Ei, esse Uke é meu!
11 Hana - Orange Range
Notas iniciais
“As coisas se dispersam ao nosso redor como pétalas de flores
“Como em um sonho,
era um milagre pra encontrar você
Nos amando, brigando...”
On. Pov Aomine
Kise estava me evitando.
Não entendo o que aconteceu, se eu fiz algo errado ou deixei de fazer, mas há uma semana aquele loiro maldito mal olha para a minha cara. Não me passa as matérias que peço, e sempre que pode escapa da minha companhia. E isso já estava me irritando!
– Oye, Kise... – chamei-o enquanto cutucava seu ombro.
Ele estava sentando embaixo da sombra de uma arvore. Enormes redfones vermelhos cobriam suas orelhas e seus lábios se moviam, cantando mudo a musica que escutava.
Assim que o toquei o mesmo abriu os olhos e ofeguei ao vê-lo. Estavam vermelhos, muito vermelhos e enormes olheiras seguiam abaixo destes.
– Você andou chorando... – sussurrei, não era uma pergunta, mas sim uma afirmação.
Ele se levantou e vi-o aumentar o volume da musica que agora, de tão alta, podia ser ouvida mesmo sem eu estar com os redfones.
– Não me ignore. – reclamei.
Ele sequer olhou para mim e de as costas, segundo em frente.
– EI, KISE! – agarrei seu pulso, puxando-o. – por que você... – calei-me.
Lagrimas surgiam em seus olhos e escorriam pela face delicada, eu nunca o havia visto daquele jeito.
– Não me toque, por favor. – sussurrou quase mudo e arrancou o pulso de minha mão.
Não pude evitar deixa-lo ir, as lagrimas que banhavam seu rosto haviam me paralisado por completo, por um minuto eu não conseguia mais raciocinar e minha mente ficou em branco.
Por que ele estava chorando?
Off. Pov Aomine
“Nós dois juntos escalamos várias barreiras
Mesmo que eu renasça
Me tornarei uma flor e voltarei ao seu lado”
On. Pov Kise
Aomine era um idiota! Como não percebia os meus sentimentos?
Sai o mais depressa que pude dali e esbarrei justamente na segunda pessoa que eu menos queria ver.
– Kise-kun! – disse Kurokocchi. – até que enfim, eu queria falar com você!
– Desculpe Kurokocchi, estou ocupado. – menti.
– Não! Não está! – ele se agarrou a meu braço. – precisamos conversar!
Era agora, ele iria dizer que estava saindo com Aomine. Eu não queria em hipótese alguma escutar aquilo!
– Realmente estou ocupado! – persisti. – depois agente conversa!
– Kise-k...
Nem dei tempo para ele terminar de falar e logo saí dali também. Eu precisava ficar sozinho. Queria ficar em paz.
Queria morrer de uma vez.
“Será que sempre estará lá, o sol que neste momento
está bem acima de mim?
Será que sempre conseguirei guardar, as caras de choro,
risada e raiva que você fez?”
Praticamente corri para o terraço e fiquei por ali. Deite-me no chão e aumente ainda mais o volume da música. Não bastava eu estar deprimido, a música tinha que ser deprimente também.
Claro que minha paz não durou nem cinco minutos até alguém aparecer e cutucar meu ombro.
Abri os olhos e suspirei aliviado ao ver que não era Aominecchi ou Kurokocchi.
– Yo, Kasamatsucchi. – falei sentando-me e observando o moreno a minha frente. – o que faz aqui?
Yukio Kasamatsu era meu senpai no clube de fotografia. Mais baixo que eu, possuía cabelos curtos, pretos e espetados, olhos azuis-acinzentados e era muito exigente em relação à fotografia. Fora isso era gente boa e me ensinava a tocar guitarra nos fins de semana.
– Estava lhe procurando, como o vi deprimido esses dias, supus que estivesse aqui.
– Pelo visto todo mundo percebeu. – suspirei. – o que quer?
Assim que terminei de falar ele ficou vermelho, muito, muito vermelho mesmo.
– Ah... E-Eu... B-Bem, e-eu... – gaguejou encarando o chão.
– Você...? – incentivei-o.
– E-Eu... E-Eu... – ele encarou-me determinado. – g-gostariadesaircomigo? – falou num folego só.
– Hein? – franzi a testa. – não entendi.
Ele respirou fundo e o rosto quase voltou para a cor normal.
– Gostaria de sair comigo? – repetiu timidamente.
“Se de qualquer maneira tudo isso foi terminar um dia,
nós deveríamos ser mais gratos e poderíamos nos encontrar
Naquele dia. Naquele momento.
O milagre daquele lugar. Dará luz a um novo milagre.”
Sinceramente? Fiquei surpreso. Nunca havia olhada para Kasamatsucchi daquela forma.
– An... – cocei a cabeça. – você me pegou de surpresa, eu... Hm... Não sei...
– Por favor, dê-me uma chance. – repetiu tomando uma de minhas mãos entre as suas. – só um encontro, se não gostar eu desisto.
– Hm, mas...
“Vamos lá Kise” disse uma vozinha em minha cabeça “Aomine está com o Kuroko, você não têm nada a perder”.
– Está bem. – sorri timidamente. – eu aceito.
O moreno abriu um enorme sorriso e me abraçou, e por incrível que pareça, senti-me confortável em seus braços.
– Então, amanhã. – disse Kasamatsucchi. – as três e meia, em frente a estatua de mármore em frente à cafeteria da rua 56.
– Certo. – assenti com a cabeça. – estarei lá.
– Kise-kun... – sussurrou.
Olhei para ele, seus olhos normalmente escuros brilhavam e estavam fixos em minha boca.
Não o impedi de se aproximar e beijar-me.
Afinal, eu não tinha nada a perder.
Não é?
Off. Pov Kise
“Tornando-me forte com as coisas do amor,
tendo fé nas coisas que acreditamos
As coisas que você deixou agora estão no meu coração,
veja que elas ainda não perderam seu brilho”
On. Pov Aomine
O que raio era aquilo?
Por que Kasamatsu-senpai estava beijando Kise? Por que estava beijando o meu Kise?
Eles separam os lábios e olharam um para o outro, corados. Kise sorria timidamente e Kasamatsu-senpai acariciava lhe uma das bochechas.
Depois de mais um selinho Kasamatsu-senpai se levantou e olhou para Kise, exibindo um largo sorriso.
– Até amanhã Kise-kun.
– Até, não se atrase! – disse o loiro rindo. – pode me chamar só de Kise mesmo!
– K-Kise. – repetiu o moreno, corando violentamente em seguida.
Vi-o direcionar-se para a porta do terraço e tratei de escapulir dali sem ser visto.
Por que aqueles dois estavam juntos? Por que estavam se beijando? Como Kise OUSAVA beijar outro além de mim?
“Você o estuprou idiota”, disse uma vozinha na minha cabeça.
“CALE A BOCA!” gritei mentalmente para ela.
Eu não havia o estuprado, bem, ele... An, ele “cedera” por assim dizer. Não é como se eu houvesse o forçado naquele momento...
“– P-Pare Daiki...! – choramingara. – dói... Doí muito! Pare...! Aaaaah...!” lembrei-me de suas palavras, o rosto banhado em lagrimas.
Hm, bem, talvez eu o tenha forçado um pouquinho... Mas isso não quer dizer que ele podia sair com quem bem entendesse! Ele... Ele era MEU!
Na manhã seguinte, ao acordar, me toquei na besteira que havia feito. Kise iria me odiar! Então me fiz de desentendido, alegando que não me lembrava de nada, mas lembrava, e COMO LEMBRAVA.
Mas isso não importa agora, o que importa é que Kise era meu! Apenas meu! E ninguém, nem mesmo Kasamatsu-senpai iria tira-lo de mim!
Off. Pov Aomine
“Eu penso em coisas felizes, como se pudéssemos
nos encontrar, para que eu possa recuperar meu sorriso
Com esses sentimentos de gratidão,
eu sigo em frente em meu caminho”
On. Pov Kise
O dia passou mais rapidamente do que eu imaginava, e logo o tão glorioso sábado sem aulas veio! Kurokocchi havia tentado falar comigo, mas dei-lhe outra desculpa esfarrapada e fui dormir antes mesmo que ele chegasse ao dormitório. Já Aominecchi parecia me evitar pelo resto do dia e não falara absolutamente mais nada comigo.
Não que eu me importasse, era melhor assim.
Olhei no relógio, já eram três horas.
Arrumei-me. Vesti uma calça jeans azul escuro, blusa branca com mangas até os cotovelos e um moletom preto sobre os ombros. Kurokocchi me viu e perguntou para onde eu ia, apenas disse-lhe que tinha um compromisso e saí às pressas do dormitório.
Três e vinte e cinco. Kasamatsucchi já estava em frente a estatua. Parecia nervoso. Esfregava uma mão na outra e suas pernas tremiam um pouco.
– Kasamatsucchi. – chamei-o indo em direção a ele.
O moreno sorriu carinhosamente e foi em minha direção também.
– Oi Kise. – disse ele se pondo na ponta dos pés.
Ele ia me beijar, eu sei que ia, e até fechei meus olhos para recebe-lo.
No segundo seguinte alguma coisa passou voando entre nós e recuei com um salto para trás.
– Desculpa tio! – disse um garotinho pegando a bola do chão. – eu ainda ‘tô aprendendo a jogar.
– Hm, tudo bem. – sorri.
O garotinho sorriu também e depois sumiu de nossa vista.
Olhei envergonhado para Kasamatsucchi já que ele parecia frustrado com o fato de não consegui me beijar. Desviei o olhar e deixei que ele entrelaçasse nossos dedos. Sua mão era cálida como seu abraço, me parecia realmente gentil.
Olhei para ele de canto e vi que usava uma bermuda preta que ficava um pouco abaixo dos joelhos, tênis de mesma cor junto a uma regata verde com uma blusa verde-escuro aberta por cima da anterior. Por estranho que pareça, combinavam perfeitamente com seu rosto pequeno e olhos fofos, mas ao mesmo tempo assustadores.
– Você é muito fofinho. – sorri.
Ele corou a tal ponto que podia ser confundido com um sinal de transito e olhou para o chão parecendo muito interessado nos quadradinhos que dividiam a calçada.
– O-Obri-g-gada. – gaguejou tremendo um pouco.
Acho que devo ter passado muito tempo o encarando, pois o mesmo tornou a olhar-me muito mais corado que antes e tentou falar:
– T-Têm a-algo-go de e-errado comi-g-go?
– Não, eu só... – “acho que é uma boa ideia tentar te amar”, completei mentalmente. – nada, esquece.
“As coisas se dispersam ao nosso redor como pétalas de flores
Como em um sonho, era um milagre pra encontrar você
Nos amando, brigando...”
Eu gostei do encontro, de verdade, realmente gostei, apesar das coisas que acontecerem.
O porquê de dizer isso?
Bem... Misteriosamente o garçom havia esquecido nosso pedido, e quanto perguntamos por ele, trouxeram trocado. A vendedora da loja de roupas que fomos confundiu Kasamatsucchi com algum delinquente e nós expulsou aos berros. O pneu do taxi que pegamos furou e Kasamatsucchi levou tantas quedas que me surpreendi por ele não ter ficado paraplégico.
– Foi divertido. – falei rindo depois da decima queda que Kasamatsucchi havia levado.
Ele fez um bico.
– Nada saiu como planejei. – disse ele frustrado. – queria que tivesse dado tudo certo.
– Não se preocupe. – beijei sua testa. – eu gostei.
“Nós dois juntos escalamos várias barreiras
Mesmo que eu renasça, eu quero te amar”
Ele corou (pela centésima vez) e nós sentamos num dos bancos do parque.
Era realmente bonito o local. Repleto de arvores com folhas amareladas, flores um pouco murchas já que estávamos no inverno. Mas mesmo assim não deixava de ser lindo. Um pouco além dos bancos seguia uma pequena lagoa repleta daqueles pedalinhos em forma de pato.
Realmente, Kasamatsucchi havia pensado em tudo.
“Eu me dispersarei como pétalas de flor
Aceitarei tudo o que este mundo jogar pra mim
O que você deixou pra mim
é um verdadeiro tesouro chamado "agora"
Então eu vou viver o melhor que puder, e me tornar uma flor”
– Não consegui comer nada no restaurante. – falei. – vou pegar algo para beber naquelas maquinas de quando chegamos, vai querer alguma coisa?
– Não, obrigada.
Levantei-me no banco e dirigi-me as maquinas de refrigerantes que ficavam num pequeno posto na entrada do parque. Estava tão distraído, quem nem percebi quando tombei em alguém.
Caí no chão e soltei um pequeno grito. Tsk, aquilo havia doido.
– Desculpe-me. – disse uma voz rouca que eu conhecia bem.
Mas não era possível, ele simplesmente não podia estar ali!
“Por que será que as flores murcham?
Por que será que o pássaros voam?
Por que será que o vento sopra?
Por que será que a lua brilha tanto?”
– Aominecchi... – sussurrei.
O moreno alto sorriu e esticou o braço, oferecendo-me a mão. Relutei mentalmente por alguns segundos até por fim aceitar sua ajuda, ele me ergueu rapidamente.
– Hunf. Obrigada. – falei já dando as costas.
– Espera um segundo Kise! Eu preciso falar contigo!
– Não temos nada para falar! – rebati.
– Temos sim!
“Por que será que eu estou aqui?
Por que será que você está aqui?
Por que será que eu te encontrei?
Te encontrar, isso é o destino”
– Não! Não t...
Ele segurou meu pulso e me puxou para trás com força para perto de si, virando-me de frente para ele.
– Ei! – reclamei. – isso dói! O que pensa que...
Antes que eu pudesse terminar de falar, Aomine cobriu meus lábios com os dele.
“As coisas se dispersam ao nosso redor como pétalas de flores
Como em um sonho, era um milagre pra encontrar você
Nos amando, brigando...”
“Nós dois juntos escalamos várias barreiras
Mesmo que eu renasça, eu quero te amar”
– Hm... – soquei seu peito com a mão livre. – m-me solta... – consegui dizer.
Mas ele não me ouviu, pelo contrario. Usou a outra mão para segurar minha cintura e puxar-me ainda mais para si.
– Me solta! – empurrei-o com força.
– Não! Você vai me ouvir! – gritou ele segurando agora ambos os meus pulsos. – me escuta!
– Eu não quero! – tentei me soltar.
– Pare de se mexer loira oxigenada! – reclamou apertando-me com ainda mais força. – só preciso que me escute!
– Não vou ouvir! Me solta!
– Kise! Para, hunf...! CALA A BOCA E ME ESCUTA PORRA! EU TE AMO!
“Eu me dispersarei como pétalas de flor
Aceitarei tudo o que este mundo jogar pra mim
O que você deixou pra mim
é um verdadeiro tesouro chamado "agora"
Então eu vou viver o melhor que puder, e me tornar uma flor”
– An? – todo o meu corpo parou de se mover.
– Isso mesmo que ouviu: eu te amo! – ele me largou e começou a mexer no cabelo, jogando-o nervosamente para trás. – desde os onze anos.
– An? – era a única coisa que eu conseguia dizer.
Ele bufou e começou a desabafar.
– Eu me apaixonei por você idiota? Que parte disso não entendeu? – mordeu o lábio inferior. – mas você... Era apaixonado pelo Tetsu e nunca me deu bola. Eu... Fiquei louco com isso e acabei fazendo aquilo. Naquela tarde, quando o Tetsu saiu com o Bakagami, confesso que eu havia bebido um pouco, mas estava sóbrio o suficiente para não fazer nenhuma basteira, mas com você... – segurou meu rosto delicadamente. – você me enlouquece. Faz-me perder a razão.
“A chuva deixa acima, um arco-íris cruzando o céu,
a luz é carregada pelo forte vento da primavera
Eu torno-me ciente de algo precioso”
Corei e desviei o olhar.
– V-Você se lembra do que fez! – falei sentindo minha voz falhar. – por que mentiu pra mim? Por que disse que não se lembrava?!
– Eu estava com medo! – puxou-me novamente. – estava com medo de que não me aceitasse depois do que fiz... Eu só... – lagrimas surgiram em seus olhos. – eu só queria que você me amasse como ama o Tetsu.
“Que se torna um sentimento chamado "amor"
Será que ainda consigo andar? Eu ainda consigo ver...
Minhas lembranças soarão distâncias à fora,
e durarão muito tempo”
Depois de alguns minutos, meu cérebro pareceu voltar a funcionar e falei:
– Eu não amo o Kurokocchi. – falei.
– Não? – ele franziu a testa. – mas então...
– Isso mesmo! Eu te amo seu imbecil! – falei já chorando. – mas você... Você nunca... Arg! Não consigo nem pensar!
E Aomine riu. Como há tempos eu não via. Tomou meu rosto entre os seus e disse com um tom malicioso:
– O que acha de recuperarmos todo o tempo perdido?
Corei violentamente e olhei na direção de Kasamatsucchi.
– Eu preciso falar com o Kasamatsucchi antes e...
– Não fale mais dele! Você vem comigo!
– Mas eu... AH! ME PÕE NO CHÃO!
Ele me colocou no colo e começou a correr.
“Idiota”, pensei, mas logo em seguida sorri.
Se ele era um idiota, acho que eu não sou diferente. Afinal me apaixonei por meu melhor amigo, e não há idiotice maior que essa.
“Sua felicidade... Sua dor... Seu tudo...
Vão florescer completamente...
Mais, mais e mais...”
Off. Pov Kise

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