Ekusas
19 Sakura
Notas iniciais
Dezessete horas antes
Algumas semanas após meu retorno, Naruto foi em sua jornada acompanhando Shikamaru. Por isso, não tive a chance de vê-lo frequentemente. Mesmo quando retornou, eu não imprimi receitas de glacê caseiro e fui até a máquina de xérox para tirar cópias e observá-lo de longe, como antes.
Talvez eu esteja o superando, e perceber as diferenças entre a pessoa que fui semanas antes e o que sou agora seja um sinal disso; no entanto, eu evitei também todos os seres humanos do sexo masculino em conjunto, e isso jamais poderia passar despercebido, já que Sai me perguntou se havia feito algo de errado e o porquê de parecer tanto que eu estava o evitando.
Aparentemente a decisão de Sasuke em me dar o espaço que ele julgava necessário refletiu na forma como eu vi o mundo durante as duas semanas. Eu não sei o motivo de ter respondido as perguntas de Sai como um robô, não sei porque me senti reclusa e indisposta a ter qualquer tipo de contato social com outras pessoas ao ponto de considerar algo baixo como pagar a um médico para que assine um atestado de dez dias por uma alergia qualquer, mas felizmente eu não o fiz.
Meu Facebook ficou desatualizado dos compartilhamentos de diferentes fotos de gatos, e eu não fiz guarita vinte e quatro horas por dia no perfil de Naruto. Consequentemente não sei como foram os seus dias com Shikamaru, não sei com quais de seus amigos ele se encontrou para um passeio de lancha ou encontros em bares noturnos, não sei a série de exercícios que ele fez na academia ou o que estava ouvindo nas últimas horas.
Foi muito bom não clicar na enorme quantidade de curtidas em sua mais recente foto e procurar todos os nomes femininos que deram “Amei”, percebendo que a maioria delas eram mais bonitas do que eu e tinham mais chances com ele.
Foi um grande alívio, na verdade. E eu planejo continuar seguindo aliviada, ao menos neste aspecto.
Eu estou planejando continuar calma agora, e não é tão fácil. Estou a pouco mais de um metro de distância dele, e na primeira vez que o olhei, eu percebi que o cabelo dele estava diferente. Mas não é uma percepção aceitável, porque Karin pareceu não dar a mínima, e no entanto, eu dei.
E isso é tudo doentio demais, então eu estou fazendo o que sempre fiz de melhor: fingir que estou digitando.
Um dos lados bons em conseguir digitar sem precisar olhar para o teclado é que isso dá uma seriedade a mais a qualquer pessoa, mesmo a mim. Se eu olhasse para o teclado, eu estaria me permitindo ser interrompida, e este não é o caso.
O que me resta é ouvir a conversa deles.
— Não me encontrei com alguém lá, você saberia se eu houvesse. Eu conto tudo a você.
— Engraçado. No mínimo engraçado. — a risada que sai de seus lábios é deliberadamente forçada — Talvez Sasuke possa atender você agora, por favor vá encher o saco dele ao invés do meu.
— O saco dele já parece cheio…
— Ninguém poderia saber disso melhor do que você.
A forma como ele se inclina sobre a mesa apoiando-se pelas duas mãos é torturante. Porque eu quero desesperadamente olhar, e no entanto, não posso.
— Eu entenderia se fossem vocês, de verdade. Mas eu? Eu sou amigo dele fora daqui.
— Foda-se, o cara é uma pessoa também. Talvez hoje seja um dia ruim. Ontem eu acordei com sete nós em cada fio de cabelo e tive que sorrir e agradecer quando o meu namorado mentiu dizendo que eu estava linda.
Naruto solta uma risada charmosa, e sinto que seus olhos azuis investigam minha reação por um segundo. Eu me sinto vitoriosa por estar com os olhos firmes ao computador.
— Eu não saí na sexta-feira simplesmente porque não quis, mas ela ligou para mim tentando me convencer do contrário.
— Ela foi direto ao ponto?
— Sim.
— Você foi?
— Não. Eu tive planos de ir, mas quando a ligação acabou, eu disse a mim mesmo que fecharia os olhos por cinco minutos antes de sair da cama, e os cinco minutos se transformaram em sete, talvez oito horas. Eu dormi outra vez.
— Entendo. Aposto que aconteceu no dia seguinte.
— Com que interesse eu mentiria para você, Karin?
— É uma ótima pergunta.
— Ah, dane-se. Se você não acredita, deveria ligar para ela você mesma.
— Procurar piolhos na cabeça de um macaco seria bem mais interessante. Com licença. — com isso, ela afasta a cadeira com rodinhas e sai esticando a saia para baixo. — Sakura, você quer café?
— Não. — é minha resposta. Eu me permito minimizar a aba do Word e finalmente o observo. Naruto segue o caminho percorrido por sua prima com olhos aborrecidos. Eu não sei se presenciei a discussão mais tranquila do mundo, ou se aquele comportamento é normal entre eles.
Naruto me observa, e engulo em seco. Sinto uma coceira no antebraço, mas a ignoro para receber dele um erguer de ombros, sucinto, breve, indefeso, mas que fez com que eu me sentisse um pouco importante. — Não sei como você aguenta — ele comenta.
Não é possível, o cara está falando comigo.
O último contato direto que tivemos foi quando ele me recusou na festa de sua prima, e eu não o respondo de primeira por pensar sobre o quão trouxa ele é por achar que tudo está normal, principalmente depois de ser tão grosso e insensível.
Mas ele muito provavelmente nem se lembra.
— Hmhhmhum. Pois é. — eu respondo, a voz baixa como um miado.
Ele está caminhando em direção a saída do nosso departamento agora. Certamente não foi a melhor maneira de responder, mas se eu não percebesse que fiz algo errado apenas depois que a pessoa sai, não seria eu.
— Que ótimo que ele foi embora. — ouço a voz dela atrás de mim, enquanto faz seu caminho de volta até sua mesa. Ela puxa a cadeira e se senta sem a menor delicadeza — Estou sem paciência hoje.
— Ah, tá.
Uma de suas sobrancelhas se ergue e ela me observa com os olhos diminutos sob as lentes dos óculos. — Não vai me perguntar do que estávamos falando, sério?
— Não, tenho outras coisas na cabeça.
E eu, de fato, tenho.
Não importa o quão seja legal da parte dele me dar o espaço que ele acha que preciso. Não sei se estou sendo ingrata, por ele não me pressionar ou mandar mensagens inconvenientes, como muitos fariam. Não. Ele nunca fez isso, e eu duvido que fará.
Mas eu não me sinto inteiramente bem mesmo assim. O pensamento de que a atitude dele não condiz com a de que um homem que, na minha cabeça, gostaria de passar tempo comigo, só faz eu me sentir diante de um cubo mágico embaralhado, sem nenhuma habilidade para decifrá-lo.
Minhas costas se separam do estofado da cadeira, eu apoio os cotovelos sobre o vidro temperado da mesa e cruzo minhas mãos. A visão de mim tão séria e pensativa parece arrebatar Karin, cujos chamados soam em algum lugar da minha consciência.
Só haviam duas opções, e sem dúvidas ele se encaixa em uma delas. Sasuke previu tudo e está tão resoluto de que a iniciativa será minha que está apenas esperando, sem mover um músculo.
Ou ele não dá a mínima, e está agindo como tal. Seguindo com a vida dele e me amolando com toda a história de “espaço”.
Como ser pessimista faz parte da minha natureza, não foi difícil escolher em qual das hipóteses eu acreditaria.
— Ele não está nem aí. — meus olhos estão vidrados ao porta-retratos do meu gato, que me encara de volta. Eu jamais troquei olhares daquela forma com Johnny ao vivo, e no entanto, está acontecendo agora. Por meio de um pedaço de papel. Eu sinto como se ele estivesse me recriminando por algo.
Shikamaru passa diante de mim, me olhando de cima. Mas francamente, não estou nem aí. Ele provavelmente tem se alimentado da fé de que estou com inveja dele, e realmente fiquei, até o fim daquele dia macabro em que Sasuke me comunicou que meu esforço não trouxe frutos. Depois disso, eu percebi que não conseguiria lidar com mais responsabilidades e fiquei, de certa forma, aliviada.
— Vocês duas, voltem ao trabalho.
Eu sequer consigo sentir raiva disso, estou dormente agora. Consigo apenas pensar em Sasuke, e como eu gostaria de chutar a porta de sua sala e entrar, mesmo com todos os avisos de que ele absolutamente não receberá ninguém hoje, como se houvesse previsto a agonia que eu passaria agora.
— Saudades da época em que você dormia de olhos abertos, sentado bem ali. — Karin diz para as costas dele, o veneno deslizando por seu queixo.
— Eu nunca fiz isso. — ele devolve, e continua seu caminho adiante.
A troca de farpas me soa engraçada, e eu decido quebrar a cabeça sobre toda a situação pendente uma outra hora. O tempo passa mais rápido quando estou engajada em alguma coisa, então decido focar no trabalho.
Até porque eu estou no trabalho.
O telefone toca e eu o atendo antes que possa chamar pela segunda vez. — Alô, bom di-
— Quem não dá a mínima? Você está falando do Naruto ou do Sasuke?
Eu me surpreendo ao ouvir a voz de Karin no outro lado da linha. Sua cadeira está virada de costas para mim, e ela me interrompe outra vez antes mesmo que eu possa pensar em perguntar.
— Sasuke. É uma história longa, você sabe uma parte.
— Assim podemos conversar. Me conte sobre tudo, vamos dar um jeito nisso.
Inalo uma respiração profunda, e meu quadril trás a cadeira para frente, de forma que estou grudada à mesa. Eu pego uma caneta qualquer e começo a copiar refrãos de músicas, no melhor estilo “estou conversando com um cliente e fazendo anotações”.
— Provavelmente não é o melhor momento agora… — eu tento. Não quero perturbá-la com minhas inseguranças e divagações.
— Não, eu sei do que se trata. Sakura, você precisa disso mais do que pode compreender.
Suspiro. — O que isso quer dizer?
— Que você precisa voltar a viver.
E eu a conto tudo o que aconteceu, com detalhes. Sem esconder coisa alguma.
A coisa mais interessante sobre sistema de ramais é que, pressionando o botão certo, não apenas sua assistente como o próprio Sasuke podem ouvir absolutamente tudo que estou falando sobre ele agora. Detalhes muito pessoais.
Provavelmente o tipo de exposição que me faria ser demitida, mas nenhuma das consequências me impede de falar o que preciso, e Karin atende a todas as minhas expectativas.
Ela me guia até a solução. O que vai provar de uma vez por todas se estamos na mesma sintonia, se ele quer tanto quanto eu.
Vou fazer uma loucura nesta madrugada.
___________
Não aguento mais. A situação vai muito além do que a minha urgência me permite lidar agora. Eu estou agarrada a ele como se a minha vida dependesse disso.
Toda a sua determinação em me mostrar como estou o afetando fisicamente me torna um ser inconsciente e completamente entregue.
Infelizmente, eu percebo que não vou conseguir esperar nada além do que já esperei. Horas atrás, eu estava cem por cento disposta a fazer tudo direito, sem pressa, com camadas. Eu teria beijado cada parte dele, mas não agora.
Eu ainda quero dedicar uma boa porção de tempo ao corpo quente e maravilhoso dele, eu quero tanto que minha consciência dói, mas não é a minha mente que está tomando as decisões agora.
Eu não quero preliminares, mas quando o assunto é sexo, eu só consigo me manifestar sobre antes ou depois, nunca durante. Eu já tentei antes, conversar durante o ato. Não conversar verdadeiramente, apenas responder a perguntas.
Quando eu disse adeus a minha virgindade, num motel de beira de estrada, alguns anos atrás, o meu antigo namorado achou que seria legal perguntar sobre o cardápio do jantar que nos entregaram, quando alugamos o quarto por duas horas.
“Você está bem?”
E eu fiz que sim com a cabeça, os olhos fechados para não receber toda a claridade de uma lâmpada acesa logo acima de nós.
“Não fique nervosa. Você viu que eles estão oferecendo a segunda porção de cartola grátis?”
Desde então, as minhas respostas, quando eu respondia, têm se resumido a monossílabos.
Talvez por isso fiquei enjoada na última vez em que comi rabanadas, o que me deixou trancada na cabine de um toalete num restaurante três estrelas.
Como se tivesse algum dom sobrenatural, a próxima atitude de Sasuke me trás completamente de volta ao mundo real. A meu presente, de onde eu jamais deveria ter saído em primeiro lugar.
— No que está pensando? — sinto seus lábios se movimentarem contra minha bochecha. Eu suspiro, pensando sobre o porquê de sempre me perguntar isso.
— Você não quer saber.
Ele se afasta um pouco, e o observo serenamente. À esta altura do campeonato, eu já baguncei o seu cabelo o suficiente a ponto de deixá-lo absolutamente diferente do homem organizado que vejo todos os dias. É um aspecto selvagem que nunca vi antes.
Eu inclino meu corpo para trás, sorrindo. Meus pesos apoiados à minhas próprias mãos, enquanto observo tudo o que posso da imagem que tenho diante de mim.
Ele é fantástico.
Sua mão acaricia suavemente a minha coxa. — Você mudou de ideia?
— Não.
— Tem certeza?
— Sim. — inclino minha cabeça para o lado, sentindo a temperatura quente de suas mãos através do tecido, enquanto ele subia a cada vez mais. — Mas já que quer saber: eu estava pensando nos meus ex-namorados.
Seus olhos escuros se desviam do meu corpo até estarem nos meus. — Isso é péssimo. Eu estou te fazendo lembrar deles?
É, no mínimo, fofo que isso sequer passe pela cabeça dele com um sentido negativo.
Suas duas mãos estão na minha barriga agora. Requer um esforço hercúleo da minha parte para continuar olhando apenas para ele, quando quero acompanhar o que está fazendo.
Eu não estou com vontade de conversar, mas o assunto é interessante e, acima de tudo, eu não sei como pedir a ele que simplesmente vá direto ao ponto.
— Você está me fazendo lembrar do motivo pelo qual eu terminei com eles. Eu sempre achei que merecia mais. — eu não sei se isso ficou “sério” demais, afinal, não estamos namorando nem nada do tipo.
Se ele me olhasse com ar de “que porra você está dizendo”, eu sem dúvidas pediria desculpas, mas ao invés disso, ele sorri.
— É uma boa resposta. Isso é bom.
Eu suspiro quando sua pele finalmente passeia sobre a minha. Suas mãos quentes e calejadas massageando meus seios por baixo da camisa, esfregando o polegar com lentidão sobre meus mamilos. — Isso também.
Eu fico feliz de sua habitual lentidão não se repetir em momentos como esse. Ele entende de primeira o que eu quero dizer.
Calor explode através da parte inferior do meu corpo, e eu o observo sem conseguir conter um olhar de puro suplício, porque não sei como me expressar.
Não sei como dizer a ele que não quero nada além do que seu pênis dentro de mim, sem parecer insensível ou grossa. Apenas isso.
— Quer me dizer alguma coisa?
Sim.
Meu deus, eu quero.
Eu suspiro, e exalo pela boca, sem conseguir conter um gemido frustrado entre a expiração, por minha própria “franguice”.
Karin estaria decepcionada comigo se pudesse assistir a tudo.
Balanço a cabeça negativamente e impulsiono meu corpo para frente. Estou abraçada a ele agora, de olhos fechados; meus braços se envolvem ao redor de sua nuca e a ponta do meu nariz desliza ao longo de seu pescoço.
Então, eu tenho o contrário de uma ideia mirabolante. Eu tenho uma ideia completamente realizável.
As pessoas não precisam falar o tempo inteiro, afinal de contas.
Minhas mãos sentem a urgência de tocar aqueles ombros sardentos desde o momento em que eu o vi se exercitando, e com as têmporas ainda fechadas, eu o faço. Um maravilhoso jogo de tato.
Então em seguida eu passo meus dedos por seus mamilos como ele fez comigo. Minhas mãos se unem no centro de seu peito, eu sinto a sutil camada de pelos e o acaricio ali, seguindo o resto do caminho abaixo para alisar os suaves sulcos de seus músculos da barriga.
Minha mente está absolutamente vazia, eu só posso pensar no que minhas mãos estão fazendo agora e o quanto eu estou gostando disso.
Sinto seu peito subir contra o meu em uma inspiração profunda e contenho um sorriso de satisfação. Ele também está gostando.
Eu finalmente alcanço seu abdômen, sentindo o jeans das calças baixas em seus quadris logo abaixo.
Abro o botão, puxo o zíper para baixo. Pressiono a palma de minha mão sobre o volume, mas logo em seguida as enfio em seus bolsos frontais. Os pacotes estalam em minha mão direita, mas eu puxo apenas um deles.
Terminado o meu trabalho aqui, empurro sua calça juntamente à cueca para baixo, e elas caem sobre seus tornozelos.
Minha respiração está completamente descompassada quando crio um pouco de espaço entre nós dois para tentar abrir a camisinha, mas minhas mãos estão suando e tremendo, e isso torna o trabalho impossível.
Morrendo de medo, eu o rasgo com os dentes enquanto meus olhos estão vidrados à sua nudez.
Não acreditaria se me dissessem que ele seria o primeiro de nós a estar nu.
Eu não posso parar de olhar. Eu sinto vontade de apertar minhas pernas uma contra a outra diante da visão.
Minha ansiedade, já alta, parece ser multiplicada, e sou possuída pela bravura de mil homo habilis.
Não há mais necessidade de pudor, nós já passamos disso, e eu precisei admirar seu pau durante alguns segundos para perceber.
Eu quase posso ouvir a voz de Karin dizendo “você é lixo” na minha cabeça, e neste momento, eu realmente mereço.
— Isso é muito pouco justo. — ele murmura.
Francamente está certo, eu permaneço com todas as peças de roupa, e não se pode dizer o mesmo dele, mas para mim não há uma outra situação no planeta que me favoreça tanto.
A discreta movimentação entre nós dois foge ao controle dele, e é absolutamente estimulante para mim. Ele está pulsando. Minha mão direita se fecha suavemente ao redor de sua extensão.
Meu rosto certamente está da cor de uma beterraba, porque estar segurando o pênis do meu chefe foi uma das coisas que eu não imaginei sequer para minha próxima vida.
Os meus momentos de vergonha absoluta são como abrir um refrigerante quente, quando a pressão dentro da garrafa diminui e, ao abrir a tampa, um barulho agudo e infernal soa, para logo em seguida a espuma sair, forçando a tampa a ser fechada às pressas novamente.
Ou melhor, um corte profundo por esfaqueamento. Eu pressiono a ferida para tentar estancar o sangue, mas pressiono do jeito errado, e consigo deixar a situação pior. Ruim o bastante para que eu me arrependa. Mais sangue. Uma torrente maior e maior de sangue.
— Eu li uma vez na internet que o pênis masculino lateja de acordo com as pulsações do coração.
Este momento é uma hemorragia.
Um nó do tamanho da América do Sul se aloja em minha garganta, e eu engulo em seco, olhando para ele como se fosse um Carrasco e eu, uma imputada implorando por minha vida. Meu corpo se retesa enquanto tento acobertar meu próprio lapso.
Céus, eu o perguntei sobre finanças quando estávamos prestes a trocar nosso primeiro beijo e agora consegui fazer isso.
Sasuke desata a rir. É algo breve, saudável. Eu não estou aborrecida por estar rindo de mim, pelo contrário, eu mereço.
E a descontração me deixa menos nervosa.
Estou pensando agora em como seria ouvir o seu coração com a mão lá e descobrir se é verdade do modo empírico. Seus olhos ainda sorriem quando ele me observa, e ele me faz questionar logo em seguida se deixei transparecer meus pensamentos em meu rosto. — Quer ouvir o meu coração?
Seria menos constrangedor se o cara houvesse simplesmente me matado.
Minha mão direita o aperta, e a expressão bem humorada em seu rosto cai imediatamente à medida que eu começo a massageá-lo.
O clima, que eu não destruí por muito pouco, ressuscita quando meus olhos estão vidrados aos dele, agora escurecidos e sérios, como se o momento anterior não houvesse jamais existido.
Apenas olhar para ele assim, puxando o ar entre os dentes cerrados, por causa de algo que estou fazendo com ele é uma sensação absurda.
Eu achava impossível que o desejo entre minhas pernas pudesse aumentar, mas a mera visão que estou tendo consegue o efeito. Ele me deixou na vontade ontem, e está fazendo a mesma coisa agora, mas pelo menos sei que as chances de que eu seja saciada hoje são maiores.
Realmente, é um alívio.
As mãos dele se posicionam sobre a beirada do balcão, uma a cada lado de meus quadris, e suas costas se arqueiam até que o topo de sua cabeça esteja pressionado contra minha clavícula. Não paro de mover a minha mão nem por um segundo, e consigo ouvir os seus suspiros descompassados e cada vez mais profundos, enquanto a única visão que tenho é a de sua nuca.
— Assim está bom?
— Não pare. — ele responde, rouco, e beija o meu ombro sobre o tecido. Em seguida, seus lábios chegam até a pele abaixo da minha orelha, e perco a concentração por um breve momento. Minha mão desacelera — Não pare…
Ele cria um espaço mínimo entre nós dois. Seu rosto a um fio de distância do meu, nossos olhares trancados, suas têmporas entreabertas; os fios devidamente revoltos por mim cobrindo sua testa, outros arrepiados. Estou absolutamente necessitada, e se ele não estivesse entre minhas pernas, eu estaria amassando-as uma contra a outra.
Sinto vontade de choramingar por ele, para que pulemos esta parte e foquemos no que ‘realmente interessa’, o que estou antecipando tanto desde ontem. Mas sinto que preciso desfrutar mais desse momento também. Nunca me senti tão no controle desta forma, nunca tão desejada antes. O olhar em seus olhos agora é perfurante, ele está sentindo prazer, mas não desvia suas íris das minhas um só segundo, como se as sensações não fossem o suficiente para fazê-lo parar de olhar nos meus olhos, ver neles o que estou vendo nos dele.
Eu sempre me diminuí ante a imagem de sua ex, mas não é ela quem está fazendo isso agora. Não que eles não tivessem sua intimidade antes, mas eu me permito me sentir orgulhosa por isso.
Com um ruído selvático, porém discreto, ele amassa seus lábios nos meus outra vez em um beijo afobado e eu me desequilibro. Minha mente está girando, tudo se torna um borrão, eu não sei no que me concentrar e provavelmente não estou fazendo nada direito. São as suas mãos firmes que me mantém apoiada e sólida em meu lugar, porque eu teria caído para trás e o trazido junto de mim.
É como se eu estivesse em meu próprio paraíso particular. Estou respirando como se houvesse corrido uma maratona, e dificilmente estou o beijando propriamente, apenas seguindo sua liderança.
Não aguento mais.
— Chega disso — minha voz ressoa em seus lábios, e em seguida, sou eu que coloco a camisinha nele. Eu sinto seu corpo se enrijecer contra mim enquanto a desenrolo por sua extensão até a base.
— Você colocou do lado certo?
Eu realmente não faço a menor ideia. — Por favor. — eu gemo.
Fecho os olhos por um momento, enquanto abraço-o pela nuca outra vez. Estou colocando todo o meu peso nele agora, é o momento em que o nervosismo retorna, revirando o meu estômago. É agora. — Já tem um tempo que eu não faço isso. Devagar, por favor.
Então os dois polegares dele se enfiam no cós do meu short, puxando-o para baixo juntamente com a calcinha, e é apenas aí que a realização de que ainda estou em minhas roupas me frustra e me alivia ao mesmo tempo.
Eu mordisco a pele perto das minhas unhas, sentindo o tecido deslizar por minhas coxas, e abro os olhos.
Não sei porque fiz isso. A primeira coisa que vejo é o meu gato parado, sentado ao lado do pratinho. Ele comeu pouco, e arrastou o resto para a beirada. Eu odeio isso e ele continua fazendo.
Meu deus. John está olhando para mim, para nós. — Sasuke, — não vou conseguir com ele aqui. É como fazer sexo na frente de um filho. — ei. Sasuke. — meus dedos pressionam o seu ombro, demandando atenção.
— O que? — ele solta um suspiro, olhando para mim com as sobrancelhas contraídas.
Eu fico em silêncio e seu olhar persegue o meu. Ao meu lado direito e ao seu lado esquerdo, a uns dois metros de distância, está lá. O meu gato. — O que foi? — olhos impacientes me encaram de volta, incompreensivos.
— Não consigo com ele aqui, não dá. — eu protesto. Ao meu ponto de vista é tão óbvio que ele é um ignóbil se pensa o contrário — Você conseguiria?
— Sim. — ele reserva um breve momento para olhar para Johnny, e me fita outra vez — Ele estava aqui o tempo todo, você só o viu agora. — ele tenta disfarçar, mas o mau humor transparece no som de sua voz.
Derrotada, eu apoio o topo da minha testa ao queixo dele. — Mas agora que eu vi, não dá. — eu me afasto. Ondas de constrangimento absoluto varam meu corpo. — Johnny, porra. Saia daqui! — eu vocifero.
Infelizmente ele não fala a mesma linguagem do que eu, mas já está acostumado comigo e sabe diferenciar os tons da minha voz, quando estou sendo carinhosa e, definitivamente, quando não estou. — Sai! Psssxxhtt!
Ele se levanta, mas não sai. O seu rabo está em pé, e isso agora é mais do que ruim. É péssimo.
— Você quer que eu o tire? — ele propõe, não inteiramente satisfeito com sua própria oferta.
— Só se você lavar as mãos depois. — eu não consigo sequer olhar para ele.
Ele bufa, e sai. É uma imagem e tanto vê-lo caminhar pelado até que alcance a localização de John.
— Pelo amor de deus, puta que pariu — ele xinga ao se agachar, e eu testemunho a tudo em absoluto silêncio, enquanto ele passa por mim em direção ao corredor.
É tão raro ouvi-lo falar palavrões deste jeito que eu, durante o minuto no qual fico sozinha, percebo o quão engraçada é esta situação.
Ouço o barulho da porta fechando e vejo sua silhueta aparecer no corredor outra vez, ele caminha em minha direção sem me olhar nos olhos e sacode as mãos no ar, respingando água nas paredes. — Pronto.
— Obrigada. — eu comprimo os lábios, fazendo um esforço desmedido para não rir quando observo a expressão pouco satisfeita em seu rosto. Suas mãos agora frias tocam as laterais das minhas coxas, ele está pronto para continuar de onde paramos, mas eu ainda estou rindo.
Não consigo parar nem mesmo quando os seus olhos escuros me encaram intensamente, sérios. Ele passa a língua pelos lábios com impaciência ao me ouvir murmurar um “desculpa” absolutamente vergonhoso, e eu inclino minha cabeça para trás.
Observar o teto alguns segundos vai funcionar.
Meus shorts continuavam parados no meio do caminho até que ele começa a subí-los outra vez, encaixando-os novamente em meus quadris.
Ele acabou de me vestir outra vez. Está desistindo?
— Desculpe… — eu me recomponho.
Qualquer resquício de uma risada em meus lábios some abruptamente no momento em que ele puxa minha calcinha para o lado e sonda lentamente minha abertura, pincelando-a. Meus olhos se chocam aos dele imediatamente, enquanto o sinto enterrar-se centímetro a centímetro. Balanço a cabeça, encorajando-o a continuar.
Se essa foi sua maneira de me puxar de volta à realidade, preciso dizer que é absolutamente eficiente. E maravilhosa. Minhas pernas oscilam e estou absolutamente sem forças quando meus dedos se fecham sobre seu ombro. Eu não grito, mas minha boca se abre instantaneamente. São quase nove horas da manhã de sábado, a rua que moro está a todo vapor. As pessoas podem ouvir lá de baixo da mesma forma que ouço o coro de movimentação constante dos comerciantes da praça, ou as vozes vindas do portão.
Se os vizinhos me ouvissem em um momento como este, eu não sei o que faria.
Sasuke está parado, ele não se movimenta. Enquanto o momento de choque envia ondas de calor por todo o meu corpo, me deixando extremamente perturbada, ele, em um completo contraste, parece apenas encontrar entretenimento em assistir a minha reação.
Céus, como eu senti falta disso. Nós mal começamos e eu sinto um incômodo em meu maxilar devido a força com a qual estou rangendo os dentes.
Eu inspiro, e meus braços envolvem os seus ombros outra vez. As mãos dele sobem das partes posteriores dos meus joelhos até se firmarem nas minhas coxas, enquanto agarro um punhado de cabelo acima de sua nuca.
É incrível agora o quão docemente enganada eu estava, em achar que meu único lapso imperdoável fora comentar sobre a relação entre o coração e o pênis. Eu também errei em pedir a ele que fosse devagar, e tudo isso porque presumi que me sentiria desconfortável após o tempo considerável desde a última vez que fiz isso.
Agora particularmente eu quero que ele me foda como se nós dois fôssemos morrer assim que acabar. E meu drama se reinicia quando não sei como verbalizar isso.
Solto um suspiro totalmente irregular, minha boca se abre; preciso tentar. — Sasuke — mas ele recua e investe contra mim novamente. Um ruído desesperado ressoa de mim, enquanto ouço sua respiração se acelerar audivelmente. De repente, a cadência lenta me parece mais do que agradável e fecho os olhos. Ele só está fazendo o que eu pedi, afinal. Seria adorável vê-lo chegar ao ponto de sucumbir às suas próprias vontades em sobreposição às minhas.
Eu me sinto totalmente preenchida, a pressão que estou sentindo é totalmente intensa e já estou urgindo por alívio. Ofego e xingo um palavrão, e quando direciono minha atenção a ele outra vez, eu não consigo pensar ou olhar para qualquer outra coisa, até porque nenhuma visão é tão prazerosa quanto esta. Suas feições contorcidas, o brilho luxurioso em seus olhos, que não se desgrudam um só segundo dos meus. Sasuke é viciante.
Quando eu consigo falar, faço um favor para nós dois. — Mais rápido.
E, adoravelmente, ele me obedece.
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— Que tipo de médico verá hoje?
Eu tenho a remota sensação de que uma frota de caminhões passou por cima do meu corpo, por isso, não é realmente um momento que eu goste de conversar. Mas é o que faço para criar algum assunto, porque eu prefiro isso, prefiro até outra curiosidade totalmente desnecessária da minha parte ao silêncio.
Ele, obviamente, se comporta de forma muito mais natural que eu.
— Neurologista.
Balanço a cabeça positivamente, fungando. — “Neurologista”. Faz parecer bem sério. — eu comento, e desta vez estou implorando que sua resposta não seja composta por uma só palavra.
— Eu não sei se é ainda. — ele coloca a xícara sobre a pia — Eu teria ido a um Clínico Geral, mas Shizune que marcou a consulta, ela provavelmente está certa. O café estava muito bom.
Eu não digo mais nada, apenas sorrio da melhor forma que posso. O clima não deveria ser estranho assim, e eu sei que a culpa é minha. Ele está sendo seu ‘eu’ habitual, mas tudo que eu posso pensar agora enquanto estou olhando para o seu rosto é a expressão espetacular que ele fez ao gozar. Não necessariamente ao gozar, o tempo todo.
Eu fico excitada outra vez apenas com isso.
Eu provavelmente vou me lembrar disso todas as vezes. Todas as vezes em que eu o vir de hoje em diante.
Meu Deus, vou pensar no quanto ele mete maravilhosamente enquanto ele estiver dando suas palestras inocentemente. Eu vou me lembrar de coisas impróprias o tempo inteiro. Nada mais será a mesma coisa.
Arquejo, tentando sacudir para longe esses pensamentos. Aliás, eu posso e irei recapitular as imagens de novo e de novo, mas quando ele for embora.
Subitamente, eu sinto uma onda de inspiração, e passo a querer e ao mesmo tempo não querer que ele vá embora, pois adoraria sentar e escrever agora.
Minha indecisão quanto a sua partida se deve ao fato de que nós fomos dormir depois de fazer na cozinha, e no momento em que eu acordei, ele tinha aquele olhar nos olhos. Então aconteceu outra vez, e só não de novo porque eu já estava cansada demais para isso. E, do fundo da alma, foi uma pena.
Estou arrependida agora. Se ele me perguntasse se podia ficar para mais uma, eu diria sim e faríamos mais duas. Mas ele não vai ficar.
— Quer me dizer alguma coisa?
Eu estava olhando para ele o tempo todo, mesmo quando minha mente estava aterrorizada a léguas de distância daqui. Obviamente estou mortificada, não fui nada discreta.
— Quero agradecer. — eu suspiro, o que estou prestes a dizer não é tão fácil para alguém como eu, inteiramente sóbria — Foi a melhor foda da minha vida.
Ele solta um riso nasalado, e depois disso desata a rir de verdade. Deus, como é charmoso. Qualquer impressão remota de que todo o meu fascínio por ele fosse diminuir depois que fizéssemos sexo é rapidamente diluída quando ele se aproxima de mim e cruza os braços. O peito desenhado na camisa. Meus olhos se desviam do pescoço dele até seus olhos com algo que beira a devoção. Eu deixei uma pequena mancha vermelha ali, e não sei ainda se é motivo de alegria ou vergonha. — Vou tentar me sentir elogiado, tudo bem?
— Por quê? — eu saio do meu transe, arqueando as sobrancelhas para ele.
— As suas referências são ruins demais para que isso tenha algum efeito na minha auto estima. — sincero demais. Dolorosamente sincero, mas é algo que eu precisava ouvir. A culpa por meus relacionamentos falidos não é inteiramente minha, e hoje eu sei disso. Ele desliza o polegar por meu queixo afeiçoadamente.
Eu teria ficado magoada com esta declaração em outra oportunidade, mas ele francamente não disse nenhuma mentira. Eu também tenho a impressão de que nem todos os momentos em que ele soa rude, faz parte de sua intenção. É apenas quem ele é, tão sério que inspira medo nas pessoas, e um dia eu tive também.
Ainda tenho, de certa forma. Mesmo com todas as provas que ele me deu de que não preciso ter, sinto que há muito dele que ainda não conheço, e isso me entristece. Eu quero conhecer mais.
— Tem certeza que precisa ir? — eu pergunto.
— Sim. — ele está olhando deliberadamente para meus lábios quando responde — É o melhor a se fazer, eu acho.
— Eu não teria tanta certeza.
Como eu disse, se ele disser agora que deseja ficar, eu vou ser a última pessoa a impedi-lo.
— Você disse que queria descansar, não foi? — ele sorri, e há um brilho perverso em seus olhos quando o faz que me tira de circulação por alguns segundos. Sei exatamente para onde essa conversa está indo. — Não vai haver descanso se eu ficar.
Céus.
— Oh, isso realmente é muito, muito ruim. Você deveria ir embora mesmo. Agora. — eu devolvo, complacentemente, e ele ri, porque também sabe que não é sério.
Nós passamos alguns momentos em silêncio absoluto, antes que ele o corte outra vez. — Então, tchau. — ele pisa em torno de mim para alcançar a porta, e a abre.
— Tchau. — eu o abraço. E também há algo completamente diferente num inofensivo abraço. Eu consigo suspirar até mesmo pela forma rápida como sua mão envolve a minha cintura, e tenho uma maldita impressão de que ele cheirou o meu cabelo.
— Você vai me ligar de novo? — ele pergunta, e congelo por alguns segundos. A porta é mantida aberta e a maçaneta está em sua mão.
— Eu deveria?
— A decisão é inteiramente sua.
Outra vez o silêncio. Sasuke cruelmente joga o nosso futuro em minhas mãos.
— Eu posso? — ele está me observando de forma sugestiva agora, e não sei definir ao certo o que posso ver em seus olhos.
— Eu quero.
Eu sinto minha própria pulsação acelerar desenfreadamente. Isso é muito além da resposta para a minha pergunta. — Tchau, Sakura.
Então a porta se fecha diante dos meus olhos, mas nada dentro de mim se estabiliza outra vez. Giro a chave na tranca e me encosto a porta, exalando profundamente.
— Caralho.
Dentre outras coisas, estou pensando que escreverei compulsivamente o resto do dia como se não houvesse amanhã.
Mas Karin disse que eu deveria ligá-la assim que estivesse sozinha, e no entanto, eu não quero fazer isso agora, apesar de que ela estava totalmente certa quando disse que aquilo me faria bem, e que estar com Sasuke me deixaria pronta para me relacionar outra vez com homens. Eu sinto que estou, e espero que não seja algo momentâneo.
O único motivo que não me permite ir até a janela e observá-lo partir é que não quero parecer grudenta, ou uma mãe observando o seu filho ir embora. Não, um pouco de mistério é fundamental.
Mas basta que eu olhe para o lado, e o seu casaco está lá, pendurado no meu singelo porta-bolsas ao lado da porta. Eu caminho até ele e o tiro de lá.
É impulsivo, eu junto o tecido grosso em uma grande bola e o cheiro, sentindo o aroma dele, assim como uma sutil fragrância de perfume. Se olhá-lo pela janela seria “grudento”, isto que estou fazendo definitivamente é. Mas ao menos não há ninguém olhando, muito menos ele.
Eu enfio uma das mangas longas em meu braço e a cheiro outra vez ao caminhar para meu quarto. Definitivamente farei isso muitas outras vezes enquanto escrevo.
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