Ei, esse Uke é meu!
4 Pra você guardei o amor – Nando Reis
Notas iniciais
“Pra você guardei o amor que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar e repartir”
On. Pov Kise – Flash back
– Que horas será que ele volta? – perguntou-me Aominecchi ainda com o rosto enterrado nos braços cruzados sobre a mesa.
– Como é que eu vou saber? – revirei os olhos. – desde que ele começou a namorar o Kagamicchi perdeu noção de hora. – fiz um bico. – ele tá esquecendo completamente da gente.
– Mas hoje era a competição de mortal combat, era a revanche pela última vez! – ele bufou e jogou a cabeça para trás, podo os braços para apoiar a mesma. – por que ele não chega logo? – foi uma pergunta retórica.
Aominecchi pegou uma garrafa preta que estava a sua frente e bebeu um demorado gole.
Olhei para um canto qualquer da biblioteca, meus olhos pararam num casal. Eles estavam sentados juntos numa das mesas de estudo. Ela tinha cabelos pretos presos num rabo-de-cavalo e óculos fundo-de-garrafa. Grandes olhos castanhos e rosto redondo. Ele tinha cabelos castanhos claros e um sorriso enorme apesar das olheiras claramente visíveis abaixo dos olhos.
Dava para ver que ela era tímida pelo modo como suas bochechas coravam a cada vez que ela olhava nos olhos dele. E que ele era engraçado pelas risadas discretas que arrancava dela.
Ela tentava explicar algo do livro que segurava para ele, mas ele não se concentrava. A garota revirou os olhos e segurou o rosto dele, puxando-o para si e dando um selinho. Ambos ficaram muito corados e olharam para o chão até ele finalmente prestar atenção no que ela falava.
“Que fofo” pensei.
Eles viviam em mundos diferentes, mas haviam se tornado tão próximo.
“Pra você guardei o amor que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim
Vem visitar, sorrir, colorir solar
Vem esquentar e permitir”
– Kise sua loira oxigenada, está me ouvindo? – Aominecchi socou de leve meu ombro.
– Ahn? – desviei o olhar do casal. – o que foi?
O moreno direcionou os olhos para onde antes eu observava e depois tornou a fixa-los em mim com um sorriso malicioso.
– Está com vontade de beijar também loira do banheiro? – provocou ele.
– Cala a boca. – revirei os olhos. – e, por favor, só a abra quando algo de útil for sair dela.
Ele riu de minha reação, afinal eu não era do tipo que revidava demais as provocações, mas esse cara me tira do sério! Isso não é normal!
– Hm... – Aominecchi puxou sua cadeira para mais perto da minha e pôs o cotovelo apoiado na minha. – então Kisecchi, o que acha de fazermos algo interessante hoje?
– O q-que está dizendo idiota? – tentei desviar o olhar, mas não conseguia.
– Isso aqui está um tédio. – acariciou meus cabelos com a mão do cotovelo apoiado. – estou pensando num programa melhor para hoje.
Que cheiro estranho é esse vindo da boca dele?
– Poupe-me de suas fantasias ridículas. – virei o rosto para o outro lado. – e solte meu cabelo.
– Tsk. Chato. – Aominecchi segurou minha cabeça com uma mão enquanto puxava meu queixo com a outra.
– Aominecchii...
– Vamos nos divertir hoje, você querendo ou não.

“Quem acolhe o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silencio existe
Em cada olhar”
– Vai se ferrar. – dei uma tapa na mão que segurava meu queixo. – procure alguma garota peituda pra satisfazer suas loucuras, tenho mais o que fazer.
É sério, que hálito estranho é esse?
– Ah, claro! Desculpe-me modelinho, vai quebrar o salto fazer algo diferente? – ironizou.
– Me solta caramba... – tentei afastar-me, mas sua mão prendeu-se em meu pescoço, apertando-o com as pontas dos dedos.
Imbecil! Ele sabia que aquele era meu ponto fraco!
– P-Pare com isso... – falei, mas minha voz saiu falha.
– Vamos quebrar um pouco a rotina hoje. – disse ele com um sorriso malicioso e levantou-se.
Sua mão escorregou de minha nuca até meus ombros, deslizando pelo braço para depois segurar o pulso com força.
– Hoje, você é meu.
“Guardei sem ter por que
Nem por razão ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar”
– O excesso de narcisismo está afetando o seu cérebro. – falei tentando me soltar, mas ele era muito forte. – me solte senão eu vou gritar.
Aomine riu e continuou a arrastar-me pelos corredores.
– Acho que ninguém iria te ouvir. – virou o rosto para olhar para mim com um sorriso sádico. – amordaçados não falam.
Arregalei os olhos a sua fala e nem percebi quando já estávamos nos dormitórios. Aomine me jogou, LITERALMENTE, em cima da cama.
– Vamos brincar. – aproximou-se da cama.
Levantei num salto e corri para o outro lado do quarto.
– QUE MERDA VOCÊ ANDOU FUMANDO?
Eu não era de usar esse tipo de palavreado, mas... PORRA! ELE ESTAVA ME DANDO MEDO!
Aquele sorriso sádico, a maneira provocante como mordia o lábio inferior. Os olhos repletos de...
Desejo?
“Achei vendo em você
E explicação nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar”
– Pare com essa maluquice! – corri para o outro lado do quarto quando ele se aproximou novamente. – para de me seguir!!! – continuei a correr pelo quarto enquanto ele ia atrás.
Em certo ponto, cheguei a porta e tentei abri-la.
Puta merda.
ESSA PORCARIA DE TRANCA PRECISA TER MAIS DE UMA CHAVE!
Olhei para Aominecchi que sorria vitorioso com a chave na mão, ele a pôs dentro do bolço da calça e aproximou-se muito rapidamente, de movo que não consegui fugir dessa vez, sendo imprensado. Meu peito estava sendo praticamente amassado contra a porta. Aominecchi agarrou-me por trás, pondo um braço envolta de minha cintura, enquanto a outra mão se dirigia ao meu queixo.
– Nee Kisecchi... – sussurrou em minha orelha enquanto sua mão apertava meu queixo. – omae wa kawaii desu... Tsugoi bige des ka¹...
– Hanaste... Onegai²... – implorei, meus joelhos tremiam.
– Lie... – acariciou meu lábio inferior com a ponta do indicador. – eu já disse: hoje você é meu.
Eu iria revidar, mas seus lábios apossaram-se de meu pescoço e deixei escapar um gemido baixo.
Finalmente havia reconhecido aquele cheiro estranho.
– Aominechii, você bebeu? – perguntei em pânico.
– Hm... Talvez... – sussurrou em meio as mordidas que agora desciam para meu ombro.
Ele abocanhou a gola e afastou-a com os dentes, para depois voltar a marcar minha pele.
Quando ele havia bebido? A única coisa que o vi beber foi aquela garrafa... Mas não era possível! AQUELE IMBECIL COLOCAVA BEBIDA ALCOÓLICA EM VEZ DE ÁGUA NA GARRAFA?
– Kisechii, seu gosto é diferente... – roçou a ponta da língua do ombro a minha orelha. – nenhuma daquelas putas oferecidas tinha um sabor tão bom assim... – o indicador que acariciava meu lábio começou a forçar entrada em minha boca, pegando-me de surpresa, ele acabou entrando sem eu nem perceber. – que quentinho... – mordeu meu lóbulo. – eu quero você...
AOMINECHII DEVIA PARAR DE BEBER!
Meu coração batia feito um louco, eu mal conseguia respirar. Minhas pernas tremiam tanto que eu parecia estar tendo uma convulsão.
“Pra você guardei o amor que aprendi vendo os meus pais
O amor que tive e recebi
É hoje posso dar livre feliz
Céu cheio e ar na cor que o arco-íris risca ao levitar”
Nem percebi quando ele recuou, sentando-se na cama, fazendo-me sentar em seu colo.
– Que fofo... – disse Aomine observando meu rosto corado e minha respiração ofegante. – mas eu ainda nem comecei.
“Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar”
Aos poucos afrouxou o braço em minha cintura, vendo que eu parara de resistir e deixou a mão escorregar até chegar a minha calça. Retirou o dedo de minha boca e direcionou-o aos botões de minha camisa. Retirando cada um de sua casa lentamente enquanto tornava a marcar meu pescoço com beijos, mordidas e chupões. A outra mão agora trabalhava em desabotoar minha calça e abrir o zíper, adentrando a roupa e acariciando minha ereção por cima da box.
– Aaaaah... A-Aominechii...
– Daiki. – murmurou colando novamente seus lábios a minha orelha, o hálito quente misturando-se a rouquidão. – me chame de Daiki.
– D-Daiki... – gemi inconscientemente. – Y-Yamete... Kudasai³...
Terminou de desabotoar minha camisa e a jogou no chão. Virou-me bruscamente, colocando-me de frente para si e sorriu maliciosamente.
– Vamos esquentar as coisas.
– O q... – moveu os lábios rapidamente e mordeu meu mamilo.
“Guardei sem ter por que
Nem por razão ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar”
Gritei e mordi o lábio.
Kami, aquilo era bom! A forma como seus lábios vermelhos puxavam meus botões róseos entre seus dentes. A pele morena fazendo um completo contraste com a esbranquiçada de meu peito.
A língua vermelho escuro provava cada pedacinho de pele que encontrava, algumas vezes parava para morder e depois continuar seu caminho tortuoso.
– Não aguento mais... – disse ele, e apertou meu membro ainda coberto.
Um gemido realmente alto escapou de meus lábios e fui jogado com violência na cama. As unhas de Aomine arranhavam meu abdômen quando sua boca tomou a minha num beijo selvagem, eu podia ouvir gemidos baixos em sua garganta.
As mãos sem nenhum pudor arrancaram minha calça e os lábios nada castos desciam até meu baixo ventre, degustando-o com avidez.
– Gosta quando eu faço isso? — Perguntou mordendo a ponta da glande.
Tapei meus lábios, tentando em vão segurar meus gemidos, mas isso era impossível.
Ouvi sua risada sádica e a umidade de sua boca aquecer minha ereção à medida que acariciava-a com a língua.
“Achei vendo em você
E explicação nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar”
– Seja meu. – disse ele largando meu membro e colando-se em cima de mim com uma expressão melancólica, a expressão sádica abandonando completamente seu rosto e o pleno desespero visível em seus olhos escuros. – por favor, seja meu e de mais ninguém.
– Daiki... – lagrimas inundaram meus olhos.
Eu não me entendia. Eu gostava do Kurokocchi, o pequeno, o doce, o infantil... O ingênuo e delicado, eu o amava de verdade, certo?
Então por que meu coração gritava por Daiki?
“Pra você guardei o amor que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar e repartir”
– Ai shiteru¹².. .- seus olhos encheram-se de lagrimas. – não me deixe, nunca.
“Quem acolhe o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silencio existe
Em cada olhar”
Posicionou-se entre minhas pernas e tirou a própria calça.
– Gomenasai¹³ – penetrou-me de uma vez.
Gritei. Muito alto.
Doía.
Era insuportável.
Meu corpo queimava, a sensação de estar sendo rasgado.
– P-Pare Daiki...! – choraminguei. – dói... Doí muito! Pare...! Aaaaah...!
– Gomensasai... Gomenasai... – repetia ele inúmeras vezes.
Não era bom, aquilo doía. Eu não conseguia sentir prazer algum. Apenas a sensação de estar sendo rasgado ao meio.
– Por favor... Pare...!
– Gomenasai Kise... Gomen...– mas ele não parou.
Não era só meu corpo que doía.
Meu coração estava sendo esfaqueado.
Aquilo não era amor, não podia ser. EU AMAVA O KUROKO! AOMINE ESTAVA... Estava...
– P-Pare... – mais lagrimas surgiram em meus olhos. – Pare... Pare...
Ele não me ouviu.
Não parou.
Foi até o fim.
“Guardei sem ter por que
Nem por razão ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar”
Acordei sentindo uma dor horrível nas costas e na... Na bunda...
Sentei-me, atordoado. O que eu havia feito? O que havíamos feito? Não acredito que havia perdido minha virgindade daquele jeito!
Olhei em volta. Nenhum sinal de Kurokochii, meus olhos desceram para o moreno deitado ao meu lado.
Sentei-me na cama e observei-o melhor.
Os lábios vermelhos, a pele escura, os cabelos azulados, o corpo proporcionalmente ideal...
– Não e possível... – murmurei enterrando o rosto nas mãos.
Eu não podia estar apaixonado. Não podia!
Levantei-me da cama, gemendo de dor e fui para o banheiro. Tomei um longo banho, limpando toda a minha pele, limpando meu corpo, mas minhas memorias ainda estão vivas em minha mente...
Enxuguei-me e observei meu corpo no espelho. Repleto de aranhões, chupões e mordidas. Minha pele tinha uma enorme variação de cores espalhadas por toda ela.
Respirei fundo e fui para o quarto, coloquei uma roupa qualquer e fui em direção a Aomine. Inclinei-me em direção a ele e cutuquei-o.
– Acorde... Aominecchii levanta... – sussurrei.
Ele se mexeu um pouco e abriu os olhos lentamente, observando-me.
– O que você quer bicha oxigenada? – perguntou ele com a voz sonolenta.
– Vá tomar um banho. – falei. – está precisando depois do que fizemos. – corei.
– Fizemos? – ele bocejou e se sentou na cama. – do que está falando?
Perdi o chão no momento em que ele falou isso.
Como assim “do que eu estava falando”?
– Pare de brincadeiras. – forcei um sorriso. – sabe muito bem do que eu estou falando.
– Além de burro agora é doido ô loira? – ele franziu a testa. – tá inventando coisa.
Prendi a respiração e engoli o desespero.
– Você não se lembra de nada? – perguntei.
– Do que eu deveria lembrar?
– N-Nada! – respondi rapidamente, havia tristeza em minha voz. – não deveria lembrar de nada! É coisa da minha cabeça! – ri falsamente. – eu... – senti meus olhos arderem e lagrimas se formarem. – eu... Tenho que ir...
Peguei a chave que ainda estava no bolso de sua calça, destranquei o quarto e saí.
Não olhei para ele, não queria mais ver seu rosto depois disso.
Por que... Por que fui me apaixonar por esse idiota?
“Achei vendo em você
E explicação nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar”
Off. Pov Kise — Fim do flash back.
Traduções:
¹ Você é fofo... Incrivelmente lindo...
² Solte-me... Por favor...
³ Pare... Por favor...
¹² Eu te amo
¹³ Perdoe-me
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