Eine bunte Tee

1 Ao por do sol


Notas iniciais
Então pessoas, voltei com mais uma fanfic u-u essa terá de 3 a 4 capítulos.Espero que gostem *-*Estou meio enferrujada, mas graças a minha amada marida (que me atura e me ajuda Há) consegui organizar e deixar ajeitado, na verdade ela conseguiu porque betou pra mim [Obrigada mesmo Marida TuT]*oferece rosas* Enfim, boa leitura, espero do fundo do kokoro que vocês gostem *-*Lembrem-se: Um cap por semana :P

Eine bunte Tee
(Um chá colorido)

O corte em seu lábio inferior ainda ardia. Era como se a saliva presente em sua língua se transformasse em limão toda vez que umedecia seus lábios fragilizados pelo acontecido, lábios esses que pareciam queimar e rasgar ainda mais toda vez que os abria para pronunciar alguma frase.

Se realmente não houvesse a prova física do que tinha ocorrido, iria preferir esquecer e acreditar que nunca havia acontecido. Mas ela existia, os vergões no braço decorrente dos galhos das árvores e os arranhões, que adquirira durante a queda, tornava tudo àquilo impossível de ser esquecido.

Tornava impossível esquecer o que havia acontecido poucas horas atrás.

[...]

Caminhava a passos firmes pelo trajeto que havia desenhado em sua mente, o caminho que sabia que lhe tiraria daquela floresta, e que o deixaria livre do loiro irritante ao seu lado. Já havia estado naquele lugar com seu irmão, conhecia-o como palma de sua mão.

– Hey, Sasuke, não é por ai! – Escutou Naruto gritar a plenos pulmões atrás de si antes de seguir pelo lugar que havia planejado. Respirou fundo e contou até dez. Em menos de cinco minutos tinha perdido toda a calma que seu ser possuía, talvez por ter Naruto Uzumaki gritando no pé de seu ouvido o tempo inteiro o caminho que devia seguir, ou por estar perdendo uma tarde de sono.

Mas sua paciência não estava muito boa naquele dia.

Por causa de uma aposta ridícula do loiro, amigo de infância, teve que provar sua coragem e sua força numa floresta situada no lado oeste da cidade, tudo isso porque os seus colegas de classe chamaram Naruto de gay, e ele confirmou tal. Mas o verdadeiro motivo para estarem ali era porque o loiro, – estúpido e idiota, de acordo com Sasuke, brigara com os colegas quando eles fizeram o mesmo consigo. Naruto aceitava ser chamado de gay, mas não permitia que os mesmos fizessem isso com ele. Nunca conseguiu descobrir o motivo, e isso sempre fora um mistério para si.

Porém, nunca ligou para as opiniões alheias, e o que o irritava era o fato do loiro o fazê-lo. E a corrida para provar sua masculinidade realmente o irritava. Muito. Porque não precisava provar nada para ninguém. Era um Uchiha, não devia nenhuma explicação para outras pessoas.

Bufou, e finalmente girou sobre os calcanhares para encarar seu parceiro.

– E tem alguma ideia melhor, seu idiota? – Fitou-o com certa ira, mas relaxou a expressão ao vê-lo prender o ar. Suspirou e disse num desabafo. – Olha, Naruto... Eu só quero sair daqui.

– E nós vamos sair, você só precisa me escutar. – Retorquiu o loiro, que era menor que si poucos centímetros, enquanto sorria cinicamente. Não evitou se irritar com isso e esbravejar enquanto balançava os braços em frente ao corpo: — Se eu não tivesse te escutado, eu poderia estar na minha casa agora, sem estar suando, ou até mesmo cansado! – Gritou para o outro extravasando a raiva que sentia. – Você só me mete em problemas, porra!

– Calma, Sasukezinho. – O loiro disse com mais ironia, provocando-lhe certa fúria. Mordeu os lábios para conter as palavras rudes que poderia dizer, e esperou que Naruto prosseguisse sua fala. – Você já anda comigo desde criança, as pessoas sabem que sou gay, e você ainda nem responde quando te acusam do mesmo! – Ele concluiu como se fosse obvio.

– Se eu não respondo é porque não me importo. – Se aproximou do outro com certa fúria nas ações, alcançou o colarinho do uniforme branco dele e o agarrou com força enquanto o puxava levemente para si. – Então para de querer me proteger de algo que estou cagando e andando.

– Ah, claro! Agora virou o todo poderoso que não precisa de ajuda. – O loiro a sua frente revirou os olhos e se desvencilhou de suas mãos. – Se não quer, não faço mais isso. Não vou tentar te... – Ele levantou as mãos e fez aspas com os dedos. – ... proteger. Nunca mais!

– Ótimo! – Enrugou o nariz e virou-se, tornou a encarar o caminho em sua frente tomando o que lhe parecia mais fácil no momento, o que a raiva lhe fazia acreditar que era mais fácil. Aquilo tinha se tornado um pequeno inferno, pois não conseguiam tomar uma decisão parecida. Queriam ir para lados opostos, totalmente diferentes e não entravam num acordo.

O fato era: Precisava sair de lá antes que escurecesse. Mesmo sendo amigo de Naruto desde pequenos, e tendo a responsabilidade de ser o mais velho, não suportaria a ideia de que o loiro descobrisse sua fraqueza, seu medo do escuro.

– Só não vai por ai, último aviso. – Tencionou a mandíbula ao escutar a voz do outro novamente, e cogitou a possibilidade de virar pra trás e soca-lo, mas ao invés disso deu um passo à frente, e logo mais um. Até que iniciou sua caminhada teimosa em direção ao caminho que achava correto. – Sasuke! – Ignorou os protestos de seu amigo, e acelerou o passo ao tentar se livrar dele, mas logo foi surpreendido com um barranco a frente que ficou escondido graças as folhagens de outono.

– Mer... – Não conseguiu parar a tempo, e muito menos se agarrar em algum galho que havia perto antes de despencar. Fechou os olhos esperando o impacto, mas, ao invés disso, sentiu o calor do corpo alheio lhe contornar o tronco antes de tudo finalmente escurecer.

Abriu os olhos lentamente, tornando a fecha-lo e repetiu isso algumas vezes até que finalmente se acostumou com a luz que batia contra seu rosto. Tentou se sentar, mas algo lhe prendia, foi quando se deu conta de que Naruto estava lhe abraçando fortemente e que este possuía um corte na testa.

– Naru...? – Chamou incerto, visto que o mesmo não se mexia, muito menos demonstrava estar respirando. – Naruto! – Repetiu cutucando-o no ombro. Estava começando a ficar levemente apavorado e por isso aproximou seu rosto do outro para sentir sua respiração. O loiro despertou num supetão chamando-o desesperadamente ao passo que elevava o próprio rosto, tentou desviar, mas não conseguiu impedir o choque entre seus lábios e os do outro.

Com o impulso fora jogado para trás e automaticamente levou as mãos no local ferido sentindo-o arder. Dirigiu um olhar em conjunto com uma expressão um pouco assustada para o maior e disse: – Você está sangrando.

– É, e torci o pé também. – Naruto respondeu suspirando enquanto levava uma mão à testa e a outra ao tornozelo esquerdo, massageando o local. A situação havia saído um pouco — apenas um pouco — de controle, tinha que confessar. O por do sol se aproximava e nem tinha ideia de como sair daquele lugar.

– Merda. – Praguejou levantando-se e sacudindo a poeira das roupas. Virou de costas para o mais novo e ofereceu-se para carrega-lo. – Vamos, daqui a pouco vai escurecer.

– Vai escutar o que eu digo agora? – Retorceu o nariz ao ouvir tal pergunta, mas concordou resmungando um sim baixo. Se Naruto conhecia o caminho, então o deixaria comandar pelo menos uma vez. Logo acomodou o corpo do outro em suas costas, e abraçou os joelhos dele para que o mesmo não caísse.

– Para onde agora? – Perguntou mirando o horizonte, e recebeu um puxão no cabelo do outro em direção oposta. – Perdeu a boca na queda por um acaso? – Disse irritado virando o corpo para onde o loiro indicara, e assim começou a caminhada.

Não demorou muito para avistar alguns prédios da cidade. “Naruto realmente tinha razão...” Pensou aliviado ao notar que estavam chegando perto da cerca que dividia a floresta com o bairro do distrito de Naruto.

Foi então que olhou um pouco para si mesmo e percebeu os braços arranhados e com o sangue seco. Sua perna doía, mas não a ponto de impedi-lo de andar. E não evitou um sussurro: — Estamos machucados, Naru.

A resposta demorou, fazendo-o pensar que o loiro tinha adormecido. Porém ela veio num tom sério e dita ao pé de seu ouvido, fato que lhe assustou minimamente. – Não... Estamos quebrados, Sasuke.

O moreno riu sem realmente ver graça em toda aquela situação, todavia, a sensação dos lábios do loiro atravessou sua mente como um raio e lhe fez resmungar algo incompreensível até mesmo para si. Malditos lábios.

[...]

– Sasuke, venha aprontar a mesa. – Escutou sua mãe gritar da cozinha tirando sua mente do acontecido, a reação dela ao vê-lo naquela situação ainda o fazia rir, mas os puxões de orelha fazia-o contorcer a face em desgosto. Prontamente a atendeu, mas foi resmungando até o local parando em frente à mesa vendo a mesma lhe lançar um olhar de aviso, e no mesmo momento parou de resmungar. Era um garoto sábio, afinal, tinha medo de sua mãe.

Colocou a toalha em cima da mesa e espalhou três pratos sobre a madeira, compondo com talheres que a ocasião exigia.

– Itachi está em casa, meu anjo. – Sua mãe lhe fitou curiosa. Acontecia que especialmente naquela noite não queria comer, seu estomago estava revirado com algo semelhante a borboletas e aquilo não lhe agradava nem um pouco. Deteve-se num breve momento antes de finalmente responder: – Não estou com fome, mãe.

– Está mal ainda por causa do tombo? Olha, eu já disse pra parar com essas loucuras e apostas. – Enrugou os lábios numa leve irritação. – Pare de se meter em encrenca, filho! – Sabia que era só preocupação de sua mãe, mas às vezes — como costumava dizer — enchia o saco.

Murmurou apenas um ‘foi culpa do Naruto’, e subiu as escadas indo direto pro seu quarto, entretanto antes de adentrar o cômodo escutou-a gritar novamente: — Chame o Itachi para jantar. – Bufou e bateu já irritado na porta do seu irmão para em seguida abriu-la sem se importar com os avisos ameaçadores, parou na soleira encarando Itachi do outro lado estudando os livros enormes da faculdade de medicina, e analisou o mesmo parar o que fazia e lhe encarar.

– A mãe ‘tá te chamando pra jantar. Vai logo. – Resmungou no seu jeito insolente e tentou não se incomodar quando o mais velho lhe devolveu o olhar com certo deboche na expressão. Imaginou que ele fosse fazer algum comentário maldoso e antes mesmo que ele tivesse a chance resmungou um 'não se atreva' e fechou a porta para enfim voltar para seu quarto.

Seu lábio realmente doía, seu corpo estava rígido e ainda tinha aquelas coisas no seu estomago que o deixavam enjoado. Aquele frio ridículo na barriga ao qual ainda não havia compreendido o porquê do mesmo estar ali. Suspirou nervoso.

– Te odeio, Naruto. — Verbalizou irritado. Fungou um riso logo após retomar todos os acontecimentos, realmente... Só podia ser bipolar. Riu divertido e logo se virou de lado na cama para poder agarrar o travesseiro com as mãos. – Ah, que vida de merda.

Fechou os olhos lentamente se deixando embalar pela melodia de ninar em sua mente, que por sua vez era formada pelas risadas do loiro e pelo jeito emburrado do mesmo... Pelos fios loiros e por tudo o que dizia respeito à Uzumaki Naruto.

E gradativamente foi caindo no sono, com sua mente transbordando os olhos azuis de seu amigo de infância. Com seu coração acelerando ao se lembrar de tudo aquilo.

É, não havia mais volta.

"Há sempre um pouco de loucura no amor, mas há sempre um pouco de razão na loucura." Friedrich Nietzsche

Notas finais
Obrigada por ter lido, qualquer xingamento ou elogio é na caixa abaixo. Estou aguardando por comentários *w*Agradeço a minha marida ( Ara-chan) por ter me ajudado no processo da fic, e gostaria de dedicar esse cap a ela. Beijinhos pessoas, semana que vem sai o próximo (aliás está quase pronto XD) ♥