Ekusas
22 Sasuke
Notas iniciais
Ela não gostou.
Está comendo para me agradar, mas não gostou. Estou tentando não rir.
— Muito bom, não é?
Ela para de mastigar e sorri, fazendo que sim com a cabeça. — É.
— Eu também gosto muito. — miseravelmente, ela força um sorriso. Eu vou continuar com isso até ela dizer com todas as palavras que não gostou. — Nossa, é muito bom. Muito, muito bom.
— O sabor é um pouco... diferente. Estranho, mas é bom.
Depois disso, ela começa a empurrar a comida em seu prato com os hashis, sem comer nada. Quando percebe que estou olhando para ela, para, apoia o queixo a palma da mão e sorri.
— Eu estava pensando que é muito bom que você tenha gostado, assim eu posso pedir um pouco mais, o que acha?
Ela pisca algumas vezes, a mão parada no ar por alguns segundos antes que recobre a consciência de que continuo aqui a observando, e então volta a agir normalmente. — Se você ainda quiser comer, sim, mas eu não quero comer mais nada.
— É mesmo?
— Sim, pode ficar à vontade. É a sua casa. — seus lábios não estão sujos, mas ela leva um guardanapo até eles mesmo assim, tocando-os sutilmente e então o amassando em seguida.
— Então está feito.
Empurro a cadeira para trás, e caminho ao redor da mesa para pegar os pratos. Eu a deixo sozinha na sala de jantar enquanto faço meu caminho em direção à cozinha para deixar a louça na lavadora.
Ela arruinou todos os planos que eu tinha feito antes, sobre como nós jantaríamos civilizadamente enquanto conversamos sobre nossas vidas, e ao acabar, conversaríamos um pouco mais até que certamente eu tomasse a iniciativa de fazer a noite acabar em sexo.
Ironicamente, o contrário aconteceu. A noite começou em sexo.
Em geral, quando as coisas acontecem de forma muito drástica em relação a meus planos iniciais, fico nervoso e irritado. Mas eu não estou frustrado por isso, de forma alguma.
Sakura tomou uma atitude. Do jeito dela, mas o fez, e vê-la fazendo isso é algo que eu queria há um bom tempo. Eu estou feliz.
Pela primeira vez os meus planos não terem dado certo é algo bom.
Ouço os ruídos leves de seus pés descalços me seguindo pelo apartamento. Ela certamente se sente desconfortável em ficar sozinha, por isso me acompanha para todos os lugares como se fosse uma mascote.
Olho para trás, e percebo seu olhar baixo enquanto ela se apóia à ilha da cozinha, me observando fazer todo o trabalho, e então me voltar até si novamente, pronto para ouvir a sua sugestão sobre o que faremos durante o resto da noite.
Obviamente é esperar demais da minha parte que ela simplesmente tome partido e me diga, sem que eu pergunte, o que quer fazer.
Pelo contrário, eu estou devolvendo o sorriso sem graça que me lançou quando o contato visual perdurou por muito tempo, enquanto eu ainda permaneço calado, apenas a admirando.
É incrível que eu, literalmente, tenha acabado de gozar e já esteja sentindo a excitação correr pelo meu corpo como se eu não fizesse sexo há meses.
Sakura certamente me chamaria de louco se eu a pedisse para fazermos de novo, e eu me vejo agora na mesma situação que ela estava antes: querendo coisas que eu não consigo manifestar em palavras, e por isso, judiar de mim mesmo pelo tempo que for necessário, porque ela, infelizmente, não lê pensamentos.
— E então, já pediu? — ela apóia os cotovelos ao tampão de mármore da ilha, e me observa com um ar de casualidade. Eu sei que passou minutos cavando pelos diferentes assuntos que poderia trazer à tona, e se sentiu aliviada quando conseguiu.
Porque esta é quem ela é.
— Ainda não. — eu suspiro, colocando as mãos nos bolsos do meu calção. O peso das minhas mãos faz com que o cós de elástico do calção deslize para baixo em meus quadris. Seus olhos astutos pegam cada detalhe, e eu chego à conclusão de que, talvez, eu não seja o único com pensamentos bem objetivos. Aproveito seu momento de distração para provocá-la — Eu vou pedir uma pizza. Talvez eu peça uma pequena, porque você disse que estava farta, e eu respeito isso. Não vou forçá-la a comer mais nada.
Seus ombros caem, e ela deixa que um aspecto decepcionado vaze em seus olhos por um breve momento, até recobrar a compostura. Então, faz com que os meus pensamentos impuros se alastrem como chamas outra vez quando tira o cabelo da testa, colocando fios da franja atrás da orelha e mordisca o lábio inferior, — Ok.
— Não vou demorar, memorizei o cardápio da pizzaria há um bom tempo. Vai custar apenas cinco minutos.
— Certo.
Meus dedos tateiam o celular, até que eu o puxe para fora. Não é preciso que eu me afaste para conversar ao telefone, ela própria faz isso, e eu observo cada passo que seus pés fazem em direção à sala de estar. Seus olhos curiosos estão ruminando dentre os meus móveis e as pinturas da minha mãe enquanto aguarda minha conclusão.
Ela está vestindo a minha camisa social, que mede alguns números além do seu, fazendo com que o cumprimento alcance a metade de sua coxa e seus braços se percam dentro das mangas longas. Ela teve o cuidado inútil de começar a abotoar apenas do quarto botão para baixo, o que me privava de vê-la caminhando nua por meus corredores.
Teria sido incrível.
Não me custou os cinco minutos completos. Sou um velho cliente de uma das tradicionais pizzas do bairro. Houve uma época em minha vida em que mesmo cozinhar, alguns dos prazeres pessoais que tenho, era insuportável. Os mantimentos permaneciam por meses, sem que eu os usasse. Eu mal tinha minhas refeições aqui, comia no trabalho, e quando estava em casa, não tinha ânimo para preparar algo.
Então eu pedia pizza.
Esta época foi o meu “eu” pós-rompimento. Quando eu ainda era acusado de traição mesmo sem ter feito nada perto disso, e ainda sou erroneamente atrelado à esta fama.
Quase me custou o início do relacionamento que tenho com Sakura.
— Ei, Sasuke? — o som de sua voz me puxa para fora da torrente de pensamentos nostálgicos. Levanto o olhar, e a vejo parada no portal de entrada, me observando.
— Sim?
— Posso ir para a sua varanda?
É com muito sacrifício que contenho a contração dos músculos em minhas bochechas, me induzindo a um sorriso que provavelmente a daria impressões erradas sobre minha resposta estar totalmente banhada em segundas intenções.
E estava, ela só não precisava saber que sim.
— Sim, fique à vontade.
Ela, ao contrário, não precisa se esforçar tanto, e sorri enquanto anui suavemente. Sakura não hesita, ela vai embora ao mesmo segundo, como se urgisse por estar lá à noite inteira. E como não consigo decifrá-la ainda, talvez realmente urgisse.
De qualquer forma, a culpa não é minha. Foi ela quem me atacou primeiro, e eu não podia dizer ‘não’ mesmo se remotamente quisesse.
O meu próximo passo, obviamente, é segui-la. Aparentemente estava ‘ok’ ficar sozinha agora, contanto que houvesse uma paisagem urbana realmente bonita para distraí-la.
Foi o que eu pude confirmar quando a encontrei escorada à balaustrada, sobre a ponta de seus pés. A cabeça baixa, observando o tráfego da rua que passa na frente do meu prédio como se fosse uma criança.
A maneira como está inclinada para frente me dá uma visão bem privilegiada do seu traseiro. Eu suspiro, esfregando uma de minhas pálpebras com o dedo médio. — Bela visão, não é?
Sakura sobressalta, e com uma feição assustada no rosto, ela olha para trás. — Uau, nossa, sim... — e então sorri. Eu não tenho tempo para me sentir mal ante sua inocência, ela continua falando. — Tudo que me acontece comigo quando coloco o rosto na janela é sentir o cheiro de rámen e ver centenas de comerciantes. Você tem esta visão todos os dias.
— Nem todos os dias...
— Como não? Claro que tem.
Eu tento fazer com que minha risada soe natural, enquanto caminho a passos leves até o seu lado. Apoio meu cotovelo ao balaústre, mas o meu corpo está direcionado a ela, que permanece virada para frente. — Não são todos os dias que eu tenho tempo de vir até aqui e fazer algo tão simples como observar a minha própria varanda.
Ela comprime os lábios, seus olhos subitamente adquirindo um aspecto deprimido. — Isso é triste.
Observo a paisagem, o céu escuro, sem estrelas, um avião passando entre as nuvens, múltiplos arranha-céus, o barulho urbano dos carros, das pessoas. Eu acho tudo isso incrível.
Sakura também parece fascinada com o que está vendo. A prova é que passar por aqui uma vez só não foi o suficiente. Ela pediu para voltar outra vez.
— Não devia achar isso tão normal. É a sua casa.
Eu não a respondo, até porque não sei o que falar.
Sua última frase me leva a refletir, e eu geralmente faço isso calado. As coisas parecem simples demais para ela, e eu acredito que ter alguém assim faria bem para mim. Ino e eu tínhamos visões muito parecidas sobre o mundo, e eu não tenho mais certeza de que isso era uma coisa boa.
O noivado falho deveria ter me traumatizado e feito com que eu despencasse no mundo outra vez, mas ao contrário disso, tudo que aconteceu comigo foi o tempo absurdo em que eu estive sozinho, acreditando que era a melhor opção para mim.
Talvez seja, e eu descubra apenas num futuro próximo ou distante, mas eu não quero mais ficar sozinho.
— No que você está pensando? — ela pergunta, e percebo que seus olhos estiveram em mim durante os segundos que gastei meditando sobre o meu passado e presente.
Contenho um sorriso; sou sempre eu a fazê-la esta pergunta, e é minimamente engraçado que esteja se questionando sobre o que eu estou pensando agora.
— Sobre você, na verdade. — suas sobrancelhas se erguem, e ela me fita, tentando absorver procedência no que acabei de dizer. Não é uma completa verdade, mas vi aqui a chance de verbalizar algo que estive pensando durante toda a noite.
— É mesmo?
— Sim, — uma brisa fria acerta seu rosto, jogando para o lado a sutil franja que cobria uma parte de sua testa. — obrigado por não desistir de mim, mesmo após a sua amiga se posicionar tão arbitrariamente.
— Ah, então é isso. — suas feições se suavizam, e ela sorri de forma adorável. Sakura me parece absurdamente linda. Não havia parado ainda para constatar a diferença em suas expressões faciais quando no trabalho e quando fora dele. Não vejo o vinco constante entre suas sobrancelhas e a aparência zumbificada, eu vejo toda a leveza de alguém que está com a mente muito longe do trabalho, mesmo diante do próprio chefe, esforçando-se para refrear a própria insegurança e ansiedade. Seus dentes raspam pelos lábios corados quando seus olhos verdes me observam com intensidade, um sorriso tímido brincando em sua boca — Você não desistiu de mim, então eu também não vou desistir de você. — com um aspecto quase fraterno nos olhos, ela toca o meu peito com a mão esquerda, e seus dedos me acariciam com candura.
O meu sorriso é repleto de satisfação, quando envolvo o seu pulso com uma de minhas mãos. Afasto o meu corpo do balaústre, dando apenas o espaço necessário para que ela fique entre mim e a superfície rígida de aço.
Ela não tenta refrear a minha atitude de forma alguma, pelo contrário, apóia suas palmas aos meus ombros e sorri. Eu fico feliz com isso, mesmo que não signifique muito, para mim é uma demonstração de que está perdendo a timidez. Os braços envolvem o meu pescoço, e à medida que seu corpo é pressionado ao meu, eu sinto seu cheiro invadir as minhas narinas.
Eu já estava duro antes de vir para cá, e Sakura não fez nada além de agir normalmente e tentar conversar comigo apesar do constrangimento. Mesmo assim, existe algo sobre o seu semblante tímido agora e as memórias de antes, nas quais o seu corpo treme sob o meu e eu ouço os seus gemidos abafados enquanto pede que eu não pare, ou vá mais forte, que me deixa excitado.
E eu temo que isso se torne um hábito incontrolável, que eu me torne viciado em Sakura como já desconfio estar, sem ter plena certeza de que é mútuo, sem saber de fato se ainda fantasia com o meu melhor amigo e eu sou apenas uma substituição, ou se também há algo mais da parte dela.
Não é fácil interpretá-la, embora eu tente.
Meus braços envolvem a sua cintura nua sob a minha camisa, e o sorriso some de seus lábios gradativamente, dando lugar a uma feição ligeiramente surpresa, e ela olha para trás como se estivéssemos em público. — Eu estou nua, — sussurra em tom cauteloso, a voz contida e à beira do tremor, tentando me revelar algo como se eu já não soubesse. — não faça isso aqui.
Como se não fosse exatamente por esse motivo que eu estou forçando meus quadris contra os seus, para que se molde a mim e sinta exatamente o que eu quero.
Seu aperto ao redor do meu pescoço fica mais forte, ela põe peso sobre suas próprias mãos, tentando empurrar a minha nuca para baixo, enquanto meus lábios se partem graças à deliciosa fricção do seu corpo no meu quando ela se impulsiona para cima, e me presenteia com o olhar mais obsceno que eu vi na vida.
Percebo que quer um beijo, mas não cedo à sua investida para consegui-lo.
— Pode ter algum maluco com um binóculo olhando para cá... — seus lábios se movem contra o meu queixo, e eu sinto em sua voz o tom levemente cômico. Nem mesmo ela acredita no que está dizendo.
— Pertinente. — devolvo, de forma sarcasticamente condizente.
Então ela ri. — Nunca se sabe. Mas agora chega...
Sua última sentença me confunde, e eu não economizo em mostrá-la. Um vinco se forma entre minhas sobrancelhas, e ela empurra levemente o meu peito, mas meus dedos agarram a barra dos botões de sua – minha – camisa, trazendo-a para trás junto de mim, e alguns se desabotoam no processo, facilitando o meu trabalho.
— Você pediu comida, não é? — balanço a cabeça, estimulando-a a continuar — Então nós vamos esperar chegar.
— Por quê? — eu entendo exatamente o motivo, embora este não me satisfaça, mas da mesma forma, eu gostaria de vê-la tentar me explicar.
— Porque sim, Sasuke.
Eu a observo com um sorriso, enquanto desfaço os últimos botões. — Você não quer ser interrompida... — eu afirmo, em tom baixo. Meus olhos presos ao contorno de seus seios formando o decote entre a fenda larga, presa apenas por um mísero botão restante que me impede de vê-la por completo. Ela mordisca o lábio inferior discretamente, mas não nega. — Eu entendo.
Sakura eleva os calcanhares outra vez, e eu não a impeço quando, numa segunda tentativa, seus lábios atingem os meus. O nosso beijo é necessitado, molhado. Seu corpo se choca ao meu outra vez, uma de minhas mãos segura o seu queixo, mas eu não consigo, eu não acho que nada disso seja o suficiente para suprir minhas vontades. Meus dedos se movem até a sua nuca, fechando-se ao redor de seus cabelos, trazendo a sua cabeça para a minha, exigindo ainda mais de sua boca.
Eu não entendo como ela pode me pedir para esperar, e me beijar desta forma em seguida.
Me sinto completamente desnorteado quando ela se afasta, eu ainda não estava pronto para parar de beijá-la, e mesmo assim, meus olhos se abrem o mínimo possível para observar o tom esverdeado dos seus, enquanto ela chupa o meu lábio inferior entre os seus. Os dedos pequenos apertando meus antebraços inconscientemente, e levando a minha própria consciência junto.
— Desculpe, amor, eu não posso esperar... — a confissão explode através da minha boca em um murmúrio baixo, só que mesmo assim, sincero — Ponha suas pernas ao meu redor.
Ela não me questiona, e acredito que, no fundo, ansiava por isso tanto quanto eu. Flexiona sua perna direita contra a lateral da minha esquerda, e minha mão se fecha embaixo de sua coxa, enquanto aguardo que faça o mesmo com a esquerda, mas ela se desequilibra ao fazê-lo, e isso arranca algumas risadas de nós, até que ela murmure um “agora” e eu consiga segurá-la.
Ela cruza os tornozelos, suas pernas fechadas ao redor de mim, enquanto eu recuo alguns passos, prestes a levá-la de volta a cama.
Isso até que eu tenha uma ideia melhor.
Não consigo conter um sorriso perverso enquanto assisto a feição de confusão em seus olhos ao atestar que não estou a levando embora, e sim em direção à jacuzzi. — Sasuke — chama, mas eu não posso me concentrar em nada além de descer os pequenos degraus de forma segura para nós dois enquanto a carrego, e minha falta de atenção parece agravá-la — Sasuke.
A água alcança a altura de meus joelhos quando alcanço o ponto mais profundo. Sugo o ar entre os dentes quando finalmente estou sentado no último degrau; a sensação é muito boa, e ela está apenas sentada em mim. Ela parece compartilhar do sentimento, sua testa está levemente franzida e os lábios partidos.
Eu suspiro, soltando o ar nervoso de meus pulmões. Meus olhos presos aos dela, eu estou praticamente implorando por isso. Sakura continua me observando em silêncio, até se mover sobre mim outra vez, curvando-se em minha direção para selar os meus lábios ruidosamente.
Não reajo, e ela me beija outra vez. E outra vez. A cada vez que se afasta e retorna, abaixando-se o bastante para capturar os meus lábios, ela se força contra mim, e eu inalo uma respiração entrecortada quando sinto minha pele ficar arrepiada.
Olhos esverdeados vasculham o meu rosto. Eu não sei o que vejo em sua expressão facial, tampouco estou me concentrando em tentar lê-la, já que obviamente está depositando todas as suas energias em me provocar o máximo possível, mesmo sem fazer nada expressivo.
Talvez queira me ouvir pedir.
As partes inferiores de nossos corpos estavam submersas; minha mão desliza por seus quadris até a virilha, e percebo a maneira intensa como seus olhos me fitam ao perceber quais intenções tenho. Meus dedos afastam seus lábios, desenhando círculos lentos em volta de seu clitóris. Ela está molhada, mas estamos em um lugar em que isso realmente não faz tanta diferença, e continuo a masturbá-la com movimentos suaves, mas ao mesmo tempo precisos.
Meus olhos a sondam rapidamente, eu ouço um suspiro profundo, e vejo, de relance, seus olhos semicerrados antes de voltar minha atenção ao que estou fazendo. — Está bom?
Ela balança a cabeça freneticamente, os olhos agora fechados. — Sim... — Sakura apoia a sua testa à minha, e me beija outra vez, respirando em minha boca, e deixando um novo e sôfrego beijo a cada novo centímetro da linha do meu maxilar, trilhando o caminho até a minha orelha. Acelero o ritmo de meus dedos, e mesmo submersos, eu ainda posso sentir a viscosidade.
Eu não posso esperar.
— Quando a sua comida chegar... — seus lábios gesticulam em minha orelha, causando uma vibração prazerosa — Eu não vou deixar você ir.
Porra, eu não estou dando a mínima para comida agora.
— Porque o aviso foi dado... — eu sinto o gemido que escapa de seus lábios em minhas entranhas — Foi você que quis apressar as coisas.
Sinto suas unhas curtas arranhando a minha barriga, e ela segura o elástico do meu short entre os dedos. Levanto os quadris apenas um pouco, para que possa puxar o suficiente para me liberar, e ela o faz. Meus olhos observam sua mão deslizar tortuosamente ao longo do meu pênis.
Eu me sinto inchar ainda mais contra sua palma, e só então percebo que estive prendendo a respiração em meus pulmões.
Minha mão livre se fecha sobre a dela, aumentando a pressão.
— Não me faça esperar. — é o meu solitário e sedento sussurro à suas alegações. Seu rosto está imediatamente diante do meu, os olhos atenciosos absorvendo minhas feições, enquanto eu verbalizo a minha ansiedade.
Sinto o peso de seu corpo se dissipar quando ela fica de joelhos sobre o degrau no qual estou sentado, isso faz com que os seus seios fiquem no meu rosto, enquanto eu olho para cima, dentro de seus olhos. Ela ainda está me segurando entre os dedos quando ela fricciona a sua intimidade em mim, sem nunca me deixar entrar.
— Você não quis me dizer quem o ligou antes.
Eu gemo, em um misto de tesão reprimido e frustração por Sakura estar trazendo um assunto totalmente aleatório à tona. Eu não quero falar sobre a minha ex agora, e se quisesse, teria a falado antes.
— Por favor, Sakura.
Puxo o último botão da camisa que está vestindo, e isso me dá a visão completa de seus mamilos rosados, que estive louco para chupar. Isso parece pegá-la de surpresa, e quando abocanho um deles, ela parece perder o controle que a mantém de joelhos apenas o bastante para que deslize em mim outra vez, até que o retome novamente.
Nós podemos falar sobre isso outra hora, qualquer outra hora.
— Senta, Sakura. — meu hálito quente sopra na pele sensível dos seus mamilos, e ela solta um gemido entre dentes, que me parece uma mistura de sentimentos. Um deles é lutar contra sua vontade de obter respostas agora e fazer o que nós dois queremos — Agora. Senta.
Minhas mãos deslizam pelas laterais de seu corpo, e mesmo eu sou pego de surpresa quando ela desce, de uma só vez, arrancando de mim um palavrão repentino pela forma bruta como se encaixou a mim de uma só vez. Os músculos das minhas mãos se contraem, e eu corrijo a postura para agarrar a sua cintura enquanto desfruto da sensação de estar dentro dela outra vez, tão malditamente quente e pronta para mim que eu seria capaz de revirar os olhos.
Ela começa a se mover por conta própria, sem se importar em começar de forma lenta, e aumentar gradativamente a velocidade. Pelo contrário, seus movimentos são firmes, precisos. Ela sobe e desce em mim, os dedos pressionando fortemente a borda da jacuzzi ao lado da minha cabeça enquanto lambe furtivamente os próprios lábios, os olhos fechados durante sua perseguição ao próprio prazer de forma descabida.
Uma imagem tão perfeita que eu não consigo fazer nada além de observar, débil, enquanto ela empurra seus quadris contra os meus fortemente, e tudo que minhas mãos fazem em sua cintura são seguir o ritmo dela, ao invés de ditar o meu.
Sakura me parece incrível agora, completamente fora de si, como uma maldita deusa, enquanto observo com devoção os seus seios balançarem próximos ao meu rosto. Deslizo minha mão submersa até abaixo de seu umbigo, ajudando-a em um novo ângulo, e sinto que ela perde o equilíbrio; suas mãos agora sobre os meus ombros, enfiando as unhas na minha pele.
Isso é tão, tão mais intenso do que antes. Mesmo que tenhamos transado há pouco mais de uma hora atrás, eu, surpreendentemente sinto que vou gozar mais rápido agora, porque está sendo o melhor sexo que eu tive na minha vida.
E porque estou sem camisinha. Isso requer ainda mais concentração da minha parte.
— Porra, Sakura. — eu gemo, baixo o suficiente para que ouça.
Isso parece trazê-la de volta para a realidade, seus longos cílios se abrem, e ela me observa com olhos semicerrados. Inclinando-se sobre mim para me beijar, mesmo que por fim tudo tenha resultado apenas num descuidado encontro de lábios e línguas.
Ela não parava de se mover, em nenhum momento, nem mesmo para me beijar. A água respingando em nossos corpos, formando pequenas ondas ao nosso redor que se dissipavam rapidamente.
Eu a massageio outra vez sob a água, e Sakura choraminga. Desta vez meus dedos estão se movendo sobre o seu ponto mais sensível, e após alguns segundos neste ritmo, eu tenho a impressão de que ela está perto.
No entanto, os toques do meu telefone fixo soando na sala de estar parecem atrair ambas as atenções. O ritmo de seus quadris desacelera consideravelmente e seus olhos observam a porta.
Em um lampejo de consciência, ela parece recordar de suas próprias palavras, momentos antes, e sorri para mim de forma maliciosa, prestes a retomar suas próprias investidas. Porém, eu aproveito a brecha. Não para ir atender a ligação, que certamente trata-se da pizza esperando por nós no saguão, mas para segurá-la pelas coxas outra vez, trazendo seu corpo molhado para fora da jacuzzi, e deitando-a sobre o chão.
Seus olhos expressivos me fitam surpresos, até que eu espalme minhas mãos aos lados de sua cabeça, mantendo o meu peso nelas para afastar suas pernas com os joelhos, mantendo-as abertas apenas o suficiente para que eu me encaixe nelas outra vez.
O barulho irritante do telefone não me desvia do meu foco.
Eu continuo exatamente de onde paramos.
__________
Sakura e eu tivemos uma noite longa.
O visor do relógio sobre a mesa de cabeceira marca exatamente dez minutos para as duas horas da manhã, enquanto meus dedos correm preguiçosamente por seus fios. Sua cabeça está acomodada sobre o meu peito, e eu não tenho certeza se está acordada ou não, porque não me concentrei em ouvir sua respiração.
Pelo contrário, estive perdido em pensamentos desde que ela me confrontou outra vez sobre a mensagem. E eu não tive opção, se não confidenciá-la de que, de fato, a pessoa do outro lado foi a minha ex-noiva.
Uma mensagem de apenas cinco palavras que me fez ter certeza de que eu a veria mais cedo do que tarde.
“Saudades. Quando podemos nos ver?”
Ela nem mesmo se preocupou com identificações, já que era convicta de si mesma o bastante para saber que eu ainda tinha o seu número em meu celular.
E de fato, eu tinha.
Principalmente porque nunca me preocupei ou achei que fosse pertinente excluí-lo. Isso também não quer dizer que eu acredite em amizade após o término conturbado de um noivado ou mesmo queira manter contato. Por isso estranhei a forma descontraída com a qual se expressou.
“Saudades”, como se eu me importasse com isso. Perguntando quando poderemos nos ver, como se eu houvesse deixado pré-acordado que conversaríamos quando saísse do programa, e não foi o que aconteceu.
Eu queria mais distância dela do que proximidade, e ainda quero.
Não a vejo mais da mesma forma, tampouco tenho sentimentos expressivos por si. Eu a superei, por isso que não desejo que volte para a minha vida quando lhe bem entender.
E tenho uma forte impressão de que a coisa mais importante tenho está em meus braços agora.
— Sakura, — minha voz emana, e eu paro com as carícias em seus cabelos — está acordada?
Aparentemente não.
Estou decidido a deixá-la descansar, e embarcar na jornada que seria tentar dormir, eu mesmo. No entanto, ela se move sobre mim, e ouço um suspiro mais profundo cortar o silêncio, até que seus olhos sonolentos estejam me fitando e seu queixo apoiado ao meu peito. — Desculpa. — eu sussurro.
Ela coça os olhos, e tapa um bocejo com a mão. — Eu não estava dormindo.
Não posso conter uma risada abafada, pois sei que está mentindo.
Deslizo os dedos ao longo de sua testa, afastando os fios que cobriam uma parte de sua sobrancelha. Suas pálpebras ameaçam fecharem-se outra vez quando a ponta do meu dedo percorre a ponte de seu nariz, até que meu polegar esteja sobre seus lábios rosados.
Tudo que ilumina seu rosto é a meia-luz de um abajur ligado ao meu lado. A iluminação parecia machucar seus olhos, assim que despertara, mas agora parecia habituada à luz enquanto seus olhos permaneciam em mim.
Eu não tenho certeza se é a melhor decisão conversar com ela sobre assuntos assim agora, mas, por algum motivo eu me sinto... Ansioso.
Ainda não esqueci a conversa que ouvi por telefone, as coisas que Karin tinha a dizer sobre mim, e suas teorias porcamente fundamentadas sobre coisas que fogem de sua alçada.
Que tampouco são problema dela.
— Sakura... — ela produz um ruído, um monossílabo que provém de sua garganta apenas me estimulando a continuar, e após isso, deixa um casto beijo em minha pele. — O que você espera de mim?
Ela arqueia a sobrancelhas, os lábios entreabertos enquanto escolhe pacientemente as palavras para responder algo que sequer parece ter compreendido.
— O que isso quer dizer?
— O que você espera de mim. Você espera alguma coisa? — ela ainda parece confusa, mas isso é o bastante para que me observe de olhos bem abertos, agora totalmente desperta. E então coloca um de seus braços sobre o meu peito, apoiando o queixo sobre seu pulso.
Foi exatamente a pergunta que Francis fez à Eloise, quando quis saber como ela se sentia sobre ele. Sakura descreveu os sentimentos dele ela mesma, então sabe a quê estou me referindo, mas a possibilidade de que eu esteja usando um de seus versos para me expressar lhe parece improvável, e ela ainda não compreende.
— Eu... — ela corta o silêncio deixado por mim — Eu não espero nada de você, Sasuke.
Era a resposta que eu esperava ouvir, para uma pergunta com múltiplos sentidos. Ela simplesmente escolheu o dela.
— Eu disse, em Osaka, que não esperaria. — não sei decifrar o que vejo em seus olhos agora. Ela parece arrebatada por seus próprios pensamentos, mas de maneira negativa. — Não espero nada de você. Não vou cobrá-lo coisa alguma. Não se preocupe com isso–
— Não estou preocupado. — eu a interrompo.
Se existir alguma mínima conexão entre nossas mentes, apenas agora fui capaz de senti-la. Eu sei exatamente o que está pensando sem que perguntas objetivas sejam necessárias.
É muito óbvio o que pode parecer. Eu estou a perguntando sobre suas expectativas sobre mim na mesma noite em que a minha ex entrou em contato.
Ela sorri, mas os seus olhos não sorriem. Seus pensamentos já foram longe demais, e a culpa é minha.
— Isso é bom, não há motivos para estar... Por que não tenta dormir? — ela sugere, e percebo uma umidade a mais em seus olhos — Nós dois temos trabalho amanhã. Hoje.
Ela está querendo dizer a mim, seu chefe, que nós dois temos trabalho amanhã.
— Sakura. — eu a chamo novamente. Agora, demonstrando um sinal de impaciência, ela ergue as sobrancelhas para mim — Você sente alguma coisa por mim?
Sua feição neutra esmoece diante dos meus olhos, dando lugar a um aspecto severo; os lábios comprimidos implacavelmente.
— Não adianta, eu não vou falar sobre isso. Você não vai conseguir arrancar isso de mim.
A reação me parece exagerada, então arqueio uma sobrancelha. Ela se apóia ao meu corpo para conseguir ficar de joelhos, mas eu seguro um de seus pulsos antes que pense em ir para qualquer lugar fora da cama. Porque está tendo uma reação pouco condizente com a realidade. Pelo contrário, está criando a sua própria e presumindo coisas que não procedem.
— Por quê? — eu indago, meus olhos severos a observando, enquanto cerra os próprios punhos, sem tentar disputar força comigo para conseguir ir embora, mas visivelmente desconfortável com sua permanência aqui.
— Porque não importa. Nós... nós combinamos que seria casual, eu disse a você que não faria nenhum tipo de exigência, eu disse isso. Eu me lembro muito-
A discussão da forma que está agora, não nos levará a lugar algum. — Se quer a verdade, eu gosto de você. — a interrompo, — Eu gosto mesmo de você.
— Como é?
A expressão em seu rosto é impagável. Eu não quero rir e correr o risco de tal atitude invalidar o que eu acabei de dizer. Não quero que ela pense que estou brincando.
— Arriscaria apaixonado, mas... Bem, você está possessa agora e eu não quero correr o risco de não ser correspondido, então vou deixar as coisas de uma forma menos perigosa para mim. — ela continua me observando completamente atônita, sem conseguir piscar. — Tenho pensado muito em você.
Ela pisca algumas vezes, perdida nos próprios pensamentos.
— Pensar muito em alguém não quer dizer exatamente que você está apaixonado por essa pessoa. — ela argumenta, mas eu não vejo o menor sinal de indiferença em seus olhos. Pelo contrário, é quase esperança.
— No meu caso, sim. — acaricio a lateral de seu rosto com minha mão — Eu não tenho tempo sequer para pensar em minhas próprias necessidades, eu não perco tempo me sentindo mal por acreditar que jamais conhecerei uma pessoa cem por cento se eu não me importar com ela. Eu me sinto assim com você.
Ela exala ar pela boca, e me lança um olhar confuso. Do tipo que me leva a crer se mesmo ela sabe o que está sentindo, porque eu não posso opinar.
— Você tem absoluta certeza de que não está tirando uma comigo?
Suspiro. — Sim, Sakura. Eu tenho.
Um longo momento de silêncio se seguiu. Eu estou começando a ficar constrangido por minha voz ter sido a última a emanar dali, principalmente após uma confissão. Mas sei que ela está tomando o seu próprio tempo e não gosto sequer de pensar no verdadeiro vendaval de pensamentos que sua cabeça deve estar agora.
Então eu espero pacientemente que diga algo, se é que dirá.
Tudo que Sakura faz é subir sobre o meu corpo, seus lábios se conectando com os meus em um beijo inesperado para mim. Sua língua era sedosa ao correr sobre a minha, e quando se afastou, interrompendo algo que eu não considerava acabado, ao menos ainda, eu soube que tinha algo a dizer.
— Eu realmente gosto de você, Sasuke.
Ergo o meu tronco para beijar a sua testa, e quando me afasto, ela me observa com um sorriso nos lábios.
Com uma frase tão simples, Sakura conseguiu concretizar o que parecia ser impossível para mim há pouco tempo.
Eu não achei que fosse possível me envolver afetivamente com alguém outra vez após um episódio que me marcou a minha vida de forma tão negativa.
Mas essa constatação se parecia cada vez menos com uma possibilidade à medida que passávamos tempo juntos.
Agora, eu percebo, é um fato.
— Eu vou faltar hoje. — ela murmura, o olhar baixo observando os próprios saltos, enquanto coloca o último deles nos pés.
Estreito os olhos. Essa opção é inaceitável, ela só pode estar maluca.
— Não, você não vai.
— Sim, eu vou para casa.
Ela corre em direção a própria bolsa,
— Não, você vai para o trabalho, Sakura.
— Não vou para o trabalho, pare para pensar! — a passos curtos e cuidadosos, ela para diante de mim, ambos feição e voz agravados — São quase onze horas da manhã, se nós dois chegarmos atrasados em um mesmo dia será mais do que óbvio.
— Oh, eu chegar atrasado e você faltar no mesmo dia não vai ser, então?
— Será menos óbvio. Eu posso inventar uma crise de gripe, ou algo assim. Vou dizer para o Sai, ele vai descontar o dia do meu salário, e tudo certo. Você pode dizer que dormiu demais.
A ideia não é das piores.
Nós trocamos olhares durante alguns segundos. Eu precisava mostrá-la o quanto esta desculpa é inútil. ‘Dormir demais’ e ‘eu’ em uma mesma frase.
Além disso, perdi algumas chamadas do Naruto. E ela, da Karin. Tenho certeza que ambos estão procurando por nós, e só o que posso esperar agora é que não conversem sobre isso, do contrário, apenas um curto processo de “ligue os pontos” é necessário para saber o que está acontecendo.
— Você pode dizer que precisou fazer alguma coisa, aliás, você não precisa dizer nada, você é o chefe. Ninguém vai questionar você.
— Eu gostaria que as coisas fossem tão simples quanto você acha que são.
Ela prende os cabelos em um rabo de cavalo, me observando de forma esquisita. — Ninguém vai questionar você. A minha ideia é melhor do que a sua, ok? É isso ou nada.
Eu desisto de tentar argumentar. Ela tem razão, se chegássemos ambos atrasados seria menos óbvio do que um de nós faltar e o outro chegar atrasado. Eu tenho o poder de me recusar a dar satisfações, ela não.
— Tudo bem, vamos. Eu vou deixar você em casa.
Sakura tenta me convencer a ir de metrô, mas eu não posso permitir isso. Argumentar que já estarei chegando atrasado para mim não tem importância.
Pelo contrário, já chegarei atrasado de qualquer maneira, que diferença faria alguns minutos a mais?
No carro, enquanto eu dirijo em direção ao seu bairro, percebo que Sakura me olha algumas vezes, em silêncio, de forma contínua.
Contudo, eu só descubro o motivo de seus olhares no momento em que estaciono na frente de seu prédio. Ela sai, mas apóia o braço à janela aberta do meu carro, e inclina-se para conversar comigo.
— Foi uma noite incrível, Sakura. — eu sorrio — Obrigado.
Sakura faz uma careta, e então ri. — Você cortou o meu barato, eu queria agradecer primeiro.
— Não precisa.
— Claro que sim. Hum, a propósito... Desculpa por acordar você daquele jeito.
— Não tem problema.
Eu acordei com Sakura correndo de um lado para o outro e repetindo sobre o quanto estávamos atrasados. Ela, no entanto, estava pelo menos duas horas atrasada. Estava tão afobada que não quis esperar que eu fizesse o café da manhã e me forçou a comer duas torradas.
Ela sequer comeu alguma coisa.
Um silêncio estranho faz com que nós dois fiquemos trocando olhares. — Então, eu vou indo. Vejo você amanhã?
— Claro.
Em seguida, eu simplesmente sorrio, prestes a dar a partida e ir embora. Mas Sakura toma uma atitude que faz com que eu siga o resto do caminho pensando apenas nisso.
Ela me beija, e me deseja um bom dia de trabalho.
Isso me parece algo que apenas casais fariam, e no entanto, nós dois não somos nada do tipo. Refleti sobre a madrugada de hoje, após as confissões, ter sido o momento que eu deixei passar para tocar neste assunto com ela.
Porém, eu queria passar mais tempo com Sakura. Ter certeza.
E ainda existe algo que não sabe. Algo que pode arruinar tudo que nós dois construímos ao longo do tempo, e eu sei se me envolver de forma séria com ela com um segredo como estes ainda escondido não é uma atitude honesta.
Mas eu não quero pensar sobre isso.
A opção de não contar coisa alguma também é válida, mas isso me atormentaria.
Escolher não contar seria omitir, ou seja, é a mesma coisa que acontece agora. Eu posso escolher manter as coisas como estão ou falar a verdade de uma vez. Dois extremos. Não há um meio termo.
Tenho certeza que isso não sairá da minha cabeça o dia inteiro, me mantendo distraído do trabalho.
Eu pretendia que este fosse um dia igual ao que tive semanas antes, me isolar e pedir que Shizune anotasse as mensagens. Mas ao contrário daquele dia, este iria totalmente de encontro aos meus planos.
As pessoas me olharam de forma estranha hoje, certamente o meu atraso colossal havia os surpreendido, mas foi diferente com Karin. Ela me lançou um olhar de estirpe assassina, e quanto a isso, eu senti vontade de rir.
Mas foi algo que durou pouco. Bastou que eu chegasse até a minha sala.
Eu percebi a movimentação atípica, percebi os olhares, percebi quando os funcionários, antes dispersos, voltaram aos seus lugares no momento em que colocaram olhos em mim.
Eu só não sabia o motivo.
Foi Shizune que me contou, suando frio, que Ino estava no prédio.
Karin está mais propícia a rir de mim agora do que o contrário.
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