estou convicta disso principalmente agora, porque Sasuke desistiu completamente do que disse antes sobre “eu dormir na casa dele”, porque ele também recapitulou nossa discussão e percebeu que eu fui uma otária.

E ele não quer se relacionar com uma pessoa sem personalidade, que ainda por cima tem uma amiga brincando de deus com seus relacionamentos. — Vamos, Karin. Eu pago o seu ticket para me redimir. — eu digo, por fim, quando decido parar de sentir pena de mim mesma e seguir adiante com a minha vida.

A expressão emburrada em seu rosto se desarma, e ela volta a andar.

Talvez eu deva, de fato, ir no sábado.

O que aconteceu entre Sasuke e eu no sábado de manhã só foi tão bom assim porque eu estava na seca, mas tecnicamente não estou mais. Então dormirei com Kimimaro no sábado à noite, e será tão bom quanto.

Resolvido.

Karin me acompanha, tirando os óculos do rosto para limpá-los na parte interior de sua camisa.

— Karin.

Ela responde com um simples “hum”, e eu continuo: — O Kimimaro tem o pau grande?

— Já tive maiores. — ela coloca os óculos no rosto outra vez, e funga — Por quê? Está interessada?

Eu não respondo a pergunta, porque não estou inteiramente interessada. A verdade é que tenho sentido coisas estranhas, e ficar com outro homem me ajudará a definir o que está acontecendo.

Então o primeiro minimamente decente que aparecesse na minha frente serviria.

— Ao menos é grosso? — eu redarguo.

Karin ri. — Não lembro dessa parte. Por quê?

— Ele mete bem?

Obviamente, a noite não podia passar sem que eu sentisse vergonha ao menos uma vez. E então, um carro escuro estaciona no meio-fio, logo a nosso lado, mantendo uma velocidade baixa para acompanhar nossos passos até que pare.

O vidro com película escura se retrai, e então eu vejo o rosto do Sasuke.

Eu não sou a maior apreciadora de automóveis, mas é notável que este é um carro diferente do que ele estava usando quando foi até a minha casa, na madrugada de sábado.

Karin e eu estamos igualmente lívidas quando paramos, o observando em silêncio. Paradas no meio da calçada, com o túnel da estação de trem a pouco menos de dois metros de distância.

Sasuke sorri. — Sakura, — ele apoia o cotovelo à janela, e ajusta o retrovisor interno rapidamente antes de virar a cabeça em minha direção e olhar exclusivamente para mim, como se Karin não estivesse ali — quer uma carona?

Definitivamente existe um pequeno índice de retardo em minha alma, mas mesmo agora eu sei o que o curto sorriso em seus lábios significa.

E, dane-se o que eu estava pensando antes, eu gosto do que vejo.

Porém, Karin continua ali. E eu não posso flutuar até o interior de seu carro, como quero fazer.

Eu limpo a garganta e libero a atriz dentro de mim. — Não.

A feição em seu rosto não se altera, é óbvio que em uma situação normal eu negaria veementemente uma oferta escandalosa como estas.

Mas aqui só estou negando o máximo possível antes de dizer sim. Ele sabe. Eu sei. Nós sabemos.

— Por quê?

— Muito gentil da sua parte, mas nós estamos indo para o metrô agora. Mas muito gentil mesmo, de verdade.

Ele maneia a cabeça positivamente, comprimindo os lábios. — Entendi. É que eu estava indo para um lugar que passa dentro do seu bairro, e pensei que, quem sabe, você ia querer uma carona.

Eu não me atrevo a olhar para Karin agora, porque sei que ela está olhando para mim e me mandando energias – ao seu ver – positivas, exigindo que eu me mantenha firme, que pense com a parte superior do meu corpo ao invés da inferior.

Porque Sasuke jamais teria qualquer coisa a ver com um bairro suburbano como o meu, e isso é óbvio.

— Não, obrigada.

— Uma pena. — ele retruca imediatamente.

— Sim. — é a minha vez de mover positivamente a cabeça, e nós dois trocamos olhares sub-reptícios. Eu coço a minha nuca, com medo de que tenhamos passado do ponto em que nós dois sabemos que é fingimento até o ponto no qual ele acredita que eu estou recusando. Então penso sobre alternativas de saber que nós dois permanecemos “jogando o mesmo jogo” — Mas... hum, mas, para onde você está indo no meu bairro mesmo?

Ele fica em silêncio por alguns momentos, e sua boca se abre rapidamente antes que se feche outra vez. Sei que ele está inventando alguma coisa, o que é péssimo, porque eu o conheço o suficiente para saber que é um homem lerdo. E então ele abre a boca novamente. —Itchi- chirakiu ramén.

Deus.

Eu contenho o impulso de rir em minha garganta, porque sei que ele está falando do restaurante do Teuchi.

— Nossa, e não é que fica no meu bairro mesmo? — arregalo os olhos.

Não dá para segurar. Eu olho para Karin, e sua sobrancelha esquerda acaba de ficar arqueada.

— E então, vamos? — ele oferece outra vez.

Eu paro e medito sobre ter ou não negado o convite dele o bastante para soar minimamente convincente para Karin.

— Acho que não custa nada uma simples carona.

Ele não perde tempo, eu ouço as travas das portas se abrirem num clique, mas permaneço parada.

— Então eu posso ir também. Meu bairro fica a algumas quadras de distância do dela, por isso nós tomamos o mesmo metrô, não é? — ela pergunta retoricamente, e então se vira para Sasuke — Eu posso ir junto, então.

Não é uma pergunta, ela está se convidando.

— É aí que está o problema, Karin. Passarei no supermercado para fazer compras, e os bancos traseiros do meu carro vão ficar ocupados.

A velocidade com a qual ele conseguiu elaborar esta desculpa me surpreende, mas não digo nada. Talvez Sasuke não seja tão lerdo assim.

— Para isso serve o porta-malas. O seu carro é moderno, deve ser bem grande. — ela contra-argumenta brilhantemente.

De repente, aquilo se torna uma batalha sobre quem ficará comigo.

Eu me sentiria especial por ter Sasuke mentindo descaradamente para ser o “vencedor”, se não estivesse tensa.

— É verdade. Você, de fato, cabe nele, se quiser mesmo ir conosco. Mas as compras vão ficar nos bancos traseiros.

Eu direciono minha visão a qualquer outro lugar, exceto ela. Requer de mim um esforço sobre-humano para não rir, quando Sasuke acabou de declarar preferência a um monte de sacolas do que a ela e sugeriu que ocupasse o porta-malas.

Definitivamente o que ouviu mais cedo o irritou, afinal, ele era sempre bem educado e gentil. Porém, não é o que vejo agora.

— Fica para a próxima. — ela diz, em tom baixo.

— Sim. — retruca.

Eu não a abraço, pois não quero ouvir uma ameaça sendo sussurrada em meu ouvido, ou uma jura sobre o quanto eu vou me arrepender por isso. Então simplesmente aceno de forma acuada enquanto piso ao redor do carro em direção a porta do carona.

Parece ser apenas o que ele estava esperando. A partir daí Karin se torna um elemento avulso, quando observo a película escurecer seu rosto lá fora à medida que os vidros sobem outra vez. E então, quando sei que ela não pode ver mais coisa alguma dentro do carro, meu olhar se desvia dela até Sasuke, que está olhando para mim.

— Oi. — ele me cumprimenta com seriedade, como se nós dois não houvéssemos acabado de protagonizar um verdadeiro show de horrores.

— Oi. — retruco, contendo minha própria indignação. Começo a puxar o cinto de segurança enquanto observo Karin descer as escadas do túnel, até que suma de meu campo de visão. — Achei que você tinha esquecido.

Talvez, talvez abandoná-la tenha sido cruel da minha parte.

— Eu posso fingir que esqueci, mas nunca me esqueço de algo...

— E, no entanto, soletrou Ichiraku Ramén de forma errada. — eu o interrompo.

— ...Que é do meu interesse.

Ele me fita com uma expressão divertida no rosto. Minha observação não pareceu irritá-lo, o que é bom.

Eu corrijo minha postura sobre o assento do carro, e o apoio para as costas parece me abraçar. Não sei se devo fazer um comentário de apreciação a seu novo carro, não sei se devo beijá-lo ou mesmo dizer um simples “vamos embora”.

À esta altura do campeonato, eu não penso mais sobre o que Karin me diria para fazer, porque ela me diria para ir embora e esquecer da existência dele.

E eu não quero fazer isso.

Mas também não sei o que quero fazer agora. — Bem... — eu começo, encontrando a primeira distração fácil perto de mim: minha bolsa. Começo a ruminar dentre os objetos ali dentro, percebendo que em seu interior ainda existem farelos do bolo que comi mais cedo.

Seguro a chave da minha casa entre os dedos, — Será que nós podemos ir até a minha casa? — eu questiono educadamente, sem o olhar nos olhos. Estou dedilhando as chaves, como se procurasse por algo nelas, mas não há nada, nada além de uma tentativa miserável de arranjar algo ao qual me manter focada.

Ele suspira ruidosamente ao meu lado. — Por quê?

Porque eu preciso vestir um lingerie que não vá me envergonhar ao invés da calcinha colorida – cujo sutiã sequer combina – que estou usando.

Porque eu preciso tomar uma ducha e esfregar hidratante até mesmo dentro dos meus olhos, se possível.

— Porque o meu gato está com fome. — respondo — Eu não vou deixá-lo sem comida até amanhã, ou você acha que eu vou?

Ele passa a mão pelos cabelos, parecendo nada próximo de satisfeito com meu pedido. — O seu gato certamente não está em casa.

— Está muito cedo para os padrões do Johnny, ele geralmente só sai durante a madrugada. — eu me viro em sua direção — Então, sim, ele está em casa.

Sasuke dá de ombros rapidamente, e então cede: — Pode ser.

Deixo minhas mãos devidamente fechadas sobre meu próprio colo, e então olho para ele. Sasuke também me olha quando percebe que estou o observando, e então nós ficamos encarando um ao outro em silêncio.

Eu estaria espumando até pelo nariz, tamanho é o meu incômodo com isso.

Há um charme intrínseco ao seu olhar, eu não consigo explicar o que é, mas me faz engolir em seco a cada vez que ele me olha desta forma. Os lábios entreabertos, como se estivesse pensando em algo para dizer, e ao mesmo tempo apenas esperando que eu faça algo.

Ele certamente está pensando nas mesmas coisas que eu, visto que não deu partida no carro e continua parado aqui.

A pior parte de não saber ao certo o que Sasuke e eu somos é que isso trás a bagagem de não saber como reagir perto dele.

A verdade é que nós dois não temos muita intimidade, o que é confuso, visto que dormimos juntos e este deveria ser o ápice, permitindo que eu me sinta à vontade para fazer qualquer coisa perto dele, mas não é o caso.

Definitivamente não é o caso, porque eu não consigo sequer chegar perto dele para beijá-lo como um cumprimento, mesmo que eu queira fazer isso.

— Então, nós vamos? — eu pergunto, voltando minha atenção até a paisagem através da janela.

Ele não me responde, apenas liga o carro.

_________

— O quê? — a pergunta parece explodir para fora de sua garganta.

É claro que seria pedir demais que tudo ocorresse bem hoje. É de Sasuke e eu que estamos falando, algo precisava dar errado.

Eu suspiro, tirando o celular de dentro da bolsa.

— O senhor Uzumaki não quis subir, ele está esperando pelo senhor no hall.

— Eu não posso acreditar nesta merda. — Sasuke me olha, e eu desvio a atenção do feed do meu Facebook aberto diante de mim até ele.

O funcionário o observando do lado de fora, pela janela, está totalmente constrangido.

O destino parece esperar os dias em que eu consigo transar para interferir na minha vida. Eu já devia ter me acostumado.

Ele continua olhando para mim, esperando que eu reaja, diga algo, mas não sei o que falar. Naruto está no hall esperando por ele, e nós dois quase passamos por lá juntos. Ao contrário dele, eu não estou irritada com o homem que nos avisou sobre isso. Estou agradecida, na verdade. Se ele estivesse pensando direito, também estaria.

Se Naruto nos visse juntos, seria o fim.

Mas Sasuke não parece ver a situação por este ponto de vista, ele está realmente aborrecido agora, e eu posso perceber apenas pela maneira que está respirando.

Não se parece em nada com a imagem de “monge budista” que eu atribuí a ele um dia. — Eu já volto — ele disse, e sem esperar por resposta, simplesmente abriu a porta e saiu.

Se todo o ritual pelo qual me submeti antes de chegar aqui for em vão, começarei a considerar agendar nossos encontros com pelo menos duas semanas de antecedência. Porque eu não hesitei nem mesmo um segundo em deixá-lo do lado de fora, me esperando, pois Sasuke não podia, definitivamente não podia entrar na minha casa.

Eu realmente tomei banho, eu realmente passei hidratante na pele, realmente escolhi uma lingerie combinando e ainda troquei de bolsa, escolhendo uma maior para acomodar a troca de roupas que enfiei dentro dela, pensando no dia seguinte. Não posso ser vista amanhã com a mesma roupa que estou usando agora.

Só que, aparentemente, todo o meu esforço foi para o ralo.

Estou rindo do vídeo de uma chinchila segurando uma taça quando a porta ao meu lado se abre. Com a garganta seca, eu olho para Sasuke, que está encarando a tela do meu celular em silêncio, e então, suas íris escuras estão em mim.

Ele não se dá ao trabalho de perguntar.

— Ele já foi embora, vamos.

Pressiono a alça da minha bolsa sobre meu ombro esquerdo quando saio de seu carro. Não sei o porquê, mas é como se a presença de Naruto aqui houvesse estragado tudo, algo que sequer começou. E meus ombros se encolhem quando eu o assisto fechar a porta e olhar ao seu redor rapidamente antes de ativar as trancas do carro.

Normalmente, eu o agradeceria por segurar a porta para mim e resolver me acompanhar quando podia simplesmente ir na frente e esperar que eu o seguisse, mas só consigo ficar calada e pensar sobre o motivo de Naruto ter estado aqui.

E como esta breve interferência dele mudou totalmente o aspecto nos olhos de Sasuke.

Sinto o calor de sua mão atravessando o tecido que cobre minha lombar, e então ele tenta disfarçar a tensão em seu rosto enquanto nós dois caminhamos pelo asfalto do ermo estacionamento até o elevador, — O que você quer jantar? — questiona.

Com toda certeza, ele não quer que eu pergunte sobre Naruto.

— Eu estava pensando em pedir comida chinesa, o que você acha?

Mas eu preciso saber.

— Por que ele estava aqui?

Não estou olhando para ele quando pergunto, mas posso ouvi-lo suspirar, no que presumo ser um ato de total descontentamento. Mas ele fica calado até estarmos diante das largas portas de aço. Ainda em silêncio, ele pressiona o botão luminoso.

— Nada que você deva se preocupar.

As portas se abrem na minha frente, e eu entro a contragosto. A resposta passou muito longe de ser satisfatória.

Além disso, eu não sei se levei um fora ou se foi apenas mais uma das milhares de ocasiões em que ele soa grosso sem intenções de ser, simplesmente por causa de um estereótipo.

— Mas é algo que você deve se preocupar, não é? — eu retruco, como uma criança teimosa, insistindo em um assunto inócuo.

— Eu não estou preocupado. — ele me olha pelo reflexo do espelho.

Eu suspiro, enquanto observo o visor mostrando em tempo real os andares que estamos subindo. Não faço contato visual com ele, visto que estou ocupada demais decidindo entre tratá-lo de forma tão estranha quanto ele está me tratando ou ser compreensiva com o seu direito de manter sigilo sobre seus próprios assuntos.

— Eu estou com raiva. — continua. Meus olhos rapidamente se chocam aos dele, que solta um breve riso nasalado — Não de você.

A serenidade em suas feições retorna, e eu me sinto aliviada.

Não, de forma alguma serei rude com ele.

Então eu sorrio também, voltando a me concentrar em meus próprios pensamentos. Observando-o de soslaio, eu repenso sobre o fato de que não temos intimidade e parecemos mais dois amigos, quando o plano inicial era obviamente dormirmos juntos.

Isso começa a me perturbar quando percebo que ele está folgando a própria gravata. Céus, como eu queria ter a coragem de tirar liberdades e beijá-lo agora.

Mas eu simplesmente não consigo.

Os pensamentos de auto-condenação por estar pensando nisso permanecem até que eu levante o olhar e perceba que ele está olhando para mim pelo espelho. — Você pensou sobre o jantar? — ele volta a insistir no assunto.

Eu me pergunto como ele reagiria se estivesse pensando nas mesmas coisas que eu, mas é impossível saber ao certo.

— Chinesa está bom.

Eu relaxo com sua risada suave. — Obrigado por aceitar, eu estava pensando em comida chinesa o dia inteiro.

Quando finalmente as portas se abrem, sinto o calor de sua mão esquerda envolvendo a minha, eu o olho imediatamente, mas ele parece tratar isso como algo normal, e apenas me guia para fora do cubículo.

O lugar é tão estonteante que eu me sinto mal. Como se não fosse suficiente o hall movimentado por todas aquelas pessoas iguais a ele. Como se eu já não me sentisse deslocada o bastante antes.

Mas está tudo bem, eu digo a mim mesma. Não quero começar a pensar demais outra vez.

— Sabe qual é a pior parte? — sua voz grave me puxa para fora da minha própria decadência mental. E eu quase o agradeço por isso.

— O que? — eu respondo, quase sem fôlego.

O contato entre nossas mãos é desfeito quando ele enfia a mão nos bolsos e usa um cartão-chave semelhante ao do hotel em Osaka para abrir a porta. Ele me deixa esperando por uma resposta durante este tempo.

— É que, teoricamente, a esta altura, você deveria se sentir confortável perto de mim. — ele abre a porta e a escancara, sinalizando para que eu entre. O bom humor de repente desaparecendo de seu rosto.

Não sei o que aconteceu, não sei o que fiz de errado ao ponto de encorajá-lo a trazer isto à tona.

Ele está com raiva de mim agora? Deus. Não. Não. Não.

— Um passo de cada vez.

Eu digo isso e, literalmente, dou um passo adiante para dentro de seu apartamento, e a luz detecta meu movimento, acendendo imediatamente e iluminando o local. Tento conter o vazamento de fascinação em meu rosto, mas não posso. Não posso, quando a sala do apartamento mede três vezes o tamanho do meu quitinete inteiro.

Ouço uma risada suave atrás de mim, e então o barulho da porta sendo fechada. — Você também se lembra do que aconteceu no Sábado de manhã, certo?

Eu sei exatamente aonde ele quer chegar.

— Sim, claro que sim.

— Tudo bem, eu só queria confirmar que sim.

Viro-me em sua direção, meus olhos diminutos, exigindo explicações sobre o motivo da pergunta, mas ele me deixa aqui, e simplesmente sai andando. A cada novo cômodo que ele entra, as luzes se acendem atrás dele como mágica, e assisto a movimentação de seus cotovelos enquanto ele se desloca até a cozinha. Ele está tirando a camisa.

Eu engulo em seco, tentando me manter tranqüila até que o ambiente atrai minha atenção. É tudo muito limpo, fresco e sofisticado, não muito diferente do que eu achei que seria.

Dou alguns passos em direção à ampla parede preenchida por janelas do chão ao teto. Afasto uma fenda entre finas cortinas de nylon para observar a visão, que é de tirar o fôlego.

Mais dois minutos aqui, eu provavelmente começaria a sentir tontura.

— Por que você diz isso?

Eu pergunto, girando sobre meus calcanhares para observá-lo servir duas taças do que presumo, à distância, ser vinho branco.

Excelente. Excelente, justamente o que eu estava precisando. Algo que faria eu me soltar.

Não espero que chegue, eu mesma vou ao seu encontro, e ele me oferece uma delas. Eu observo sem a menor inocência suas mãos grandes, os dedos longos envolvendo as hastes das taças, e em seguida, minha atenção é atraída pela visão parcial de seu tórax, graças à camisa aberta, e então desfruto do que está diante de mim; o peito que outrora fora tão agredido por minhas unhas, tanto que eu certamente devia pedir desculpas.

— Porque não faz sentido “voltar a andar” quando nós dois estivemos correndo. Você entende?

Sasuke provavelmente não imagina que estou fantasiando com ele agora, mas é inevitável.

— Claro. — coloco uma mecha de cabelo atrás da orelha — Não sou estúpida.

Eu livro a sua mão de uma das taças. Minha garganta está seca, provavelmente uma reação do meu corpo a toda a vontade que sinto de beber.

— Eu... — ele fica calado enquanto me observa inclinar a cabeça para trás, esvaziando a taça completamente — Não disse que era.

Meus olhos lacrimejam graças à minha própria afobação, mas me mantenho firme e não faço caretas. Não seria possível, na verdade, visto que é o melhor e provavelmente mais caro vinho que tomarei em toda a minha vida. — Isso é muito bom, Sasuke.

— Eu sei. — ele sorri.

Eu sinto o impacto daquele sorriso bem na minha barriga.

Porra. Por que ele é assim?

— Aqui, pode ficar. — ele me oferece a garrafa ainda cheia enquanto degusta pela primeira vez do vinho que serviu para si mesmo.

O principal motivo que jamais me permitiu tomar uma iniciativa com Naruto antes foi a minha inabilidade em lidar com homens excessivamente bonitos. E apesar de ter progredido, ainda não sou boa o bastante nisso. Não sóbria.

Sirvo outra taça para mim, pois eu preciso. E uma vez cheia, ela é concluída antes mesmo que Sasuke possa alcançar a metade da sua.

Eu estou aflita e nervosa, mas minha compulsão alcoólica parece diverti-lo. O aspecto brincalhão em seus olhos me alivia e eu rio junto com ele, até começar a encher o que deve ser minha terceira dose.

— O que está tentando fazer consigo mesma?

— O seu apartamento é incrível. — mudo de assunto, imediatamente olhando ao meu redor — Foi você que decorou?

— Lógico que não. — ele ri e toma um gole de vinho. Muito civilizadamente. O oposto do que eu estou fazendo — Não tenho talento algum para este tipo de coisa.

— É bom ouvir que você não é bom em tudo... faz com que você pareça mais humano.

Ele apenas sorri para a minha provocação. — É mesmo?

— Sim.

— Eu não pareço humano o bastante para você?

Não respondo. Eu não me atreveria a tal. Não quando vejo em seus olhos um aspecto inteiramente novo, quase perverso. Eu tenho certeza que ele está conduzindo a conversa para um ponto onde não haveria mais volta para mim, como se eu fosse um rato marchando cegamente em direção à ratoeira.

Ele é esperto, então rapidamente percebe que não tenho planos de dar continuidade. — Então... eu vou ligar para algum lugar, ver como posso alimentar você.

Minha imaginação salta. A reação vaza imediatamente em minhas feições, mas me recupero com rapidez. E mesmo se não houvesse, ele dificilmente veria, parece absorto e sua atenção está totalmente fixa à tela do próprio celular.

Então eu começo a fazer de novo.

O que eu estava sentindo no elevador retorna com força total.

Ele é muito bonito. Ele é tão bonito que dói.

— Eu nunca tinha provado comida chinesa antes, eu estava com o Naruto e meu pai no litoral, há uns três anos, quando comi pela primeira vez. E aí eu nunca mais pude parar...

Eu estou escutando ele, mas não ouvindo. É como eu me sentia ao ouvi-lo falar sobre economia, mas desta vez é diferente, porque ele não está me entediando. Muito pelo contrário, meu olhar acompanha a linha forte de sua mandíbula, o desenho perfeito de seus lábios enquanto eles se movem ininterruptamente. Ele olha para mim vez ou outra, para ter certeza de que eu estou prestando atenção, e aparentemente sou convincente, porque ele volta a falar sobre rolinhos de primavera logo em seguida.

E lá se vai a terceira taça.

Limpo a garganta enquanto esvazio a garrafa, no que deve ser minha última taça de vinho. Eu jamais teria a coragem de pedi-lo outra depois de acabar com a primeira em menos de cinco minutos, mas se ele oferecesse, eu diria sim.

Sasuke está olhando para mim quando eu sacudo sutilmente a garrafa em minhas mãos, testando se está mesmo vazia. E então me inclino para deixá-la sobre a mesinha de centro.

Eu o observo através do cristal da taça, enquanto o assisto reter as sobrancelhas. — Por que está fazendo isso?

Inalo profundamente, tentando sugar forças do cheiro do vinho para respondê-lo e, em seguida, falar o que quero falar mesmo sóbria.

A melhor opção é fingir que sou idiota para ganhar tempo. — O que?

Minha resposta afrouxa suas feições, e seus lábios se separam momentaneamente, antes que ele deixe o celular de lado. Vendo isso, eu começo a beber.

— Por que está tentando se embebedar? Por que está fazendo isso? — ele balança a cabeça, e eu fico aliviada por sua decisão de não esperar uma resposta — Você quer ir embora?

Agora se tornou uma questão de “vida ou morte”.

— Sasuke.

Ele não responde. Certamente já presumiu coisas demais sozinho e agora acha que não quero mais estar aqui, então eu preciso prová-lo do contrário de um jeito ou de outro. Suas sobrancelhas se erguem, me encorajando a continuar.

Meu peito sobe e desce com uma respiração profunda.

A última vez que eu tentei andar em círculos ao redor do real propósito com ele, nos demos mal. Eu me dei mal, ele dormiu. Eu saí de casa seminua em direção a uma loja de conveniência buscando por camisinhas.

Mas isso não me detém, porque ainda não sou capaz de olhar nos olhos dele e dizer “vamos foder”.

— Por que você não... — enfio minha franja atrás da orelha — Por que você não deixa isso para outra hora e me mostra o resto do apartamento?

Ele passa alguns segundos me observando em completo silêncio, o que só serve para intensificar o meu constrangimento. É óbvio que ele entendeu, ele precisa ter entendido. Ele é um homem com trinta anos de idade, ele entendeu.

Seus olhos ficam diminutos, o cenho levemente franzido. É uma expressão que adoro em seu rosto, o deixa ainda mais charmoso. Então ele coça uma barba rala de no máximo dois dias em seu maxilar, e fala simplesmente: — Oh, tudo bem.

Ele entendeu, não é?

Não estou frustrada com a curta resposta, apenas surpresa. Eu ficaria arrasada se ele resolvesse soltar um: “Ah, você quer pular o jantar e partir para a foda. Entendi.”

Amo a educação dele.

— Não que haja muito para ver, mas...

Ele não entendeu.

Ele fica em pé e eu o acompanho, meus ombros caídos por causa do enorme sentimento de frustração.

Depois de alguns minutos, deixo o incidente para trás e estou totalmente distraída por o quão maravilhoso o apartamento é. Nós fizemos um tour por todo o lugar. A parte engraçada foi o súbito display de timidez que ele demonstrou a cada novo cômodo.

A verdade é que não sei se “timidez” é a melhor forma de descrever, mas a cada nova porta que abria, Sasuke apenas definia a utilidade do cômodo e logo depois disso se mantinha taciturno, enquanto eu andava de um lado a outro.

Não tardo a descobrir que ele tem uma varanda com jacuzzi, e como se não fosse o bastante, uma visão tão fantástica quanto a da sala de estar.

Fico de joelhos, me inclinando até ver o meu próprio reflexo na água. Meus dedos serpenteiam na água, e eu me viro para observá-lo.

— “Não que haja muito para ver”? — eu o cito, e ele apenas dá de ombros. Obviamente é tudo muito natural para ele, mas não para mim — Você a usa constantemente?

— Não.

Eu estou inconformada. — Por quê?

— Não tenho tempo para isso.

— Então arranje o próprio tempo. Você é autônomo, faz as próprias regras. — eu o ouço falar “não é tão simples”, mas não é o bastante para me refrear — Porra, se você não usa esta jacuzzi, dê ela para mim!

Ele dá uma risada gostosa, e é impossível não sorrir como uma estúpida. — Claro. É toda sua. Avise-me quando quiser levar.

Olho para meu próprio reflexo uma última vez, e é quando percebo que a lua também está refletida na água. Uma lua incrível por sinal, minguante, porém não menos encantadora. Então me levanto novamente e caminho em direção a ele — Eu provavelmente teria que demolir algumas paredes da minha casa para colocar isso lá.

— Provavelmente sim. — ele diz, como quem não tem o que falar, e apenas murmura algo trivial para não ficar em silêncio.

Estou parada diante dele, ainda com resquícios de um sorriso que não morreu totalmente.

Ele também deve ter percebido o quão incrível está a lua, pois não ligou nenhuma das luzes aqui fora, e deixou que toda a iluminação viesse do céu.

Antes que o contato visual ficasse estranho, ele deu as costas e enfiou as mãos nos bolsos da calça, apontando com a cabeça para a sala da qual viemos, — Vamos continuar.

Ele espera que eu passe para fechar a porta, e então segue para a esquerda, o lado oposto do qual viemos.

Eu me sentiria curiosa para saber o que ele deixou por último, mas até agora, dentre todos os lugares que estivemos, em nenhum deles Sasuke disse “este é o meu quarto”, então eu já sei o que me espera.

A quantidade de quadros de pinturas na parede também me surpreende. Não tanto os quadros, são bonitos, mas saber que ele é um apreciador de arte me deixa surpresa. — São todos originais?

— Sim.

— Aposto que foram caros.

— Não sei, provavelmente.

— Como você não sabe? Não os comprou?

Eu corro algumas passadas até estar caminhando ao lado dele. Estou cansada de ficar para trás.

— O passatempo da maioria dos velhos são bingos, o da minha mãe são leilões e feiras de arte. — ele me checa rapidamente, um olhar descontraído — Ela me dá todos eles, diz que não há mais espaço nas paredes de casa. O que é uma mentira sem tamanho.

Aproximamo-nos de uma porta, e ele tira a mão esquerda do bolso para empurrá-la. Não consigo ver claramente o que está dentro, afinal, a única luz iluminando parte do local são as luzes da cidade e da lua que atravessam as janelas.

Ele me lança um olhar totalmente denso. — Não vai entrar?

— Claro. — ergo o queixo e piso para dentro. A luz não acende automaticamente como nos outros cômodos. Eu suspiro quando ouço a porta ser fechada atrás de mim.

O fato de que fechou a porta já quer dizer muito. Ele não fez isso em nenhum dos outros quartos.

O fluxo da minha respiração acelera, e eu me viro para observá-lo.

A realização me acerta com tanta força que não pude sequer observar até mesmo os pontinhos de poeira naquele quarto, como fiz com os outros.

Sasuke dá dois passos até estar diante de mim, o canto esquerdo dos lábios erguidos em um singelo sorriso.

Eu estou vendo nos olhos dele que entendeu. Desde o início, desde a primeira menção que fiz a “conhecer o resto da casa”.

— Você entendeu. — afirmo, de forma débil.

Pelo visto ele aprendeu boas lições de atuação com a ex.

— Entendi. — ele ri baixinho, e eu fico paralisada enquanto uma de suas mãos colhe o meu pescoço. Ele se inclina e beija o meu cabelo.

— E por que você não me trouxe para cá logo?

— Porque você é uma imbecil viciada em eufemismos, e isso me irrita. — uau, a forma suavizada com a qual está falando isso sequer me remete ao fato de que está me insultando.

— Tudo deu errado na última vez que você tentou fazer isso.

Péssimas memórias, a prova de que nós dois somos, de fato, dois estúpidos. O que acontece é que: ele, por ser quem é, disfarça melhor do que eu.

Seus dedos deslizam por meus ombros e ao longo dos meus braços até que cheguem à minha cintura, e sem desviar o contato visual nem por um segundo, ele puxa minha camisa para fora da saia vagarosamente. — Vai dar tudo certo desta vez, — ele sussurra, enquanto vai desfazendo os botões um a um, de baixo para cima. — não se preocupe.

A ponta de seus dedos toca o meu pescoço enquanto ele desfaz o último botão, no colarinho. Eu o observo sem reação, até que seja puxada bruscamente de encontro a ele; seus braços me envolvendo enquanto suas mãos lidam com o zíper traseiro da minha saia.

Eu fecho os olhos brevemente, enquanto apoio a lateral do meu rosto ao seu peito firme. É o bastante para que eu inale o aroma suave e cítrico de seu perfume, e preciso lutar contra a urgência de beijar o pescoço dele.

Então eu lembro que não preciso lutar contra absolutamente nada agora.

Uma vez aberta, a saia desliza por minhas pernas até estar no chão. Eu suspiro, tentando conter minha própria ansiedade, antes que se transforme em algo pior, como nervosismo. Eu definitivamente não preciso de nervosismo agora, porque nós já fizemos antes, e eu quero que tudo flua bem desta vez.

Ele, ao contrário de mim, não disfarça a própria antecipação. Suas mãos circulam ao meu redor, abraçando a minha cintura calorosamente sob o tecido solto da camisa aberta, até que esteja brincando com as alças da minha calcinha, empurrando-as para baixo.

O brilho malicioso em seus olhos é o bastante para que eu engula em seco, sem conseguir – ou sequer querer – olhar para qualquer outro lugar se não para eles, me conduzindo, me puxando cada vez mais para um vórtice de luxúria no qual eu estava mais do que disposta a me perder.

Eu faria absolutamente tudo para agradá-lo.

Com isso em mente, começo a me despir de minha própria camisa e sutiã. Eu fico nua primeiro e então piso para fora do pequeno círculo de roupas no chão, enquanto o aspecto em seus olhos se torna obscurecido, nublados com a mais pura apetência.

E é o que eu sinto também enquanto observo silenciosamente seus lábios. Eu me inclino para beijá-lo, mas só o que precisa fazer para evitar o meu beijo é pender a cabeça ligeiramente para trás, e ele o faz; algo que me tira de sério, e então mordo a ponta da minha própria língua ante a tentativa frustrada.

— Você vai se fazer de difícil? — eu não consigo engolir a pergunta à tempo, e ela simplesmente sai.

Ele me observa com ar de riso, o canto dos lábios contraído em um pequeno sorriso repleto de sagacidade. — Mas eu sou difícil.

Só pode ser brincadeira, embora eu não duvide, mas só tenho argumentos para refutá-lo uma única vez.

— Eu liguei para você às duas horas da manhã, chamei você para a minha casa, e você veio como um cachorrinho.

Ele ri, mas não nega. — Qualquer outro homem no meu lugar teria ido.

Ele usa a ponta do dedo indicador para puxar a franja para fora da minha testa, enquanto me observa silenciosamente, até voltar a falar. A voz nada além de um sussurro: — Você pegou um atalho direto para a minha vida, um que ninguém teve antes.

Não preciso mencionar que toda esta conversa é muito estranha e ele não está fazendo o menor sentido. O atalho que eu tive foi trabalhar para ele? Como outras centenas de pessoas?

— Não faz o menor sentido. — eu sussurro de volta.

— Vai fazer, um dia. — ele suspira, — Quando eu estiver pronto.

Então tudo fica muito claro, principalmente quando recordo da conversa que tive com Karin hoje mais cedo. Ele provavelmente está se referindo a me assumir. Deus, ele ouviu tudo, então provavelmente acha que vou pressioná-lo a me pedir em namoro, e eu nem mesmo pensei sobre isso ainda.

Digo, mesmo que a possibilidade de conviver com ele mais tempo e ter intimidade com ele me cative, eu nunca realmente pensei ou me considerei apta para isso.

Eu não quero começar a surtar com isso. Não agora.

Se ele pedisse, eu diria sim? Ou talvez ele ser quem é me assustaria ao ponto de um “não” prevalecer?

Eu provavelmente diria sim.

— Tudo bem, — eu o asseguro. Mas não posso mais conter meus próprios desejos, eu não posso mais ficar parada assistindo-o falar baixo e tão perto de mim sem fazer nada — tome seu tempo. — minhas mãos deslizam sob o tecido branco de sua camisa, eu sinto os sulcos em seu abdômen, e continuo fazendo meu caminho para cima até que meus dedos toquem a sutil camada de pelos em seu peito, mas eu não paro até que minhas mãos descansem sobre seus ombros, e começo a deslizar as mangas de sua camisa para baixo.

Ao contrário dele, não deixo que caia no chão, mas eu mesma a embrulho entre minhas mãos e a arremesso em qualquer direção, para bem longe de nós.

Ele é totalmente incrível, eu jamais me cansaria de chegar a esta conclusão. Meu próprio subconsciente e o que o mantém consciente parece adormecer, quando eu me deixo levar por minha própria ansiedade.

Não aguento mais a agonia, a sensação quente que estou sentindo entre minhas pernas.

Quando as mãos mornas dele tocam a minha lombar, os polegares me acariciando tão lentamente, o que prova ser apenas o necessário para me tirar totalmente de sério, e eu suspiro, já fora de mim, antes de puxá-lo bruscamente pelo cós da calça em minha direção, e ele me observa com um olhar selvático que rivalizaria com o meu próprio tranquilamente.

Nunca precisei lidar tão urgentemente com um cinto antes, e definitivamente nunca odiei um com tanta intensidade como odeio agora.

Com o cinto aberto, eu abro o único botão e desço o zíper. O som anormalmente alto para uma noite tão tranqüila. Meu olhar desvia do dele vez ou outra, para que eu possa ver o que estou fazendo, mas ele não para de olhar para mim um só segundo, nem mesmo quando empurro suas calças para baixo e meus dedos se fecham ao redor da silhueta marcada em sua cueca.

Ele passa a língua entre os lábios furtivamente, os músculos de seus dedos vez ou outra pressionando a minha cintura enquanto o acaricio, e não só a expressão em seu rosto, como senti-lo em minhas mãos torna aquela situação ainda mais torturante para mim. Eu me sinto úmida e totalmente impaciente, precisando de algum tipo de pressão lá.

Comprimo meus lábios, enquanto posiciono minhas mãos em seus ombros, girando-o um pouco em seu próprio eixo, até que esteja de costas para a cama.

Eu não posso esperar, eu preciso tanto disso, dele, e só espero que ele possa me perdoar por levar as coisas tão rapidamente.

Avanço três passos, forçando-o a recuar a mesma quantidade, até que não haja mais para onde ir, e sem que eu precise empurrá-lo, ele mesmo se deita sobre suas costas, apoiando-se pelas mãos para recuar até que sua cabeça esteja posicionada sobre a pilha de almofadas, – muitas delas meramente decorativas – mas que nenhum de nós perderia tempo tirando agora.

Eu engatinho sobre o colchão, praticamente rastejo sobre seu corpo, finalmente pairando sobre ele. Sinto suas mãos em meu corpo outra vez, paradas sobre minhas costelas, descendo até a minha cintura e quadris, aplicando a quantidade necessária de força para que eu me sente sobre suas pernas.

Oh, como eu queria sentir paciência para uma boa dose de preliminares.

Mas o meu corpo vai de total encontro a minha mente, eu puxo meus quadris para frente, e me apoio sobre meus joelhos apenas para puxar o tecido fino de sua cueca para baixo e liberar a parte dele que eu queria tanto dentro de mim.

Eu não peço permissão ou não penso sobre como o meu comportamento vai afetá-lo, não divago sobre o que ele pensa a respeito disso, não, na minha cabeça nós vamos fazer exatamente o que ele prometeu que iríamos, e então eu me baixo sobre ele, meus joelhos trêmulos prestes me fazem perder o equilíbrio, enquanto o sinto me preencher centímetro a centímetro.

Os ruídos que irrompem através da minha garganta ainda são discretos e totalmente involuntários. Eu abro a boca, e minhas pálpebras se fecham por um breve momento, até que eu sinta a curiosidade de ver o que está abaixo de mim. Eu me sento sobre sua pélvis, deixando que meu corpo se ajuste a ele, enquanto uma onda de arrepios crepita sob a minha pele.

Flagro seus olhos intensos vasculhando cada parte do meu corpo, e percebo que esta é a primeira vez que Sasuke me vê totalmente nua. Mas não consigo sequer pensar em sentir vergonha por isso, – quando outrora achei que me mataria – não agora.

A contração ansiosa que sinto entre minhas pernas não se dissipa mesmo agora, eu estou tão impaciente por alívio e sequer posso me controlar.

Dava para senti-lo inteiramente assim.

Sua mão envolve o meu seio direito, enquanto a outra desliza pelo contorno do meu tronco, até estar sobre meu quadril. Eu olho para ele, e vejo a mesma expressão desejosa em seu rosto, iluminado parcialmente pela luz que atravessa as janelas. Seus olhos estão escuros e aquecidos quando fazemos contato visual, e eu tenho a impressão de que este é o momento mais íntimo que vivenciamos até agora.

Por algum motivo eu alimento uma sensação errada, de que estou me aproveitando dele. E a pior parte é que eu gosto disso, me excita.

Eu pressiono minhas coxas ainda mais ao seu lado, e começo a me mover. O fôlego fica preso em meus pulmões quando o faço, e sinto suas mãos deslizarem ao longo da minha pele, até caírem sobre o colchão macio.

Ele está sentindo também. Com única e exclusivamente curiosidade, eu olho para ele como se a minha vida dependesse disso, e vejo ali a feição que não tardaria a se tornar a minha favorita.

Merda, ele fica tão gostoso assim.

— Por que a pressa, Sakura? — eu custo a não perder o que sobra de controle sobre meu próprio corpo quando sua voz rouca e baixa preenche os meus ouvidos. Seus olhos estão semicerrados, mas permanecem totalmente atentos a mim.

Eu não sei o que responder, talvez porque simplesmente entendi como um questionamento retórico, então tudo que ele pode ouvir de mim nos próximos segundos são meus suspiros irregulares.

Percebo que não consegui desregular a respiração dele. Ainda.

— Desculpa — eu devolvo.

Descanso minhas mãos sobre seu peito, me apoiando a ele para dar mais intensidade aos meus movimentos. Meus dedos se emaranham entre os pelos dele, eu sinto a sua pele firme abaixo dos meus dígitos, e percebo que estou sorrindo. Exatamente como descrevi no capítulo doze. Isso é tão bom.

Uma onda quente de prazer transita pelo meu corpo inteiro, e eu gemo. Estou fora de mim, e não percebo que fechei os olhos até minhas pálpebras se abrirem outra vez. Eu sinto as mãos dele envolverem meus quadris, me guiando também; os olhos não me abandonam um só segundo. O cenho levemente franzido enquanto captura uma pequena parte do lábio inferior entre os dentes, apenas o bastante para fazer incendiar em mim um desejo absurdo de beijá-lo.

Eu mudo totalmente a direção de meus movimentos para concretizar o que quero. Começo a me mover para frente e para trás contra ele ao invés de para cima e para baixo. Minha cabeça cai para trás quando o jeito novo envia outras sensações incríveis pelo meu corpo, e eu gemo outra vez, enquanto minhas unhas – mesmo curtas – começam a arranhar a pele abaixo de si.

Ele abre a boca quando eu o machuco, e me curvo em direção a ele, para alcançar sua boca, nossos peitos se tocando quando o faço. Se ele ousar me recusar outra vez, vai virar pessoal.

Meus quadris desaceleram, e aquilo não parece satisfazê-lo. Suas duas mãos espalmam meus glúteos e ele me força para baixo com tanta força que meus lábios, flutuando a meio caminho dos dele, se afastam outra vez quando jogo minha cabeça para trás. Isso é tão fundo que eu só me lembro que parei de respirar quando o ar me falta outra vez.

Sasuke não para, em nenhum momento. O homem tranqüilo e sereno de antes parece ter sido substituído, e eu adoro presenciar, adoro ser o motivo disso. Suas mãos grandes e quentes mantêm minha pélvis pressionada a dele, enquanto empurra seus quadris para cima, com força, contra mim, e me sinto tonta. Eu estou praticamente derretendo sobre ele agora, me sinto fora de mim, a sensação pungente nubla os meus sentidos, e eu perco o último traço de força em meus braços, o que me mantinha apoiada, e meu corpo desfalece sobre o dele, enquanto Sasuke faz todo o trabalho.

Ele queria levar as coisas devagar, mas mesmo assim estava me dando o que eu queria. Eu o adoro por isso.

É incrível ouvi-lo ofegando abaixo de mim. Ele parecia ter aproveitado a primeira vez tanto quanto eu, mas agora parece ser simplesmente extra-sensorial. Ele definitivamente não é o único.

Seus braços envolvem a minha cintura e ele me abraça. Minha mão esquerda envolve sua nuca. Eu desesperadamente preciso de mais dele, então meus lábios se fecham quase que desleixadamente seu pescoço. A ponta do meu nariz raspa por sua pele quente até que eu esteja chupando avidamente o lóbulo de sua orelha. Sasuke tem um cheiro suave e almiscarado de sabonete que poderia me fazer comê-lo vivo.

Ele suspira, e em seguida seus quadris batem tão forte contra os meus que é quase doloroso.

E então toda a sensação de êxtase para quando Sasuke inverte as posições, eu sinto todo o peso de seu corpo por um breve momento, antes que ele se apóie pelos cotovelos. Ele não volta a investir contra mim, pelo contrário, permanece calado olhando para mim, o rosto ligeiramente ruborizado e os lábios entreabertos, enquanto seu peito sobe e desce pela respiração ofegante.

Eu arqueio meus quadris em direção aos dele, tentando fazê-lo continuar.

— Qual o problema? — eu o questiono, inconformada.

— O problema nós vamos ter se eu gozar dentro de você.

Eu fico paralisada. — Como é?

Eu olho para baixo, meus olhos ficam míopes quando tento observar claramente o pau dele, e sinto o mais gelado dos arrepios quando percebo que ele não está usando camisinha. — Puta que pariu, — enfio minha cabeça no travesseiro, minha testa suando — Sasuke.

— O que?

Meu lábio inferior treme, eu sinto como se houvesse acabado de pular uma fogueira do tamanho de um poste. Ou não. — Você gozou?

Ele solta um riso nasalado, como se estivesse achando engraçada a minha reação — Não.

— Não tem graça.

— Tem.

Deus, que vergonha.

Mais um pouco, e eu perderia todo o meu sossego até o resto do mês.

Minha testa está suando, quando eu cubro meus olhos com o pulso. Preciso relaxar, ele teve a decência de avisar antes e nada demais aconteceu.

Levanto a cabeça apenas o suficiente para vê-lo sentado na beirada da cama; ouço os estalos do pacote sendo aberto, e mal consigo tempo o bastante para admirar sua construção forte e as costas largas, já que ele é rápido no que faz, e logo em seguida já está pairando acima de mim, com a mesma irritante cara de paisagem no rosto.

— Você tinha que ter visto a sua cara...

Como a última coisa que eu quero agora é ser zombada por ele, eu resolvo unir o útil ao agradável, e seguro seu pescoço com minhas duas mãos para trazê-lo em direção a mim. O riso desaparece quando eu lambo seu lábio inferior, e ele suspira, abrindo a boca para que nossas línguas se emaranhem sutilmente. Meus dedos se enroscam em torno do cabelo em sua nuca, e uma de suas mãos, que não posso distinguir qual, desliza pelo meu corpo até que ele chegue à altura de sua própria virilha, e segurando o próprio pênis, ele o guia até mim, colocando apenas a ponta. Neste ponto eu não tenho mais concentração total para beijá-lo, e ele ofega em contato com a minha boca.

Sugo seu lábio inferior entre os meus enquanto espero que continue, mas ele não o faz, e eu arquejo, frustrada, sem saber por que ele está hesitando. Me afasto apenas o suficiente para olhar em seus olhos semicerrados, seus músculos saltando pelo esforço que faz para não ceder aos seus, aos nossos desejos, e eu me pergunto outra vez o motivo de não dar prosseguimento.

— Por favor. — sussurro contra seus lábios, tentando provocá-lo até que me beije outra vez, mas ao invés disso, ele abandona a minha boca para beijar o meu pescoço, e seguir uma trilha invisível em meu corpo com os lábios e língua. Eu me retorço sobre o colchão, sentindo uma onda de arrepios que apenas se intensificava. Ele para exatamente abaixo do meu umbigo e sobe outra vez, até que seu rosto esteja sobre meu seio direito, e começa a chupá-lo vigorosamente, fazendo com que eu me impulsione para trás e gema sofregamente entre os dentes. Agarro seus cabelos quando ele troca de lado, fazendo o mesmo com o outro mamilo até que fique destendido; meus quadris puxando para cima involuntariamente em busca dos dele, de alguma coisa que possa diminuir a forte excitação em meu âmago.

Eu não sei se ele tem uma mínima ideia do que está fazendo comigo.

Seu corpo desce outra vez, mas ele não para abaixo do meu umbigo agora, e quando sinto seu fôlego quente em contato com a parte interna da minha coxa, eu mal consigo inspirar de forma completa, sem que minha própria respiração trema.

— Sasuke — seu nome sai pela minha boca, e abro os olhos, percebendo que não queria exatamente chamá-lo, eu nem mesmo sei o porquê de ter feito isso quando estou antecipando tanto que ele faça o que quer fazer.

Ele olha por cima da paisagem do meu corpo e seus olhos escuros me observam com atenção. Eu então vejo ali um sorriso que quase me parece inocente, embora eu saiba que definitivamente não é. Ele parece apenas... querer me reconfortar por algo que nem mesmo eu sei se estou sentindo.

Talvez uma visão de fora possa enxergar isso melhor em minhas feições

Ele beija sobre a minha fenda, os olhos fixos aos meus todo o tempo, — Você vai gostar. — eu solto o ar gradativamente pela boca quando o sinto usar dois de seus dedos para abrir os meus lábios. Minhas pálpebras pesam, ébrias, quando sua língua percorre todo o comprimento do meu sexo pela primeira vez. É como se todos os meus nervos, todas as minhas energias se concentrassem entre minhas pernas agora, e a situação é quase aterradora.

Ele não faz pausas dramáticas ou nada do gênero, ele simplesmente continua a deslizar sua língua em mim, e movo meus quadris um pouco para o lado, para que ele chegue exatamente onde eu quero que esteja. Meus dedos se fecham ao redor dos lençóis com tanta força que eu sinto dor, eu gemo, fora de controle, aproveitando que literalmente ninguém fora nós dois pode ouvir o que está acontecendo.

Como se as sensações não fossem o bastante, eu olho para baixo e o flagro de olhos fechados, como se estivesse aproveitando tanto quanto eu estou, e minhas costas se curvam involuntariamente. Eu empurro meus quadris em direção a boca dele quando sinto algo crescendo dentro de mim, algo forte.

Tento apoiar meu peso sobre minhas palmas, para observar melhor o que está acontecendo, mas meus pulsos estão tremendo, e eu simplesmente não consigo.

Eu estou pedindo a Deus para ele me deixar gozar agora, porque eu estou tão perto, tão malditamente perto, e eu quero tanto...

Ele gira a língua sobre o meu clitóris intumescido, e jogo a cabeça para trás. Meus dedos se emaranham entre seus cabelos, e requer todo o esforço que eu posso acumular para não empurrá-lo ainda mais contra mim. Não que houvesse como fazer isso, eu provavelmente só conseguiria sufocá-lo.

A visão é tão excitante, eu tenho certeza que nunca mais esquecerei disso. Eu ouço ruídos graves vindos de sua garganta, ele ainda está de olhos fechados, então não está ciente de que estou o observando absolutamente indignada com o fato de que parece estar me degustando, e isso me excita tanto que meus músculos ficam tensos. Sinto ondas de êxtase esquentarem meu corpo, e minha mente fica em completo branco, enquanto minhas coxas pressionam os lados da cabeça dele e desfruto do orgasmo mais poderoso da minha vida.

Isso é incrível.

Sasuke continua me chupando até os tremores deixarem o meu corpo e eu comece a afastar meus quadris dele, a sensibilidade está me matando, e se ele continuasse, eu provavelmente iria à loucura sem ser de um jeito bom.

Eu respiro de boca aberta, enquanto sinto os beijos subindo por meu corpo, passando por minhas costelas, minha clavícula, até que ele lamba a linha do meu maxilar em direção a minha orelha, seus lábios vibram suavemente contra a minha pele quando ouço sua voz rouca e abafada pedir para que eu me vire de bruços, e eu cedo imediatamente.

Estou respirando tão profundamente como se houvesse acabado de correr uma maratona, enfio meus braços sob os travesseiros, e os abraço. A parte inferior do meu rosto pressionada contra a superfície macia, enquanto sinto o calor do corpo dele pairar sobre o meu, a respiração ofegante em meu ouvido.

Sasuke usa uma mão para afastar minhas pernas, e eu fecho os olhos, antecipando o momento em que vou tê-lo dentro de mim outra vez. Eu preciso tanto disso agora que estou prestes a pedir e implorar o quanto ele quisesse.

A ansiedade some sob a comoção de prazer quando ele desliza outra vez para dentro de mim, lentamente. Sinto meus dedos curvarem abaixo do travesseiro macio, enquanto desfruto outra vez sos tremores do que o corpo dele faz ao meu. Minha reação vocal a sua investida é abafada, enquanto o ouço gemer no meu ouvido com a necessidade.

Eu adoro este som.

Ele recua lentamente, e eu empurro meu traseiro para trás, tentando tê-lo outra vez em mim, e ele reage a minha atitude rosnando um palavrão. Eu não quero que ele se segure, não quero que tente controlar o que quer que queira fazer comigo, porque eu cederia, e a vontade dele se tornaria a minha sem que eu me importasse.

Ele enreda os dedos ao redor dos meus cabelos e puxa a minha cabeça para trás, enquanto empurra sua ereção contra mim e me faz ficar perdida num redemoinho de sensações incríveis. A cada nova investida, eu perdia cada vez mais partes da minha autoconsciência e permitia ao meu instinto mais primitivo que tomasse as rédeas.

Então tudo que eu conseguia fazer era me derreter em prazer abaixo dele, enquanto Sasuke buscava seu próprio clímax. Seus lábios distribuem beijos descuidados por toda a minha nuca e ombros, enquanto eu abro as pernas ainda mais ao redor dele.

Seu ritmo desacelera, e ele começa a rolar os quadris, cada vez mais lento e profundo, me torturando e fazendo com que eu sinta uma agonia insuportável por mais.

— Não pare, por favor. — eu choramingo — Mais rápido. Por favor, Sasuke.

Ele puxa meus cabelos para trás, os lábios roçando contra a pele sensível da minha orelha. — O seu urso de pelúcia faz isso?

Meu Deus, a história do urso. A frase que me fez experimentar do arrependimento no momento em que eu pronunciei a última vogal.

Eu abro a boca para responder, mas ele empurra seus quadris mais forte, e eu grito, respirando com dificuldade.

— O seu urso de pelúcia faz isso? — ele insiste, e eu arfo. Sua voz tão lânguida, grave e cheia de sexo que eu mal posso reconhecê-lo. Apenas isso é o suficiente para enviar tremores através do meu corpo.

— Não, — eu gaguejo — não.

E então, satisfeito com o que ouve, ele me penetra de uma só vez, e minhas costas se curvam à medida que sinto cada centímetro, cada sensação incendiária atravessar o meu corpo. Ele começa a me foder mais forte, mais rápido, e eu sinto minhas próprias pernas tremerem. Eu queria tanto beijá-lo, mesmo que eu sentisse que provavelmente não iria conseguir, com toda a pressão sobre e dentro de mim agora, mas é a única coisa que consigo pensar quando sinto seu fôlego quente em meu pescoço ou ouço sua respiração pesada, superficial.

Sasuke não é muito vocal; uma de suas mãos pressiona a minha barriga, para que eu me empine um pouco mais, e eu o ouço gemer logo em seguida.

Um gemido grave, rouco e que pareceu cavar para fora de seu peito, sem que ele pudesse controlar. Isso é o bastante para intensificar a queimação familiar que estou sentindo se formar na minha barriga, pulsando entre minhas coxas.

Sasuke geme baixinho outra vez, eu consigo ouvir. Ele apóia sua testa à parte traseira da minha cabeça, seu nariz afundando-se entre os fios do meu cabelo quando o ouço gemer mais uma vez, e então sei que ele está muito perto.

Ele empurra a mão em minha barriga outra vez, e meus quadris recuam novamente contra os dele. É o bastante para que tome um ritmo descabido, e eu mordo a ponta do lábio quando sinto que ele vai conseguir tirar outro orgasmo de mim.

Por algum motivo, eu sinto a urgência em prender o fôlego. E quando o faço, sinto como se minha capacidade de ficar concentrada aos movimentos dele se torne maior, mais forte; as palpitações febris, e o quão absurdamente molhada eu estou.

Meu orgasmo vem rápido assim. Ele deseja ouvir abertamente a minha reação vocal abafada, e trás meus lábios para longe do travesseiro quando puxa meus cabelos para trás com força o bastante para fazê-lo sem me machucar.

Alguns segundos se passam e o corpo dele tenciona, ele deixa que seu peso caia sobre mim durante o momento em que desfruta do orgasmo contundente, e eu ouço o gemido irresistível que deixa seus lábios, enquanto me recupero do meu próprio, sentindo leves espasmos em minhas pernas.

Ele solta meus cabelos, e me livra de seu peso, quando volta a se apoiar à suas próprias mãos. Nós ainda estamos conectados quando ele empurra as madeixas em minha nuca para o lado, e começa a me beijar torridamente ali.

Eu estou basicamente morta.

Sinto seus beijos se multiplicarem ao longo das minhas costas suadas, ele segue a linha da minha coluna com carinho, até que pare. E então não sinto mais o calor emanando de seu corpo sobre o meu, e ouço passos.

Meus olhos procuram por sua silhueta, e eu o vejo caminhar em direção a suíte.

O que acabou de acontecer entre nós dois foi absolutamente uma perfeição. Eu estou fraca, e ainda o sinto dentro de mim, mas de alguma forma isso tudo é bom, muito bom.

Eu rolo pela superfície do colchão até estar deitada sobre minhas costas outra vez, finalmente parando para apreciar o quão macios são os lençóis, o quão larga é a cama, e o quão bonito é o quarto no qual estou, mas isso é apenas o que posso assumir com a pouca luz que adentra as janelas.

Puxo um dos cobertores para cobrir o meu corpo, e fecho os olhos brevemente, até ouvir a porta outra vez.

Eu sinto os discretos passos de seus pés descalços, até sentir a movimentação sutil sobre o colchão, e sua presença ao meu lado esquerdo. Eu estava lá antes, mas rolei diversas vezes sobre estes lençóis e acabei aqui, no lado direito.

Viro-me em sua direção e minhas pálpebras se abrem para encontrá-lo.

Ele está quieto, virado para cima, observando o teto. Seu braço esquerdo está flexionado, e a cabeça apoiada sobre seu pulso, assim como os tornozelos cruzados. Sasuke está vestindo um calção, mas eu estou concentrada no ritmo lento da respiração em seu peito, subindo e descendo lentamente, e ele se torna calmo outra vez. O Sasuke do qual eu me lembro.

Ele vira a cabeça apenas o suficiente para olhar para mim, suas íris encaminhando-se até o meu busto coberto pelo lençol, mas ele não tarda a me olhar nos olhos outra vez. Eu penso que estou prestes a ouvir um comentário sobre como eu não deveria estar coberta, mas ao invés disso, ele diz: — Eu estou com fome. Você não está?

— Sim. — eu faço que sim com a cabeça, e ele retesa os lábios brevemente.

— Eu vou pedir o nosso jantar... — ele fecha os olhos, e ouço sua língua estalar — Meu celular está na sala, droga.

A resposta para isso é óbvia: tudo que ele precisa fazer é se levantar e ir buscar, mas ao invés disso ele me lança um olhar suplicante, e eu custo a acreditar se minha mente está certa sobre o que isso significa, até que ele confirme: — ...Por favor?

Eu só consigo rir quando me arrasto preguiçosamente para fora da cama. Ele é inexplicável. Mas, no entanto, tudo fica muito claro quando ele pousa a mão como uma âncora sobre uma das pontas do lençol que estou usando para me cobrir, e então, já em pé, eu tento puxá-lo para fora de seu aperto, e ele continua, sem fazer a metade do esforço que estou fazendo.

Ele me observa com um olhar fogoso enquanto eu ando para fora do quarto, totalmente nua, e retorno poucos minutos depois carregando o celular que encontrei em um dos sofás.

Eu o entrego o aparelho ainda em pé, e então caminho ao redor da cama, para me aconchegar ao lado dele. — Você é linda, sabe disso, não é?

Com isso, ele me pega totalmente de surpresa, e meu rosto se contorce momentaneamente em vergonha. Não é difícil fazer com que eu me sinta envergonhada, mas é difícil me deixar corada, e com isso, eu tenho mais do que certeza que conseguiu. — Obrigada — eu dou um sorriso apertado e então me sento ao lado dele, abraçando meus joelhos.

— Tudo que eu estou fazendo agora é dizer algo que você devia saber desde sempre. — ele passa a língua entre os lábios — Eu... Eu odeio saber que você se sente dessa forma sobre a Ino. Eu preferia não saber disso, que você alimenta essas coisas dentro de si, que não é boa o bastante ou qualquer coisa do tipo. Isso apenas não é verdade. Nem um pouco.

Isso mexe comigo além do que deveria. Eu fico sem palavras. — Sasuke.

— E com isso eu não estou falando que não é normal se sentir assim, porque é. Ela é quem ela é, eu entendo que isso tenha passado pela sua cabeça em algum momento, o que eu estou falando é que você pode e deve parar de pensar assim, porque você é mais bonita do que ela, não que isso importe, mas você é. — ele sorri sutilmente — Então, pare com isso.

Eu engulo em seco, tentando ocultar o fato de que estou total e internamente emocionada. — Obrigada... Sasuke — Minha boca abre, e eu tento articular uma resposta, mas ele de alguma maneira parece perceber que é difícil para mim e que eu não tenho a menor idéia do que dizer, então muda de assunto.

— Eu espero que você não tenha mudado de idéia sobre o jantar, porque vou ser forçado a ignorar...

— Não. — eu retruco, rindo.

Ele pisca para mim e volta sua atenção ao celular. Eu o observo transitar entre os contatos de sua agenda, mas antes que ele possa fazer a ligação, alguém começa a ligar para ele. Não há um nome na tela, e por isso suas sobrancelhas se contraem antes que ele decida por ignorar a chamada.

Mas seja quem for, parece determinado. Um torpedo chega em seguida, e percebo que sua expressão facial fica lívida quando o lê. Suas sobrancelhas ficam contraídas, e ele olha para a parede oposta por um momento, antes de fazer um bom trabalho em voltar ao normal. Sua expressão se torna neutra outra vez, enquanto digita alguns números.

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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

— Quem era?

Ele leva o celular à orelha, e limpa a garganta, — Ninguém. — seus olhos me fitam com curiosidade em seguida — Você gosta de Dim sum?

Notas finais
Aqui vai o link, a quem interessar: https://fanfiction.com.br/historia/720202/Quid_Pro_Quo/ Até a próxima, pessoal.