Eine bunte Tee

2 Como uma orquestra


Notas iniciais
Boaa nooite minha gente õ/ mais um cap pra vocês! Espero que gostem, fui inspirada em músicas clássicas nesse cap -w- Obrigada por terem lido e comentado Boa leitura

Espreguiçou-se. O relógio marcava 03h39min da madrugada, e sentia seu corpo transpirar pelo calor insuportável. Respirou fundo tentando ignorar todos os avisos de sua mente que era ‘a hora dos mortos’; ‘a hora em que os espíritos saem’; ‘quando tudo acontece sem explicação’; e um arrepio passou por seu corpo, tentou ignorar tal e caminhou até o banheiro bloqueando quaisquer pensamentos sobre aquilo.

Abriu à porta entrando o mais rápido, o aspecto do corredor lhe deixou levemente receoso, mas suspirou em alivio quando se viu sozinho dentro do cômodo. Abriu a torneira e molhou sua nuca com a água gelada, refrescando um pouco o calor que se acumulara ali. – Realmente... Bem melhor. – Disse num muxoxo sorrindo minimamente.

E então o silencio daquele lugar foi quebrado por três batidas fortes na porta que o fez virar-se assustado. Engoliu em seco, após alguns segundos perguntou numa voz alterada quem era.

– Sou eu, o Naruto. – Curioso fitou a madeira tentando imaginar o motivo para seu amigo estar na sua casa àquela hora. Girou a maçaneta e deu espaço para que ele entrasse. – O que você está fazendo aqui? – Perguntou analisando o loiro se aproximar e segurar firmemente sua cintura, o encarou assustado buscando se afastar, mas foi prensado na parede pelo outro.

– Vim te ver. Você fugiu de mim! – Arregalou os olhos quando ele tentou se aproximar virando, consequentemente, o rosto de lado para evitar olha-lo nos olhos. – Me solta, Naruto! Eu sou o mais velho! – Ordenou espalmando as mãos no peito do loiro, percebendo o quão inútil e o quão fraco era à medida que Naruto conseguia se aproximar de si com a maior facilidade.

– Vamos, Sasuke, olhe pra mim. – Resignou-se a cumprir tal sentença, e, irritado, franziu as sobrancelhas quando sentiu a mão dele lhe apertar o queixo forçando seu rosto em sua direção. – Eu sei que você quer.

Cedeu pela força excessiva, não tendo tempo de rejeitar os lábios do mais novo que forçavam contra os seus, muito menos da língua que explorava sua cavidade bucal com gula. Agarrou os fios dourados entregando-se ao ato. Não entendia sua atitude de aceitar aquele fato tão bem, mas apenas compreendia que queria aquilo.

E quando teve sua parte intima tocada pela mão incisiva do loiro assustou-se.

– Não! – Gritou elevando seu tronco de supetão. Sua respiração estava descompassada, e tentou acalma-la nos minutos que se seguiram antes do despertar tocar, indicando que a aula começaria em cinquenta minutos. – Que saco, Naruto!

Resmungou lembrando-se de todos os detalhes de seu sonho. Não resistiu ao ato de bocejar, mas arrependeu-se amargamente por tê-lo feito ao sentir arder seu corte no lábio. Correu até a frente do espelho em cima de sua escrivaninha e encarou o pequeno corte com a ferida que havia se formado.

– Merda... – Resmungou revirando os olhos e analisando o estrago na frente do espelho. – Como se já não bastasse o sonho estúpido ainda tinha que aguentar isso... Passou o dedo pelo filete de sangue, tirou o que se acumulara e umedeceu lábios. Envergonhou-se ao lembrar do sonho, tendo como resposta um arrepio na espinha. — Não quero ir pra aula. – Disse a ultima parte num muxoxo, encolhendo os ombros em angustia.

Cogitou voltar pra cama, depois poderia inventar uma desculpa de que estava mal do estomago pra sua mãe. Fitou-se no espelho. – Eu sou um homem ou um rato? – Grunhiu ao perceber que queria ser um rato, bufou irritado saindo do quarto para tomar café da manhã.

Caminhou até a metade do corredor, parando ao encontrar seu irmão Itachi encostado na parede antes da escada, como se estivesse lhe esperando, o encarando irônico. Ele levantou a mão até a altura do peito e fez sinal com o indicador para que o seguisse. Relutou por um instante, mas resolveu segui-lo pela escada até a despensa.

– Se não passar algo nesse machucado, vai acabar infeccionando. – Itachi alertou procurando algo no armário. Revirou os olhos imaginando o que o mesmo estava ansiando, e pensou um “bingo” quando viu a caixa de primeiros socorros que ele tinha em mãos ao se virar na sua direção.

– Não tem que dar pontos também? – Ironizou cruzando os braços na frente do peito, em sua birra rotineira, recebendo um riso fungado de seu irmão por isso. Um riso que indicava o quão infantil fora sua atitude.

– Não seja tão dramático. – O maior o reprimiu tomando suas bochechas com uma só mão, o dedão no lado esquerdo e os outros dedos no lado direito com uma força exagerada.

– Ai, ai, ai. Tá machucando! – Choramingou gemendo de dor ao ter uma pomada passada em cima do machucado no canto de seu lábio e, também, pelo aperto forte dado em sua face. Como conhecia muito bem seu irmão, tentou aguentar o ardido e a dor o máximo que pode para que ele terminasse o mais rápido possível. E após desinfetar e limpar com um cotonete, finalmente Itachi o soltara. – Espero que não tenha muito contato com pacientes quando se formar, senão coitado dos caras.

– Que engraçadinho. – O mais velho rira num deboche notável, mas logo bagunçou seus fios lhe empurrando para fora do cômodo. – Vai lá comer.

Seguiu o que o outro falara caminhando até a cozinha, se demorando ao escolher o que comeria. Optou por um sanduiche e um copo de suco, apressou-se quando viu que tinha somente dez minutos para trocar de roupa e dar um jeito no machucado do rosto. Subiu rápido as escadas escutando sua mãe reclamar por isso, algo como “desse jeito irá se machucar de novo”, mas não deu atenção.

Entrou no quarto procurando o uniforme e vestindo-o às pressas, foi até o banheiro e escovou os dentes, parando no quarto de seu irmão para pegar uma gravata preta emprestada. Correu até seu quarto, arrumou o cabelo, logo passou no quarto de seus pais e pegou um pote nas coisas de sua mãe que parecia com uma base.

– O que está fazendo, Sasu? – Virou-se assustado ao escutar a voz de sua mãe quase gritando ao dizer: — Não sou gay! — Mikoto o encarou assustada por tal declaração, porém sorriu docemente para o filho. – Eu sei que não é. – E quando percebeu que havia sido compreendido choramingou: — Não posso ir assim pra aula, mãe.

Ela lhe deu um olhar sereno e compreensível, ao se aproximar tomou o objeto de suas mãos. – Vamos dar um jeito nisso. – A matriarca disse dando um sorrisinho, passando o produto em seguida em cima do hematoma perto do lábio e na bochecha, pegando mais alguns produtos e utilizando os mesmos.

– Em menos de vinte minutos é a segunda pessoa cuidando de mim. – Resmungou levemente irritado, levando um peteleco no nariz de sua mãe por isso.

– É porque nos importamos com você. – Ficou em silencio após isso esperando que ela terminasse de esconder seus machucados com aqueles produtos milagrosos. – Prontinho. – Riu quando a viu vibrar com o trabalho bem feito, analisou-o no espelho atrás de si e se admirou com o resultado. Enxergava bem pouco o hematoma, ele havia sido escondido atrás de coisas que nem sabia o que era. Sorriu satisfeito dando um beijo estalado na bochecha de sua mãe em agradecimento.

Pegou sua mochila e saiu pela porta que dava direto na garagem. Itachi já lhe esperava para dar carona para a aula.

– Truques da senhora Uchiha? – Ele o fitou com curiosidade e certa surpresa, quando concordou acenando a cabeça o mais velho fungou um riso logo arrancando o carro. Sua escola ficava no centro da cidade, o que geralmente levava dez minutos para chegar.

O som estava desligado, e não ousou mexer nele já que seu irmão era possessivo com suas coisas. Sentiu um calafrio ao ter a imagem do beijo fixada na mente. Droga. Tentou Em poucos minutos já pode avistar os portões de sua escola, arrumou a mochila já se preparando para sair quando seu irmão parasse no semáforo.

– Precisa de dinheiro pro lanche? — Sorriu para seu irmão negando com a cabeça. Quando ele parou o carro, saltou. – Boa aula.

– Igualmente. – Respondeu educado fechando a porta, passando a caminhar até a calçada, não demorou muito para avistar o grupinho que havia provocado Naruto a fazer aquela aposta ridícula, tendo em seguida os olhos azuis estalados e brilhantes no seu campo de visão.

“Não, estamos quebrados, Sasuke.” A frase pesou como num flash em sua mente ao encarar o dono dela. E o que ela poderia significar ficava girando em sua mente como uma bola de pinball. Era confuso, chato, irritante.

– Hey, Sasuke! – Naruto lhe cumprimentou levantando a palmada da mão direita, ele mancava levemente, mas conseguia caminhar sem maiores problemas.

– E ai? – Levantou seu queixo em direção ao grupinho, insinuando o que queria saber, mas o loiro ficou quieto acompanhando-o na caminhada até a sala. Apesar de odiar não obter respostas, não era um maníaco compulsivo por elas, esperaria o tempo que fosse para que o outro lhe respondesse.

Sentou-se na cadeira de costume, na carteira do meio da sala com Naruto ao seu lado. Odiava paredes, ficava com sono, e odiava ficar com sono, pois perdia a aula. Ajeitou seus materiais esperando que a professora inicia-se a aula, não tardou para que isso acontecesse.

No decorrer das três aulas, notou que o loiro em sua frente não havia virado para trás em nenhum momento, e aquilo o irritou. Não houve conversa, muito menos as perguntas típicas e obvias que ele fazia sobre o conteúdo que não entendia — o que era quase sempre.

Fechou o caderno quando o sinal que anunciava o intervalo tocou. Não tendo tempo de chamar Naruto para ir à cantina... Ele havia desaparecido como uma fumaça. Girou o tronco olhando em volta, não percebendo quando o outro se levantara, muito menos quando saíra da sala.

– Naruto...? – Chamou num sussurro desnorteado. Geralmente era o loiro que o seguia para todos os lugares, não compreendia como ele sumira sem nem ao menos avisar. Levantando-se num ímpeto, sem esperar as pessoas passarem pelo corredor, seguiu pelo caminho tentando imaginar aonde seu amigo pudesse ter ido.

– Procurando o viadinho, Sasuke? – Virou-se furioso para o dono que dissera tal blasfêmia e conteve suas mãos para não socá-lo. Viu a figura de fios negros e longos dizendo entredentes: — Neji.

– Sim, eu mesmo. – O sorriso cínico dançava nos lábios dele como se soubesse de algo, o que não o agradou nem um pouco. Deu dois passos ficando mais perto dele, fechando as mãos e colando-as contra o corpo para não cair na tentação. – Cadê o Naruto? – Perguntou em tom ameaçador. Neji ignorou sua perguntando pegando o celular, mexendo no mesmo rindo ao ver algum vídeo aleatório.

Respirou fundo buscando paciência para espera-lo. Quando passou um tempo considerável, e não teve a resposta desejada, elevou a mão direita dando um tapa com força no celular de Neji. Escutou o objeto prateado espatifar no chão, ricocheteando ao mesmo tempo em que a tela trincava em mil pedacinhos.

– Seu idiota. – Neji disse a ultima palavra com fúria antes de dar um soco de direita em seu rosto, não conseguiu reagir devido a suas limitações da queda, mas também por não esperar aquele comportamento. Perdera o equilíbrio caindo no chão, sentindo o gosto de ferro na boca elevou a mão até o local acertado. Sabia que dessa vez o estrago seria bem maior... Só um sermão não bastaria para seu pai e irmão.

Grunhiu tentando se levantar, mas perdeu a visão por um tempo quando teve as costelas acertadas por um chute. Desnorteado tentou se livrar das pernas de Neji quando o mesmo o agarrou pelo colarinho, acertando um soco com cada mão em seu rosto sucessivamente enquanto gritava calúnias: — Seu cú já deve ter sido comido um monte de vezes por aquele viadinho de merda. Viados nojentos.

Não encontrava nenhuma motivação para reagir àqueles ataques, muito menos de tentar revidar. Permaneceu imóvel, sendo torturado pela dor, o gosto de sangue, enquanto Neji lhe desferia socos insuportáveis no rosto. Naquele momento tentou entender o porquê daquilo... Talvez devesse ter ficado em casa. – Esses gays malditos deveriam morrer a viver nesse mundo, contagiando a todos com seus traseiros ridículos e coloridos. – Não soube dizer quando um professor apareceu, muito menos quando estava na enfermaria salivando sangue. Levantou da maca, olhando diretamente no espelho, meio desnorteado, que tinha na frente, assustando-se com a imagem horrível que era refletida. Tinha um curativo no supercilio que já estava manchado de vermelho no meio, seu olho esquerdo estava levemente inchado, sua boca com gosto amargo com o canto roxo.

Fitou alarmado a porta se abrir podendo ver a figura de seu irmão entrar na sala exalando uma aura negra. – Sasuke. – Ele o chamou parando ao lado da maca e o encarando com fúria, curvou os ombros tentando se esconder. Itachi aparecer ali não era um bom sinal...

Nunca era. Então apenas limitou-se a dizer: — Não fui eu. – Fechando os olhos com força.

Notas finais
É isso! Espero que tenham gostado, por favor comentem *-* Ficarei muito feliz e honrada em responde-los Beijinhos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.